publicidade
O PRÍNCIPE DO DESERTO – Black Gold
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, França, Épico, Aventura - 12/04/2012

DIREÇÃO: Jean-Jacques Annaud

ROTEIRO: Menno Meyhes, Jean-JAcques Annaud

ELENCO: Tahar Rahim, Mark Strong, Antonio Banderas, Frieda Pinto, Riz Ahmed, Jamal Awar, Lotfi Dziri

França, 2011 (130 min)

 

Nos cinemas: 13 de abril

 

Ouro Negro. Teria sido muito melhor manter a tradução literal do título original, que carrega muito mais significado. Ouro Negro é conciso e não cai na mesmice da escolha de palavras como amor, felicidade, príncipe, princesa e principalmente toca no cerne da questão: o choque cultural entre os árabes e o Ocidente, a disputa pelo poder e pela riqueza por causa da descoberta do petróleo no deserto e, é claro, a disputa por território nesse areial sem fim. Não estou dizendo que não há príncipe, nem que ele não seja central. É sim, mas a escolha me deu a sensação de ter tornado o filme propositalmente mais raso e novelesco do que poderia ser um retrato aprofundado e épico das arábias dos anos 1930. História para contar é o que não falta.

O príncipe em questão é Auda (Tahar Rahim, também no ótimo O Profeta). É o filho mais moço do sultão Amar (Mark Strong, também em O Espião que Sabia Demais, Caminho da Liberdade, Robin Hood, Sherlock Holmes, A Jovem Rainha Vitória), que é entregue ainda criança ao vizinho Emir Nassib (Antonio Banderas, também em Vicky Cristina BarcelonaA Pele que Habito). Junto com ele vai seu irmão mais velho e preferido do pai, como garantia de paz na região. Muitos anos se passam, até que uma empresa de exploração de petróleo americana descobre o ouro negro na região antes considerada neutra pelo acordo de paz entre os reinos, gerando disputa financeira, territorial e familiar. Auda casa-se com a filha de Nassib, Leyla (Frieda Pinto, também em Quem Quer Ser um Milionário, Planeta dos Macacos – A Origem, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, Miral), mas isso não impede um novo conflito entre os reinos.

Claro, tudo por causa do petróleo. Minha expectativa era um foco um pouco mais elaborado nessa questão financeira, territorial, de exploração propriamente dita e suas consequências. Mas tudo isso vira o pano de fundo para a disputa entre as famílias e para o romance entre Leyla e Auda. Ao fazer essa escolha consciente, o diretor Jean-Jacques Annaud, também do fantástico O Nome da Rosa, onde situa, ilustra e constrói um panorama interessantíssimo e profundo sobre a Idade Média e a antítese conhecimento/Igreja, faz voo raso. Poderia continuar com o toque épico, claro, afinal a produção é muito boa, a locação na Tunísia e Catar incríveis e o elenco afinado. Mas poderia sim ter entrado mais no fato histórico da exploração do petróleo, que alterou completamente a dimensão, a importância e o modo de vida de muitos povos da região. De qualquer maneira, é entretenimento de qualidade. Guardadas as devidas proporções – mas uma coisa conversa com a outra – deu vontade de rever com outros olhos o clássico Lawrence das Arábias. Esse sim, das Arábias.

 

 

OS PILARES DA TERRA – The Pillars of the Earth
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Canadá, Alemanha - 10/04/2012

 

 

ELENCO: Ian McShane, Rufus Sewell, Matthew Macfadyen, Eddie Redmayne, Hayley Atwell, Sarah Parish

Canadá, Alemanha, 2010 (8 episódios)

Quem não se lembra do clássico Os Pilares da Terra, de Ken Follett, de 1989? Depois de contar a saga de Tom Construtor, o renomado autor inglês lançou outros bons livros como A Queda dos Gigantes e Mundo Sem Fim. Mas nenhum deles é tão envolvente e tão marcante quanto a história da construção de uma catedral em plena Idade Média, acompanhada de romance, intrigas da nobreza, brigas palacianas, assassinatos pelas mãos do clero, incêndios, enforcamentos em praça pública, Cruzadas e tudo mais o que se possa imaginar numa época em que a Igreja reinava livre e solta.

