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OS DESCENDENTES – The Descendants
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos, Drama - 27/01/2012

DIREÇÃO: Alexander Payne

ROTEIRO: Alesander Payne, Nat Faxon

ELENCO: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Patricia Hastie

Estados Unidos, 2011 (115 min)

Histórias mirabolantes e inverossímeis são mais fáceis de resolver, no que diz respeito ao lado humano. A ficção, quase tudo aceita. Acho bem difícil passar um sentimento verdadeiro na tela quando se trata de uma história pouco original, de relações já bastante exploradas pelo cinema – o risco de cair no clichê é bem maior. É aqui que está o grande trunfo de Os Descendentes. Equilibrando muito bem humor e drama, o diretor Alexander Payne (também de Sideways e um dos episódios de Paris, Eu Te Amo,) fala da tristeza da perda, da fria relação entre pai e filhos, da descoberta de uma traição e da necessidade de reinventar as relações com leveza, simplicidade e algumas lágrimas.

Durante o filme todo, George Clooney (também em Tudo Pelo Poder, Amor sem EscalasQueime Depois de Ler11 Homens e um SegredoSyriana – A indústria do Petróleo) nos faz participar de suas descobertas. Excepcional no papel, é indicado ao Oscar melhor ator (aliás, tem meu voto) e consegue transmitir seu sentimento de total perplexidade ao descobrir que tem que dar conta das duas filhas depois que sua esposa entra em coma, da negociação da venda da propriedade e de toda a questão que envolve a traição da sua mulher. Clooney faz rir e faz chorar e transmite sua indignação, tristeza, raiva e simples alegria de retomar as rédeas da vida.

Não há nada de excepcional no roteiro, que é linear, nem na história em si, que é sobre ajustes familiares. Mas é dessa simplicidade que eu gosto, da sensação que me dá de poder realmente entrar no filme e me sentir à vontade. Se não fosse no Havaí, eu bem que diria que quase me “senti em casa”.  Acho até que a beleza toda das ilhas foi pouco explorada – o que valoriza ainda mais o lado humano e real, o fato de estarmos todos (sem exceção) sujeitos a erros e sofrimentos. Os Descendentes, indicado ao Oscar de melhor filme e roteiro adaptado, é essencialmente um filme sobre as relações.

ENFIM VIÚVA – Enfin Veuve
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, França, Comédia Romântica - 20/12/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Isabelle Mergault

ELENCO: Michèle Laroque, Jacques Gamblin, Wladimir Yordanoff

França, 2007 (93 min)

Enfim Viúva começa bem: pelo título (gosto do tom divertido e irônico) e pela cena da praia, com a atriz Michèle Laroque cantando Y Si Tu N’existais Pas. Sugere uma comédia leve e realmente divertida – foi isso justamente o que me atraiu. O primeiro argumento é válido, é realmente leve e não compromete. Mas o segundo, fica um pouco a desejar – distrai, mas achei que fosse mais divertido.

A história é a seguinte: Anne-Marie é casada com um famoso cirurgião plástico, mas o casamento já passou do seu prazo de validade - é infeliz, acha o marido um chato e parece estar presa ao vidão que ele a proporciona. Outro núcleo da história é centrado em Leo (Jacques Gamblin, também em Os Nomes do Amor), que trabalha na restauração de barcos e tem uma viagem programada para a China a trabalho. Obviamente os núcleos se juntam, Anne-Marie e Leo são amantes e a viuvez do título se concretiza na hora certa.

Há situações atrapalhadas e até engraçadas, mas não sai muito do esperado. Gosto dos dois atores – têm jeito para comédia, para fazer rir e eles são o atrativo do filme. Mas a direção deixa a desejar, muito embora seja um filme gostoso de assistir.

