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JANE EYRE
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Inglaterra, Estados Unidos, Drama - 11/05/2012

DIREÇÃO: Cary Fukunaga

ROTEIRO: Charlotte Brontë, Moira Buffini

ELENCO: Mia Wasikowska, Michael Fassbender, Jamie Bell, Judi Dench, Sally Hawkins

Estados Unidos, Inglaterra, 2011 (120  min)

Filmes de época não agradam a todos, eu sei. Mas Jane Eyre, baseado no romance de Charlotte Brontë de 1847, conta uma boa história, com uma produção cuidadosa e ótimo elenco. A começar por Mia Wasikowska (também em Albert Nobbs, Inquietos, Minhas Mães e Meu Pai, Alice no País das Maravilhas), que vive a protagonista ao lado de Michael Fassbander (também em Um Método Perigoso, Shame, X-Men – Primeira Classe, Bastardos Inglórios), que tem feitos ótimos papéis ultimamente.

Tudo se passa no século 19, na Inglaterra. Jane Eyre é órfã, vive com a tia, com quem tem uma relação difícil, a ponto de ser tratada com crueldade. A solução encontrada pela família foi colocá-la num colégio interno rígido e cruel na mesma medida, de onde Jane sai já adulta, com as marcas da tortura emocional e física. Encontra emprego como governanta, envolve-se com o patrão e sua vida toma um rumo diferente por falta de opção diante das circunstâncias da época. Além de uma história de amor, o filme tem momentos bonitos de solidariedade e, repito, uma belíssima produção. Para quem curte o gênero e gosta de filmes contemplativos, aproveite a paisagem, a ambientação e o figurino. Vale a pena.

A ARTE DA CONQUISTA – The Art of Getting By
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Comédia Romântica - 08/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Gavin Wiesen

ELENCO: Freddie Highmore, Emma Roberts, Michael Angaro , Elizabeth Reaser, Sam Robard.

Estados Unidos, 2011 (83 min)

Com a cara de Nova York, A Arte da Conquista me lembrou o simpático ABC do Amor. Só que agora os personagens são mais velhos e não andam mais de patinete pela cidade. Eles têm 17 anos, estão terminando o ensino médio e estão bem naquela fase de indefinição. Crescer ou não crescer? Que caminho seguir? Como enfrentar os problemas do mundo adulto, que já fazem parte do seu repertório de compreensão, mas não das suas possibilidade de resolução?

Assim está a situação de George (Freddie Highmore, também em As Crônicas de Spiderwick, O Som do Coração, A Fantástica Fábrica de Chocolate) e Sally (Emma Roberts, também em Um Hotel Bom pra Cachorro): ele se apaixona por ela, uma das garotas mais populares da turma, mas vive um momento de insegurança familiar, não se interessa pelos estudos, não faz os trabalhos e está prestes a repetir de ano. Está naquela situação crítica de baixa auto-estima, em que é preciso um desafio maior para escolher que caminho seguir.

Vivendo essa fase de descobertas e decepções, Sally e George experimentam encontros e desencontros pelas ruas de Nova York. Não importa se é previsível ou se não é um filmaço – nem era essa a intenção do diretor  Gavin Wiesen neste seu primeiro longa. A ideia era fazer um filme gracioso, em que os personagens tivessem afinidade, conseguissem compor um casal jovem simpático e afetivo. Gosto particularmente de Freddie Highmore e foi uma grata surpresa ver que saiu da fase criança/adolescente para o jovem adulto maduro e bom ator. A Arte da Conquista é um daqueles filmes gostosos de assistir, com um toque de produção independente. Gosto do tom da narrativa, que não precisa apelar para aquelas breguices típicas das comédias românticas e investe na simplicidade. Com bom gosto!

