MISTRESS AMERICA

Cartaz do filme MISTRESS AMERICA
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Opinião

Com quem curtiu Frances Ha, fica mais fácil começar a conversa. Se Frances Ha não fez sentido pra você, se tudo parecia uma viagem alternativa de uma garota perdida, que não fala nada com nada e não sabe nem dizer o que faz da vida, então Mistress America vai doer no mesmo calo. A garota é a mesma Greta Gerwig e a pegada, bem parecida.

Agora, se você curtiu Enquanto Somos Jovens, com Naomi Watts e Ben Stiller, se identificou com a busca pela lugar ao sol também após os 40 e conseguiu apreciar um cinema mais independente, mais intimista e curioso no quisito “relações humanas”, você merece uma chance. Entre de cabeça e deixe-se levar pela dupla de irmãs tortas que, por mais diferente que elas sejam de nós, têm uma essência bem parecida: buscam loucamente se livrar das expectativas dos outros, na tentativa de descobrir quem realmente são.

Eu daria uma chance, se fosse você, porque o filme é muito corajoso. Acho que nunca é tarde para abrir os horizontes e o cinema é uma ótima ferramenta pra isso. Mistress America é delicado e engraçado, profundo e curioso. Broke já está na casa dos 30, é decoradora, faz pose de famosa, mas no fundo está bem perdida e tenta se encontrar profissional e pessoalmente; Tracy está na faculdade, quer ser escritora e se encanta com a imagem de segurança que Broke transmite. O convívio entra as duas traz à tona a necessidade da verdade e é isso que Noah Baumbach consegue transmitir com tanta simplicidade e genuína entrega dos personagens.

Adoro o gênero: acho transformador, faz parar pra pensar. Se você se deixar levar um pouco que seja por essas duas almas criativas, vai encontrar algum ponto em comum. Pode ter certeza. Ou no mínimo vai curtir a deliciosa trilha dos anos 1980 – o que não é pouca coisa.

DIREÇÃO: Noah Baumbach ROTEIRO: Noah Baumbach, Greta Gerwig ELENCO: Greta Gerwig, Lola Kirke, Seth Barrish | 2015 (84 min)

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