O ASSASSINO – THE KILLER

Opinião
Especial 80º Festival de Veneza
Não crie grandes expectativas com o novo filme de David Fincher, se o que você espera é um desfecho surpreendente. Não faça como eu, que fui com muita sede ao pote. THE KILLER é essencialmente sobre uma jornada de vingança, de modo que é bom baixar a bola pra poder curtir o programa.
O filme sobre um assassino de aluguel que erra o alvo e sai pelo mundo em busca de vingança não passa nem perto do enredo enigmático de Seven: Os Sete Crimes Capitais — sua melhor direção. Michael Fassbender é esse assassino sofisticado, mantido a pão de ló, mimos, luxo e muito dinheiro pelos clientes que precisam eliminar alguém da face da Terra. Repentindo pra si mesmo que “empatia é fraqueza e fraqueza é vulnerabilidade”, ele traz o mantra de que é preciso “seguir o plano traçado” e não fazer mais nada além do serviço contratado. Só que um dia o tiro sai pela culatra, literalmente. O cliente enlouquece e acaba sobrando pra personagem da Sophie Charlotte (sim, a brasileira está no elenco). Enfurecido e munido de muitas armas espalhadas por vários depósitos e passaportes com diversas identidades, o assassino parte pra jornada de revanche.
Nada de novo nessa busca, nem nada de insano. Apenas um bom filme de ação — não que isso seja pouca coisa, mas em algumas cenas a pancadaria é exagerada. Previsível dentro do gênero; decepcionante pra quem esperava ser provocada e intrigada, como fez A Garota Exemplar e Zodíaco. Mas, em tempo: quem chama atenção é a personagem de Tilda Swinton, que tem pouco tempo de tela, mas muito o que dizer. Repare nela porque faz a diferença.
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