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LIFE, ABOVE ALL
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, África do Sul - 22/01/2012

DIREÇÃO: Oliver Schmitz

ROTEIRO: Dennis Foon

ELENCO: Khomotso Manyaka, Keaobaka Makanyane, Lerato Mvelase, Tinah Mnumzana, Aubrey Poolo

África do Sul, 2010 (100 min)

Melhor avisar antes: este filme ainda não está disponível aqui no Brasil, a não ser que você alugue no Apple TV. Cheguei nele pela seleção da categoria Un Certain Regard, do Festival de Cannes, e para minha surpresa estava disponível para alugar pelo ITunes. Já disse aqui que gosto especialmente dessa seleção de Cannes, por trazer filmes sensíveis, que têm de fato um olhar apurado e diferenciado sobre algum tema cotidiano e universal como Pecado da Carne (Israel), Trabalhar Cansa (Brasil), Mother (Coreia do Sul), A Banda (Israel), Tulpan (Cazaquistão), Abutres (Argentina).

Life, Above All, ou A Vida, Acima de Tudoretrata a dura realidade de um vilarejo rural nos arredores de Johanesburgo, na África do Sul. A grande protagonista é Chanda (Khomotso Manyaka), uma menina de 12 anos que amadurece antes do tempo pelas dificuldades da vida. Tem de lidar com o padrasto que bebe, com a amiga que se prostitui, com a mãe doente, além de cuidar dos dois irmãos menores e despistar os vizinhos que difamam a família. O diretor Oliver Schmitz (também de um episódio de Paris, Eu Te Amo) dá a Chanda a força e a coragem que são a espinha dorsal do filme.

Sem ser um filme muito especial, Life, Above All foi considerado um dos melhores filmes estrangeiros de 2010 pela associação dos críticos americanos e é de fato um muito bonito filme sobre as sequelas que a AIDS deixou no continente africano, tanto do ponto de vista da doença e da epidemia em si, mas principalmente do ponto de vista do entendimento da epidemia. O que é algo científico, ganha por lá um sentido de maldição, de penalidade, de vergonha; o que é para ser combatido com medicamentos e tratamento é feito de acordo com as crenças e rituais. Chanda representa a família destruída não só pela doença, mas principalmente pela perda da honra, da dignidade aos olhos dos vizinhos. Mas aos olhos do diretor, é preciso também deixar claro que o amor de mãe e filha, a capacidade de acolher e perdoar são o grande motor dessa menina-guerreira.

DICA: Quem quiser ver mais sobre o tema África, não deixe de assistir a Minha Terra, África, com Isabelle Rupert. Também um retrato muito interessante e intenso sobre a realidade do continente, mas aqui tem um viés político e colonialista.

 

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