ROTEIRO: Patrícia Andrade
ELENCO: João Miguel, Vinícius Nascimento, Ângelo Antônio, Dira Paes, Ludmila Rosa, Denise Weinberg
Brasil, 2012 (102 min)
Road movie com um certo mistério em torno do personagem João. Regado a canções de Roberto Carlos, À Beira do Caminho é contado pelas letras das músicas, mostrando o sofrimento desse caminhoneiro amargo e desiludido e deixando bem claro que um dia foi feliz. O que fica no ar é justamente o motivo para uma mudança tão brusca de comportamento.
Cruzando o país de fora a fora, ficamos sabendo que João (João Miguel, também em Xingu, Hotel Atlântico, Estômago, Gonzaga, Se Nada Mais Der Certo) não quer se lembrar do passado, nem voltar para sua cidade natal, nem resolver o que ficou pendente. Para tanto, o diretor Breno Silveira, também responsável por 2 Filhos de Francisco e Gonzaga, lança mão de flashbacks bem curtos, que vão se estendendo conseguirem nos explicar o que é que aflige tanto esse homem. Para quem fugir era uma rotina, nada mais difícil do que enfrentar a verdade. É aqui que entra o menino Duda, que pega carona no caminhão de João e traz à tona tudo aquilo que ele não queria enxergar.
Lembra um pouco – guardadas as devidas proporções – a amizade que surge entre Dora e Josué em Central do Brasil. Um road movie também, mas de profundidade bem maior, claro. Mas não deixa de ter uma linguagem parecida, na busca pelo pai, na imensidão do Brasil, na amizade improvável, na reviravolta da vida, na mudança de rumo. Não tem muita novidade, é verdade. Mas acho que o Breno Silveira quis contar é justamente o lugar comum a todos nós: esse longo caminho.
DIREÇÃO e ROTEIRO: Suzana Amaral
ELENCO: Julio Andrade, Gero Camilo, Emerson Danesi, João Miguel, Mariana Ximenes
Brasil, 2009 (107 min)
Um road movie solitário. Nem acho que seja isso, um road movie como diz a sinopse. Acho que está mais para uma jornada solitária de um ator desempregado (Julio Andrade), que cai na estrada por falta do que fazer, por falta de objetivo. Não tive a sensação de viajar junto com o personagem de Alberto, como o espectador deve ter quando está diante de um bom road movie. Tive mais a sensação cansativa de acompanhar um sujeito sozinho, perdido, sem rumo, que vai se relacionando com as pessoas à medida que as encontra. Um road movie nos leva junto na viagem; Hotel Atlântico me deixou estacionada com esse personagem que não ata, nem desata. Cansada.
Pena ter tido essa sensação. Não era o que eu esperada – e é preciso levar em consideração que aprecio, e muito, filme contemplativos, introspectivos. O último que vi nesse estilo – mas infinitamente superior em profundidade, graça e emoção – é de Histórias que Só Existem Quando Lembradas, de Julia Murat. Esse sim, é lento, mas profundo; lento, mas necessário e cheio de significado. Hotel Atlântico se restringe aos tropeços de Alberto, que vaga por cidades sem lenço nem documento, dormindo onde encontra abrigo, falando com quem lhe dá atenção. Mas não apresenta nada de muito especial, muito embora tenha sim situações interessantes. A melhor delas é o seu encontro com a polonesa no ônibus. Encontro que se transforma em confissão, ponto final.
Quando publiquei aqui a lista de 10 filmes brasileiros recentes e interessantes, recebi a dica de Hotel Atlântico de um leitor. Sempre válida e preciosa, a dica. Talvez não tenha sido propícia para a hora, o momento e meu estado de espírito. Ainda fico devendo outro filme da diretora, A Hora da Estrela. Para outra hora.
DIREÇÃO e ROTEIRO: Marcelo Galvão
ELENCO: Ariel Goldenberg, Breno Viola, Rita Pokk, Lima Duarte, Marco Luque, Rui Unas, Deto Montenegro, Leonardo Miggiorin, Otávio Mesquita, Theo Werneck, Christiano Cochrane, Thogun, Juliana Didone, Amélia Bittencourt
Brasil, 2012 (99 min)
FILME DA MOSTRA COMPETITIVA LONGA NACIONAL
O projeto é de inclusão social, claro. Afinal, os três protagonistas são portadores da Síndrome de Down, o que criou uma dificuldade extra na captação de recursos – a ideia é que não fossem vistos como deficientes, mas muitas empresas não querem ver seu nome associado a portadores da síndrome. “Por incrível que pareça, a dificuldade não foi dirigir os garotos, não foi filmar na Argentina, não foi fazer o take de helicóptero, nem encontrar a plantação de girassol para invadir”, relata o diretor Marcelo Galvão. Em outras palavras, foi o preconceito. Mas o desafio proposto é assistir ao filme deixando de lado as diferenças, focando na aventura e nas qualidades do elenco. E claro, na diversão!