Para quem leu, assistir a esta minissérie homônima de quatro filmes, com produção de Ridley Scott (diretor de Cruzada, Hobin Hood, Telma & Louise, Gladiador) vai ser como revisitar a saga do século 12 e dar nome – e caras – aos personagens, minuciosamente lapidados pelo autor. É claro que o livro traz inúmeros elementos que enriquecem a narrativa de forma desigual quando pensamos no filme. Mas são linguagens diferente e é natural que isso ocorra. O cinema tem suas limitações de tempo, mas também traz a vantagem da imagem, a concretização da vida em uma época da Europa feudal, de escassos registros. Visualizar os castelos, as casas ao redor do que eram as fortalezas e mosteiros, o poder e atuação dos cavaleiros, a disputa pelo poder na hierarquia da Igreja e pelo trono deixado vago por Henrique I é muito bom.

Li o livro na época em que foi lançado e reli recentemente. Portanto, assisti à minissérie produzida para a televisão com a trama e os personagens frescos na memória – o que serviu para ilustrar ainda mais a história e dar sentido a muita coisa. Mas imagino que, mesmo se você não se debruçou sobre as mais de 1.000 páginas do livro, a série é bacana. Caso se anime, leia o livro antes, tendo em mente que as primeiras dezenas de páginas são descritivas mesmo, situam o leitor no tempo e no espaço, o que é importante para entender e se envolver com as seguintes. Não desista. Afinal, uma catedral não se constrói da noite por dia.

DIAMANTE DE SANGUE – Blood Diamond
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Drama - 12/02/2012

DIREÇÃO: Edward Zwick

ROTEIRO: Charles Leavitt

ELENCO: Leonardo DiCaprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Kagiso Kuypers, Arnold Vosloo

Estados Unidos, 2006 (143 min)

Recentemente publiquei um comentário sobre o filme Darfur – Deserto de Sangue, que me impressionou não pela qualidade do cinema, mas pela realidade africana da guerra civil. Imediatamente me lembrei de Diamante de Sangue, que na época do lançamento deixou todo mundo de queixo caído com as atrocidades cometidas na África pelas milícias que combatem os governos em diversos países, matam seus compatriotas, recrutam crianças para combater e inevitavelmente deixam milhões sem casa, família, comida, em campos de refugiados lotados espalhados pelo continente.

Diamante de Sangue trata especificamente de uma região africana: Serra Leoa. Nos anos 1990, suas minas de diamante eram motivo de disputa entre as milícias rebeldes Frente Revolucionária Unida e o governo, envolvendo contrabandistas que levavam as pedras para a Libéria, corrompiam as autoridades para exportar “legalmente” os diamantes para a Europa e atender ao mercado consumidor ocidental, ávido por joias. Na pele do ótimo Leonardo DiCaprio (também em A Origem, J.Edgar, Ilha do Medo, Titanic, Foi Apenas um Sonho), o contrabandista do Zimbábue, Danny Archer, vive desse trâmite, dançando conforme a música para atender aos chefões do tráfego africano, que abastecem o mercado europeu. Em plena guerra civil totalmente descontrolada, o pescador Salomon Vandy (Djimon Hounsou) é separado da família, forçado a trabalhar em uma mina, onde encontra um diamante rosa, que balizará toda a trama, manchará a mão de todos de sangue e será seu trunfo para ter sua esposa e filhos de volta. Enquanto cada um joga conforme seus interesses, a jornalista americana Maddy (Jennifer Connelly) é daquelas idealistas que não se conforma com o status quo, quer informar o ocidente do que acontece nos países africanos em guerra e delatar as empresas joalheiras que são coniventes com o tráfego de pedras preciosas e consequentemente de armas e munições para a guerra civil, sendo assim corresponsáveis pela morte de milhares de pessoas.

