A DAMA DE FERRO – The Iron Lady

Cartaz do filme A DAMA DE FERRO – The Iron Lady

Opinião

“Atenção aos pensamentos, porque eles se transformam em palavras. Atenção às palavras, porque elas se transformam em ações. Atenção às ações, que se tornam hábitos. Atenção aos hábitos, porque eles compõem seu caráter. Atenção ao seu caráter, que ele se torna seu destino. Nós nos tornamos aquilo que pensamos.”

Margareth Thatcher

Lembro-me bem da imagem de televisão de Margareth Thatcher nos discursos mundo afora. Eram marcantes, em uma época em que as mulheres não eram muitas no poder. A postura irredutível, firme, absolutamente dona de si é o que me vem na memória quando penso na única primeira ministra britânica da história, no cargo de 1979 a 1990.

Quando me dei conta disso, me arrependi de não ter revisto alguns de seus discursos antes de assistir ao filme. Com a ferramenta do YouTube, isso hoje fica fácil. Uma simples busca com o nome dela já disponibiliza diversos vídeos da Dama de Ferro discursando e imprimindo seu incomparável jeito de ser e fazer política. Vale a pena. Assim você tem a verdadeira Thatcher fresca na memória para encarar Meryl Streep (também em Manhattan, Entre Dois Amores, As Horas, Simplesmente Complicado, Julie & Julia, Dúvida), numa caracterização impecável. Não tenho ressalvas à sua interpretação. Indicada pela 17a vez ao Oscar de melhor atriz, Meryl Streep está a própria Thatcher, parecendo intocável na sua carcaça de raciocínio lógico e irônico, determinação e convicção, capaz de colecionar tantos inimigos quanto admiradores políticos.

Quando um diretor se depara com a personalidade controversa como Thatcher, fica difícil encontrar um viés apropriado para contar, em apenas duas horas, o que foi sua presença e seu legado – ainda mais escolhendo uma americana para representar uma inglesa. Em se tratando da ex-primeira-ministra, como retratar sua postura diante da crise econômica, do aumento do desemprego, da pressão dos sindicatos e do partido conservador, da Guerra das Malvinas? O que a diretora Phyllida Lloyd, também de Mamma Mia, fez em A Dama de Ferro foi humanizar uma personagem dura, contando sua história política a partir das lembranças de uma frágil e solitária senhora, que sente saudades dos filhos pequenos e do marido companheiro, que sofre de demência, que diz não precisar de ajuda, que teima em não ir ao médico, que ainda é apegada aos pertences comuns que trazem registradas as histórias de uma vida.

Para quem acha que ainda faltou contar muita coisa, talvez isso seja um consolo – personagens densos e complexos como ela ainda podem render ótimas histórias no futuro. A Dama de Ferro é um importante e bem feito registro, não só de um personagem histórico, mas de uma maneira de liderar e de viver a arte da política.

 

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