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TERAPIA DE RISCO – Side Effects
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Inglaterra, Drama - 17/05/2013

terapia de risco2DIREÇÃO: Steven Soderbergh

ROTEIRO: Scott Z. Burns

ELENCO: Jude Law, Rooney Mara, Channing Tatum, Catherina Zeta-Jones

Inglaterra, 2013 (106 min)

 

Nos cinemas: 17 de maio

 

Tudo o que se quer numa terapia é não correr riscos, não ter efeitos colaterais (como diz o título original). Já bastam aqueles inerentes, que perturbam e nos levam ao divã. Mas não é o que acontece. Ameaçada por seus próprios fantasmas, Emily entra em depressão. Seu marido ficou preso por alguns anos por favorecimento ilícito no mercado financeiro e ela não consegue superar o trauma. Ele volta à sociedade, mas ela se afunda, a ponto de acelerar o carro contra um muro e não conseguir conviver em sociedade.

Para se tratar, Emily cai nas mãos do bem sucedido terapeuta Jonathan Banks, que tem uma certa reputação no mercado, atende em um consultório chique, circula bem entre os executivos da indústria farmacêutica, mas também enfrenta o mal do século em casa, já que sua esposa está desempregada e também deprimida.Fragilizada, Emíly (Rooney Mara) precisa de medicamentos para superar a crise, justo no momento em que Jonathan (Jude Law, também em Anna Karenina, 360, Um Beijo Roubado, A Invenção de Hugo Cabret, Closer – Perto Demais) aceita dinheiro de uma empresa para testar o remédio Ablixa em seus pacientes. Emíly é medicada e tudo isso é acompanhado por sua antiga terapeuta, a Dra. Victoria Siebert (Catherine Zeta-Jones).

Esse desenrolar é a primeira parte da história, uma maneira de o diretor Steven Soderbergh (também de Contágio e da série 11 Homens e Um Segredo) apresentar os personagens, representativos de uma sociedade que vive correndo atras de dinheiro a qualquer custo, mas que nem por isso fica satisfeita. Em todas as esferas, a depressão ataca de forma implacável. E o que é consumo pura e simplesmente de bens materiais e do sonho americano, vira consumo de sonhos em formas de medicamentos, para camuflar o desânimo, a frustração, a sensação constante de estar deprimido.

Isso posto, o que se desenrola é surpresa. E surpresa mesmo, porque o filme dá uma reviravolta e ganha ares de investigação, vingança, suspense, de quem já não tem mais nada para perder. O que parece ser, já não é mais, se transforma, e vive-versa. Terapia vai, terapia vem e a gente não sabe mais quem manipula quem. Rooney Mara fisicamemte não lembra em nada sua personagem da série Millenium, porém mais uma vez fica bem no papel da moça descontrolada e dissimulada. Não é todo dia que se tem o privilegio de ser paciente de Jude Law. Melhor aproveitar a oportunidade – e isso ela conduz com muito talento. Levando em conta, é claro, que quem dirige Terapia de Risco é Soderbergh (que diz encerrar sua carreira com este filme), a produção ganha um ritmo especialmente acelerado, sem ser evasivo, sugestivo, sem ser conclusivo, e um desfecho com muitos efeitos colaterais.

O SONHO DE WADJDA – Wadjda
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Drama, Arábia Saudita, Alemanha - 03/05/2013

sonho de wadjdaDIREÇÃO e ROTEIRO: Haiffa Al-Mansour

ELENCO: Reem Abdullah, Waad Mohammed, Abdullrahman Al Gohani, Ahd, Sultan Al Assaf

Alemanha, 2012 (97 min)

 

Nos cinemas: 03 de maio

 

Sonhar em ter uma bicicleta faz parte do imaginário de qualquer criança. Claro que isso esbarra, muitas vezes, na questão financeira, mas se deixarmos isso de lado, eu diria que infância e bicicleta caminham juntas desde sempre. O interessante é que na Arábia Saudita isso não é verdade. Pelo menos para as meninas. Menino pode, como pode todo o resto. Menina não. É imoral, contra os princípios religiosos, coisa de menina sem virtude.