Além de ser eletrizante pela dramaticidade da situação de guerrilha e destruição, Diamante de Sangue toca no assunto do consumo de produtos gerados por uma linha de produção duvidosa e criminosa – assim como são aqueles produtos que advém do trabalho escravo. Não vou entrar no mérito do exagero ou não sobre o envolvimento da indústria ocidental no mercado ilegal de diamantes. Acho que o assunto em voga aqui é a lei da oferta e da demanda, bem mais amplo, que atinge vários setores da economia. Se não houver quem compre, não haverá oferta do produto, do contrabando, da droga, da pirataria, etc – tudo isso muito perto de nós. Indo mais além, pela voz da jornalista, vem à tona o domínio dos brancos sobre o continente africano, a exploração das riquezas do continente sem a preocupação com a formação, crescimento e sustentabilidade dos países.

Assistam a Diamante de Sangue. Outros bons filmes sobre a África ilustram situações desoladoras como:

Life, After All - drama humano consequente da epidemia da AIDS – África do Sul

Minha Terra, África - relação dos fazendeiros de café europeus com milícias locais

Infância Roubada - marginalização das crianças – África do Sul

Hotel Ruanda - guerra civil – Ruanda

Flor do Deserto - denúncia da mutilação genital feminina (biografia de Waris Dirie) - Somália

O Jardineiro Fiel - denúncia da influência oportunista das indústrias farmacêuticas sobre os países africanos – Quênia.

A DAMA DE FERRO – The Iron Lady
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Biografia - 10/02/2012

DIREÇÃO: Phyllida Lloyd

ROTEIRO: Abi Morgan

ELENCO: Meryl Streep, Jim Broadbent, Richard E. Grant, Ianin Glen, Alexandra Roach, Victoria Bewick, Emma Dewhurst, Olivia Colman, Harry Lloyd

Estados Unidos, 2011 (105 min)

“Atenção aos pensamentos, porque eles se transformam em palavras. Atenção às palavras, porque elas se transformam em ações. Atenção às ações, que se tornam hábitos. Atenção aos hábitos, porque eles compõem seu caráter. Atenção ao seu caráter, que ele se torna seu destino. Nós nos tornamos aquilo que pensamos.”

Margareth Thatcher

 Nos cinemas: 17 de fevereiro 

 

Lembro-me bem da imagem de televisão de Margareth Thatcher nos discursos mundo afora. Eram marcantes, em uma época em que as mulheres não eram muitas no poder. A postura irredutível, firme, absolutamente dona de si é o que me vem na memória quando penso na única primeira ministra britânica da história, no cargo de 1979 a 1990.

Quando me dei conta disso, me arrependi de não ter revisto alguns de seus discursos antes de assistir ao filme. Com a ferramenta do YouTube, isso hoje fica fácil. Uma simples busca com o nome dela já disponibiliza diversos vídeos da Dama de Ferro discursando e imprimindo seu incomparável jeito de ser e fazer política. Vale a pena. Assim você tem a verdadeira Thatcher fresca na memória para encarar Meryl Streep (também em Manhattan, Entre Dois Amores, As Horas, Simplesmente Complicado, Julie & Julia, Dúvida), numa caracterização impecável. Não tenho ressalvas à sua interpretação. Indicada pela 17a vez ao Oscar de melhor atriz, Meryl Streep está a própria Thatcher, parecendo intocável na sua carcaça de raciocínio lógico e irônico, determinação e convicção, capaz de colecionar tantos inimigos quanto admiradores políticos.

Quando um diretor se depara com a personalidade controversa como Thatcher, fica difícil encontrar um viés apropriado para contar, em apenas duas horas, o que foi sua presença e seu legado – ainda mais escolhendo uma americana para representar uma inglesa. Em se tratando da ex-primeira-ministra, como retratar sua postura diante da crise econômica, do aumento do desemprego, da pressão dos sindicatos e do partido conservador, da Guerra das Malvinas? O que a diretora Phyllida Lloyd, também de Mamma Mia, fez em A Dama de Ferro foi humanizar uma personagem dura, contando sua história política a partir das lembranças de uma frágil e solitária senhora, que sente saudades dos filhos pequenos e do marido companheiro, que sofre de demência, que diz não precisar de ajuda, que teima em não ir ao médico, que ainda é apegada aos pertences comuns que trazem registradas as histórias de uma vida.

