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AMANHÃ – Demain
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, França, Documentário - 28/01/2017

Em vez da gente ficar reclamando que o mundo está poluído demais, aquecido demais, destruído demais, ruim demais, que tal ir atrás de soluções? Por menores que sejam, as mudanças transformam, são capazes de fazer as pessoas replicarem as ideais e causam efeitos multiplicadores. Se gentileza causa gentileza, uma melhor qualidade de vida acaba, naturalmente, atraindo quem se identifica com ela. Aí, é só continuar no caminho.

Com isso em mente, a atriz e diretora francesa Mélaine Laurent (também em Bastardos Inglórios, O Concerto) e o marido, Cyril Dion, saíram pelo mundo em busca de cidades e comunidades que já adoram um estilo diferente de vida. A gente acha que, para que isso aconteça é preciso mudanças muito bruscas, abandonar tudo e mudar de cidade. Saiba você que não. Mesmo porque, o ótimo é inimigo do bom. Não dá pra começar pelo ideal.

Comece pelo possível e você verá que mudanças no dia a dia já fazem a diferença e elas vão, aos poucos criando outras possibilidades. Economia criativa, bairro autossustentáveis, hortas comunitárias e urbanas são algumas das soluções que já estão mudando o mundo por aí e este documentário mostra realidades que a gente nunca imaginou existirem. Gente que está realmente fazendo a diferente. Faz uma hortinha em casa, em vaso mesmo, e você já vai ver que algo de diferente brotou bem perto de você.

 

DIREÇÃO: Cyril Dion, Mélaine Laurent | 2015 (118 min)

 

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EU, DANIEL BLAKE – I, Daniel Blake
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para se Emocionar, Para Pensar, Inglaterra, Drama - 07/01/2017

Se fosse pra resumir em uma palavra, ela seria solidariedade. Se pudesse colocar mais uma, seria dignidade. Mais uma? Crueldade. Pois é, aí é que está a riqueza do filme de Ken Loach: traz opostos na sua mais genuína forma. A solidariedade bem nua, crua, genuína, sem moeda de troca; simplesmente acontece, com tem que ser com as pessoas de bem. A dignidade é mantida, mesmo que o universo conspire contra. E a crueldade… ahh, a crueldade vem arquitetada, montada de forma a dificultar, judiar, humilhar e nutrir uma sociedade mais injusta. Em uma semana em que a Finlândia anunciou que vai pagar um salário mínimo de 560 euros a desempregados, sem que eles tenham que provar que estão procurando emprego, este filme, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, cai como uma luva.

Daniel Blake é um marcineiro, que tem um problema no coração, ainda não pode voltar a trabalhar e recorre ao sistema de previdência social para receber seu seguro desemprego. Poderia ser no Brasil – dá até vontade de rir (aliás, este é um dos bônus do filme, que coloca como protagonista um ator de standup comedy – capaz de rir da própria trajédia). Rir pra não chorar: ele fica plantado no telefone tentando ser atendido, preencher os pré-requisitos, conseguir o benefício, ter o mínimo de atenção e ser tratado com o mínimo de respeito. Até que descobre que tem que fazer tudo isso online. Como, se não sabe com o esse mundo virtual funciona? Soa familiar?

As dificuldades são inúmeras e Daniel não desiste. Segue digno. Lutando. Conhece uma moça em situação crítica, com dois filhos pra cuidar, sem dinheiro, sem trabalho, sem esperança. Aqui entra a solidariedade. Genuinamente, porque assim é que deveria ser sempre.

Ken Loach, também diretor de Rota Irlandesa, A Parte dos Anjos, À Procura de Eric, consegue ser preciso: mostra o desvio de conduta da nossa sociedade que deveria acolher, ajudar o cidadão a viver e não a passar a vida correndo atrás do rabo. Ao mesmo tempo, consegue construir um Daniel e uma Katie íntegros, esperançosos, dignos e orgulhosos de quem são. Apesar dos pesares. Triste, claro, mas fica uma mensagem de esperança. Os finlandeses que o digam.

