EU, ANNA – I, Anna

Cartaz do filme EU, ANNA – I, Anna
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Opinião

Charlotte Rampling já tem um olhar caído que lhe confere um ar misterioso por si só. Algo mais forte do que uma melancolia, um dor profunda. No livro da escritora Elsa Lewin, que deu origem ao filme, a personagem de Anna diz que “o motor do mundo parou”. É bem essa a sensação que se tem. Anna vive apática, indiferente, mas com desespero interno imensurável, que só o desfecho vai revelar.

E que desfecho! Eu, Anna é um suspense sombrio, noir. O diretor Barnaby Southcombe, filho da protagonista Charlotte Rampling, acerta no tom quando constrói a personagem aos poucos. Sugere, mas não explicita, dá indícios que se tornam muito úteis para quem assiste ao filme pela segunda vez. É uma construção humana, sem dúvida. O cenário é bastante simples, corriqueiro. Diferente do livro que se passa em Nova York, o filme é ambientado em Londres, mas na porção dos cidadãos comuns da cidade, sem qualquer glamour ou pompa. Do jeito que é Anna, uma mulher comum, amargurada pela vida. Divorciada, ainda não se conformou com a perda do marido Simon. Divide um apartamento minúsculo com sua filha Emmy, mas se sente tão solitária a ponto de frequentar festas para adultos solteiros em busca de companhia.

Está na cara – e no olhar – de Anna o medo que sente. Talvez dela mesma. E esse é o grande lance do filme, principalmente quando entra em sua vida o detetive de polícia Bernie (Gabriel Byrne). É aqui que fica mais evidente a existência do mistério na vida de Anna, que vai ganhando corpo com pistas aparentemente desconexas, mas que depois fazem todo o sentido.

Vale seu ingresso pela sutileza e profundidade na construção de Anna. Se Southcombe vislumbrou sua mãe no papel da protagonista de seu primeiro longa, não foi por querer favorecê-la – mesmo porque ela não precisa disso. Foi por antever a intensidade da personagem na figura já ambígua que a atriz transparece. Assim como em À Beira da Piscina e Melancolia, sua personagem sempre me deixa na dúvida. Que parcela do seu olhar é verdadeira? Em Eu, Anna, é assim o tempo todo e o desfecho é  assustador.

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