Para quem acha que ainda faltou contar muita coisa, talvez isso seja um consolo – personagens densos e complexos como ela ainda podem render ótimas histórias no futuro. A Dama de Ferro é um importante e bem feito registro, não só de um personagem histórico, mas de uma maneira de liderar e de viver a arte da política.

 

J. Edgar
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Biografia - 31/01/2012

DIREÇÃO: Clint Eastwood

ROTEIRO: Dustin Lance Black

ELENCO: Leonardo diCaprio, Armie Hammer, Naomi Watts, Josh Hamilton, Judy Dench

Estados Unidos, 2011 (137 min)

“Informação é poder.” –   J. Edgar

Nos Estados Unidos dos anos 1920, o FBI (Federal Bureau of Investigation) era mais um departamento policial ineficiente e corrupto, sem qualquer critério técnicos ou científico para desvendar crimes e prender bandidos. Foi nessa época que o jovem advogado John Edgar Hoover, então com 22 anos, foi trabalhar no Departamento de Justiça americano. Escolhido para combater uma leva grande de estrangeiros subversivos e comunistas, que colocavam em risco a segurança nacional através de atentados e organizações secretas, acaba sendo designado para dirigir o órgão, que nunca mais seria o mesmo. J. Edgar passa a coordenar seu staff com mãos de ferro, adotando estratégias científicas e técnicas de investigação criminal – inclusive das impressões digitais – imprime sua marca logo de cara e termina sendo, ele mesmo, o próprio perfil do FBI.

Foram 48 anos no poder da poderosíssima organização de inteligência americana. J.Edgar (Leonardo DiCaprio, também em Ilha do Medo, Foi Apenas um Sonho, A Origem, Titanic), sempre escoltado pela fiel assistente Helen Gandy (Naomi Watts, também em Jogo de Poder, 21 Gramas, Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos) e por seu suposto amante e sabido braço direito Clyde Tolson (Armie Hammer, também em A Rede Social), foi chefe do departamento já em 1924 e diretor de 1935 a 1972, quando morreu. Portanto, viveu no comando importantíssimos anos da história americana: época dos comunistas e gângsters (muito bem retratada em Inimigos Públicos, com Johnny Depp), a crise de 1929, a Segunda Guerra, a Guerra do Vietnã, a morte de Kennedy, prêmio Nobel dado a Martin Luther King, a subida de Nixon ao poder – anos tratados no filme num vai e vem entre passado e presente, que poderiam ser menos intensos – o roteiro assinado por Dustin Lance Black (também de Milk – A Voz da Liberdade) poderia ser mais suave nesse quisito.

É assim que conhecemos a história contada por Clint Eastwood (diretor também de Além da Vida, A Troca, Gran Torino, Sobre Meninos e Lobos, A Conquista da Honra, Cartas para Iwo Jima) e é claro que está recheada de fatos interessantes. J.Edgar é retratado com um sujeito esquisito, duro e implacável, absolutamente dono da situação, de maneira muito competente por Leonardo DiCaprio. Viajei por esse pedaço da história, revi fatos, arquitetura, modos, costumes e a cronologia de uma época. Aqui Clint é impecável realmente. Mas não entendo – e esta não é só a minha opinião, tenho lido por todos os cantos a mesma coisa – por que a maquiagem de envelhecimento ficou tão pesada. DiCaprio está muito bem, mas no rosto de Armie Hammer e Naomi Watts realmente parece que perderam o pé. Fiquei incomodada com essas imagens o filme todo – o que é uma pena, já que se trata de um detalhe técnico fácil de resolver, ainda mais para diretores como Clint Eastwood. De qualquer modo, se isso realmente for só um detalhe para você, deixe passar. J.Edgar é um sujeito que tem, no mínimo, uma interessante e marcante história de vida. E Clint Eastwood, sempre uma maneira muito particular de contar.