 

DIREÇÃO: Ken Loach ROTEIRO: Paul Laverty ELENCO: Dave Johns, Hayley Squires, Sharon Percy, Briana Shann | 2016 (100 min)

 

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CAPITÃO FANTÁSTICO – Captain Fantastic
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 04/01/2017

Que tal pensar fora da caixa, romper as expectativas e seguir o instinto? Ao invés de criar os seis filhos debaixo do guarda-chuva da sociedade de consumo, do sistema educacional tradicional e da cidade como a gente conhece, Ben Cash (Viggo Mortensen, também em A Estrada, Na Estrada, Um Método Perigoso) segue outro padrão: do rigor intelectual, e do preparo físico e emocional para lidar com as adversidades da vida. Por seu papel no filme, Mortensen foi nomeado ao Globo de Ouro – e é, realmente, de uma força e uma emoção que vai fazer você se inspirar em virar a mesa.

Os mandamentos são ensinar a pensar e argumentar. A família mora na floresta,  segue uma rigorosa rotina de estudo e atividades, cuida da alimentação e da moradia, é autossuficiente e valoriza muito os momentos de lazer entre eles. Mas, quando volta para a sociedade, não sabe nem como se comportar. A mulher de Ben morre, eles vão ao velório vestidos com roupas coloridas e deparam-se com a pressão dos avós para que se enquadrem no esquema da sociedade tradicional capitalista.

Achar o meio termo é a grande questão – e a reflexão que essa necessidade gera é a grande magia de Capitão Fantástico. Saber reconhecer o estilo de vida que faz sentido pra cada um e adaptá-lo à realidade talvez seja o grande segredo para uma vida mais plena. Não é à toa que o diretor foi premiado em Cannes na categoria Un Certain Regard – é diferenciado, como cinema e como conteúdo.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Matt Ross ELENCO: Viggo Mortensen, George Mackay, Samanta Isler, Annalise Basso, Frank Langella | 2016 (118 min)

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AQUARIUS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 01/09/2016

Aquarius devolveu meu rosto pro Brasil.” E que rosto, que presença! Longe do cinema nacional desde Tieta, de 1996, Sonia Braga solta essa pérola durante a entrevista coletiva de Aquarius, após a sessão para jornalistas. O filme devolve Sonia ao cinema nacional, de onde espero que ela não desapareça de novo.

Aquarius, indicado à Palma de Ouro em Cannes este ano, conta a história de Clara, uma mulher na casa dos 60, madura e resolvida, que precisa lidar com uma questão muito pontual: todos os apartamentos do prédio em que ela mora foram vendidos para uma construtora, que vai demoli-lo e construir ali um empreendimento moderno. Ela não quer vender, é pressionada e precisa encontrar uma saída para a situação. Além da questão da exploração imobiliária e da destruição do patrimônio e da memória afetiva em prol do ganho financeiro, já abordado por Kleber Mendonça no longa O Som ao Redor (2012), Aquarius vai além: fala do feminino, da sexualidade, das complexas relações familiares e sociais brasileiras, da hegemonia do poder financeiro e do discurso você-sabe-com-quem-está-falando? Um mosaico de sensações, que não é pra qualquer um. E claro, fala da  dificuldade de convivência entre o novo e o velho, uma relação de equilíbrio difícil e confusões à perder de vista.

Kleber Mendonça diz que não se vê fazendo um filme que não trate da realidade, daquilo que está acontecendo. Que bom. Sua obra tem essa pegada humana, de gente de verdade, sempre repleta de reflexões. Clara é o retrato da nova mulher da terceira idade que surge hoje, autônoma e autossuficiente, dona da sua história e do seu presente, capaz de decidir, desejar e viver a vida como bem entende. Na pele de Sonia Braga, ganha um peso ainda maior.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Kleber Mendonça Filho ELENCO: Sonia Braga, Humberto Carrão, Maeve Jinkings, Irandhir Santos, Julia Bernat, Barbara Colen | 2016 (141 min)

 

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FOME
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 23/08/2016

Sábia quem me disse que Fome não seria um filme fácil. Que era preciso assistir descansada, em tela grande. Tinha razão. É preciso. O que eu não sabia era que este filme em branco e preto, com jeito de documentário, árduo e cruel na lida humana, seria um deleite das palavras.

Um velho homem velho – não só de idade, mas de espírito – abandona a vida acadêmica para viver na rua. Não se vitimizar, apenas escolhe, liberta-se. Não aceita ser tratado como coitado. Alfineta quem tem pena; peita quem o desafia. Mas canta, em francês, com a estudante que vai entrevistá-lo. Cheio de fome de liberdade, critica quem vê a fome como algo só físico. A sociedade rasa. A hipocrisia fantasiada de misericórdia.

