HORS-SAISON

Cartaz do filme HORS-SAISON

Opinião

Especial 80º Festival de Veneza

Depois de fazer filmes sobre as relações de trabalho desestruturadas (O Valor de um Homem), Stéphane Brizé faz uma história de amor que depende muito da química pra funcionar. Depende porque a temática é conhecida: um homem e uma mulher se reencontram depois de 15 anos e percebem que se despediram no passado sem lavar a roupa suja. Vivem suas vidas no presente, mas amor vivido precisa ser devidamente encerrado.

A química existe e a elegância de Brizé também. É dele também Mademoiselle Chambon que traz o amor visto sob a perspectiva de desencontro, algo que o sentimento não consegue destravar. HORS-SAISON tem esse nome por isso: o encontro é em um vilarejo à beira-mar, na baixa estação. O hotel é luxuoso, mas está vazio de pessoas, de adereços, de personalidade, assim como está o personagem de Guillaume Canet — um ator famoso que abandona um projeto de peça de teatro de última hora, tem um casamento que parece algo protocolar e empresarial e está em crise existencial. Alba Rohrwacher (sempre profunda) é Alice, uma mulher que tem um casamento estável, uma filha, dá aula de piano e vive uma vida tranquila neste vilarejo. O reencontro dos dois vai trazer a necessidade de dizer o que não foi dito.

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Lindo filme sobre acertos necessários.

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