OS FILHOS DOS OUTROS – Les Enfants des Autres

Opinião
Virginie Efira brilha neste filme que traz um recorte da experiência da própria diretora Rebecca Zlotowski (também de Grand Central). Brilha não só porque Virginie é uma atriz que transita facilmente entre drama e comédias românticas, filmes de época e contemporâneos; brilha porque muitas mulheres em uma na personagem Rachel, que é solteira e independente, mas já está na casa dos 40 e percebe cada vez mais o andar implacável do relógio biológico disputando lugar interno com o desejo de ser mãe.
Até que se apaixona por Ali, um homem divorciado, amoroso e aberto a um novo relacionamento. Ali tem uma filhinha adorável, que aos poucos se afeiçoa à namorada do pai. OS FILHOS DOS OUTROS não é tanto sobre o desejo de Rachel preencher seu vazio materno com sua enteada, nem sobre ser madrasta (embora isso também esteja nas entrelinhas), mas sim sobre a mulher Rachel ser fiel a ela mesma e não preencher vazios com o que não lhe é entregue de fato.
E isso poderia ser outra coisa, além de filho. Poderia representar qualquer outro vazio. Aqui é a maternidade aparece como aquela condição imposta socialmente para o exercício da feminilidade, mas o que Rachel traz é a reflexão de que isso não pode ser feito incondicionalmente. Se filhos biológicos não garantem um relacionamento, enteados muito menos. Não há tábua de salvação do lado de fora. O chamado é sempre interior e o fortalecimento interno e o autoconhecimento é que vão nortear o rumo a tomar. Rachel e Ali têm um chamado e é lá que mora o aceno final do filme.
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