Na sociedade islâmica conservadora saudita, mulher fica realmente para escanteio. Mesmo assim, a diretora Haiffa Al-Mansour consegue traçar, de uma maneira doce, um panorama da situação feminina em seu país, sem que para isso fosse preciso ser amarga. Wadjda tem 12 anos e destoa completamente das outras meninas da sua idade. Gosta de rock, tem veia empreendedora (faz pulseiras para vender na escola e ganhar um dinheirinho), usa tênis, gosta de brincar com os meninos e quer, loucamente, uma bicicleta. Enquanto espera a visita do pai, que, para desespero de sua mãe, vai se casar novamente porque deseja um filho homem, ela pensa numa maneira de burlar as expectativas e conseguir uma linda bicicleta verde.

É pelo olhar da garota que sutilmente somos introduzidos na cultura e religião islâmicas e na maneira como as pessoas se relacionam. Wadjda é daquele tipo que leva bronca, é repreendida, mas não desiste. A ponto de se inscrever em um concurso de Alcorão na escola, para tentar ganhar o prêmio em dinheiro e comprar seu sonho.

Digo e repito que o cinema tem esse papel: trazer universos remotos e diversos para perto. Aproximar povos, gerar interesse e conhecimento, diminuir a intolerância. De uma maneira singela e delicada, a diretora filma na Arábia Saudita, país em que não há salas de cinema oficiais, onde mulheres e homens são reprimidos por trabalharem juntos, onde o cinema é considerado imoral. É em países muçulmanos como o Irã, que cineastas são perseguidos e presos, proibidos de exercer seu trabalho. Portanto, essa obra ganha ainda mais importância e valor. Sem falar no simples fato de ter o olhar ainda em formação como lente para tudo que acontece.

Há algum tempo selecionei, aqui no Cine Garimpo, filmes que vão ao encontro aos temas da religião islâmica e seus costumes, e  da criança como protagonista do cinema. Vale a pena conferir!

FILMES SOBRE O ORIENTE MÉDIO 

QUANDO A CRIANÇA É QUEM DÁ O TOM 

 

 

DEPOIS DE MAIO – Après May
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França, Drama - 29/04/2013

depois de maio2DIREÇÃO e ROTEIRO: Olivier Assayas

ELENCO: Lola Creton, Clément Métayer, Félix Armand

França, 2012 (122 min)

 

Depois de maio de 68, tudo foi diferente. A ebolição daquela década mudou para sempre a história dessa juventude que transgrediu, desafiou, foi para as ruas protestar contra a guerra, a rigidez das regras culturais e comportamentais que resultavam dos anos em que a França estava se recompondo da destruição da Segunda Guerra.

Apesar de ter sacudido tudo e todos na França e de ter contagiado outros jovens, universitários e operários em outros países europeus, o que se viu na década seguinte foi o oposto disso. Jovens sem rumo ou propósito, buscando o que ser e o que fazer, mas sem aquele entusiasmo do fim dos anos 60. E isso que eu mais gosto no filme: a indecisão do personagem Gilles diante de fazer a revolução ou o cinema tem o ritmo dessa fase lenta, letárgica, morna. O diretor Olivier Assayas (também de Horas de Verão) acerta nesse tom carregado de significado, embora possa parecer, em alguns momentos, devagar demais.

Mas esse é o ritmo de Gilles, que busca se encontrar nessa sociedade politizada, mas que não sabe muito bem o que fazer com isso. Sabe que precisa andar em grupo, procurar juntar-se aos que têm objetivo em comum, nem que este seja ‘não ter objetivo de fato’. Mas, assim como em Horas de Verão, Depois de Maio tem um gosto forte de recomeço, de descoberta. No primeiro, a família que perde a matriarca precisa encontrar uma nova maneira de se relacionar entre si e com as marcas do passado que existem em comum; neste os jovens precisam descobrir o que fazer com o legado da ebulição cultural e social dos anos 1960. E esse é o ponto interessante, que pede reflexão, não tanto política quanto no filme/série Carlos (sobre o terrorista Chacal), mas sobre o papel pessoal de cada um na sociedade.

