BLACKFISH – Blackfish: Fúria Animal

Cartaz do filme BLACKFISH – Blackfish: Fúria Animal

Opinião

Essa coisa de achar bonito baleias e golfinhos pulando em aquários gigantes só é possível se fecharmos os olhos. Bem apertado. E eu já caí nesta cilada, como você também pode ter caído. Porque com o mínimo de bom senso (e somos pessoas de bom senso, ora!) é possível chegar à simples conclusão de que uma coisa não se encaixa na outra. Pra você ver como a indústria e o marketing são poderosos. Como uma orca pode ser feliz presa às paredes de um tanque de água, quando seu habitat é o oceano? A conta não fecha.

Mas a conta faz sentido se pensarmos no lucro dos parques como Sea World, objeto deste documentário. Fecha no azul quando pensamos na quantidade de famílias que visitam os parques espalhados pelo mundo, loucos para ver a Shamu espirrar água no público. Já tinha ficado impressionada como o documentário The Cove (disponível no iTunes) sobre a matança de golfinhos, tanto por causa do comércio de sua carne, quanto para a captura e exibição em parques de entretenimento. Agora é Blackfish, premiado internacionalmente e disponível na Netflix Brasil, que faz a denúncia: as orcas, consideradas assassinas, não atacam quando estão em seu ambiente natural. Em cativeiro, sujeitas à privações, ficam irritadas e acabam atacando seus treinadores. O que é reportado pelos parques como imperícia e erro humano é, na verdade, uma consequência do tratamento dado a esses animais, segundo o documentário. E faz sentido. Já houve diversos acidentes com treinadores, vários com mortes (as imagens impressionam), mas o parque não é responsabilizado. O culpado é o treinador, que perdeu o timing da apresentação.

Quem ainda não assistiu ao filme francês Ferrugem e Osso, em que a personagem de Marion Cotillard perde as pernas ao ser atacada por uma orca, esse é um bom gancho, embora seja uma obra de ficção, que não foca no drama dos animais, mas sim do ser humano. Em Blackfish, o drama dos ex-treinadores é prova da conduta dos bastidores, orquestrada pelo interesse financeiro da indústria dos parques de entretenimento. Se eu fosse você, assistiria. E a próxima vez que cogitar uma visita à Shamu, seu olhar nunca mais será o mesmo.

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