Enquanto ele perambula pelo centro de São Paulo, lembrei-me de Estamira, a senhora que foi protagonista do documentário homônimo (2004), de Marcos Prado. É como se o velho homem velho e cansado também existisse. Aliás, ele é a personificação dessa grande população sem identidade. Estamira, catadora de lixo e poeta, disse que “às vezes é só resto [o que ela encontra no lixão]; às vezes vem também descuido”. É desse discutido que o velho homem quer se libertar. Do descuido próprio da natureza humana – consigo mesma e com o outro. No fim, ater-se à miséria nos dois filmes é estreitar muito a visão; proponho pensar na bonança e na riqueza do verbo, das palavras, da poesia. E da inteligência, por que não?

 

DIREÇÃO: Cristiano Burlan ROTEIRO: Cristiano Burlan, Henrique Zanoni ELENCO: Jean-Claude Bernardet, Ana Carolina Marinho, Henrique Zanoni, Juão NiN | (90 MIN)

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WINTER ON FIRE: UKRAINE’S FIGHT FOR FREEDOM
CLASSIFICAÇÃO: Ucrânia, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Documentário - 04/03/2016

Pra tirar Viktor Yanukovych, o ditador pró-Rússia do poder, o povo ucraniano fica nada mais, nada menos do que 92 dias na praça principal de Kiev, protestando. Em pleno inverno, montou ali sua base, enfrentou a forte repressão das tropas oficiais e só arredou o pé quando o presidente foi deposto em fevereiro de 2014. Mas teve que ir pra ruas, o que é bem óbvio.

Este excelente documentário Winter on Fire: UKraine’s Fight for Freedom pode ser traduzido como Inverno sob Fogo: a Luta da Ucrânia pela Liberdade. E é bem isso mesmo: o povo passou o inverno sob fogo cruzado, dezenas de pessoas morreram, centenas ficaram feridas, milhares se juntaram dia a dia para prover comida, alimentos, remédios, assistência aos resistentes na praça de Kiev. Enquanto o povo queria se aproximar do Ocidente e da União Europeia, seu líder teimava em continuar a aliança com a Rússia. Descontente e sentindo-se traído, protesta até não dar mais.

Soa familiar? A insatisfação, sim. O modus operandi não. As coisas só mudam se o povo disser o que pensa. Indicado ao Oscar de melhor documentário, Winter on Fire impressiona pelo relato dos protestos, riqueza de imagens e intensidade do envolvimento da população. De arrepiar.

 

DIREÇÃO: Evgeny Afineevsky ROTEIRO: Den Tolmor ELENCO: Bishop Agapit, Serhii Averchenko, Kristina Berdinskikh | 2015 (102 min)

 

 

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UM HOMEM ENTRE GIGANTES – Concussion
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 03/03/2016

Por Suzana Vidigal

O pica-pau bate o bico na árvore milhares de vezes por dia e sua cabeça não sofre lesões ou traumatismos (termo este que seria a tradução literal do título original “Concussion”). Isso porque ele tem um amortecedor natural na cabeça para proteger a sua estrutura cerebral. A gente, se levar uma pancada qualquer, não tem proteção alguma e o risco de sofrer uma lesão grave é muito alto.

Portanto, não somos feitos pra levar socos ou dar cabeçadas violentas, como acontece na rotina dos jogadores de futebol americano. Essas sucessivas pancadas durante anos podem gerar danos irreversíveis e terminar em tragédia. É disso que Um Homem Entre Gigantes fala. O homem em questão é o médico Bennet Omalu, um neuropatologista forense que traz à tona a questão, mexe no vespeiro na bilionária e idolatrada indústria do futebol americano e levanta o importante tema da responsabilidade versus interesse financeiro.

Will Smith não só é talentoso, como também carismático e convincente. Faz a figura humana que está preocupada com o compromisso ético de sua profissão e com a história das famílias que sofrem com as dores e perdas causadas pelo traumatismo craniano. A história é real e emocionante. E Will Smith, independe da polêmica do Oscar com relação à falta de atores negros entre os indicados, merecia ter sido lembrado pela Academia por esse papel.

 

DIRETOR: Peter Landesman ROTEIRO: Peter Landesman, Jeanne Marie Laskas ELENCO: Will Smith, Alec Baldwin, Albert Brooks, Gugu Mbatha-Raw, David Morse | 2015 (123 min)

 

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