BABYTEETH

Cartaz do filme BABYTEETH

Opinião

Por Suzana Vidigal, de Veneza

O segredo de Babyteeth, que é uma pérola, é unir humor e sofrimento numa só história. Como lindamente dito pela roteirista do filme, Rita Kalnejais, momentos como a morte de uma pessoa querida exigem humor, senão, passar pela dor é uma estrada insuportável. Essa é a chave de Babyteeth, literalmente “dente de leite”: a aceitação da morte com tudo que ela a vida traz, porque ainda há vida.

Falando de um assunto já conhecido no cinema, aqui a pegada é diferente. É vibrante. Milla (Eliza Scanlen, também na série Sharp Objects) está em tratamento contra um câncer quando se apaixona por um rapaz totalmente fora da caixa – Moses (Toby Wallace) trafica drogas, cria problemas e está com a relação cortada com a mãe. Milla e Moses se apaixonam, os pais delas desaprovam, mas não tem outra saída a não ser aceitar o rapaz no convívio da família.

O que Babyteeth traz é o retrato de uma família disfuncional, em que todos são imaturos, inseguros, mas amorosos; em que Milla é mais equilibrada de todos e a única que sabe onde quer chegar – embora seja a única que já não tem muito tempo. Baseado em uma peça, é dirigido pela australiana Shannon Murphy e tem um ritmo próprio: seus personagens parecem que enlouquecem, cada um vivendo a sua fraqueza, deixando as emoções fluírem. Tem um humor nas situações cotidianas, mostrando o lado difícil da vida, de uma gente contemporânea cheia de problemas – inclusive do consumo de drogas lícitas e ilícitas. Com personalidades imperfeitas, Babyteeth é sincero, profundo. Uma pérola.

Trailers

Comentários