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76ª BERLINALE – FESTIVAL DE BERLIM
A 76ª edição do Festival de Berlim, a BERLINALE, começa hoje oficialmente, mas nos bastidores os trabalhos já começaram. Hoje tem filme de abertura que nós da imprensa já tivemos a oportunidade de assistir. Começa com filme afegão No Good Men, da cineasta Shahrbanoo Sadat (também de O Orfanato) — e isso já sinaliza o que Berlim tem como diferencial este olhar pro mundo. Um mundo para o qual os olhos não se voltam, mas aqui temos o privilégio de observar através do cinema.
Claro que a composição do júri internacional condiz com essa premissa. Presidido por nada mais, nada mesmo do que Wim Wenders, cineasta alemão que é um ícone a ser celebrado, com obras que vão de Paris Texas e Asas do Desejo, de Pina e Buena Vista Social Club, O Sal da Terra a Dias Perfeitos. “A profissão do cineasta é incrível porque você consegue produzir algo e também aprender algo”, diz ele. “Os filmes produzem empatia e cada filme me fez diferente.”
Os filmes transformam os cineastas e o público — e a Berlinale traz isso no seu DNA, com a diversidade da curadoria. “Uma coisa é certa: em Berlim você assiste a filmes que trazem a mais diversas visões de mundo do que em qualquer outro festival”, garante Wenders. Em harmonia com essa visão, o corpo de jurados deste ano fortalece a ideia de que precisamos sim consumir histórias que ampliem horizontes, que ensinem sobre o mundo, que nos desloquem da zona de conforto conhecida para outras realidades. Temos o cineasta MIN BAHADUR BHAM, do Nepal (diretor de Shambhala, na competição da Berlinale em 2024); a atriz BAE DONNA, da Coreia do Sul (atuou em Broker, de Hirokazu Koreeda); o diretor SHIVENDRA SINGH DUNGARPUR, da Índia (ainda não conheço a obra dele); o diretor REINALDO MARCUS GREEN, dos EUA (diretor de King Richards e Bob Marley: One Love); a cineasta HIKARI, do Japão (diretora de 37 Segundos, Família de Aluguel, Treta); e a produtora EWA PUSCZCZYNSKA, da Polônia (produziu Quo Vadis, Aida? e Zona de Interesse). Júri de peso.
E isso muda tudo, claro. Quanto mais diversos são os olhares, mais pessoas, realidades, valores diversos são trazidos à tona no mar de histórias que assistiremos aqui. E temos a chance de nos conectarmos com elas. Todo mundo ganha com o diálogo que os filmes proporcionam — sem falar na construção de imagem que eles possibilitam de imagem e de “soft power”. “Estamos tentando construir diálogos com os filmes”, disse a produtora polonesa Ewa Pusczcznska quando perguntada sobre sua posição política. “Devemos fazer o trabalho de pessoas, não de políticos; aliás, somos o oposto dos políticos.”
E por trabalho, entendemos essa construção permanente de diálogos e conexões. “Como júri, somos um grupo em constante construção”, disse Wim Wenders. Com escuta ativa, sempre digo que os filmes transformam e são uma oportunidade de repensarmos nossa perspectiva de mundo. Como bem disse o diretor indiano Shivendra Singh Dungarpur, “fazer cinema nunca é sobre o resultado, mas sim sobre a jornada, o percurso pelo qual o filme te leva.” Disse tudo! Fica, aqui, o convite pra embarcarmos nessa aventura juntos!
Boa Berlinale pra nós! 🙂
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NO GOOD MEN _ Berlinale
Shahrbanoo Sadat | Afeganistão, Alemanha, Dinamarca, França, Noruega | 2026 | Comédia Romântica, DramaPartindo da premissa de que não havia homens decentes (ou simplesmente bons) no Afeganistão, […]
