CALL JANE

Cartaz do filme CALL JANE

Opinião

Assistido na 72ª Berlinale _2022

Em 2020, levou o Urso de Prata o filme americano “Nunca Raramente Às Vezes Sempre“, de Eliza Hittman, que conta a história emocionante de uma jovem que engravida e procura ajuda pra fazer um aborto seguro. O tema volta à Berlim com o ótimo CALL JANE, de Phyllis Nagy, diretora que estreia, ela que escreveu o roteiro de “Carol”.

Nagy entra nesse universo feminino de cabeça, contando aqui uma história inspirada no coletivo CALL JANE, uma organização clandestina na Chicago dos anos 1968, que acolhia mulheres que queriam fazer aborto e dava a elas uma alternativa segura. Jane não é uma mulher específica, mas representa todas nesse contexto do apoio à causa. O fio condutor é a história de Joy, uma dona de casa de classe média alta, que vive confortavelmente com seu marido e sua filha, e fica grávida. Como Joy tem uma gravidez de alto risco e o aborto não é permitido pelas vias legais já que não coloca em risco a vida do bebê, mas a vida da mãe, ela busca as vias clandestinas pra se salvar, literalmente.

E se salva – inclusive abraçando a causa do coletivo que é o acolhimento sem julgamento. Cada mulher que passa pela clínica tem uma razão para abortar – e não cabe julgamento algum. E esse é o grande trunfo da história do coletivo, que ficou ativo por quatro anos e realizou milhares de procedimentos. Fala de raça, de direitos da mulher, de sociedade, de machismo, de mundo machista; fala também de política, poder, reforço de privilégios, reforço dos papéis na sociedade, religião.

“Nunca Raramente Às Vezes Sempre” mostra a trajetória da mulher propriamente dita pra ter seus direitos atendidos de forma segura; CALL JANE mostra a força da coletividade. Fez parte também da seleção oficial de Sundance e vem pra Berlinale engrossando o time dos filmes feito por mulheres, sobre mulheres.

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