PARA POUCOS – Aimez qui Vous Voulez
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França, Drama - 07/12/2011

DIREÇÃO: Antony Cordier

ROTEIRO: Antony Cordier, Julie Peyr

ELENCO: Marina Foïs, Élodie Bouchez, Roschdy Zem, Nicolas Duvauchelle

França, 2010 (103 min)

 

Nos cinemas: 09 de dezembro

 

“Na vida, mesmo se estamos felizes, sempre esperamos que algo nos arrebate.” – Rachel, personagem de Marina Foïs

Cada um entende uma história como melhor lhe convém. Veja a parábola do filho pródigo, por exemplo. Um rico fazendeiro dá aos filhos herança em vida. O mais moço pega sua parte, sai para curtir a vida e quando chegam tempos difíceis e ele se vê sem comida e sem dinheiro, volta correndo para os braços do pai, que o recebe com festa; o mais velho não abandona o pai, segue fiel e trabalhador, e fica furioso com a recepção calorosa para o irmão. No Evangelho, é uma passagem que denota o arrependimento, o acolhimento certo do pai e o perdão.

Mas certamente não é com essa intenção que ela é citada por um dos personagens de Para Poucos, este bonito, forte e enigmático filme francês – embora seja preciso também perdoar. Aqui ela se encaixa sinalizando que aquele que é feliz no casamento e que vai procurar fora dele uma outra relação, experiência ou prazer, alguma hora, cedo ou tarde, vai voltar para casa. Quando perceber que chegam tempos difíceis, que a novidade já não existe, que o que era novo também se tornou corriqueiro, o que era diferente agora é previsível e que ali não há algo essencial como a perspectiva de futuro, segurança, construção, amor realmente, voltar à relação original é o caminho natural. Desde que feliz, é claro.

Para Poucos conta uma história ousada entre dois casais estáveis, famílias constituídas com filhos. Os quatro se envolvem a princípio numa vivência sexual, sem mentir, num pacto de fidelidade entre eles, mas que aos poucos vai entrando na seara do sentimento, do convívio, da família, da cumplicidade. O sexo esbarra no sentimento e confundir as coisas é algo fácil tudo está embaralhado, as funções trocadas e os papéis de marido e mulher que o casamento propõe, totalmente anulados.

Perturba um pouco assistir a entrega cega deles e imaginar, logo de cara, o que aquilo poderia causar. Em francês, o filme se chama Aimez qui Vous Voulez, ou seja, “ame quem você quiser”. A gente sabe que não funciona dessa maneira. Mas acho que saber disso perturba e faz com que o filme seja intenso e forte. Fiquei angustiada com esse jogo estranho e perigoso, muito bem conduzido pelo quarteto, com destaque para as mulheres, que têm presença fortíssima e decisiva (os homens são Roschdy Zem, também em Fora da Lei, London River – Destinos Cruzados; Nicolas Duvauchelle, também em Minha Terra, África). É como se a instituição do casamento de um casal fosse colocada à prova pelos personagens, testando uma das suas prerrogativas fundamentais: a fidelidade.

GUERRA DOS SEXOS – Maschi contro Femmine
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Itália - 28/11/2011

Nos cinemas: 02 de dezembro

 

DIREÇÃO: Fausto Brizzi

ROTEIRO: Fausto Brizzi, Massimiliano Bruno, Valeria Di Napoli, Marco Martani

ELENCO: Fabio De Luigi, Paola Cortellesi, Francesco Pannofino, Allessandro Preziosi, Paolo Ruffini, Nicolas Vaporidis, Sarah Felberbaum, Chiara Francini, Lucia Ocone, Carla Signoris, Giorgia Wurth

Itália, 2011 (113 min)

 

Fui conferir este italiano Guerra dos Sexos, impulsionada pela boa leva filmes italianos recentes como Que Mais Posso Querer, O Primeiro que Disse, Um Sonho de Amor, Saturno em Oposição – só para citar alguns. Imaginei encontrar algo divertido em Guerra dos Sexos, já que o tema suscita as intermináveis diferenças e discussões entre homens e mulheres, mas também a inquestionável vontade de se apaixonar. A propósito, o filme começa bemq quando cita a máxima de que um homem e uma mulher são as pessoas menos indicadas para se casar, vide as diferenças, traições, disputas, medos, inseguranças. Mas, depois disso, seguiu previsível, sem criatividade. Confesso que fiquei impaciente.