 

 

A CAÇA – The Hunt
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Drama, Dinamarca - 20/03/2013

DIREÇÃO: Thomas Vinterberg

ROTEIRO: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm

ELENCO: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrom, Susse Wold, Anne Louise Hassing, Lars Ranthe, Alexandra Rapaport, Ole Dupont

Dinamarca, 2012  (115 min)

 

Nos cinemas: 22 de março

 

Thomas Vinterberg é parceiro de Lars Von Trier em um projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme tem que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deve ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir. Dele também são Submarino e Festa de Família. Os dois são de enlouquecer.

Deve ser porque retratam os dramas humanos, seus e meus, como ele realmente são. Intensos, cruéis, traiçoeiros, surpreendentes. A Caça, exibido na 36a Mostra Internacional de Cinema, lida com isso, com mazelas – das mais humanas. A injustiça, o julgamento, a traição. Lucas (Mads Mikkelsen, vencedor de melhor ator em Cannes por este filme e também em Depois do Casamento, Coco Chanel & Igor Stravinsky, O Amante da Rainha) é professor da educação infantil. Acaba de se divorciar e está em plena delicada negociação com a ex-mulher a respeito da guarda do filho adolescente. O ambiente é amigável, uma pequena cidade dinamarquesa em que todos se conhecem. Mas de repente que surge um boato e a vida de Lucas vira do avesso. Suas conduta é questionada, suas relações mais íntimas e duradouras são colocadas em dúvida. Verdade ou mentira, fato é que Vinterberg traz à tona e faz questão de ressaltar a capacidade humana do pré-julgamento e todo o perigo que vem junto com ele.

De uma intensidade ímpar, de uma profundidade cortante. Por ser real. Tem muito do cinema conterrâneo de Susanne Bier, como seu Em Um Mundo Melhor e Depois do Casamento. E de uma angústia que fica e que seguiu comigo até depois que o filme terminou, pensando sobre a proporção que o ressentimento ocupa dentro das pessoas. E do que isso é capaz. Não deixe de ver, ainda mais no mundo de hoje em que as manipulações são constantes, e o bullying cada vez mais frequente. Fala-se muito nesse tipo de intimidação física e emocional com crianças e adolescentes, mas nos esquecemos da intensidade com que é feito no ambiente adulto.

 

ANNA KARENINA
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Inglaterra, Drama - 14/03/2013

anna karenina4DIREÇÃO: Joe Wright

ROTEIRO: Tom Stoppard, Leo Tolstoy

ELENCO: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Taylor-Johnson, Matthew Macfadyen, Eric MacLennan, Kelly Macdonald

Inglaterra, 2012 (129 min)

Anna Karenina de Joe Wright ganhou o Oscar de melhor figuro. Mais que merecido, mas este não é o seu grande trunfo. Além do cuidado primoroso com a estética do filme, com a reconstituição da Rússia imperial, Anna Karenina seria mais um lindo filme de época se não fosse o seu criativo formato teatral.

