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PASSAGEM PARA A ÍNDIA – A Passage to India
CLASSIFICAÇÃO: Para Rever, Inglaterra, Drama - 15/05/2012

DIREÇÃO: David Lean

ROTEIRO: David Lean, E.M. Forster (livro)

ELENCO: Judy Davis, Victor Banerjee, Peggy Ashcroft, James Fox, Alec Guinness, Nigel Havers, Richard Wilson

Inglaterra, 1984 (164 min)

Depois de assistir a O Exótico Hotel Marigold, lembrei-me de Passagem para a Índia, um registro interessante sobre os conflitos raciais, econômicos, políticos e sociais entre o império britânico e sua colônia, a Índia, nos anos 20. Interessante e colorido, é dirigido por David Lean, do grande e incomparável Lawrence da Arábia.

Passagem para a Índia, para quem não viu, vale a pena. Toca na questão do preconceito racial dos brancos imperialistas e indianos, na diferença humana feita pela cor da pele, na maneira de tratar e sentir-se superior dos ingleses. Adela (Judy Davis) vai à Índia acompanhada pela sogra, para encontrar o noivo que exerce uma função importante no poder jurídico – nada imparcial, diga-se de passagem. Desprovida de preconceitos e sem compartilhar da mesma atitude de seus compatriotas que usufruem das mordomias e desprezam os indianos, Adela quer conhecer a verdadeira Índia. Sua disposição em viajar e conviver com os locais deflagra o conflito do filme. Do lado de Adela está um educador inglês, que tem uma visão humanista e positiva do que a presença britânica poderia contribuir para o país e sua população.

Uma grande produção, sem dúvida. A Índia é sempre um assunto de grande interesse e diversidade, que contribui para aumentar o repertório, enriquecer culturalmente e sair do cenário comum. Quem gosta do tema pode ver também o aclamado Gandhi (aliás, imperdível pela importância do tema e pela qualidade cinematográfica), Quem Quer Ser um Milionário ou ainda o simpático Despachado para a Índia. Sem esquecer de O Exótico Hotel Marigold, nos cinemas.

 

 

UMA LONGA VIAGEM
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Documentário, Brasil, Biografia - 11/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Lúcia Murat

ELENCO: Caio Blat

Brasil, 2011 (97 min)

 

Nos cinemas: 11 de maio

 

A viagem parece durar até hoje. Quando revira as lembranças, cartas, sensações, descobertas e medos do passado, a cineasta Lúcia Murat decide contar o que viveu. E mais, o que viveram seus irmãos. Miguel morreu recentemente, o que motivou Lúcia a recordar, puxar pela memória a experiência daqueles anos de ditadura. Auxiliada pelo irmão Heitor, que dá seu depoimento emocionante e também é representado na telona por Caio Blat, ela escreve o roteiro daquilo que ficou registrado na mente e na alma dos membros da família.

É por isso que a viagem é longa. Começa no fim dos anos 1960, quando Lúcia milita contra a ditadura no Brasil e Heitor é mandado pela família para Londres para não acabar também na cadeia. E dura até hoje. Heitor não só vai a Londres, como viaja por anos pelo mundo todo, vive uma época em que a contracultura está solta, em que as drogas, o sexo e o rock ‘n roll são a ordem da vez e ele se envolve profundamente com narcóticos de todos os tipos. Acaba ficando esquizofrênico, o que acarretou inúmeras intervenções psiquiátricas, como podemos perceber pela maneira de falar e recordar o seu passado nos depoimentos do filme. A viagem que começou naquela época teve sérias implicações até hoje e leva o espectador também por esse túnel de emoções pessoas e muito particulares. E esse é o ponto principal do filme, as sequelas emocionais que ficam, os valores que são criados e alimentados com as experiências da vida. E claro, a coragem de Lúcia Murat de abrir sua intimidade desta maneira.

