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A CRIADA – Ah-ga-ssi
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Coreia do Sul - 13/01/2017

Cinema da Coreia do Sul chegou mostrando a que veio. O suspense Invasão Zumbi veio de lá também – o trem que sai de Seul cheio de zumbis e histórias de vida – e morte. A Criada é completamente diferente e isso é que mostra que tem gente fazendo cinema de qualidade, pra todos os gostos. Não poderia ser melhor.

Ainda mais com o trio deste filme – aliás, trio em dois sentidos. Primeiro: roteiro, direção de arte e narrativa; o segundo, o trio de atores em si. Narrativa: uma jovem sul-coreana, trambiqueira profissional, é contratada para ser a criada de uma japonesa rica, sob o comando de um interesseiro que só quer ficar com a fortuna da pobre-menina rica. Isso tudo durante a ocupação japonesa na Coreia do Sul. Dividido em três momentos, o filme mostra a evolução da trama montada para enganar a jovem moça – e, prepare-se, porque as reviravoltas são muitas e o desfecho é incrível.

Filme bom e eclético: tem arte e beleza, suspense e sensualidade, ótima história e surpresas. Único defeito: poderia ter 15 minutos a menos. Mas, está perdoado, Chan-Wook Park.

 

DIREÇÃO: Chan-Wook Park ROTEIRO: Sarah Waters, Seo-kyeong Jeong ELENCO: Min-hee Kim, Jung-woo Ha, Jin-woong Jo | 2016 (146 min)

 

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ELLE
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para Pensar, França, Drama - 21/11/2016

Um dos conflitos propostos em Elle é sim a violência sexual contra a mulher. Mas este não foi o mais impressionante – embora as cenas de estupro sejam realmente brutais, intensas e definitivas. As camadas costuradas em cima desse choque constróem uma figura determinante da mulher aos 60: independente financeira, emocional e sexualmente; dona do seu nariz, mas lotada de encrencas para resolver. É um recorte do empoderamento feminino, mas sem aquela pegada feminista onipotente: simula a mulher de verdade, em carne e osso, que precisa sim dos outros, que se apega às pessoas, que tem traumas de família, problemas com os pais, filho, nora. E não esconde isso de ninguém. Vive intensamente.

Sem criar uma mulher-maravilha, Paul Verhoeven (também de Instinto Selvagem) traz o feminino na sua mais complexa faceta. Ninguém melhor do que Isabelle Huppert pra passar a mensagem. Ela não para de produzir – em 2016 foram seis filmes; pra 2017, outros seis programados. É impressionante. É como se sua personagem, Michèlle Leblanc, dona de uma empresa de games, fosse uma extensão dela mesma. Super à vontade no papel, fala da sexualidade nessa idade de maneira natural, do ponto de vista da mulher que deseja, instiga e busca o que quer. É nesse contexto que entra a violência sexual, que perturba a ordem das coisas – mas Michèlle não cai – titubeia, não denuncia, toma as providências práticas, mas não entra em pânico. Toca a vida e tudo mais que depende do seu bom senso e poder de decisão para acontecer, na família e no trabalho.

Genial, forte, perturbador. Um mergulho na psique humana conturbada e ambígua. Do uso da força – física e sexual -, da aceitação dessa disfunção entre os gêneros, da ambiguidade entre o culto externo, social, para a vivência pessoal de cada um. Elle é para ser sentido, feminino ao extremo. Além de Michèlle, sua amiga Anna (Anne Cosigny), sua nora Josie, sua mãe Judith e sua vizinha Rebecca são as mulheres que fazem a história acontecer. Mas Isabelle… sem palavras pra dizer o que é – e representa – essa atriz.

