QUANDO FALTA O AR

Cartaz do filme QUANDO FALTA O AR

Opinião

QUANDO FALTA O AR é um registro dos tempos que passaram, mas que ainda estão muito presentes. Filmado pelas irmãs Helena e Ana Petta, foi o filme vencedor da competição Brasileira do ETV 2022 e registra o trabalho dos profissionais de saúde durante a pandemia em lugares tão diversos quanto as comunidades ribeirinhas da Amazônia, o Hospital das Clínicas, um presídio.

As mulheres da saúde é que foram os foco. “Foram as personagens médicas que encontramos que nos levaram para os lugares”, conta a diretora Ana Petta, na entrevista coletiva, já com o prêmio nas mãos. “Percebemos que essas mulheres já faziam um trabalho refinado e real com seus pacientes: uma médica oriental, uma indígena, uma que atende moradores do morro; cada uma com seu tempo, com sua característica.”

“Escolhemos falar de mulheres porque elas são a maioria absoluta no SUS”, revela Ana. “E como a Helena é médica, uma cena de um paciente sendo banhado no leito é algo que ela já viu, mas eu não. Pra mim, isso é novidade”. De fato, o filme mostra intimidade e espanto ao mesmo tempo, traduzindo os dois olhares das diretoras, que se complementam. “E como o jornalismo retratou exaustivamente o cotidiano da pandemia, quisemos trazer um outro ritmo, um outro enquadramento, um outro olhar sobre essa vivência tão intensa e dolorosa, inclusive pelo momento político crítico de negacionismo que vivemos”, completa.

A pandemia deu trégua, mas ainda precisamos de muito tempo pra entender melhor esse momento vivido e as transformações provocadas. O tal do distanciamento histórico vai ajudar – por isso registros assim são tão importantes pra essa análise e não-esquecimento do que vivemos.

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