É justo perguntar: como assim? É cinema ou teatro? Os dois, mesclados de maneira harmônica e muito original. Para entender melhor, vamos aos personagens. Anna Karenina (Keira Knightley, também em Um Método Perigoso, Apenas uma Noite, Desejo e Reparação) é casada com o alto funcionário público Alexei Karenin (Jude Law, também em Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras, A Invenção de Hugo Cabret, 360, Um Beijo Roubado, Closer – Perto Demais). Vivem na Saint Petersburgo do final do século 19, rica e cheia de glamour para quem faz parte da seleta alta sociedade, mas num casamento frio e  protocolar. Tudo muito bem pensado para retratar a abundância e hipocrisia da era dos czares, antes de a Revolução Russa derrubar privilégios, palácios, riquezas. Até que Anna viaja para  Moscou, onde conhece um oficial da cavalaria (Aaron Taylor-Johnson) e coloca tudo a perder: sua reputação, seu filho, seu casamento, sua posição social.

anna karenina7Até aí, nenhuma novidade em termos de roteiro. O destaque é o ambiente teatral a que me referi. A repartição pública onde trabalha Alexei se transforma em restaurante com uma suave mudança de cenário, os funcionários viram garçons num piscar de olhos, realmente trocando o figurino na frente do espectador. O palco está fisicamente presente: vemos a orquestra tocar, os personagens encenarem, até que o palco se transforma em campo nevado, estação de trem, salão de festa e tudo mais que Joe Wright (também de O Solista, Desejo e Reparação) achou necessário para sair do lugar comum e compor a tragédia que se tornou a vida de Anna, inspirado no célebre romance de Tolstoy.

 

QUEM SE IMPORTA
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Documentário, Brasil - 07/12/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Mara Mourão

Brasil, 2012 (92 min)

Se lhe perguntassem o que é um empreendedor social, o que você responderia? É aquele que ajuda o próximo, que monta projetos, que muda a vida de uma comunidade? Sim, mas antes de qualquer coisa, é aquele que acredita e faz acontecer. Não importa se tem dinheiro, se tem um projeto viável. O que importa é se incomodar com a pobreza, com a miséria, com a injustiça, com a vida sem dignidade. E a sociedade civil que se importa, já consegue transformar muita coisa.

Com essa premissa, a diretora Mara Mourão corre o mundo colhendo depoimentos de vários empreendedores sociais, das mais diversas categorias e nacionalidades. Desde um padre que criou uma moeda nova para que a riqueza e a produção circulassem dentro da comunidade, até a advogada que coloca profissionais à disposição dos injustamente encarcerados; do médico que leva educação e saúde através do barco hospital, que chega nas regiões mais remotas da floresta, à médica que criou centros de acolhimento às famílias de pacientes com leucemia; do professor em Bangladesh que livrou os miseráveis das mãos dos agiotas financiando, ele mesmo, os pequenos investimentos para viabilizar pequenos projetos da comunidade, ao nigeriano que criou banheiros para comunidades pobres, que gerencia e embolsa 60% da renda; do monge que treina ratos para detectar tuberculose e minas terrestres, liberando áreas para cultivo que antes eram inutilizadas, ao palhaço que leva alegria e arte às crianças internadas em hospitais, humanizando o tratamento de saúde.

A base do documentário é mostrar que o conhecimento para empreender socialmente vem da tomada de consciência do seu poder transformador, mais do que da educação formal que você possa ter tido, experiência como empresário, etc. Com narração de Rodrigo Santoro, ficamos conhecendo iniciativas de organizações ao redor do mundo, que trabalham para fazer as pessoas perceberem que todos podem ser transformadores, envolvendo a comunidade nos trabalhos, para que tomem as rédeas do poder e guiem seu desenvolvimento.

Eu não conhecia muitas dessas organizações e confesso que fiquei comovida, principalmente com a capacidade desses empreendedores de acreditar que uma vontade pode se tornar uma ideia, que se torna um projeto modificador, que é o multiplicador de mudanças. Processo que poderia se chamar ‘cidadania’, pura e simplesmente. Bem feito e tocante, Quem Se Importa vale ser visto para conhecer o que já foi implementado e pensar em tudo que ainda pode ser realizado. Inspirador!