Explico. Se a expectativa era dar risadas das mazelas e amores entre um homem e uma mulher, fiquei frustrada. Não achei graça, como achei em O Primeiro que Disse, por exemplo. Achei que “choveu no molhado”. Conta quatro histórias que se cruzam. Uma mulher já nos seus 50 anos, pega o marido transando na sala da sua casa com outra, bem mais jovem, e obviamente se sente a pior das mulheres, velha e acabada; um treinador de vôlei casado acaba de ter seu primeiro filho, mas é constantemente paquerado por uma das atletas do time; três amigos solteiros, dois rapazes e uma moça lésbica, estão sempre à procura de novos casos, até que se envolvem com a mesma mulher; e finalmente uma moça ecologicamente correta tem que conviver com o vizinho garanhão, que cada dia chega em casa com uma mulher de diferente nacionalidade.

As confusões acontecem, como pode-se ver no trailer abaixo, e os personagens se cruzam. Tem um gostinho de déjà vu, onde falta o novo, o toque de graça – mais parece um filme retalhado que se perde nas próprias confusões. Nem sempre é preciso ir além do riso, da ironia e do tom de deboche. O difícil é fazer isso de forma diferenciada. Guerra dos Sexos é igual a tantos outros – chega a lembrar até uma daquelas ditas “comédias românticas” americanas que, no meio de tanto sexo, não são nem uma coisa, nem outra…

APENAS UMA NOITE – Last Night
CLASSIFICAÇÃO: França, Estados Unidos - 19/10/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Massy Tadjedin

ELENCO: Keira Knightley, Sam Worthington, Eva Mendes, Guillaume Canet

Estados Unidos, França, 2010 (90 min)

Apenas Uma Noite atenta para uma questão comum, recorrente e muito difícil de lidar. Na dinâmica das ausências causadas pelas viagens a trabalho e das relações estreitadas por causa do trabalho, na dinâmica da rotina e na solidão de quem fica, manter o casamento não cabe na agenda de quem tem dúvida. Preferir o casamento e preterir uma aventura é o grande tema do filme, discutido através da relação entre Joanna (Keira Knightley, também em Não Me Abandone Jamais, Desejo e Reparação, A Duquesa) e Michael Reed (Sam Worthington, também em Avatar).

Embora não se trate de um tema original, gosto da sutileza do tratamento dado a ele. O que se questiona aqui, além da honestidade e fidelidade, é a escolha de estar e continuar junto com alguém. De novo o tema da escolha! Sim, porque é preciso escolher para não viver na mentira. Lembrando que a novidade também vira algo velho, corriqueiro e conhecido, é preciso pensar e fazer a opção. Antes de colocar tudo a perder. Assisti a Apenas Uma Noite por acaso e foi uma grata surpresa vê-lo na seleção da Mostra. Um filme delicado, para falar do trabalhoso e gratificante que é reinventar as relações todos os dias.

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PROGRAME-SE:

Compra de ingresso online: Ingresso.com

21 out / 15h40 - UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

22 out / 15h40 - UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

25 out / 16h10 - CINE SABESP
Rua Fradique Coutinho, 361, Pinheiros / CEP: 05416-101 / TEL: 5096-0585.

31 out / 20h10 - ESPAÇO UNIBANCO POMPÉIA – Bourbon Shopping
Rua Turiassu, 2100, 3° Piso, Pompéia / CEP: 05005-900 / TEL: 3673-3949.

1 nov / 17h30 - ESPAÇO UNIBANCO POMPÉIA – Bourbon Shopping
Rua Turiassu, 2100, 3° Piso, Pompéia / CEP: 05005-900 / TEL: 3673-3949.

UM SONHO DE AMOR – Io Sono l’Amore
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Itália, Drama - 18/08/2011

 

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Luca Guadagnino

ELENCO: Tilda Swinton, Flavio Parenti, Edoardo Gabbriellini, Alba Rohrwacher, Pippo Delbono, Diane Fleri, Maria Paiato

Itália, 2009 (120 min)

O porte e elegância de Emma (Tilda Swinton, também em Queime Depois de Ler) são arrebatadores neste lindo filme italiano. De origem russa, casa-se com um rico industrial de Milão, da tradicional família Recchi, fez três herdeiros, mas visivelmente não é feliz. Seu olhar é vago, distante, perdido na maravilhosa villa italiana, em que a riqueza de detalhes é de encher os olhos de qualquer um. Pobre menina rica – seria mais ou menos isso. O que não se restringe à mãe. Sua filha Elizabetta (a ótima Alba Rohrwacher, também em Que Mais Posso Querer) também não parece sentir-se à vontade, apesar do esforço em agradar o avô, patricarca e percursor de todo o prestígio e fortuna.

