SOUMSOUM, LA NUIT DES ASTRES
Opinião
Soumsoum se refere à uma dimensão espiritual e mística associada à morte, à reencarnação, ao que é invisível e que estabelece a comunicação ancestral. Mahamat-Saleh Haroun, diretor e roteirista do longa SOUMSOUM, LA NUIT DES ASTRES (a noite dos astros, em tradução livre), retrata a tradição e cultura locais do Chade através também de uma figura poética, quem vem tanto da fotografia, quanto do diálogo.
Se bem que Kellou fala pouco. Aos 17 anos, descobre que tem uma conexão especial com Aya, uma moça mal vista na comunidade, considerada bruxa e culpada por muitas catástrofes no vilarejo. Incompreendida inclusive pelo pai, tem visões do passado e futuro, sente-se culpada pela morte da mãe e encampa uma jornada de auto-conhecimento em que a natureza local vai cumprir seu papel de mostrar a imensidão do cosmos e da espiritualidade. “Procurei trabalhar as emoções, os silêncios”, disse o diretor Mahamat-Saleh Haroun (também de Linghi, The Sacred Bonds). “Não é um retrato etnográfico, e sim uma visão do imaginário humano, da ligação com a natureza.” Nesse contexto, Aya e Kellou se reconhecem neste parábola pelo misticismo.
Interessante retrato humano da vida no Chade, nesta comunidade rodeada de áreas desertas e formações rochosas. Os vínculos sagrados são colocados na narrativa como elo entre o visível e o invisível, em que a fotografia está a serviço da construção dessa imagem. SOUMSOUM tem uma proposta de deslocamento para uma linguagem contemplativa que carrega as parábolas, o que não é um ponto desprezível. Mas o visível parece não se encaixar no longa e se Kellou não te convencer de que vale a pena a viagem, talvez nem os astros ajudem.

Comentários