 

 

O HOMEM DA MÁFIA – Killing Them Softly
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Pensar, Estados Unidos - 29/11/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Andrew Dominik

ELENCO: Brad Pitt,  Ray Liotta, Richard Jenkins, Scoot McNairy, James Goldonfini, Ben Mendelsohn, Sam Shepard

Estados Unidos, 2012 (97 min)

Com o é possível dizer que alguém vai matar outro alguém suavemente? Paradoxo. Matar está recheado única e exclusivamente de crueldade e tudo mais que você possa encontrar de sinônimos e palavras correlatas. Impossível associar a palavra “suave”.  Killing Them Softly, título original, é bem escolhido em toda a sua magnitude maligna. Mata-se, mas há resquícios de piedade, compaixão, compreensão. Por isso, pelos critérios mafiosos, alguns têm o direito de morrer sem sofrer tanto assim.

Eu não ia falar, mas para bons entendedores já falei. Uma pena esta tradução brasileira. O Homem da Máfia fica só na rebarba da nuance do “matar suavemente”. A crueldade de Jackie, personagem de Brad Pitt, está muito além do fato de ele pertencer à máfia. É o vingador, o mafioso, o justiceiro, aquele que coloca ordem na casa, manda soltar e prender, mas principalmente é aquele que tem absoluta noção de que está no comando de uma máquina de fazer dinheiro. Os Estados Unidos não são um país, mas sim um negócio, diz ele. Como qualquer outro, diga-se de passagem. Enquanto o cerco aperta para o lado dos bandidos amadores que assaltam um jogo de pôquer clandestino e desestabilizam o universo mafioso de Boston, vemos na televisão o discurso dos governantes tentando consertar o estrago na economia na crise de 2008. Cada um tenta consertar sua encrenca como pode.

O filme de Andrew Dominik, que conta ainda com ótimo elenco, entre eles Ray Liotta e Richard Jenkins, lembra o estilo Tarantino (como Bastardos Inglórios) de fazer thrillers. Irônico, seco. Algumas cenas de violência que têm uma cinematografia incrível, como a bala que atinge o alvo em câmera lenta – vale a pena reparar. Mas é preciso estar disposto a ver violência nua e crua, e navegar por esse mundo implacável do salve-se quem puder. Não tem emoção. Fico embrulhada com tanto sangue, mas quando é bem feito, vale o ingresso.

 

DISPAROS
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Brasil - 22/11/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Juliana Reis

ELENCO: Caco Ciocler, Gustavo Machado

Brasil, 2012 (82 min)

 

Nos cinemas: 23 de novembro

 

Disparos é um filme pequeno, com uma proposta bastante interessante. Através do fotógrafo Henrique (Gustavo Machado), a diretora Juliana Reis escancara a violência urbana. Não só a violência física, da agressão visível, aquela em que vemos a ferida, a morte, os danos. Mas também a violência emocional, do estresse, da tensão permanente, das relações sociais, da ironia, da injustiça. Como bem disse a diretora na pré-estreia, Disparos é um filme pequeno que se mostrou grande. Também acho. O filme é  simples, mas bem capaz de sugerir, criar expectativa, fazer rir e pensar. Filme que vira sujeito de conversa quando termina é porque rende pano pra manga.

Vencedor do prêmio de melhor fotografia, montagem e ator coadjuvante para Caco Ciocler (na verdade, são dois protagonistas, como brincou Gustavo Machado na pré-estreia) no Festival do Rio deste ano, Disparos relata um momento da vida de Henrique (curioso notar que Gustavo Machado também é um fotógrafo em Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios), que é assaltado por um motoqueiro, que em seguida é atropelado. Deixar o suspense sobre quem atropelou foi uma boa sacada da diretora. Mas de vítima do assalto, o fotógrafo passa a ser acusado por omissão de socorro pelo irônico delegado.

Claro, as histórias sempre têm três versões: de quem causa, de quem sofre e a verdade. Juliana Reis deixa tudo no ar, mas está tudo amarrado pela teia da crueldade urbana, pela sobrevivência física e financeira acima da humana, pela preservação das aparências e não das relações. Istigante e intrigante. Se eu fosse você, assistiria.

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