 

FILHOS DO SILÊNCIO – Children of a Lesser God
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Para Rever - 07/05/2012

DIREÇÃO: Randa Haines

ROTEIRO: Mark Medoff, Hesper Anderson, James Carrington

ELENCO: William Hurt, Marlee Matlin, Piper Laurie, Philip Bosco, Allison Gompf, John F. Cleary, Geórgia Ann Cline

Estados Unidos, 1986 (119 min)

Será possível encontrar um lugar comum de comunicação e convívio entre uma pessoa  surda e muda e alguém que escuta e fala normalmente que não seja no total silêncio, nem no mundo das palavras e do barulho? Interessante essa pergunta, que se aplica a outras dificuldades de comunicação, tão comuns entre os que não tem qualquer problema fisiológico de audição ou fala. O “comunicar-se” aqui vai bem mais além da simples troca de palavras. Entra na seara da interação, do querer ouvir e compreender, do querer ceder e compartilhar.

Pensando nisso, vejo como Filhos do Silêncio é absolutamente atual em dois aspectos básicos. O primeiro diz respeito ao enredo em si, inserido no contexto da educação. Sarah Norman (Marlee Matlin, vencedora do Oscar e Globo de Ouro pelo papel), é surda e muda, frequentou uma escola especial, mas se recusa a aprender a falar. Só se comunica pela linguagem dos sinais. James Leeds (William Hurt, também em Late Bloomers –  O Amor não tem Fim, Hobin Hood, Syriana – A Indústria do Petróleo) é professor especializado em deficientes auditivos e inova na sua maneira afetiva e sensorial de ensinar, justamente na escola que Sarah estudou. Os dois se conhecem e Leeds passa a questionar a escolha de Sarah de viver no silêncio e de ser recusar a entrar no mundo dos “falantes”. Portanto, pensando no nosso mundo de hoje, mais preocupado com a inserção dos deficientes nas escolas e na sociedade como um todo, o filme é interessante e muito delicado.

Atual também no que diz respeito ao mundo tecnológico em que vivemos e do qual nos gabamos das inúmeras maneiras de se comunicar, de encontrar as pessoas, de se relacionar virtualmente. O excesso de meios pode também significar a escassez de afinidades, contatos reais, desenvolvimento de outros sentidos como tato, visão, olfato, paladar. O mundo virtual também é surdo e mudo, se for usado como único recurso para se comunicar. É silencioso, solitário. Sarah vive no silêncio por opção e medo de relacionar-se realmente. Isso não pode ser transportado para o outro extremo que vivemos hoje, o do excesso de possibilidades? O virtual de hoje também não nos isola, por assim dizer?

Fiquei tocada novamente pelo filme. Claro que o outro aspecto que chama a atenção é o da aceitação e do amor que nasce entre Sarah e James. Nem citei este terceiro, porque a aceitação do outro é sempre tema do cotidiano e meta a se seguir. Lembrei-me também do italiano Vermelho como o Céu, que fala da educação especial de cegos e do fundamental desenvolvimento de outros sentidos. São questões importantes. Nunca é demais parar para pensar.

 

 

TESS – UMA LIÇÃO DE VIDA – Tess
CLASSIFICAÇÃO: Para Rever, Inglaterra, França, Drama - 06/05/2012

DIREÇÃO: Roman Polanski

ROTEIRO: Gérard Brach, Roman Polanski

ELENCO: Nastassja Kinski, Peter Firth, Leigh Lawson, John Collin, Tony Church

França, Inglaterra, 1979 (186 min)

Logo mais teremos mais um filme de Roman Polanski nos cinemas, Deus da Carnificina. Algo teatral, completamente diferente de sua filmografia, como por exemplo os ótimos O Escritor Fantasma e O Pianista. Diferente em tudo também do belo Tess, filme de 1979. Com suas 3 horas de duração, Tess faz o retrato da sociedade hipócrita e preconceituosa da Inglaterra do final do século 19.

Baseado no romance de Thomas Hardy, Tess é uma linda e cuidadosa produção de uma época em que ser nobre era a solução para todos os problemas de ordem prática –  mas não moral. Tess é filha de um pobre agricultor, que se anima com a notícia de que sua família descende dos nobre d’Uberville e que portanto teria direito à algum bem ou pelo menos regalias. Para checar, envia sua filha mais velha Tess (Nastassja Kinski) até a mansão dos nobres e ela acaba se envolvendo com seu “primo”, que não é de uma linhagem tão notável assim. Claro que os afagos vêm sem amor, que Tess se desilude e que quando realmente se apaixona esse antigo relacionamento acaba sendo um empecilho para sua felicidade.

