8 1/2 FESTA DO CINEMA ITALIANO

Publicado em

8 1/2 Festa do Cinema Italiano rolando a partir do dia 8 de agosto com o melhor do cinema contemporâneo. O destaque desta edição é para o filme O Melhor da Juventude, de Marco Tullio Giordana, de 2003. Com mais de 6 horas de duração, será exibido em duas partes (ver programação para sua cidade aqui).

O diretor estará no Brasil e vai conversar com a plateia após a sessão em São Paulo, além de ministrar Masterclass dia 8 de agosto, às 11h, no Itaú Augusta.  

Abaixo os filmes já assistidos – é só clicar no link pra ler o comentário e assistir ao trailer.

INGRESSOS: já estão à venda AQUI

PROGRAMAÇÃO:

  • de 8 a 14 de agosto em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Niterói, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife;
  • de 15 a 21 de agosto em Belém, Florianópolis, Goiânia, Salvador, Vitória, Fortaleza, Londrina e Natal.

 

Noite Mágica (Notti Magiche) – Paolo Virzì

A Melhor Juventude (La meglio gioventù) – Marco Tullio Giordana (sessão especial)

Silvio e os Outros (Loro) – Paolo Sorrentino

Euforia – Valeria Golino

Lucia Cheia de Graça (Troppa Grazia) – Gianni Zanasi: exibido na Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes 2018

Entre Tempos (Ricordi?) – Valerio Mieli

Bangla – Phaim Bhuiyan

Desafio de um Campeão (Il Campione) – Leonardo D’Agostini

Dafne  – Federico Bondi

Ciclo A Grande Arte no Cinema

Michelangelo – Infinito (Michelangelo – Endless)

Caravaggio – A Alma e o Sangue (Caravaggio – l’anima e il sangue)

 

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE VENEZA – La Biennale

Publicado em

Por Suzana Vidigal, de Veneza

Acompanhar festivais de cinema significa ficar na fila. Mas cada fila tem lá suas particularidades. No Festival Internacional de Cinema de Veneza, significa ficar debaixo do sol de agosto da Itália; em Berlim, aguentar o frio do inverno alemão, de rachar. Cannes é em maio, mais ameno, tipo clima de primavera-verão. Embora pareça, não tem vida fácil – nem por aqui. Mas tem vida cheia de novas visões de mundo – e essa é a grande graça.

Se pensarmos de maneira bem simples, o desafio desses dez dias é ir ao cinema: montar uma estratégia para tentar assistir aos 21 filmes que concorrem a Leão de Ouro e tentar ver algum das outras mostras paralelas, num total de 72; pinçar algum curta dentre os 15 e dar uma espiada na mostra Venezia Classici, com 40 filmes restaurados e 18 documentários; experimentar a sensação da realidade virtual, com 40 produções nesse formato. Parece moleza. Selecionados entre 3311 filmes assistidos pela produção do festival, quem foi escolhido já leva a chancela de ter passado por uma seleta peneira. E não está aqui por acaso.

Aliás, nada é por acaso. Costuma-se dizer que a seleção de filmes de um festival é um “recorte do presente” – o que é bastante óbvio. O que Alberto Barbera, diretor da 75ª edição de Veneza diz é que esse conceito de que o “presente está entre o passado e o futuro” não tem sentido algum. Que não são momentos separados, mas que eles coexistem. “As pessoas acreditam que o mundo é feito de coisas, substâncias, entidades. De algo que permanece. Ou podem acreditar que seja feito de eventos, incidentes, processos. De algo que acontece”, diz ele. E concluiu, chegando no ponto-chave: “É feito de algo que não dura, mas que está em contínua transformação”.

Se o mundo é o cinema, consideramos o cinema uma coleção de acontecimentos e processos, que nos ajudam a entender o mundo. A ideia é parar de colocar filmes em ordem cronológica, parar de encaixar as tecnologias nas respectivas décadas, as transformações do mercado, a revolução digital. A lógica não é linear – e talvez nem exista. Existe? Cinema e vida se mesclam, são dependentes e coexistentes. Somos parte disso. Assim como somos formados de experiências passadas e expectativas futuras, não dá pra dividir em partes. Com o cinema, é igual. Fora com a linha do tempo. Vamos na onda do cinema atemporal – e, por aqui, cada um é de um jeito mesmo. Vamos desde contos de faroeste até o espaço; de comédia da vida privada francesa à drama mexicano, da melhor qualidade.

Ou vamos na linha do pôster (na foto), com sua áurea feminina, sugerindo um tipo de enigma. Do ilustrador e designer Lorenzo Mattotti, essa mulher olha por uma lente, vê o planeta Terra, ou seja, olha pra nós, para a realidade. E tem um quadrado na mão. Tela de cinema? O olhar para as pessoas filtrado pela linguagem do cinema? Pensei num espelho – pode ser, vida e arte se imitam. Pode ser o que você quiser. Se estamos falando de cinema atemporal, o que importa é assistir aqui e agora. Viajar junto, aqui em Veneza ou em qualquer lugar. Basta entrar na tela.

31 agosto 2018