Foi assim que Marcelo Galvão apresentou o filme em Gramado, um convite para que as pessoas esquecessem as diferenças e caminhassem juntas. Inclusive visualmente. A sessão do Festival de Cinema de Gramado teve audiodescrição, ou seja, narrativa ao vivo das cenas do filme, para que pessoas com dificuldades visuais pudessem assistir. Mais um recurso de inclusão social, que estará presente no DVD do filme. Incluir esta melhoria nos cinemas é uma questão comercial, que depende de outras negociações. Mas que a sensação é muito boa, isto é, sentir que é possível democratizar.
Colegas me lembrou logo de cara o filme belga Hasta la Vista, Venha Como Você É, em que 3 jovens deficientes fogem da casa dos pais e partem em uma aventura na Espanha. Perguntei ao diretor se ele tinha assistido ao filme. “Ainda não, está na minha agenda.” Pois vale a pena, toca neste mesmo viés de falar sobre suas próprias limitações com humor e inteligência, sem preconceito. Assim como os belgas, os 3 amigos de Colegas se inspiram no road movie Telma & Louise, “pegam emprestado” o carro do diretor do instituto onde moram na calada da noite e partem para uma aventura. Assim mesmo, intuitivamente. Vão andando numa certa direção, que eles acreditam terminar no mar. Este é o sonho de Stalone (Ariel), ver o mar. Aninha (Rita) quer se casar e Márcio (Breno) sonha em voar. Buscando realizar esses desejos, armam confusão por onde passam, atormentam os policiais que não conseguem capturá-los, criam um frenesi na mídia sensacionalista, que os chama de “bandidos perigosíssimos”, e diverte a plateia com referências cinematográficas deliciosas.
Divertido também foi ouvir dos atores Rita e Ariel sobre a sua participação no filme. Espontâneos, como naturalmente são, Rita disse que está esperando o momento de subir no palco para receber o Kikito, ou melhor, o Oscar – claro que arrancou risos do jornalistas na entrevista coletiva. “Eles são assim, desarmados, espontâneos”, conta Juliana Didone, que faz a repórter do jornal sensacionalista. E é bem isso que o filme passa – e foi isso que me cativou. Espontâneo, solto, livre de preconceitos, de limites, de fronteiras. Gostoso de assistir, funciona não só na missão de trabalhar a inclusão social, aumentar os horizontes da convivência e da aceitação, mas também questão entretenimento. Alia o útil ao agradável. Ponto para os colegas!
DIREÇÃO e ROTEIRO: Paolo Sorrentino
ELENCO: Sean Penn, Frances McDormand, Judd Hirsch, Eve Hewson, Kerry Condon, Harry Dean Stanton, Joyce Van Patten, David Byrne, Olwen Fouere
Itália, 2011 (118 min)
Nos cinemas: 27 de julho
“Tem alguma coisa estranha, mas não sei o que é.” Concordo com Chayenne. Tem alguma coisa estranha. À medida que Aqui é o Meu Lugar vai ganhando corpo, o que se percebe é que o estranho não é o ex-roqueiro Chayenne em seu visual noir, maquiado e efeminado. Isso é a fantasia que ele resolve incorporar para esconder a estranheza que sente de si próprio, essa coisa mal resolvida que tem dentre dele que não consegue resolver. Só vai ser vencida quando ele toma a decisão de colocar o pé na estrada e acertar as contas com o passado.
Mas justiça seja feita. Chayenne só é esse personagem bizarro, de olhar perdido e distante, fala mansa e arrastada, o inexpressivo que beira o indiferente, o surreal, o absolutamente fora da realidade, porque está na pele de Sean Penn. Talentoso e competente, veste a camisa e tudo mais proposto pelo diretor italiano Paolo Sorrentino. Sai da seara de Hollywood e aceita ser este personagem, no mínimo, diferente. E não é só o personagem, o olhar da direção é outro, tem a preocupação com nuances, detalhes, diálogos precisos que enriquecem ainda mais a estranheza do ex-roqueiro americano, que ganhou muito dinheiro, abandonou a carreira por causa de um acidente traumático, é casado com uma fiel e firme companheira (um contraste e tanto com sua figura), mora recluso em uma casa enorme em Dublin e vai construindo uma realidade ao mesmo tempo apática e instigante, que só me fez ficar ainda mais curiosa para saber o desfecho.
