A MELHOR JUVENTUDE – LA MEGLIO GIOVENTÙ

Cartaz do filme A MELHOR JUVENTUDE – LA MEGLIO GIOVENTÙ

Opinião

8 1/2 Festa do Cinema Italiano (ver programação)

Filmado em 2003 e vencedor de vários prêmios, A Melhor Juventude é um deleite pra qualquer cinéfilo. Em seis horas de filme, o diretor Marco Tulio Giordana dirige a saga da família Carati com sensibilidade e um real senso de pertencimento. “Um cineasta é intérprete do seu tempo”, disse ele na Masterclass que veio dar no Brasil durante o festival.

Além de discorrer sobre 40 anos da história italiana, a partir dos anos 1960, A Melhor Juventude é um filme sobre pessoas normais. Pode ser por isso, entre outros fatores, que nos identificamos com as crises existenciais, com os dramas familiares. “Os personagens não são heróis, Nicola não é o médico-chefe da psiquiatria. É só um médico”, completa. Inclusive, Giordana revela o tom irônico que tem o título – essa geração que foi jovem nos anos 1960 e 1970, do pós-guerra, “era a geração da ilusão”, disse ele. “Eram cheios de ideologias e idealismos, mas não fizeram nada pra realmente mudar o mundo como queriam.”

O eixo principal é a vida dos dois irmãos Matteo e Nicola, que são inseparáveis, mas de perfis opostos. Matteo se alista no exército, tem dificuldade nos relacionamentos e segue uma vida dura e solitária; Nicola é afetivo, se forma em medicina e cuida da família mesmo nas situações mais adversas. “Mas as protagonistas de verdade são as mulheres”, confessa. “Toda e qualquer ponto de reviravolta, de transformação da realidade e dos personagens é decidido pelas mulheres do filme: Adriana, Giorgia, Guilia, Francesca, Mirella e Sara”. Verdade, inquestionável.

Com doçura e relacionamentos conectados com a realidade, A Melhor Juventude nos faz transportar para a Itália nessas décadas, vivenciando junto a trajetória de personagens complexos, bem delineados, profundos. Um presente imperdível. Giordana traduziu bem sua maneira de fazer cinema, de contar história: “eu queria falar da revolução estudantil de 1968, mas em vez de mostrar os movimentos dos estudantes nas ruas, resolvi pegar um a estrada secundária e falar deles através da inundação em Florença em 1966, por exemplo, quando estudantes da Europa toda foram voluntários no salvamento das obras de arte. Belo e inteligente.

Comentários