Tess é um filme de época, com figurino impecável e uma ambientação bem cuidada – venceu o Oscar de melhor direção de arte, fotografia e figurino. Apesar de longo, vale insistir para gosta do gênero. O desfecho foge do que se espera – o que acho sempre um alento e uma boa surpresa. Esperem pra ver Deus da Carnificina (nos cinemas dia 11 de maio). Eclético, o Polanski.

 

EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Drama, Brasil - 04/05/2012

DIREÇÃO: Beto Brant e Renato Ciasca

ROTEIRO: Marçal Aquino (livro), Beto Brant e Renato Ciasca

ELENCO: Camila Pitanga, Gustavo Machado, Zé Carlos Machado, Gero Camilo, Adriano Barroso, Antonio Pitanga

Brasil, 2011 (100 min)

Assumo a culpa – deveria ter chamado atenção para este filme, antes de ele minguar nos cinemas brasileiros. Uma pena. Cinema de qualidade, história boa, roteiro amarrado e interessante, elenco, lindo e competente. Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, baseado no romance homônimo de Marçal Aquino, não vai durar muito em cartaz – nem o belo Xingu parece ter despertado o interesse das pessoas por algo diferente do enlatado campeão de bilheteria. Portanto, duas ótimas propostas para o fim de semana. Brasileiríssimas.

Li o livro há algum tempo e me lembro bem da sensação da intensa paixão entre Lavínia (Camila Pitanga) e Cauby (Gustavo Machado) e do calor intenso da região norte do Brasil, onde se passa a história. Ele é fotógrafo, forasteiro, de passagem na região para fotografar e registrar pessoas, cenas e denúncias de desmatamento e garimpo ilegal no Pará. Ela ex-prostituta resgatada das ruas pelo pastor Ernani (Zé Carlos Machado, também em Estamos Juntos), também ex-viciado e alcoólatra, que se ancora na recuperação de Lavínia e na salvação da sua própria alma através da palavra. Lavínia e Cauby vivem uma relação carnal, perigosa, em uma terra extremamente machista, em que a justiça é feita com as próprias mãos, ou através de matadores de aluguel.

Já foi bastante comentada a nudez de Camila Pitanga e as cenas de sexo do filme. Eu diria que o que chama mais atenção é a química entre os atores, a entrega e o real desespero diante dos fatos que o roteiro bem estruturado apresenta ao espectador. O filme é belo nesse sentido, o da entrega. Não é tarefa fácil conseguir tirar isso dos atores. Gostei demais. Tem um final doce, um sorriso de quem indica que valeu o sacrifício, a perda, a renúncia. Mas não é filme que atrai público, é sutil demais. Lavínia se divide entre a gratidão e a paixão pelo fotógrafo, entre a palavra e o corpo, entre a razão e a emoção de uma maneira forte e muito bem trabalhada. Gostei, cinema de qualidade.

 

UM HOMEM DE SORTE – The Lucky One
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Estados Unidos, Drama - 03/05/2012

DIREÇÃO: Scott Hicks

ROTEIRO: Will Fetters, Nicholas Sparks (livro)

ELENCO: Zac Efron, Taylor Schilling, Blythe Danner

Estados Unidos, 2011 (101 min)

 

Nos cinemas: 04 de maio

 

Um Homem de Sorte  tem um importante chamariz como comédia romântica, ou seja, filme para ver bem acompanhado para a turma adolescente. Zac Efron foi o ídolo das meninas há alguns anos como Troy Bolton, a estrela dos  três filmes da série High School Musical, que fez uma baita sucesso ao lado de sua turma entre 2006 e 2008. Pois é, Zac Efron cresceu, já não pode mais fazer o papel do adolescente e enfrenta o grande dilema por que passam os jovens atores que ficam famosos com um certo estima e precisam se reinventar.