Claro, Sean Penn (também em Milk – A Voz da Igualdade, Sobre Meninos e Lobos) não dá ponto sem nó. De apático só a fala e o olhar. Porque as palavras são certeiras. Ótimas tiradas. Até quando a rotina se quebra e Chayenne precisa voltar para os EUA para o velório do pai, com quem não falava há 30 anos. Ex-prisioneiro do campo de concentração no Holocausto, seu pai passou anos em busca do nazista que o torturou. Chayenne sente-se em dívida, assume a vingança do pai e de uma maneira muito particular entra na segunda metade do filme construindo um road movie e mostrando a que veio. Não só para nós, mas para ele também.
E essa descoberta, esse desfecho, suas escolhas e o olhar elaborado e nada óbvio do Sorrentino fazem com que Chayenne encontre realmente seu lugar ao sol. É isso mesmo, Aqui é o meu Lugar não é óbvio, nem o enredo, nem o personagem, nem a narrativa em si. No mínimo muito interessante; se for para ir além, rende ótimas conversas e reflexões. Com direito à palinha de David Byrne, do Talking Heads. Muito bom!
ROTEIRO: Wong Kar Wai e Lawrence Block
ELENCO: Norah Jones, Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman, David Strathairn, Cat Power, Frankie Faison
China, França, 2007 (111 min)
Não se deixe enganar pelo elenco hollywoodiano. Um Beijo Roubado não tem nada a ver com uma comédia romântica típica. Nada mesmo. E não é para menos, trata-se de um filme franco-chinês. A áurea é de cinema cult, de filme de autor. E mesmo que você não tenha o repertório anterior do diretor chinês Wong Kar Wai, como 2046 – Os Segredos do Amor e Amor à Flor da Pele, vá em frente, porque eu também não assisti ainda. Um Beijo Roubado tem uma boa história, um foco diferenciado, um bom elenco e uma ótima trilha sonora. Sai do lugar comum, por assim dizer. Só isso já é um bom motivo.
A começar pela protagonista, a cantora Norah Jones, que faz aqui sua estreia como atriz. É dela a canção The Story, que embala seu personagem Elizabeth na busca pelo amor e pela pessoa que ela quer ser. Explico: Elizabeth mora em Nova York, é abandonada pelo namorado e vai até o bar em frente para deixar ali a chave do apartamento. Caso o namorado passe por lá, o dono do bar, Jeremias (Jude Law, também em Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras, Contágio, A Invenção de Hugo Cabret, Closer – Perto Demais), poderia lhe devolver as chaves. Além das cores, do néon sempre marcante, das tomadas em câmera lenta de alguns pequenos detalhes, aqui já notamos que não se trata de uma história trivial. Jeremias tem um pote com várias chaves, de pessoas que passaram por lá e deixaram as chaves de casa para outra pessoa pegar. Chaves que contêm histórias de vida, como se alguém pudesse abrir sua porta interior e resolver as questões mais íntimas. Cansada de ser ela mesma e de se sentar no balcão do bar para comer torta de mirtilo (daí o título original ser My Blueberry Nights, referindo-se à blueberry pie), ela parte pelos Estados Unidos à procura de um outro eu.
Um road movie se instala. Ela percorre o país trabalhando como garçonete em bares, cassinos e lanchonetes, onde se depara com figuras intensas e marcantes, que também sofrem por serem amadas demais ou de menos, também incorrigíveis, representadas pela bela Rachel Weisz (também em O Jardineiro Fiel, A Informante) e pela jogadora Natalie Portman (Cisne Negro, Closer – Perto Demais, Nova York Eu Te Amo, Sexo Sem Compromisso). São elas que moldam a nova Elizabeth e suas noites regadas à torta de mirtilo.
Assista ao trailer, é bacana. Ele dá uma pequena amostra do que é esse clima cult de que estou falando.
ROTEIRO: Jack Kerouac (livro), Jose Rivera
ELENCO: Garrett Hedlund, Sam Riley, Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Amy Adams, Viggo Mortensen, Alice Braga
Estados Unidos, Brasil, 2012 (137 min)
Quando foi publicado em 1957, a revista Time acusou o livro On the Road, de John Kerouac, de dar “fundamento à explosiva juventude que, de um canto a outro do país, se agrupa em torno de jukeboxes e se envolve em arruaças sem motivo em plena madrugada”, conforme conta o jornalista e tradutor Eduardo Bueno, no prefácio da nova edição brasileira. O livro ficou famoso, foi um marco da revolução literária e comportamental a época, inspirou diversas figuras dessa geração verborrágica, impulsiva, insaciável, conhecida como geração beat. Ela se tornou referência também para Walter Salles, que recebeu de Robert Redford o convite para adaptá-lo ao cinema.
