MANHÃS DE SETEMBRO

Opinião
Já está no ar a segunda temporada de MANHÃS DE SETEMBRO. Pra quem ainda não garimpou e não se rendeu ao conteúdo nacional, esta é uma ótima porta de entrada.
MANHÃS DE SETEMBRO continua com a história da Cassandra, representada pela cantora e atriz Liniker. Tem muito da experiência da atriz na personagem, o que, segundo a própria Liniker na coletiva de imprensa, ajudou a compor a personagem, dar sentido à história e construir a representatividade na série.
Cassandra é uma mulher preta trans, que mora no centro de São Paulo, sonha em ser cantora e tem como sua maior inspiração a cantora Vanusa — que, aliás, diga-se de passagem, inspira o título da série por causa de sua canção homônima. Mas não só isso. Vanusa é a única herança que a mãe deixou para Cassandra quando foi embora: seus discos. A obsessão por suas músicas e sua imagem faz com que a voz de Vanusa esteja na cabeça da Cassandra, provocando, instigando e desafiando esta mulher a ser quem ela gostaria de ser de verdade.
Acontece que Cassandra precisa sobreviver. Viver da música é um sonho, que por enquanto se realiza só no submundo do centro da cidade. Ela trabalha como entregadora de aplicativo, namora um garçom e quer ser uma mulher livre.
Mas isso é posto em cheque quando ela descobre que uma noitada lhe rendeu um filho. Gersinho aparece e bagunça o coreto. Tudo isso está na 1ª temporada que, pra mim, é a melhor. Na 2ª, temos o desenrolar dos dramas: o pai de Cassie aparece e o fantasma da mãe a assombra; o filho batalha e encontra o afeto, as relações vão se descortinando no cenário das dificuldades financeiras, da desigualdade social e de gênero, da luta que é ser uma mulher preta e trans nesta vida.
Destaque para a atriz Karine Teles, que faz a mãe do Gersinho com uma naturalidade ímpar que já é marca das personagens que a atriz abraça.
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