Por coincidência, assisti esses dias a Noite de Ano Novo, já em DVD. O filme mostra um mosaico de personagens na passagem do ano em Nova York e um dos atores é justamente Zac Efron. Está mais descontraído, fazendo o papel mais divertido e solto. Prefiro assim, do que na pele do sofredor fuzileiro naval de Um Homem de Sorte.

Neste filme, o jovem soldado passa pela terrível experiência da guerra e da morte, e quando volta precisa encontrar novamente uma razão para viver. Sua intuição diz para ir atrás da mulher que está na foto que encontrou nos escombros de uma ataque. Acredita ter tido a sorte de se salvar por causa dela. Contando essa mesma pequena sinopse à minha filha de 10 anos, que acompanhou com todas as suas forças a série High School Musical na época, ela já matou todo o desfecho. E você também já pode imaginar o que vai acontecer. Mas acho que isso é o de menos – tem muita comédia americana previsível por aí e esse tem sido o padrão dos últimos tempos. Até por isso que quando assisto a produções europeias criativas, recomendo no Cine Garimpo na hora. Precisamos aumentar o repertório…

Não é o romance, nem a previsibilidade que incomodam mais – parece que isso faz parte do gênero. O que me deixa sem paciência neste tipo de filme é a falta de graciosidade. Graça de fazer rir não tem mesmo – e nem pretende. Mas também não tem diálogos interessantes, quem dirá inteligentes. Zac faz um sujeito correto, mas sério demais da conta. Está travado, duro, como se estivesse com medo de se soltar e encarar a nova fase. Como falei, prefiro quando encarna um personagem mais leve. Sua parceira Beth (Taylor Schilling), também não convence, é dramática demais – no sentido mais melado da palavra. Quem se salva é Blythe Danner, mãe de Beth, que é mais solta e natural.

Bingo, achei a palavra que me faltava quando comecei a escrever: natural. Falta naturalidade e desenvoltura, embora imagine que vá agradar ao público adolescente, às meninas que vão suspirar com o romance. Aliás, é para elas que o filme foi feito – não há dúvida.

 

AS IDADES DO AMOR – The Ages of Love
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Itália, Comédia Romântica - 27/04/2012

DIREÇÃO: Giovanni Veronesi

ROTEIRO: Giovanni Veronesi, Ugo Chiti

ELENCO: Robert De Niro, Monica Bellucci, Riccardo Scamarcio, Michele Placido, Laura Chiatti, Valeria Solarino, Donatella Finocchiaro, Carlo Verdone

Itália, 2011 (125 min)

 

Nos cinemas: 27 de abril

Tenho falado mal, num tom até sem paciência, das últimas comédias românticas americanas que vi. É pura falta de paciência mesmo para aquilo que não apresenta novidade, nem graça. Não é implicância com o tema, que fique bem claro. Não só gosto do gênero, como acho que ele deve ser explorado cada vez mais – afinal, é o repertório em comum a todos nós.

As Idades do Amor é prova disso. Quando saí da sessão, pensei justamente no fato de não ter ficado impaciente, de ter acompanhado as três histórias  na bela Itália, achando o programa da segunda-feira de manhã um privilégio! Não é para ser profundo, nem denso. Esse tipo de filme é pensado para nos identificarmos, cada um com o seu repertório romântico, e nos divertirmos com a comédia da vida. E falado em italiano, tem um toque especial.

São três histórias, em três idades. Na juventude, às vésperas do casamento, o advogado Roberto (Riccardo Scamarcio, também em O Primeiro que Disse, Meu Irmão é Filho Único) se encanta com outra mulher, a bela Micol (Laura Chiatti) e já não sabe se casa com a também bela Sara (Valeria Solarino) ou se compra uma bicicleta. Já na maturidade do casamento, o apresentador de televisão se rende às maluquices de Eliana (Donatella Finocchiaro) e coloca anos de confiança a perder. Por fim, o professor americano de História da Arte Adrian (Robert De Niro, também em Noite de Ano Novo, Estão Todos Bem, O Poderoso Chefão), vai passar um tempo em Roma depois de se aposentar e um encontro com Viola (Monica Bellucci) muda sua vida de uma maneira que ele não poderia imaginar.