“Eu já tinha vivido este desafio antes, de dirigir um filme escrito por um autor estrangeiro, como foi o caso de Diários de Motocicleta”, conta o cineasta Walter Salles em entrevista, ele que ganhou notoriedade com Central do Brasil, em 1998. “O desafio de adaptar uma história de importância cultural é enorme, já que é uma cultura que não é a minha. Mas me apaixonei pelo livro, pois demarca um estado próprio de uma juventude em transição para a idade adulta, de uma geração que quer viver as experiências na pele, por conta própria. Uma geração que literalmente andava mil quilômetros por uma boa conversa”. Ótima conclusão.
De fato, Na Estrada é isso mesmo. Um road movie claro, mas principalmente um filme sobre o sentimento de ser livre, alimentado por muito sexo, drogas, álcool e jazz, muito jazz, num grupo de jovens que cruza os Estados Unidos a procura de vivências inconsequentes, como se cada dia fosse o último. Era a expressão da contracultura da época, da vontade de sair da monotonia dos anos pós-guerra, da previsibilidade. Inclusive, é esse movimento que dá origem aos hippies no final dos anos 60. Era a vontade incontrolável de viver entre amigos, de experimentar as novas rotas, alucinógenos e sensações. “As jornadas não são só físicas, mas também emotivas, de transformação profunda”, analisa a brasileira Alice Braga, que faz a personagem Terry, uma moça simples que trabalha na colheita do algodão. “Os personagens do filme são aquilo que falta às novas gerações, vão na contramão dessa geração da comunicação virtual de hoje, que se priva da convivência e das experiências”, diz ela.
Isso tudo porque estamos falando de dois personagens principais, o escritor Sal Paradise (Sam Riley), que estava ávido por uma aventura, e Dean (Garrett Hedlund), que com a desculpa de aprender a ser escritor, chama Sal para viver com ele uma jornada desmedida e desvairada, cruzando os Estados Unidos na direção oeste. O que se vê na relação entre os dois é um pouco de razão pelo lado de Sal, que é o narrador da história, desequilibrada pela total falta de juízo de Dean, em relação a ele mesmo e a suas mulheres, como as representadas pelas ótimas Kirsten Dunst (também em Melancolia, Entre Segredos e Mentiras) e Kristen Stewart, da série Crepúsculo. Um elenco afiado, intenso, jovem e absolutamente visceral. Diga-se de passagem que essa travessia do livro foi inspirada na experiência do próprio Kerouac, com todos os mandos e desmandos que tem direito.
Na Estrada não é filme para multidões. É filme de autor, como diz Walter Salles. Concorreu à Palma de Ouro em Cannes, já passeou pelo mundo em festivais e ainda será complementado por um documentário sobre a geração beat, seu comportamento e implicações, feito por Salles. Projeto trabalhado durante mais de três anos, Na Estrada é um bonito e intenso retrato dessa geração de onde saíram figuras como Bob Dylan. Vale a pena, mesmo porque tem uma leitura particular da visão de mundo do diretor, que tem, ele mesmo, um pé na estrada, e da importância que ele dá aos filmes que fogem do circuito comercial, que fogem da norma. “São eles que formam público, opinião, espírito crítico.” No mínimo, aumenta o repertório cultural – o que já é um ganho e tanto.
É com esse apelo que Walter Salles termina a entrevista coletiva, pedindo que a imprensa ache mais espaço para os filmes que transmitem visões de mundo diferentes e diversas. Combinado, sou absolutamente partidária. Mas o público precisa fazer a sua parte e sair da zona de “conforto”. Como disse Alice Braga, “o cinema é o lugar que me leva para onde eu jamais fui, onde posso viver e experimentar coisas e sensações completamente diferentes.” Disse tudo! Viva o cinema da diversidade!
DIREÇÃO e
ROTEIRO:Duncan Tucker
ELENCO: Felicity Huffman, Kevin Zegers, Fionnula Flanagan
Estados Unidos, 2005 (103 min)
Não foi de propósito que resolvi assistir a Transamérica (que não conhecia) e Meninos Não Choram (há tempos que conferir a atuação da atriz Hilary Swank, que levou o Oscar pelo papel). Foi mero e feliz acaso. Explico: ambos os filmes tratam do assunto delicado da transexualidade, só que de forma espelhada. Enquanto Transamérica conta a história de Stanley, um jovem transexual que aguarda ansiosamente que sua cirurgia de troca de sexo seja aprovada pela assistência social, para que possa ser definitivamente uma mulher, em Meninos Não Choram é o oposto. Aqui, Brandon Teena (Hilary Swank) quer ser homem, sofre com o transtorno de identidade de gênero, assim como a garota de Tomboy.