Construído esse universo aparentemente sólido e inabalável, elementos externos causam instabilidade, que vai crescendo, centrada na personagem de Emma, numa atuação espetacular. Lindo esteticamente, mas sobretudo um filme de desconstrução sutil, também elegante (se é que é possível) de personalidades mascaradas pela expectativa da sociedade, mas sem sua verdadeira alma. Em inglês, o título é fiel ao original em italiano: I am Love. Gosto mais, carrega o significado mais profundo da busca pelo amor próprio.

Indicado ao Oscar em 2011 na categoria de Melhor Figurino (perdeu para Alice no País das Maravilhas), Um Sonho de Amor é mais do que figurino. Tem belíssima fotografia, ótimo roteiro e poucos diálogos. O diretor abusa do silência, da trilha sonora e dos olhares – que dizem mais do que mil palavras.

Estreia dia 19 nos cinemas.

Trailer de UM SONHO DE AMOR por claquete_com no Videolog.tv.

QUE MAIS POSSO QUERER – Cosa Voglio di Più
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Itália - 07/05/2011

DIREÇÃO: Silvio Soldini

ROTEIRO: Doriana Leondeff , Angelo Carbone, Silvio Soldini

ELENCO: Alba Rohrwacher, Pierfrancesco Favino, Giuseppe Battiston, Teresa Saponangelo

Itália, 2010 (126 min)

O que mais se pode querer quando se tem uma casamento estável, fiel e tranquilo, bons amigos e uma situação financeira equilibrada e com boas perspectivas? Essa é a pergunta que não quer calar quando aparecem esses filmes sobre relações extraconjugais. A perspectiva de sair da rotina com uma dessas relações parece ser o caminho mais fácil para driblar a monotonia. Não faltam oportunidades para quem quer criá-las. O que acontece é que esses relacionamentos também se tornarão rotina e aí cai a ficha. Valeu a pena a aventura? Se tudo ia bem, por que não criar situações diferentes, divertidas, interessantes e inteligentes dentro do próprio casamento? Dá trabalho, exige empenho, paciência e muito amor. Por si, pelo outro, pelo casamento e pelos planos feitos a dois.

Que Mais Posso Querer conta uma história assim, em Milão, na Itália. Na primeira parte do filme, o foco é a vida, a rotina, as relações de Anna (Alba Rohrwacher), que faz seu papel com muito talento. Executiva bem de vida e aparentemente feliz no casamento, conhece Domenico (Pierfrancesco Favino) funcionário de um bufê. Após o encontro entre eles, o foco se inverte e conhecemos a vida modesta desse homem e suas particularidades. No meio de um monte de mentiras, irritação, sentimento de posse, sexo e culpa, o relacionamento avança de maneira intensa e tempestuosa. Valeu a pena?

Gosto muito do tom do filme e me lembrou o francês Mademoiselle Chambon. Gosto da maneira com que o diretor Silvio Soldini trata o conflito interior de cada um dos personagens, como ele vai crescendo e se intensificando, na tentativa de encontrar algo a mais, além daquilo que já foi conquistado. O conflito é real, palpável, faz parte do cotidiano de pessoas comuns. Do lado de cá da tela, a angústia também fica insustentável, por causa da constante insatisfação do ser humano nas relações, pela opção do caminho mais fácil, por não se conhecer o suficiente para bancar um casamento, os planos, a educação dos filhos e tudo mais que está inevitavelmente envolvido - e não é pouca coisa. Angústia de não conseguir dar valor às conquistas, de achar que a grama do vizinho é sempre mais verde, de viver nessa sociedade do descarte, da substituição rápida. Também, e principalmente, nas relações amorosas. Não é um assunto fácil de ser abordado no cinema sem cair no clichê. Que Mais Posso Querer é um filme honesto e sensível, mesmo tratando da infidelidade.

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