UM HERÓI – Ghahreman

Cartaz do filme UM HERÓI – Ghahreman

Opinião

Asghar Farhadi vem do Irã e desenha personagens como ninguém. São figuras complexas, ambíguas, com seres humanos se apresentam na lida do dia a dia, na vida como ela é. UM HERÓI é um anti-herói, pra depois ser homenageado, depois questionado, depois perdoado. E essa sucessão de idas e vindas não termina jamais, assim como é a gangorra dos sentimentos humanos.

Assim como o diretor e roteirista fez em O APARTAMENTO, O PASSADO e A SEPARAÇÃO. Aqui também, um conflito é posto e o filme gira em torno do que acontece em dois dias fatídicos da vida de Rahim (Amir Jadidi), que pediu dinheiro emprestado, não conseguiu pagar ao credor, foi denunciado e preso. Tem dois dias de licença da prisão e um plano pra negociar a dívida e, quem sabe, conseguir a liberdade.

Mas nem tudo acontece como planejado, as camadas dos personagens envolvidos vai sendo descascada à medida que as horas passam, e vamos conhecendo – ou desconhecendo – cada vez mais as relações e os comportamentos. UM HERÓI, vencedor do Grand Prix em Cannes, fala de honra, de honestidade, mas também do quanto posturas éticas não são mais do que a obrigação. Ou seja, não há mérito em ser correto, mas do jeito que vamos, conceitos básicos de civilidade estão distorcidos. E as engrenagens da sociedade iraniana, aliada às redes sociais perversas, que tratam de fazer o julgamento, dão a palavra final.

UM HERÓI, que, no Festival de Cannes deste ano, ganhou o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio François Chalais, conferido a filmes com valor afirmativos sobre a vida e o jornalismo.

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