Nos dois casos, além da problemática em si, vale a pena prestar atenção na atuação das atrizes. Em Transamérica, Felicity Huffman (também em Magnólia) faz o papel de homem, parece mesmo uma mulher transexual. Adota uma postura masculina, trejeitos próprios de quem não está acostumado com roupas, andares, olhares femininos. Impressionante e praticamente irreconhecível. (Nesse quisito, vale ver também Albert Nobbs, em que Gleen Close também está impecável.) Praticamente nas vésperas de conseguir fazer a cirurgia, que precisa da aprovação da terapeuta da assistência social que acompanha o caso, Stanley/Bree recebe a notícia de que tem um filho e de que ele está preso na cadeia de Nova York. Bree paga sua fiança e tenta se livrar do garoto, sem contar que é seu pai. Claro que nem tudo sai como esperado e eles embarcam em uma viagem pelos Estados Unidos, protagonizando um curioso road movie.
Com cenas engraçadas e interessantes, Transamérica toca na questão do preconceito contra transexuais, nas peculiaridades da cirurgia e na difícil aceitação social. O próprio nome do filme já dá o tom humorado que o filme tem e brinca com isso, sem ridicularizar. Pelo contrário, traz à tona a questão sem que seja forçado, nem vulgar.
ROTEIRO: Pablo Giorgelli, Salvador Roselli
ELENCO: Germán de Silva, Hebe Duarte, Nayra Calle Mamani
Argentina, 2011 (85 min)
1o. FESTIVAL DE CINEMA ARGENTINO
Road movie dentro da boleia de um caminhão. Simplesmente isso. Não há ações ou conflitos paralelos. Acompanhamos em As Acácias a viagem do caminhoneiro Rubén, que vai de Assunção, no Paraguai, até Buenos Aires entregar uma carga de madeira, como faz há 30 anos. Desta vez, seu patrão pede que dê carona a Jacinta, uma moça que vai visitar a prima na Argentina, em busca de emprego.
O que Rubén não sabia é que Jacinta traria também sua filha, de apenas 5 meses. Desconforto, falta de cavalheirismo e impaciência tomam conta da ‘antirrelação’ entre os dois. Sim, porque na maior parte do tempo, viajamos na boleia praticamente ‘junto’ com eles, sem ouvir uma só palavra. O interessante do filme é que aos poucos, com poucos gestos ou perguntas, o gelo vai se quebrando e a simples presença dessa boa moça e de sua graciosa filha fazem despertar em Rubén sentimentos que nem ele imaginava ainda existirem dentro dele.
Simples e muito humano, As Acácias é sobre as relações que surgem do improvável; sobre a chance que uma pessoa se dá de curar as feridas do passado. Com este longa, o diretor argentino ganhou o prêmio Camera d’Or em Cannes – categoria que premia o melhor diretor estreiante do festival. Mérito dele, porque não há nada demais nessa boleia de caminhão, muito menos nos personagens comuns que são Rubén e Jacinta. Mas é justamente isso que chama a atenção:o olhar aguçado, saber filmar o comum, com um toque quase ingênuo e sensível. Despretensioso, eu diria. Mas muito rico.
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PROGRAME-SE!
Todos os filmes serão exibidos no Shopping Cidade Jardim.
1/06 – sexta
19h00 – Las Acácias
21h00 – El Dedo
02/06 – sábado
19h00 – Los Marzianos
21h00 – Verdades Verdadeiras, A Vida de Estela
03/06 – domingo
19h00 – Juntos Para Sempre
21h00 – Las Acácias
04/06 – segunda
19h00 – El Dedo
21h00 – Verdades Verdadeiras, A Vida de Estela
05/06 – terça
19h00 – Los Marzianos
21h00 – Juntos Para Sempre
06/06 – quarta
19h00 – Verdades Verdadeiras, A Vida de Estela
21h00 – Los Marzianos
© Copyright 2009-2013, Cine Garimpo



ELENCO: Ariel Goldenberg, Breno Viola, Rita Pokk, Lima Duarte, Marco Luque, Rui Unas, Deto Montenegro, Leonardo Miggiorin, Otávio Mesquita, Theo Werneck, Christiano Cochrane, Thogun, Juliana Didone, Amélia Bittencourt





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