 

DIREÇÃO: Paul Verhoeven ROTEIRO: Philippe Djian, David Birke ELENCO: Isabelle Huppert, Laurent Lafitte, Anne Consigny, Charles Berling, Virginie Efira | 2016 (130 min)

 

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CALIFÓRNIA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 03/12/2015

Quem foi adolescente nos anos 80, pode se preparar. Califórnia transporta a gente pra realidade daquela época, pro Feliz Ano Velho do Marcelo Rubens Paiva, pro telefone fixo, pro walkman, pra vitrola, pra cultura New Wave e tantas outras referências da época, inclusive musicais – The Cure, David Bowie, New Order, Titãs, Paralamas, Capital Inicial. Se essa não foi a sua realidade, o filme também é bacana. Afinal, vale a pena conferir o que faziam os jovens do colegial, ou melhor, do ensino médio daquela época.

A mesmíssima coisa que fazem os jovens hoje – aliás, por isso é atemporal. Roteirista e diretora do filme, Marina Person conta que queria fazer um filme sobre a vivência da sua geração naqueles anos da história do Brasil “Era um momento de abertura política, da Diretas Já, da formação de várias bandas de rock e da AIDS”, lembra ela. “A nossa geração começou a vida sexual junto com a epidemia que apavorou todo mundo.” É verdade. Hoje se fala pouca da Aids entre jovens e o índice de novos casos entre adolescente é muito alto. “Eu não tinha noção do que aconteceu na época, mas acho importante falar do assunto pro jovem se proteger”, diz Clara Gallo, que faz a protagonista Estela, uma adolescente que vive com intensidade as amizades, a descoberta sexual, as frustrações, os tabus impostos pelos pais e o medo de perder o tio (Caio Blat) que tem a tal doença tão temida.

Califórnia conversa com outro bom filme sobre o universo adolescente brasileiro, As Melhores Coisas do Mundo, da Laís Bodanzky. Embora sejam épocas diferentes (esse já é na era digital), os dois filmes se complementam, dão a visão do rito de passagem do ponto de vista feminino e masculino e ajudam a refletir sobre esse universo que, de tão complexo e fascinante, tanto assunto rende.

 

DIREÇÃO: Marina Person ROTEIRO: Marina Person, Mariana Veríssimo, Francisco Guarnieri ELENCO: Caio Blat, Clara Gallo, Caio Horowicz, Paulo Miklos, Virginia Cavendish, Gilda Nomacce| 2015 (90 min)

 

 

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TED 2
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia - 28/08/2015

Tão politicamente incorreto, que cansa a beleza. Ted 2 é repeteco de Ted, com o agravante de já não ter novidade nenhuma: já sabemos que o ursinho de pelúcia aparentemente fofo é um pervertido e que não poupa esforços para fazer piadinhas sujas e sem graça. De tão “humano”, agora ele quer justamente isso: ter os mesmos direitos que qualquer outra pessoa. Quer se casar, ter filhos, poder trabalhar, etc. Para isso, contrata uma advogada (Amanda Seyfried, também em Enquanto Somos Jovens) e o filme segue em torno dessa briga para provar que ele tem emoções e que, portanto, merece ser considerado gente.

O primeiro filme Ted arrecadou mais de 200 milhões – dei até umas risadas – e tem muito público pra esta segunda “aventura”. Sinceramente, eu teria passado sem essa. Haja criatividade pra tanta apelação.

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SEXO, AMOR E TERAPIA – Tu veux… ou tu veux pas?
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, França, Comédia Romântica, Comédia - 18/08/2015

Nada de novo, tudo de previsível. Bem que Patrick Bruel, do ótimo Qual o Nome do Bebê, podia passar sem essa. O roteiro não tem nenhuma novidade, chove no molhado e é mais uma daquelas histórias em que o sexo é banalizado – e ganha o tom de bobeira. Por exemplo: Paris – Manhattan, também em Bruel, é uma comédia romântica original – sem ser nada de especial, tem graciosidade e graça, sem precisar apelar para o tema da mulher-bonita-e-sexy-a-qualquer-preço.

Bruel é Lambert, um terapeuta de casais, que atende sempre em dupla, com sua assistente. Os casais que o procuram estão passando por problemas e ele serve como mediador. Sua assistente vai embora, contrata Judith (Sophie Marceau), linda e louca por sexo, para ajudá-lo. Mas não cede aos seus encantos porque está em tratamento: é viciado em sexo e precisa manter a abstinência.

