LEONA

Cartaz do filme LEONA

Opinião

Ariela é artista, pinta murais nas ruas da Cidade do México e não pensa em se casar. Não como espera sua família, que a vê como a próxima mulher a subir no altar, como manda o figurino e a tradição judaica. Casar-se com um membro da comunidade mexicana é mandatório para a continuidade das tradições e para o pertencimento a este núcleo, que acolhe seus membros desde que moldados às regras rígidas e inegociáveis.

A cena que abre LEONA é o mikvá, o banho de purificação de uma prima, que está cumprindo os rituais pré-nupciais. Ariela está presente, mas só fisicamente. É nítido que não se identifica, que aquilo não faz sentido. Quando termina, troca de roupa no carro como quem tira o disfarce de moça obediente, veste uma roupa despojada e se torna quem ela quer ser.

É só no final do filme que entendemos o título LEONA. Faz todo sentido. Ariela se apaixona pelo homem errado, que não pertence à comunidade judaica e desafia seu desejo mais íntimo de encontrar seu lugar ao sol.

O banho abre o filme e também fecha. São dois banhos diferentes, mas com a mesma metáfora da passagem, da purificação, da eliminação de qualquer resquício nocivo. É símbolo de renascimento. Ariela renasce em outro ambiente e se liberta do que não lhe pertence. Uma narrativa genuína e universal sobre amarras que nos prendem aos padrões familiares, que muitas vezes ofuscam a verdade individual de cada um.

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