cinegarimpo

Vale seu ingresso

MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR – Moonlight

 

A divisão de Moonlight em três partes ajuda a envelopar a história do menino negro que pena com o bullying na escola e sofre com a mãe viciada em drogas, que vira adolescente retraído e pouco afetivo, que se torna um adulto seco e frio, mas que, lá no fundo, nutre uma ternura perdida pela vida.

Com a dureza própria do mundo em que a lei da rua prevalece, Moonlight, vencedor do Globo de Ouro na categoria melhor filme drama e de três Oscars – melhor filme, roteiro adaptado e ator coadjuvante para Mahershala Ali –, reserva algumas pérolas de solidariedade e compaixão que dão ao ele um equilíbrio quase que agridoce. Ao mesmo tempo que mostra a realidade nua e crua da infância abandonada pela figura materna, das amizades perdidas e não conquistadas, da ausência do pai, da devastação que causa o mundo ilusório das drogas, dos estragos que produz o bullying bem conduzido, o filme tem um bonito resgate do carinho que se dá sem pedir nada em troca, da amizade verdadeira que não tem tempo ou espaço, do poder do perdão sincero. Para se emocionar e pensar na diferença que faz a tomada de atitude.

Moonlight é econômico ao contar a história de Chiron. Não diz mais do que precisa, mostra a realidade hostil dessa periferia de Miami que judia, castiga e reserva poucas opções para a criança criada no mundo das drogas. Mesmo sendo seco, o que o diretor Barry Jenkins consegue é fazer transbordar afeto e amizade – mesmo onde não havia solo fértil. Sublime!

DIREÇÃO: Barry Jenkins ROTEIRO: Barry Jenkins, Tarell Alvin McCraney ELENCO: Mahershala Ali, Shariff Earp, Duan Sanderson, Janelle Monáe, Naomie Harris | 2016 (111 min)

COMPARTILHE:
ALIADOS – Allied

A grande questão de Aliados é saber se Marianne Beausejour (Marion Cotillard, também em É Apenas o Fim do Mundo, Ferrugem e Osso, Piaf – Um Hino Ao Amor) realmente é uma espiã. Se for, teria casado com Max Vatan (Brad Pitt, também em Guerra Mundial Z, À Beira-Mar, Babel) para conseguir informações privilegiadas sobre a movimentação dos Aliados na Segunda Guerra. Se não for, teria se apaixonado realmente por ele e seu amor seria genuíno.

A liga entre eles é bem boa, diga-se de passagem. Bom ritmo e romance, Aliados segura até o final esse suspense, com detalhes do roteiro que vão dando sustentação (mas não entregando) o desfecho. Robert Zemeckis é diretor também do ótimo Náufrago e O Voo. Eu diria que aqui tem um bom mix de romantismo e aventura, pra culminar num desfecho com drama à altura!

Concorre ao Oscar de melhor figurino.

DIREÇÃO: Robert Zemeckis ROTEIRO: Steven Knight ELENCO: Brad Pitt, Marion Cotillard, Lizzy Caplan, Jared Harris | 2016 (124 min)

 

COMPARTILHE:
TAGS:     Sem Comentários »  
UM HOMEM CHAMADO OVE – A Man Called Ove
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Suécia, Para se Emocionar, Drama - 17/02/2017

Numa Europa multirracial, usar o cinema para trazer esse assunto da tolerância, do acolhimento e da ajuda mútua é um alento para tantos conflitos. Sou fã incondicional do cinema escandinavo (aliás, tem lista, clica aqui) e Um Homem Chamado Ove integra esse panorama.

Mas tem uma pegada diferente, fugindo daquele clima denso do realismo de filmes como  Em Um Mundo Melhor e A Comunidade. O tom aqui é de comédia dramática, no estilo rir-pra-não-chorar. Ove é um senhor rabugento (aparentemente), solitário e de mal com a vida, que planeja o suicídio para poder ficar ao lado de sua mulher, que já faleceu. Trata mal os vizinhos e não quer muita conversa. Até que uma família iraniana se muda, vai chegando com jeitinho e acaba cativando o coração deste homem que já não via mais razão para viver.

Essencialmente um filme sobre amizade e sobre esse poder transformador. Singelo e verdadeiro, emociona por ser genuíno. Lembra o inglês O Visitante, em que o protagonista também é fisgado pela amizade de um imigrante clandestino.

Concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro pela Suécia, além de melhor maquiagem.

 

DIREÇÃO: Hannes Holm ROTEIRO: Hannes Holm, Fredrik Backman ELENCO: Rolf Lassgard, Bahar Pars, Filip Berg | 2015 (116 min)

 

COMPARTILHE:
ATÉ O ÚLTIMO HOMEM – Hacksaw Ridge

Último trabalho que vi com Mel Gibson ator tem um clima tenso. Mas tenso- depressivo, filme pesado, alcoolismo, dificuldade de tocar a vida, em Um Novo Despertar. Bom vê-lo de volta nas telonas, agora como diretor, numa história de redenção. Tensa também, mas tensa-guerreira. E isso é bom, porque lutar – mesmo que aqui tenha duplo sentido – é sempre sinal de que estamos vivos.

A tradução bem livre do original Hacksaw Ridge, o nome de uma serra da ilha japonesa de Okinawa, onde acontece a batalha retratada no filme, mostra qual a intenção do filme. O protagonista Desmond Doss se alista para lutar na Segunda Guerra, mas por princípios religiosos, nega-se a pegar em armas. Quer ser médico, salvar vidas. Convicto, não cede às pressões dos comandantes e se propõe a lutar, mas para salvar “Até o Último Homem” que puder.

Faz sentido. Além de contar como foi essa resistência, de mostrar a força da sua fé e os frutos que colhe depois – não só resgatando os soldados feridos do campo de batalha em território japonês, mas também colecionando admiradores e amigos – Gibson faz um retrato realista e bem sangrento do que foi esse pedaço da guerra.

Tem sangue a beça, mas guerra é guerra e não gosto daqueles recortes plastificados em que não consigo acreditar que possa ser verdade. Já que é cruel, prefiro que o diretor chegue perto do real. Assim o altruísmo de Doss fica ainda mais nobre. Andrew Garfield, também em A Rede Social e O Espetacular Homem-Aranha, merece os holofotes.

 

DIREÇÃO: Mel Gibson ROTEIRO: Robert Schenkkan, Andrew Knight ELENCO: Andrew Garfield, Sam Worthington, Luke Bracey | 2016 (139 min)

 

COMPARTILHE:
TAGS:     Sem Comentários »  

« Página Anterior | Próxima página »

CATEGORIAS

INSCREVA-SE PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Você também pode assinar listas específicas: