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TIMOR LESTE – O MASSACRE QUE O MUNDO NÃO VIU – Timor Lorosae
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Drama, Documentário, Brasil - 19/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Lucélia Santos

Brasil, 2001 (75 min)

O interessante em Timor Leste – O Massacre que o Mundo não Viu é o registro histórico em si. Alguém se lembra? Foi praticamente outro dia, 1999. O documentário escrito e dirigido pela atriz Lucélia Santos (a eterna escrava Isaura, pelo menos para mim) retoma, de forma didática e cronológica, os eventos trágicos nesse longuinquo e pequeno país oriental. Isso é bom, ajuda a refrescar a memória dos horrores que aconteceram por lá em plena virada do milênio.

Confesso que não gosto muito da narração da diretora em off – há algo com a sua voz, implicância gratuita talvez. Mas o que importa é que conta como o país se tornou independente de Portugal em 1975, para tornar-se dependente da Indonésia – país que dominou a porção leste da ilhota com unhas e dentes, no esquema ditatorial. Neste contexto aparecem o líder da resistência timorense Xanana Gusmão, primeiro presidente do Timor independente e atual primeiro-ministro. Na época, foi cabeça da FRETILIN (Frente Revolucionária do Timor Leste Independente), ficou preso em Jacarta durante anos e chamou atenção do mundo para a repressão e luta pela independência, juntamente com o bispo Carlos Ximenes Belo e o jurista José Ramos-Horta, que ganharam o Nobel da Paz pelos esforços em encontrar uma solução.

Timor Leste foi devastada e descaracterizada pelas forças da Indonésia durante os 25 anos de domínio. Mesmo quando a população votou maciçamente pela independência num plebiscito supervisionado pela ONU, as milícias e o poder de Jacarta não resistiram e incendiaram 90% do país. Isso em 1999. De lá para cá, estão tentando reconstruir o país. Do zero.

Isso tudo é mostrado no documentário, com depoimentos, cenas de massacres, de destruição, de tortura. Aos que se interessam pelo tema, pela realidade remota de países longínquos, aparentemente sem qualquer relação conosco, assistam. E mesmo quando persistir a sensação de “o que eu tenho a ver com isso”, pense na barbaridade do fato num mundo que se comunica como o nosso – pelo menos em teoria. Não só no Timor Leste, mas em outros tantos países. Recentemente publiquei filmes como Hotel Ruanda e Darfur que mostram cenas absurdas sobre a África e assim por diante. Sem ser professoral ou moralista, eu diria que alguns documentários são preciosas fontes de conhecimento de situações inimagináveis e reais. É o caso de Timor Leste – O Massacre que o Mundo não Viu, sem que ele precise ser necessariamente uma grande obra cinematográfica, ou qualquer coisa assim. Prefiro ver pelo viés da coragem, do interesse e da intenção de registrar. Para lembrar.

ALBERT NOBBS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Irlanda, Inglaterra, Drama - 24/02/2012

DIREÇÃO: Rodrigo García

ROTEIRO: Gleen Close,  John Banville

ELENCO: Gleen Close, Janet McTeer, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Pauline Collins, Mary Doyle Kennedy

Inglaterra, Irlanda, 2011 (113 min)

Que opção tem uma mulher pobre, sem recursos, família, herança, senão ser homem na Irlanda machista e católica do fim do século 19? Ficamos sem saber o nome dessa órfã, que vê na oferta de emprego como garçom em um hotel a oportunidade de sobreviver dignamente na cidade de Dublin. Assim surge Albert Nobbs, que assume o papel do sério, dedicado e austero funcionário de um badalado hotel, na pele da simplesmente fantástica Gleen Close. Não se trata de se vestir de homem, mas sim de incorporar a postura, gestos, expressões masculinas, ainda que tenha um toque assexuado. Quase não se percebe a linha que separa os dois mundos, mas a impressão que dá é de um homem ao mesmo tempo determinado e frágil, introspectivo e carente. Impecável maquiagem, impecável interpretação.

Albert Nobbs, no auge da sua elegância, conhece Hubert Page (Janet McTeer) e seus segredos se mesclam numa história só. Hubert também é uma mulher que se passa por homem, por motivos distintos porém semelhantes do que diz respeito à aceitação, oportunidade, trabalho. Concorrendo ao Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante respectivamente, Gleen Close e Janet McTeer dão um show, deixando Helen, vivida por Mia Wasikowska (também em Alice no País das Maravilhas, Minhas Mães e Meu Pai, Inquietos) bem para trás. Mas é por ela que Albert Nobbs se apaixona à sua maneira e é com ela que planeja mudar de vida, abrir seu próprio negócio e ter autonomia.

Não é filme para o grande público. Ainda mais em época em que grandes lançamentos ocupam muitas salas de cinema. Mais lento e o que eu chamaria de “filme de observação” (não perca um só gesto do gentil e minucioso Nobbs), Albert Nobbs tem uma beleza estética marcante, mas também humana. Mesmo na Dublin desumana, assolada pela tifo dos piolhos e pelo desemprego daquele fim de século.

 

LOLA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Filipinas - 27/07/2011

DIRETOR: Brillante Mendoza

ROTEIRO: Linda Casimiro

ELENCO: Anita Linda, Rustica Carpio e Tanya Gomez

Filipinas, França, 2011

Lola, em filipino, significa avó. Avó, em filipino, significa âncora, base, estrutura, linha mestra, matriarca, chefe de família. Ou pelo menos foi essa a minha impressão ao assistir a este sensível e delicado filme do diretor Brillante Mendoza. A sensação de que a avó é realmente o arrimo de família, tanto material na miséria de Manila, quanto emocional na desestruturada sociedade, é nítida e tocante. Nesta história que gira em torno da busca pelo dinheiro para enterrar um neto, conhecemos as relações, a intensa privação e algumas situações singelas de amizade e compaixão.

Inevitavelmente me lembrei de Poesia, filme sul-coreano que também coloca a avó como figura mais importante de um núcleo familiar que luta para não se desintegrar. Em Lola, não é diferente e são duas as avós que constroem a trama. Lola Sepa luta para enterrar o neto dignamente, morto a facadas por causa de um celular. Lola Puring luta para tirar o neto da prisão, o autor do crime. Sem recursos, numa Manila úmida, chuvosa, miserável, ambas dão tudo que têm (inclusive a energia que resta) e comprometem até o que não têm para cumprir sua missão. É dessa relação construída e desconstruída ente as famílias que percebemos a profundidade da sua importância para a família.

Claro que Lola não é um filme de ação e movimento, mas sim de observação dos passos, opções e caminhos que são tomados. O que começa numa cena chuvosa, lenta e desoladora, vai ganhando força e importância nas figuras das ‘lolas’. Fortes e frágeis ao mesmo tempo, dão uma dimensão humana emocionante ao filme e de certa forma homenageiam as avós, mesmo que para isso seja preciso colocá-las em uma situação tão vulnerável.

ESTAMOS JUNTOS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, Brasil - 02/06/2011

DIREÇÃO: Toni Venturi

ROTEIRO: Hilton Lacerda

ELENCO: Leandra Leal, Cauã Reymond, Lee Taylor, Nazareno Casero, Débora Duboc, Dira Paes.

Brasil, 2011 (111 min)

“Você acredita que o medo pode deixar as pessoas mais egoístas?” – Carmem, personagem de Leandra Leal

 

Que grata surpresa este filme. Profundo e tocante na pessoa da talentosa atriz Leandra Leal e de sua personagem Carmem. Assisti ao filme justamente na semana em que o CINE PE, o festival de cinema de Recife, se encerrava. Quando li que este foi o grande vencedor, que arrebatou sete dos prêmios principais (melhor filme, diretor, atriz, roteiro, fotografia, montagem e prêmio de crítica), fiquei ainda mais satisfeita. Estamos Juntos é profundamente humano, no que o ser humano tem de mais particular: na procura pelo seu lugar ao sol, pelo encontro consigo mesmo.

Carmem é uma médica residente, que veio do interior do Rio para trabalhar em São Paulo. Mora em um pequeno apartamento no centro da cidade, trabalha em hospital público e tem um único amigo, o DJ Murilo (Cauã Reymond, também em Não Se Pode Viver Sem Amor), que é conhecido de infância. De cara a gente percebe algo diferente em Carmem. Reservada e solitária, relaciona-se mais intimamente somente com um rapaz misterioso, que não sabemos ao certo quem é. É como se o seu eu mais profundo só viesse à tona no seu apartamento, longe de todos, onde não há o que temer, onde não é preciso esconder-se, onde há segurança. No ambiente social é durona, independente e autossuficiente; no trabalho, competente e estudiosa. São duas facetas opostas que vêm à tona e se chocam, a partir da descoberta de uma grave doença. No desespero, ela tem que reavaliar sua postura, sua relação com as pessoas e o valor que têm as amizades.

Além desse aspecto humano e sensível da busca por si e pelo outro num momento de fragilidade extrema, Estamos Juntos consegue transmitir esse conflito paralelamente, através da fotografia e da abordagem que faz do centro de São Paulo. Ao mesmo tempo humano, no envolvimento da atriz com o movimento dos Sem-Teto, e desumano no tratamento dessas pessoas; ao mesmo tempo solidária no trabalho de aconselhamento médico, e cruel no preconceito; ao mesmo tempo fraterna nas amizades que se formam e solitária na imensidão dos arranha-céus. No momento da dor, tudo isso é revisto, a cidade ganha nova dimensão e novo horizonte, as relações ganham nova importância. Estamos Juntos mereceu os prêmios que ganhou e merece o seu ingresso de cinema.


CONTOS DA ERA DOURADA – Amintiri din epoca de aur
CLASSIFICAÇÃO: Romênia, Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo - 06/04/2011

DIREÇÃO: Ioana Uricaru, Hanno Höffer, Räzvam Márculescu, Constantin Popescu, Cristian Mungiu

ROTEIRO: Cristian Mungiu

ELENCO: Alexandru Potocean, Diana Cavaliotti, Radu Iacoban, Tania Popa, Teo Corban, Emanuel Pirvu, Avram Birau, Paul Dunca, Viorel Comanici, Ion Sapdaru, Virginia Mirea, Gabriel Spahiu, Calin Chirila, Romeo Tudor

Romênia, 2009 (149 min)

Depois da queda do comunismo em 1989 e da morte do ditador Ceausescu na Romênia, surgiu uma safra incrível de cineastas no país. São muitas as qualidades, mas basicamente eu ressaltaria duas: a ironia inteligente e a capacidade de fazer humor com a própria desgraça. Como já acontece em outros filmes conterrâneos como A Leste de Bucareste, Casamento Silencioso, Polícia, Adjetivo e Como Eu Festejei o Fim do Mundo, o cinema é veículo de denúncia de uma situação que já não existe, mas que deixou sequelas profundas na sociedade romena.

Achei que Contos da Era Dourada não tem o tom melancólico e sombrio de Casamento Silencioso, nem de denúncia como em Polícia, Adjetivo. É praticamente uma piada, uma tragicomédia capaz de abordar os pontos fundamentais do comunismo, absolutamente essenciais para a sua permanência por mais de 30 anos. As imagens e simbolismos do filme são muitos – aliás, os diretores fizeram escolhas incríveis. Pensando alto: a manipulação das informações através da montagem de fotografias por parte do Partido; a venda não autorizada de mercadorias para conseguir um dinheiro extra ou suprir a escassez de alimentos (inclusive são situações que beiram o absurdo, com a venda do próprio ar com cheio da indústria química!); o déficit educacional do país; o senso de urgência do Partido para os eventos oficiais, totalmente irreais, dispensáveis e sem qualquer importância ou sentido construtivo (o chapéu mexicano retrata perfeitamente essa ideia, de algo que não sai do lugar, da força da inércia); o cumprimento de regras e protocolos sem qualquer raciocínio lógico; a corrupção.

A “era dourada” do título compreende os 15 anos anteriores à queda do Muro de Berlim e ao efeito dominó no Leste Europeu comunista. Retrata uma situação patética, mas ainda dura e ditatorial. Contar a própria história com humor e sátira é uma boa maneira de mostrar que, apesar dos pesares, há perspectiva de futuro. Com humor, sempre há. Aos diretores romenos, meus sinceros cumprimentos.

LIXO EXTRAORDINÁRIO – WASTE LAND
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Inglaterra, Documentário - 24/02/2011

 

DIREÇÃO: Lucy Walker, João Jardim, Karen Harley

PRODUÇÃO EXECUTIVA: Fernando Meirelles

PARTICIPAÇÃO: Vik Muniz, Fabio Ghivelder, Sebastião Carlos dos Santos, José Carlos Lopes, Suelem Dias, Isis Garros

Reino Unido, 2009 (99 min)

Lixo extraordinário. Aliás, se é extra é porque vai além do ordinário, do comum, do que não presta, do que realmente é lixo. Com disse Tião, um dos catadores participantes do projeto quando entrevistado por Jô Soares, eles não são catadores de lixo, e sim catadores de material reciclável. Recolhem o extra, aquilo que pode ter outro fim (ou outro começo) e novamente servir de matéria-prima para a indústria. Embora o título original seja Waste Land, literalmente “terra do lixo”, adoro a versão brasileira de chamar o lixo reciclável de extraordinário. Funcionou quase como um subtítulo e deu significado ao documentário naquilo que ele tem de melhor, inclusive na descoberta do fator extra também do lado humano.

