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THE WAY
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos, Drama - 02/03/2012

 

DIREÇÃO: Emilio Estevez

ROTEIRO: Emilio Estevez, Jack Hitt (livro)

ELENCO: Matin Sheen, Emilio Estevez, Debarah Kara Unger, Yorick van Wageningen, James Nesbitt

Estados Unidos, Espanha, 2010 (123 min)

 

Há algum tempo, publiquei aqui no Cine Garimpo um comentário sobre Onde está a Felicidade, de Carlos Alberto Riccelli- aliás, um comentário ardido, filme fraco… Não só não gostei do filme, como achei um grande desperdício, já que o Caminho de Santiago de Compostela é em si um cenário, um panorama, uma proposta, uma história incrível, que pode ser mostrado sob diversos ângulos. Não vou me estender naquilo que não gostei, portanto, recomendo que não percam tempo com a Bruna Lombardi do filme acima. Mas se tiverem oportunidade de assistir a The Way (O Caminho, tradução livre, porque não foi lançado no Brasil mas tem no AppleTV), assistam. É singelo, simples e transmite uma faceta importante da peregrinação pelo caminho até a cidade de Santiago de Compostela, na Espanha.

The Way, ou El Camino como dizem os espanhóis, é percorrido pelos peregrinos que saem de diversos lugares da Europa, para chegar à catedral de Santiago há mais de 1000 anos, onde estão enterrados os restos mortais do santo. Mais do que a chegada em si, o grande desafio é o “durante”. O caminho é reconhecidamente frequentado por pessoas que querem revisar suas vidas, ter um momento de distanciamento que o cotidiano não permite e muitas vezes partem sozinhos na empreitada. Segundo foi dito em The Way, ninguém faz o caminho por alguém, mas faz por si mesmo. E essa é o grande fator de mudança.

Quem parte em peregrinação, sem ser exatamente religioso ou praticante, é Tom, pai de Daniel, que morreu ao começar o caminho. Oftalmologista da Califórnia, Tom acredita ter uma boa vida, estável e sem grandes surpresas. Acredita ter a vida que escolheu. Seu filho, no entanto, vive viajando pelo mundo, sem rumo e sem endereço, e principalmente sem se preocupar com o futuro. Com visões tão opostas, é de se imaginar que as duas formas de vida entrem em conflito regularmente. Mas Daniel morre e Tom viaja para a Espanha para pegar os pertences do filho. Ao chegar na cidadezinha francesa de St Jean Pied de Port, Tom muda de ideia. Sente de alguma maneira que precisa fazer o caminho e jogar as cinzas do filho pelo trajeto.

Durante os cerca de 800 km, Tom encontra-se com um holandês que precisa emagrecer, uma canadense que vive “brava” e um escritor irlandês que não tem escrito nada nos últimos tempos. Cada um com seus conflitos e questões para serem resolvidas internamente, partem pelo caminho de uma maneira simples, despretensiosa. Com cenários lindos e diálogos sensíveis, The Way mostra pontos importantes sobre a amizade e o respeito e traz algo interessante sobre o que eu imagino ser o trajeto. Simplicidade, reflexão, natureza, escolhas.

 

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