 

TUDO PELO PODER – The Ides of March
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Drama - 15/12/2011


DIREÇÃO: George Clooney

ROTEIRO: George Clooney, Grant Heslov

ELENCO: George Clooney, Ryan Gosling, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffamn, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright

Estados Unidos, 2011 (101 min)

Nos cinemas: 23 de dezembro

George Clooney fecha 2011 e abre 2012. Terminamos o ano com o lançamento de Tudo pelo Poder e entramos em 2012 com Os Descendentes (estreia prometida para janeiro). No primeiro, Clooney é o governador democrata, que luta para vencer as primárias em Ohio e ser indicado pelo partido como candidato à  presidência dos Estados Unidos; no segundo, Clooney é uma pai confuso, que luta para se aproximar da filha depois que a esposa entra em coma. Enquanto o ator busca atingir seus objetivos, nós, do lado de cá da telona, somos presenteados neste fim de ano com uma obra irônica, inteligente, realista e absolutamente familiar do ponto de vista da política brasileira.

Comecemos pelo título. Originalmente Idos de Março (Ides of March), o título em inglês traz uma informação curiosa e cheia de significado, principalmente com relação à atitude, à maneira de fazer política, aos valores envolvidos. Na Roma Antiga, eram chamados “idos” os dias 15 dos meses de março, maio, julho e outubro. Especificamente os idos de março ficaram conhecidos porque foi nesse dia que o imperador Júlio Cesar foi assassinado por conspiradores. Não é coincidência – como diretor, George Clooney não daria ponto sem nó. Faz alusão às conspirações políticas para subir no poder, para atingir os objetivos eleitorais, para derrotar (ou tirar da frente) o adversário sem deixar rastros, para jogar o jogo da política. Com diálogos irônicos e diretos, digno de verdadeiros políticos-atores, e frases inteligentes, dignas de verdadeiros estrategistas, Tudo pelo Poder é uma leitura bastante objetiva e realista do que é fazer política. Pelo jeito, em qualquer lugar do mundo e em qualquer tempo.

Descubra por você mesmo os meandros, o jogo de interesse e quem é quem no filme. Mas tenha em mente esses personagens: Stephen Meyers (Ryan Gosling, também em Entre Segredos e Mentiras, Namorados para Sempre, Amor a Toda Prova) é o assessor de comunicação do governador Mike Morris (Clooney, também em Amor sem Escalas, Queime Depois de Ler, 11 Homens e um Segredo, Syriana – A indústria do Petróleo), cuja campanha é coordenada pelo experiente Paul Zara (Philip Seymour Hoffman). No mundo da política há muito tempo, Zara tem como rival o astuto Tom Dufy (Paul Giamatti, A Minha Versão do Amor, A Última Estação), coordenador da campanha do candidato republicano. Nesse meandro masculino de egos e vaidades, a jornalista Ida (Marisa Tomei, também em Cyrus, O Poder e a Lei) mostra quão ávida é a imprensa por fabricar notícia, e a jovem estagiária Molly (Evan Rachel Wood, também em Tudo Pode dar Certo, O Lutador), quão vulnerável e egoísta é o ser humano. Com elenco forte e imponente, Tudo Pelo Poder mexe descaradamente com o lado cínico da política e, claro, das pessoas. Joga um balde de água fria no que poderia restar de idealismo, dignidade, integridade. Melhor não subestimar seus ilustres participantes…

11 HOMENS E UM SEGREDO – Ocean’s Eleven
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Rever, Estados Unidos, Ação - 14/12/2011

DIREÇÃO: Steven Soderbergh

ROTEIRO: Ted Griffin

ELENCO: George Clooney, Brad Pitt, Julia Roberts, Andy Garcia, Matt Damon

Estados Unidos, 2001 (116 min)

 

Estou me preparando para rever esta trilogia. Começa com 11 Homens e um Segredo. Danny Ocean (George Clooney, também em Queime Depois de Ler, Amor sem Escalas, Syriana – A Indústria do Petróleo) escala 11 homens, cada um com um perfil específico, indo da estratégia, contorcionismo, eletrônica, informática e espionagem, para executar uma tarefa aparentemente impossível: roubar todo o dinheiro do cofre ultra tecnológico e seguro de três cassinos de Las Vegas, seguindo três regras básicas: não ferir ninguém, roubar somente quem mereça, continuar com o plano, independente do que acontecer.