O final já é sabido e não tem nenhum mistério. Se apelasse um pouco menos para as curvas de Sophie e sua personagem fogosa, talvez entrasse na prateleira daqueles filmes gostosos e despretensiosos. Continuo gostando muito de Bruel, mas tem algo mais que me incomoda: o título. Em francês é bem melhor. Na tradução livre, eu diria algo como: “Ou dá ou sai de cima”. Que tal?

DIREÇÃO e ROTEIRO: Tonie Marshall ELENCO: Patrick Bruel, Sophie Marceau, André Wilms | 2014 (88 min)

 

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CINQUENTA TONS DE CINZA – Fifty Shades of Gray
50 Tons de Cinza: para mulheres!
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 12/02/2015

Acabei de assistir à série britânica The Fall (bom suspense, por sinal) e foi a primeira vez que me deparei como ator Jamie Dornan. Era dele o papel de protagonista e serial killer – um psicopata cruel e enigmático, de poucas falas e muitos olhares. Parece que este tipo de personagem excêntrico se encaixa bem na figura do ator inglês. O bilionário Christian Grey não é um assassino, mas segue na linha das poucas palavras e muitos, muitos gestos e olhares. Deve ter sido escolhido por isso.

E também porque vai arrebatar a plateia feminina. Que fique bem claro: o filme é para mulheres, assim como o livro de E.L. James, que vendeu mais de 100 milhões de exemplares mundo afora. A tão esperada estreia da adaptação para o cinema do primeiro livro da trilogia best seller Cinquenta Tons de Cinza precisava contar com alguém que deixasse a mulherada de queixo caído. Claro que gosto não se discute mas, tentando ser neutra (só tentando…), eu diria que o Grey do cinema tem charme justamente porque não sabemos o que passa na sua cabeça. É controlador, obcecado e muito objetivo. Não topa romance, quer dominar tudo e todos. Nesse quisito, Dornan parece deixar uma aura de mistério no ar, adequada para o tipo de relacionamento que ele passa a ter com a estudante Anastasia, uma moça desastrada e sem qualquer malícia.

Temos um cenário de Cinderela – e é por isso que a trilogia agradou tanta gente. Ele é poderoso, rico, bonito, charmoso, sedutor e solteiro (!); ela é linda, espontânea, ingênua, estilo intelectual-a-espera-do-príncipe e virgem(!). Estão dizendo por aí que o filme não passa de um mommy porn – pornografia dentro dos limites aceitáveis, com um certo ar bem comportado, tudo dentro da zona de conforto que não entrega o que o livro promete em termos de sexo (ora, por que teria que ser explícito?). Seja como for, Cinquenta Tons se saiu melhor do que eu imaginava: o bonito casal tem liga, conta uma história improvável e cheia de itens de um contos de fadas moderninho como helicópteros, aviões, luxo e solidão, e é alimentado por uma paixão que surge para quebrar todas as barreiras. É verdade que o contrato entre Ana e Christian não tem a tensão genuína que surge entre Demi Moore e Robert Redford em Proposta Indecente (1993), mas consegue tirar algumas risadas do espectador que, sinceramente, acho que caem até bem no contexto do filme.

 

DIREÇÃO: Sam Taylor-Johnson ROTEIRO: Kelly Marcel, E.L. James (livro) ELENCO: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Luke Grimes, Jennifer Ehle, Eloise Mumford, Victor Rasuk | 2015 (124 min)

 

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CENAS DE 50 TONS DE CINZA
CLASSIFICAÇÃO: Especiais - 03/02/2015

50 Tons de Cinza promete… Enquanto dia 12 de fevereiro não chega, duas cenas foram divulgadas, sem cortes.

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HERMOSA JUVENTUD | MOSTRA SP 2014
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Especiais, Espanha, Drama - 19/10/2014

38mostraspHermosa Juventud me lembrou de cara A Criança, dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. Cannes reconheceu a importância dos dois, com o Prêmio do Júri Ecumênico e a Palma de Ouro, respectivamente. E não é para menos. Tratam com um tom muito realista um assunto importante e definitivo nas sociedades: o rumo que toma a juventude. O filme belga mexeu comigo e com o espanhol não foi diferente.

