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VIPs
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 25/03/2011

DIREÇÃO: Toniko Melo

ROTEIRO: Bráulio Mantovani e Thiago Dottori

ELENCO: Wagner Moura, Gisele Fróes, Juliano Cazarré, Jorge D’Elia, Amaury Junior, Arieta Corrêa, Norival Rizzo, Roger Gorbeth, João Francisco Tottene

Brasil, 2010 (96 min)

Tem gente que realmente tem história pra contar - ainda que não sejam invejáveis. Marcelo Nascimento da Rocha é um deles e sua história rendeu este filme. Baseado no livro VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso, de Mariana Caltabiano, VIPs é um bom filme, principalmente quando o ponto de partida é o absurdo da história em si e a histeria generalizada da nossa sociedade diante das celebridades – sejam elas de fato célebres ou não. Sem falar, é claro, que Wagner Moura (também em Tropa de Elite 2, Carandiru) já é um chamariz e tanto. E não é para menos: ele é carismático, talentoso e camaleão. Faz bem qualquer papel. Vale dizer também que o roteirista é o competente Bráulio Mantovani, de ótimos filmes como Tropa de Elite 2, Última Parada 174 e Linha de Passe. Portanto, o enredo é amarrado, a história é boa e o filme, bem feito. E na medida para agradar ao grande público – o que não é um demérito, só uma constatação.

Antes de mentiroso e farsante, Marcelo era um sujeito sem rumo. Se a situação era mal resolvida com a mãe, que idolatrava os famosos, ou se ele se projetava no pai, que era piloto, não importa. Nada justifica a má índole do rapaz. Fato é que na fissura por pilotar aviões, uma mentira leva a outra e Marcelo vai criando personagens, incorporando novas identidades, até chegar ao ápice em Recife, quando se infiltrou no camarote de gente bacana, afirmando ser nada menos do que o herdeiro da companhia aérea Gol (isso tudo foi publicado na mídia em 2001). Ele enganou todo mundo, é verdade. Mas acho que o pior de tudo não é isso. O cúmulo do absurdo e da cegueira é terem acreditado. Como é possível? Um papelão para o Amaury Jr. (que o entrevistou na época e faz o papel dele mesmo no filme), para a polícia (que o prendeu como traficante), para as pessoas que aceitaram um argumento sem questionar. Aliás, a minha grande crítica a esse meio das celebridades é essa: a incapacidade de questionar, o comodismo da vantagem de mão beijada, o prazer da foto na revista de fofoca.

Desabafos à parte, acho que VIPs vai agradar – eu achei bem interessante. É dinâmico, mostra o Marcelo se transformando em Denis, Carrera, Constantino e Juliano – e ainda ficaram vários personagens de fora. Hoje ele cumpre pena na prisão, mas nem por isso deixa de ser um mentiroso profissional - mesmo preso, já passou por líder do PCC. Cara convincente. E com Wagner Moura no comando, a gente quase que acredita. Não acho (como dizem alguns críticos) que seja uma apologia ao crime, nem torci para que Marcelo-Juliano-Denis se desse bem. Acompanhei a trama com dois olhares: um da aventura, ousadia, criatividade e cara-de-pau do sujeito; outro do perigo da mentira, que leva o mentiroso a acreditar nela e ficar na dúvida sobre a sua própria identidade. Um prato cheio para quem quer discutir os meandros da personalidade humana e suas atitudes. Mas se você não tiver a fim de discutir nada, vale pela curiosidade e diversão.

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