Este é um daqueles filmes bacanas de suspense e humor, que vão sendo construídos passo a passo. O que se constrói aqui é um golpe grande golpe, que se transforma em uma grande aventura. Bem equilibrados e com um elenco incrivelmente entrosado, é dirigido por Steven Soderbergh (também de Che – O Argentino, Che – A Guerrilha, Contágio) – na verdade, é uma refilmagem do filme dos anos 1960. Além de George Clooney, conta com Brad Pitt (Árvore da Vida, Queime Depois de Ler, Babel, Bastardos Inglórios), Andy Garcia (O Poderoso Chefão), Matt Damon (Gênio Indomável,  ContágioBravura Indômita,  Além da VidaInvictusSyryana – A Indústria do Petróleoe Julia Roberts (Larry Crowne, Closer, Comer, Rezar, Amar). É uma turma fora da lei, que acaba conquistando a simpatia do espectador. Inevitável, com tanto charme assim…

 

ENTRE SEGREDOS E MENTIRAS – All Good Things
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Estados Unidos - 14/10/2011

DIREÇÃO: Andrew Jarecki

ROTEIRO: Marcus Hinchey, Marc Smerling

ELENCO: Ryan Gosling, Kirsten Dunst, Frank Langella, Lily rabe, Philip Baker Hall, Michael Esper

Estados Unidos, 2010 (101 min)

 

É uma boa história – ainda mais considerando a fonte de inspiração. Aconteceu em Nova York nos anos 70. David Marks (Ryan Gosling, também em Namorados para Sempre, Amor a Toda Prova) é o herdeiro de um magnata do setor imobiliário (Frank Langella), mas não quer fazer carreira na empresa do pai. Apaixona-se pela doce Katie (Kirsten Dunst, também em Melancolia), tenta viver no interior e ter uma vida tranquila com a esposa vendendo alimentos orgânicos na loja chamada All Good Things, título original. Uma referência interessante da simplicidade e naturalidade como sendo as boas coisas da vida (a adaptação para Entre Segredos e Mentiras fica bem aquém desse significado).

Mas a vida mansa não dura, ele acaba se rendendo aos apelos do pai e vai trabalhar na sua empresa. Avesso à formação de uma família, estranho nas atitudes e enigmático no olhar, David constrói uma vida cheia de mistério, justificada pelo suicídio da mãe e pela pressão que sofre do pai. A relação degringola, culminando no desaparecimento de Katie. Até hoje o caso não foi solucionado, mas já de cara sabemos que é David quem vai a julgamento porque é ele, mais velho (esquisita, a maquiagem…), que presta depoimento sobre o sumiço de sua esposa em 1982.

Como é que ninguém descobre? Interessante. Temos um caso de sumiço bastante recente no Brasil, em que a ausência do corpo impede a continuidade das investigações – o caso do goleiro Bruno. Katie desaparece em meio a uma situação de extrema tensão. Já não confia no marido, estranha seu temperamento, seu passado, suas atitudes. Teme pela sua vida, pela sua integridade. O clima de suspense cresce e a construção do medo, do descontrole e obsessão de David deixa claro que algo vai sair do controle. Lobo em pele de cordeiro, é a impressão que dá. Mais um daqueles psicopatas do cinema, implacáveis e cínicos. A trama é boa e a história aconteceu. Gosto da maneira como o diretor Andrew Jarecki conduz os atores e a dupla Ryan Gosling e Kirsten Dunst funciona bem. Conta o essencial e deixa em aberto aquilo que não se pode provar – mas que é mais do que sabido.

© Copyright 2009-2012, Cine Garimpo