Em off, Lúcia narra suas lembranças neste documentário, o grande vencedor do Festival de Gramado do ano passado. A construção das passagens de Heitor na pele de Caio Blat (também em Bróder, Xingu, Carandiru, Os Inquilinos, As Melhores Coisas do Mundo, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) têm algo de surrealista, com base naquilo que foi escrito nas cartas enviadas por ele dos quatro cantos do mundo, guardadas por sua mãe. Não pretende parecer biográfico, acho que não. Mas sim um registro da memória afetiva de uma época que marcou a família e fez de seus membros aquilo que eles são hoje.

 

EM DIREÇÃO AO SUL – Vers le Sud
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França, Drama - 19/03/2012

DIREÇÃO: Laurent Cantet

ROTEIRO: Laurent Cantet, Robin Campillo

ELENCO: Charlotte Rampling, Karen Young, Louise Portal, Ménothy Cesar

França, 2005 (108 min)
Se o que atraiu você neste filme foi o fato de ele tratar da história de três mulheres que vão ao Haiti passar férias em busca do turismo sexual, pode até ser interessante – muito embora também tenha achado esse viés um pouco arrastado e deprimente. Mas se você pretendia, como eu, assistir a algo mais voltado para a questão social do Haiti, em contraste com os resorts e luxos que atraem os europeus e americanos à ilha, vai se decepcionar. Confesso que assisti ao filme um tanto quanto impaciente.

Em Direção ao Sul conta a história de três mulheres, entre outras tantas, com seus 40, 50 anos, que vão ao Haiti buscando satisfazer seus desejos sexuais, manter relações provisórias, porém prazerosas, como nunca antes em suas vidas rotineiras, com seus parceiros e maridos. Em contrapartida, o país vive uma ditadura ferrenha naquela década de 1980 e todo o luxo dos resorts contrasta com a pobreza e intimidação policial na capital Porto Príncipe. A ideia é interessante e poderia render um bom filme, ainda mais pelo olhar habilidoso do diretor Laurent Cantet, também responsável pelo ótimo documentário Entre os Muros da Escolavencedor da Palma de Ouro em Cannes. Mas aqui as personagens se arrastam entre suas crises de ciúme, entre a luta pela posse dos amantes da ilha, frustrações e lamúrias de vida, o que me deixou realmente desinteressada. Voilá, drama por drama, melhor partir para A Agenda, também do mesmo diretor – esse sim, profundo e interessante.

THE WAY
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos, Drama - 02/03/2012

 

DIREÇÃO: Emilio Estevez

ROTEIRO: Emilio Estevez, Jack Hitt (livro)

ELENCO: Matin Sheen, Emilio Estevez, Debarah Kara Unger, Yorick van Wageningen, James Nesbitt

Estados Unidos, Espanha, 2010 (123 min)

 

Há algum tempo, publiquei aqui no Cine Garimpo um comentário sobre Onde está a Felicidade, de Carlos Alberto Riccelli- aliás, um comentário ardido, filme fraco… Não só não gostei do filme, como achei um grande desperdício, já que o Caminho de Santiago de Compostela é em si um cenário, um panorama, uma proposta, uma história incrível, que pode ser mostrado sob diversos ângulos. Não vou me estender naquilo que não gostei, portanto, recomendo que não percam tempo com a Bruna Lombardi do filme acima. Mas se tiverem oportunidade de assistir a The Way (O Caminho, tradução livre, porque não foi lançado no Brasil mas tem no AppleTV), assistam. É singelo, simples e transmite uma faceta importante da peregrinação pelo caminho até a cidade de Santiago de Compostela, na Espanha.

The Way, ou El Camino como dizem os espanhóis, é percorrido pelos peregrinos que saem de diversos lugares da Europa, para chegar à catedral de Santiago há mais de 1000 anos, onde estão enterrados os restos mortais do santo. Mais do que a chegada em si, o grande desafio é o “durante”. O caminho é reconhecidamente frequentado por pessoas que querem revisar suas vidas, ter um momento de distanciamento que o cotidiano não permite e muitas vezes partem sozinhos na empreitada. Segundo foi dito em The Way, ninguém faz o caminho por alguém, mas faz por si mesmo. E essa é o grande fator de mudança.

