VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS – Vivir es Fácil con los Ojos Cerrados

Cartaz do filme VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS – Vivir es Fácil con los Ojos Cerrados

Opinião

Assisti ao espanhol Viver é Fácil com os Olhos Fechados em uma sessão do Festival da Juventude da Mostra Internacional de Cinema de SP em 2014 e agora o filme entra em cartaz. Não poderia ser mais adequado mostrar para os jovens filmes como este. Além de divertido, tem aspectos importantes próprios da vida – e das dúvidas – da juventude que permeiam o filme de forma leve, sem que pareça ser uma lição de moral. Porque a gente já sabe que sermão nenhum surte efeito quando o que o jovem quer é experimentar novas sensações e ter novas experiências. Cai como uma luva.

Este é o filme espanhol que concorreu com o brasileiro Hoje Eu Quero Voltar Sozinho ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015 – que também fala sobre a adolescência. E tem uma história bastante criativa. Um professor ensina inglês aos alunos do ensino médio através das músicas dos Beatles. Isso em 1966, quando ele descobre que John Lennon estará na Espanha, mais especificamente em Almería, filmando Como Eu Ganhei a Guerra. Fã da banda, resolve ir até o set falar com o cantor e no meio do caminho dá carona a dois jovens: Belén está grávida e foge do internato onde sua família a colocou, para que tenha o bebê longe dos olhos da rígida sociedade católica; Juanjo foge de casa por não aguentar a pressão do pai autoritário. Sem rumo, se deparam com Antonio, que segue com os dois jovens num road movie até Almeria.

Divertido e sensível, Viver é Fácil com os Olhos Fechados é uma frase tirada da canção Strawberry Fields Forever, que Lennon compõe de fato enquanto filma. Fala do rito de passagem confuso e necessário da adolescência para a juventude e vida adulta por que passam Belén e Juanjo, pela sexualidade e pelos desafios e transgressões necessárias para o crescimento. Mas sobretudo ressalta essa figura do professor enquanto mestre, conselheiro, companheiro, alguém que sabe instruir sem castrar, que sabe deixar o recado sem dar sermão. Antonio é firme, sem ser autoritário, e com isso constrói uma relação de respeito e admiração, sem que para isso seja necessário ser “obediente”.

Em tempos de relações difíceis entre pais e filhos, alunos e mestres, o filme é uma homenagem linda àqueles que conseguem ser exemplo, educadores e facilitadores da reflexão individual de cada jovem. Afinal, o discurso e postura dos adultos intermediadores dessa passagem fazem toda a diferença.

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