Enquanto o título A Criança dá um tom seco ao filme e ao relacionamento que se desenvolve entre jovens imaturos e despreparados, Hermosa Juventud, ou Juventude Maravilhosa (tradução literal) tem essa irônia implícita – e explícita. Ser jovem é maravilhoso, mas aqui está carregado pela falta de perspectiva de uma fase que deveria ser de alta produção, de plantar conhecimentos adquiridos, de trocar informações, de agir com humildade para aprender, ensinar, plantar e colher lá na frente. Planejar o futuro, mas sem deixar a ganância engessar. Ousar, com risco calculado. É a hora de viver intensamente com liberdade responsável, com já um pouco de bagagem e muita esperança no futuro.

Por isso a ironia. De “hermosa” essa juventude espanhola não tem nada. Com a crise econômica, o jovem joga a toalha, não dá valor à educação, não se especializa, curte a vida sem planejar nada, não encontra emprego, é mão de obra sem especialização, numa sociedade em que até os especialistas têm que se reinventar. O casal de namorados Nathalia e Carlos sonham com uma vida melhor, mas não se preparam para isso. Uma grana fácil aparece aqui e acolá, mas não há bagagem emocional para enfrentar a dura realidade. Isso fala alto demais no filme, a questão do tempo. Nada se colhe do dia para a noite. Com vinte e poucos anos, já têm que tomar decisões duras, criar uma filha, encarar a vida adulta sem que terem a experiência natural que a luta diária vai criando.

A juventude é para ser maravilhosa – sem que para isso ela tenha que ser fácil. Fácil demais perde a graça. Mas ela tem um sabor do desafio, da busca, da oportunidade, da liberdade de escolha. Nathalia e Carlos fazem escolhas, forçados pela vida. E é muito triste que seja assim, que isso seja tão comum e que a juventude deixe de ser maravilhosa para tantos jovens. Que serão o futuro do país. Isso é o mais assustador.

 

DIREÇÃO: Jaime Rosales ROTEIRO: Jaime Rosales, Enric Rufas ELENCO: Ingrid García Jonsson, Carlos Rodríguez | 2014 (104 min)

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SEX TAPE – PERDIDOS NA NUVEM
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia - 21/08/2014

Confesso que implico um pouco com os últimos filmes que Cameron Diaz fez como Mulheres ao Ataque, Um Golpe Perfeito, Professora sem Classe. Outros gosto bastante, como Conselheiro do Crime, O Amor não Tira Férias, Uma Prova de Amor. É uma atriz versada para comédias, muito embora tenha um tom bem exagerado às vezes. Quando o equilíbrio é um pouco melhor, ela se sai bem, com caras e bocas que são capazes de tirar algumas boas risadas. É o caso de Sex Tape. Embora previsível, cria uma certa empatia com o espectador casado, que já passou por situações semelhantes depois que os filhos nascem.

Sem ser nada de especial e longe de ser minha comédia romântica preferida, é divertida e acho que vai agradar ao público. Mas não é comédia para crianças. Algo parecido com Ted, lembram? Tem sexo e muito diálogo que eu não colocaria para um adolescente ver. Além disso, explicita os sites pornô, o que também não acho uma ideia que deva ser sugerida. É comédia para adulto e está dito.

Tudo se resume à dificuldade de Anne (Cameron Diaz) e Jay fazer sexo, depois que os dois filhos nasceram e ocupam grande parte do seu dia a dia e de sua energia. Essas cenas são engraçadas. Resolvem esquentar a relação fazendo um vídeo deles transando, que acaba indo parar na nuvem e espalhando-se pelos ipads conectados ao ipad de Jay. Aí é uma corrida para apagar o arquivo e uma sequência de várias improváveis cenas – que fazem parte deste tipo de comédia.

Diria que se for para ver, melhor que seja visto em casa. Não acho que valha seu ingresso, mesmo porque há muita coisa mais interessante no cinema. Mas se for seu gênero de filme, acho que vai se divertir e até se identificar com algumas situações – guardadas as devidas proporções, é claro.

 

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