EL PARAÍSO

Cartaz do filme EL PARAÍSO

Opinião

EL PARAÍSO é o nome do barco que leva o nome do vilarejo colombiano de onde vem uma mulher de gênio forte. Pelo menos é essa história que ela conta ao filho, Julio Cesar, que sabe pouco da história da mãe com quem divide a vida na periferia de Roma.

A vida e os negócios. Mãe e filho vivem de intermediar mulas que chegam da Colômbia carregando cocaína no estômago. Fazem a recepção da droga e despacham pra próxima etapa de venda na Itália e na Europa. 

Mais do que um filme sobre tráfico internacional de drogas, é um filme sobre esta família disfuncional, de uma mãe companheira que adora dançar salsa e merengue com o filho, mas que é controladora e possessiva ao extremo. Tudo vai mudar quando chega Inês, uma colombiana que leva sua primeira carga de cocaína para a Europa e fica hospedada em sua casa. Vencedora do prêmio de melhor atriz em Veneza, a personagem de Margarita Rosa de Francisco é uma mulher com passado incerto e um presente no mínimo explosivo. Julio Cesar é refém desta mãe que o sufoca, numa relação típica da maternidade que não deixa o filho voar livre. 

O lado humano da jornada de Julio é muito mais importante do que o pano de fundo do crime em si. Inclusive, esta é a delicadeza do roteiro, premiado em Veneza na categoria Orizzonti. Aqui não há crime; há uma jornada pessoal de descoberta, meio às avessas, de um homem aos 40 que usa seu último recurso pra não decepcionar sua mãe, mas também pra se libertar. E o último gesto é prova disso. Repare.

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