Quem parte em peregrinação, sem ser exatamente religioso ou praticante, é Tom, pai de Daniel, que morreu ao começar o caminho. Oftalmologista da Califórnia, Tom acredita ter uma boa vida, estável e sem grandes surpresas. Acredita ter a vida que escolheu. Seu filho, no entanto, vive viajando pelo mundo, sem rumo e sem endereço, e principalmente sem se preocupar com o futuro. Com visões tão opostas, é de se imaginar que as duas formas de vida entrem em conflito regularmente. Mas Daniel morre e Tom viaja para a Espanha para pegar os pertences do filho. Ao chegar na cidadezinha francesa de St Jean Pied de Port, Tom muda de ideia. Sente de alguma maneira que precisa fazer o caminho e jogar as cinzas do filho pelo trajeto.

Durante os cerca de 800 km, Tom encontra-se com um holandês que precisa emagrecer, uma canadense que vive “brava” e um escritor irlandês que não tem escrito nada nos últimos tempos. Cada um com seus conflitos e questões para serem resolvidas internamente, partem pelo caminho de uma maneira simples, despretensiosa. Com cenários lindos e diálogos sensíveis, The Way mostra pontos importantes sobre a amizade e o respeito e traz algo interessante sobre o que eu imagino ser o trajeto. Simplicidade, reflexão, natureza, escolhas.

 

CENTRAL DO BRASIL
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Brasil - 27/11/2011

DIREÇÃO: Walter Salles

ROTEIRO: Marcos Bernstein, João Emanuel Carneiro, Walter Salles

ELENCO: Fernanda Montenegro, Vinícius de Oliveira, Marília Pêra, Matheus Nachtergaele, Soia Lira, Othon Bastos, Otávio Augusto, Stela Freitas

Brasil, 1998 (113 min)

 

Comentei outro dia que ia rever o belíssimo Central do Brasil. Afinal, o filme que colocou definitivamente o Brasil no circuito internacional e foi premiado no mundo todo (Inglaterra com o Bafta, Estados Unidos com o Globo de Ouro, Festival de Berlim, além de ter tido várias indicações, inclusive no Oscar) já tem 13 anos. Difícil esquecer a essência humana desta obra-prima de Walter Salles (também de Diários de Motocicleta, Linha de Passe), mas alguns detalhes vão ficando para trás e achei que faltava falar dele no Cine Garimpo. Meu comentário rendeu réplicas do tipo “inesquecível”, “lindo, mas velho”, ou “como é mesmo a história?”.

Fiquei, obviamente, ainda mais instigada a rever. E respondo sem medo de errar: filmes como este não envelhecem. São referências em vários aspectos, a começar pela sua importância no posicionamento da produção brasileira no mercado nacional e internacional, na renovação do cinema brasileiro como arte, roteiro, capacidade criativa, inteligência – inclusive emocional – de lidar com temas sensíveis, humanos e muito sutis – normalmente os mais difíceis de serem traduzidos em qualquer forma artística. Portanto, quem não assistiu, faça isso logo. Quem já viu, garanto que se emocionará de forma diferente e com mais intensidade. Não vai se arrepender.