São pequenas histórias, por vezes exageradas, improváveis – até por isso não entre em detalhes. Mas o ponto deste gênero de filme não é ser tão fiel assim à realidade, mas florear um pouco e dar risada das situações criadas pelos mais diversos relacionamentos. As Idades do Amor (em italiano, a quem interessar possa, é Manuale d’Amore) é gracioso, tem um toque original e descontraído no narrador-cupido, que conta a trajetória dos casais e mostra belas paisagens da Itália. Para ver bem acompanhado, é um programa bem gostoso.

 

SETE DIAS COM MARILYN – My Week with Marilyn
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Inglaterra, Drama, Biografia - 26/04/2012

DIREÇÃO: Simon Curtis

ROTEIRO: Adrian Hodges, Colin Clark (livro)

ELENCO: Michelle Williams, Eddie Redmayne, Kenneth Branagh, Julia Ormond, Pip Torrens, Geraldine Somerville, Dougray Scott, Judie Dench, Emma Watson

Inglaterra, 2011 (99 min)

 

Nos cinemas: 27 de abril

Em agosto de 2012 faz 50 anos que Marilyn morreu. Mesmo para quem veio depois de sua morte, que é o meu caso, a sua imagem é fortíssima, marcante, única, um ícone. Não há outra Marilyn. Nem outra com a dimensão da sua fama, beleza e capacidade de atrair a atenção – feminina, também, diga-se de passagem. Portanto, eu diria que apresentar Marilyn Monroe (1926-62) é chover no molhado. Mesmo para quem não sabe direito em que filmes atuou, quantos casamentos teve, por que morreu tão jovem aos 36 anos, por que vivia tão deprimida, por que a vida não lhe dava paz – aquilo que ela mais queria – para continuar usufruindo com tudo aquilo que a vida lhe deu de bandeja: fama, dinheiro, sucesso.

Não há outra Marilyn, é verdade. Mas Michelle Williams (também em Namorados para Sempre, Ilha do Medo) consegue parecer Marilyn de fato. Em Sete Dias com Marilyn, que estreia dia 27 de abril nos cinemas, a atriz conseguiu incorporar o que para mim é o que mais me chama atenção na diva: o olhar dúbio, ao mesmo tempo poderoso e extremamente carente.

Não se trata de uma biografia – o que é bem interessante. São somente sete dias que conseguem nos mostrar essa faceta em que, antes de ser atriz, Marilyn é uma mulher como todas nós, com seus medos, inseguranças e dúvidas. Em somente sete dias a vida do jovem e rico aspirante a produtor Colin Clark (Eddie Redmayne, também em Os Pilares da Terra) muda completamente. Assistente do famoso cineasta e ator Laurence Olivier (Kenneth Branagh), ele trabalha na filmagem de O Príncipe Encantado (The Prince and the Showgirl) em 1956. Encanta-se com Marilyn e vive com ela esses sete dias mágicos e irreais, quando seu marido, o dramaturgo Arthur Miller, volta para os Estados Unidos. Colin Clark conta sua experiência no livro The Prince, the Showgirl and Me (sugestivo, o título), mas só revela esta semana fatídica mais tarde em livro homônimo, agora adaptado para o cinema.

Além de plasticamente muito bonito e até poético, o filme é uma viagem no tempo, principalmente para quem não tem a filmografia de Marilyn fresca na cabeça, nem paciência (ou vontade) de assistir a seus filmes. Este vale a pena. Para mim, soou perfeita a observação que um dos personagens faz sobre seus atrasos, sua postura egocêntrica, frágil e conturbada no set de filmagens. Marilyn seria uma estrela, que tenta ser uma grande atriz. Daí a dificuldade dos grandes atores lidarem com ela, porque talvez nunca cheguem ao patamar de estrelas. Ela brilha, mesmo na sua insegurança indiscutível. E Michelle Williams, que venceu o Globo de Ouro pelo papel, foi muito corajosa em aceitar tamanha responsabilidade. Afinal, não há duas Marilyns.

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