SHAYDA

Opinião
SHAYDA é iraniana e foi com o marido e filha, Mona, estudar na Austrália. Acontece que o casamento desandou, rolou violência e Shayda buscou ajuda em um abrigo para mulheres para se proteger e entrar na justiça pela guarda da filha e pelo divórcio. A gente vai passeando pelas tradições persas, da culinária às festas, porque tudo se passa durante o Nowruz, o ano novo para os iranianos, que é o início da primavera, quando tudo renasce.
E é renovação que Shayda quer, mas antes precisa escapar das manipulações do marido abusivo e violento, que nega o divórcio e ameaça levar a filha embora para o Irã. A questão é delicada, porque pelas leis islâmicas, divorciar-se significa perder a guarda dos filhos e isso é tudo que Shayda não quer. É um relato intimista sobre ser mulher no mundo patriarcal — e isso se aplica a todos a praticamente todos os cantos do globo.
É tão intimista quanto biográfico. “Há cinco anos, pedi que minha mãe escrevesse suas memórias, para preencher as lacunas das memórias da minha infância”, disse a diretora Noora Niasari ao Hollywood Reporter em Sundance. Claro que a experiência de ter abandonado o Irã com crianças pequenas em busca da liberdade faz eco com a revolução feminina em curso no Irã no momento e os protestos contra a repressão. “É uma carta de amor às mães e filhas”, disse ela. É mesmo. Uma cumplicidade construída no oásis do abrigo, onde acolhimento e empatia abriram espaço pra espantar o medo.
Shayda é representada pela atriz Zar Amir Ebrahimi (também em Holy Spider e Tatami). Uma atriz, roteirista e diretora que tem aparecido pra contar as histórias sempre sensíveis às questões iranianas envolvendo mulheres, liberdade e independência. É o filme escolhido pela Austrália pra disputar um vaga no Oscar 2024.
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