Respondendo à questão da história em si, eu diria que o roteiro é perfeitamente equilibrado na simplicidade do enredo e na complexidade dos personagens. Dora (a espetacular Fernanda Montenegro, também em Casa de Areia) ganha a vida escrevendo cartas na Central do Brasil, no Rio. Escreve em nome de pessoas analfabetas, que querem mandar uma mensagem para parentes e amigos em outras cidades. Ela e a irmã Irene (Marília Pêra) vivem de rolos e trambiques, numa vida que mostra bem a realidade da periferia do Rio e das grandes cidades brasileiras, com extrema desigualdade social, luta diária pela sobrevivência, violência e impunidade. A Central do Brasil aqui é uma metáfora fortíssima da migração de milhares de brasileiros para as grandes cidades em busca de uma vida melhor, do centro onde se reúnem todas as crenças e esperanças, onde pessoas se encontram, chegam e partem para todos os lugares do Brasil, a procura de emprego, de amor, do pai, da mãe, do filho, do dinheiro, da saúde – a grande simbologia do filme, sem sombra de dúvida.

Um dia, Ana e seu filho Josué pedem que ela escreva uma carta para o pai do menino, que os abandonou. A partir daí, a relação de amizade e respeito entre Dora e Josué é inevitável. Vai sendo construída à medida que desconstrói a Dora rígida e amarga, trazendo à tona as lembranças, tristezas, arrependimentos por que passou no decorrer da vida. O lado humano é muito forte, a emoção latente – mérito de Walter Salles que dirige Fernanda Montenegro e Vinícius Oliveira (também em Assalto ao Banco Central, Linha de Passe) com maestria. Não dá para não se emocionar. Assista a Central do Brasil. Fica como lição de casa. Depois você me conta se achou o filme “velho”.

 

LAS ACACIAS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Argentina - 28/10/2011

DIREÇÃO: Pablo Giorgelli

ROTEIRO: Pablo Giorgelli, Salvador Roselli

ELENCO: Germán de Silva, Hebe Duarte, Nayra Calle Mamani

Argentina, Espanha, 2011 (85 min)

Road movie dentro da boleia de um caminhão. Simplesmente isso. Não há ações ou conflitos paralelos. Acompanhamos em Las Acacias a viagem do caminhoneiro Rubén, que vai de Assunção, no Paraguai, até Buenos Aires entregar uma carga de madeira, como faz há 30 anos. Desta vez, seu patrão pede que dê carona a Jacinta, uma moça que vai visitar a prima na Argentina, em busca de emprego.

O que Rubén não sabia é que Jacinta traria também sua filha, de apenas 5 meses. Desconforto, falta de cavalheirismo e impaciência tomam conta da ‘antirrelação’ entre os dois. Sim, porque na maior parte do tempo, viajamos na boleia praticamente ‘junto’ com eles, sem ouvir uma só palavra. O interessante do filme é que aos poucos, com poucos gestos ou perguntas, o gelo vai se quebrando e a simples presença dessa boa moça e de sua graciosa filha fazem despertar em Rubén sentimentos que nem ele imaginava ainda existirem dentro dele.

Simples e muito humano, Las Acacias é sobre as relações que surgem do improvável; sobre a chance que uma pessoa se dá de curar as feridas do passado. Com este longa, o diretor argentino ganhou o  prêmio Camera d’Or em Cannes – categoria que premia o melhor diretor estreiante do festival. Mérito dele, porque não há nada demais nessa boleia de caminhão, muito menos nos personagens comuns que são Rubén e Jacinta. Mas é justamente isso que chama a atenção:o olhar aguçado, saber filmar o comum, com um toque quase ingênuo e sensível. Despretensioso, eu diria. Mas muito rico.

 

 

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PROGRAME-SE:

Ingressos online: ingresso.com

28 out / 14h00 - CINE LIVRARIA CULTURA – Conjunto Nacional
* Sala 1
Av. Paulista, 2073, Cerqueira César / CEP: 01411-000 / TEL: 3285-3696.

29 out / 20h00 - UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
* Sala 2
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

30 out / 20h00 - Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000, Liberdade / CEP: 01504-000 / TEL: 3397-4002.

31 out / 20h00 - CINE LIVRARIA CULTURA – Conjunto Nacional
* Sala 1
Av. Paulista, 2073, Cerqueira César / CEP: 01411-000 / TEL: 3285-3696.

