HONESTINO

Cartaz do filme HONESTINO

Opinião

Sobre HONESTINO, de Aurélio Michiles, já digo de antemão que sim, precisamos continuar falando sobre isso. Isso porque já estou antevendo que há quem diga que agora “só se fala em ditadura”, que o “cinema brasileiro não tem outro assunto”, e por aí vai.

Eu não sabia quem foi Honestino, mas sabemos que houve muitos. Honestino Guimarães, conhecido por Gui por seus colegas, era líder estudantil da geração de 1968, presidente da UNE e aluno da Universidade de Brasília (UnB). Sumiu na ditadura, mais precisamente em 1973, quando tinha 26 anos.

Junto com ele, sumiu sua memória e a de tantos desaparecidos. Já basta isso para recordá-los. O recorte de Michiles é híbrido e combate o esquecimento: ora temos a reconstituição de um momento da época vivido por Bruno Gagliasso, ora depoimentos de familiares e amigos que tornam real e próximo aqueles anos 1970, tamanha a emoção; ora cartas e poemas, ora imagens de arquivo que não nos deixam apagar o que passou. O pano de fundo é Brasília, a universidade, a violência do poder militar, tudo resgatando momentos de sua militância e da intensa repressão.

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