O ÚLTIMO AZUL

Cartaz do filme O ÚLTIMO AZUL

Opinião

O ÚLTIMO AZUL ganhou o Urso de Prata (Grande Prêmio do Júri) no Festival de Berlim 2025, carregado de brasilidade numa temática universal que está na pauta do dia: a maturidade. Entende-se maturidade por idade madura — aquela que até poucos anos atrás era só entendida como idade do esquecimento e do etarismo

Tereza tem 77 e ainda vive em função dessa lógica. Moradora de um vilarejo amazonense, trabalhou em um frigorífico de carne de jacaré a vida toda e agora precisa lidar com uma determinação de aposentadoria compulsória do governo. Um decreto determina que os idosos sejam enviados para uma “colônia de férias”para garantir uma velhice digna. O que se vê é a intenção contrária: tirar os idosos da circulação para a sociedade seja mais produtiva, a um custo mais baixo.

O ÚLTIMO AZUL fez parte da curadoria do Cineclube CineGarimpo e a atriz Denise Weingerg esteve presente no debate depois da sessão. “No envelhecer, há outras situações possíveis, diferentes daqueles com que fomos adestrados a acreditar”, disse ela. “A lógica do mundo determina que um corpo idoso, com códigos e marcas do envelhecimento, não pertence à aventura, à liberdade, à rebeldia.” Rebeldia é a palavra. Tereza pretende quebrar esse padrão de pensamento: realizar sonhos, viajar, desejar, namorar, trabalhar e divertir-se faz parte do pacote que é a maturidade como ela se apresenta. Inconformada com a determinação governamental, Tereza se arrisca em busco do sonho de voar.

E o espectador é convidado a ir junto, numa viagem pelo imaginário, pelos igarapés e rios amazônicos, pelas histórias ribeirinhas e pela vivência com personagens como Cadu, vivido por Rodrigo Santoro, que cruzam seu caminho. Claro que o voo de Tereza é interno e Gabriel Mascaro trabalha lindamente os portais que vão abrir essa possibilidade de ver o mundo de outra maneira.

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