1 nov / 14h00 - CINE LIVRARIA CULTURA – Conjunto Nacional
* Sala 1
Av. Paulista, 2073, Cerqueira César / CEP: 01411-000 / TEL: 3285-3696.

ANTES DO PÔR-DO-SOL – Before Sunset
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Estados Unidos - 07/10/2011

DIREÇÃO: Richard Linklater

ROTEIRO: Richard Linklater, Julie Delpy

ELENCO: Ethan Hawke, Julie Delpy, Vernon Dobtcheff

Estados Unidos, 2004 (80 min)

Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) se conheceram em 1995, em um trem na Europa. A química entre eles foi tão grande que combinaram de se encontrar novamente depois de 6 meses. Essa história foi contada em Antes do Amanhecer, que está publicado aqui no blog. Depois de nove anos, o diretor Richard Linklater filma a sequência, em que Jesse e Celine se reencontram em Paris, no lançamento do livro dele, inspirado no dia que passaram juntos em Viena. Mas suas vidas já não estão mais desimpedidas como estavam quando tinham 23 anos. Nesse tempo, fizeram a suas escolhas.Agora em Paris, conversam sobre o que teria acontecido se realmente tivessem se encontrado depois de alguns meses.

O filme é basicamente o diálogo entre eles. Passam a limpo esses anos em que não se viram, contam como anda o coração, a profissão, a vida como um todo e que caminho almejam seguir. Tudo é mostrado de uma maneira muito simples, natural e poética – quase um tratado das diversas áreas da vida por que precisamos permear. Indiscutível a liga e a harmonia entre o casal. Será que teria dado certo? Será?

Vale dizer que não tem graça assistir a Antes do Pôr-do-Sol sem ter visto Antes do Amanhecer. As referências ao tempo que passaram juntos são muitas e você vai perder parte da nuance e da suavidade do filme. Bem melhor o programa completo; muito melhor se for bem acompanhado. Diante da profusão de filmes bobos e idênticos sobre mulheres frustradas, rodadas demais e sem perspectiva de achar marido, ou seja, um apelação total, você tem ainda mais motivos para assistir a estes dois filmes, singelos, profundos e inteligentes.

DESPACHADO PARA A íNDIA – Outsourced
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Índia, Estados Unidos - 05/10/2011

DIREÇÃO: John Jeffcoat

ROTEIRO: George Wing, John Jeffcoat

ELENCO: Josh Hamilton, Ayesha Dharker, Asif Basra, Matt Smith

Estados Unidos, 2006 (103 min)

Despachado para a Índia toca no curioso ponto da terceirização dos serviços para lugares como Índia e China, por causa da drástica diferença de custos. Aqui no Brasil estamos acostumados com etiquetas “made in outro país”, mas não passamos pelo que passam os americanos com os call centers, pela lógica do idioma. Com a terceirização de um serviço direto ao consumidor, muitos dos call centers de empresas americanas estão localizados na Índia, que também é anglófona, mas recebe salários bem mais baixos, além de ter um custo operacional bem menor. O filme brinca com essa realidade: como vender produtos absolutamente americanizados (se é que posso dizer isso) sem entender a alma do americano? Como o indiano, com uma realidade e valores completamente diferentes, consegue incorporar essa dinâmica?

Todd Anderson (Josh Hamilton) é americano, gerente de uma empresa de vendas por catálogo e é transferido repentinamente porque precisa treinar o novo call center da empresa que será na Índia. Não conhece nada daquele país, nem seus hábitos,  costumes ou religião. Aos poucos, e de forma graciosa, essa ambientação vai acontecendo e Todd tem uma experiência diferente e rica do outro lado do globo.

Este filme deu origem à uma série de televisão Outsourced, na NBC desde 2010. Assim como a série, o filme retrata a forma de vida dos indianos, suas tradições familiares e a integração com a vida ocidental e com as diferenças do inglês. À medida do possível, é claro.

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