Não que a terra do lixo em si não seja interessante – e impressionante. Um dos maiores do mundo, o aterro sanitário Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro, recebe 7 mil toneladas de lixo por dia, ou seja 70% do total produzido no Rio e arredores. Impressionante o suficiente, não? Mas são as histórias de vida que acabam se tornando o centro do aterro e o lixo, mesmo que extraordinário, serve de material para compor esse projeto idealizado pelo artista plástico Vik Muniz. É quase como uma inversão, a cria acaba engolindo o criador. Pelos depoimentos de Vik, nem ele esperava que o lado humano viesse tanto à tona, que o trabalho fizesse tanta diferença na vida dessas pessoas. Que ele não iria mudar um mundo, já era sabido. Mas é inegável o efeito transformador que uma proposta como essa teve na vida dos catadores participantes, durante e depois de dois anos de projeto.

A obra de Vik Muniz passa a ser coadjuvante, como também é secundário o fato de você gostar ou não do que ele produz – eu particularmente acho interessantíssimo. O grande prazer do documentário é observar atentamente as transformações possíveis daquilo a que não damos valor. Aqui o lixo vira arte contemporânea, o lixo vira luxo internacional, o lixo humano vira gente.

Indicado ao Oscar de melhor documentário, concorreu com Trabalho Interno.

BIUTIFUL
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, México - 21/01/2011

DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu

ROTEIRO: Alejandro González Iñárritu, Armando Bo, Nicolás Giacobone

LENCO: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Eduard Fernández, Cheikh Ndiaye, Diaryatou Daff, Cheng Tai Shen

México, 2010 (147 min)

A filha pergunta ao pai como se escreve beautiful, para que a palavra complete seu desenho. Ele soletra b-i-u-t-i-f-u-l e assim ela registra e adjetiva aquele momento simples, cotidiano e bonito de um pai que cuida dos filhos, apesar de todos os pesares. E os pesares são muitos. Uxbal (Javier Bardem, também em Mar Adentro, Vicky Cristina Barcelona, Comer, Rezar, Amar) é esse pai amoroso, que tem de lidar com a ex-mulher bipolar, com as dificuldades do submundo de Barcelona, com as lembranças do pai que não conheceu. Mas só faz esse balanço quando sabe que vai morrer.

Esse emaranhado de escolhas e conjunturas da vida vem na forma do câncer que o aproxima da morte e na forma dos mortos que Uxbal é capaz de ver. Vem impresso na economia informal da cidade, na sua condição de sobrevivente urbano, no imigrante clandestino e no produto pirata, no trabalho forçado e escravo, na perda da legalidade, na consciência pesada por participar de tudo isso, na culpa por não conseguir ser diferente. O forte do filme não é só essa condição desumana de vida, mas a linha tênue entre a dignidade e o desumano das relações, entre a compaixão e a cruel realidade.

Diferente de Babel, o diretor Alejandro González Iñárritu constrói aqui um só personagem e uma narrativa linear. Mas em ambos ressalta a dualidade do ser humano que quer acertar, mas erra o caminho; que quer se reconciliar com o bem, mas escolhe as ferramentas erradas. Uxbal é assim. Um sujeito intenso, sensitivo, conturbado, desiludido. Por isso Biutiful tem uma atmosfera atormentada – e talvez por esse motivo não tenha levado o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro (que premiou o dinamarquês Em Um Mundo Melhor), embora Bardem tenha sido o melhor ator em Cannes. O filme é forte e perturbador e por isso a escolha do título me pareceu tão importante e significativa. Há momentos bonitos na vida perturbada de Uxbal; há boas intenções nas escolhas mal feitas do personagem e há beleza na dureza do registro do diretor mexicano. É preciso ler nas entrelinhas e estará escrito assim mesmo: biutiful. 

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO – Slumdog Millionaire
CLASSIFICAÇÃO: Inglaterra, Estados Unidos - 09/12/2010

DIREÇÃO: Danny Boyle

ROTEIRO: Simon Beaufoy

ELENCO: Dev Patel, Irrfan Khan, Anil Kapoor, Madhur Mittal, Freida Pinto

Inglaterra, Estados Unidos, 2008 (120 min)

Lembrei-me do filme vencedor do Oscar de 2009 por causa da atriz Freida Pinto, que está no novo longa de Woody Allen, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos. Nesse seu segundo longa, a modelo e atriz indiana está ainda melhor, mais bonita e ainda mais competente. Quem Quer Ser um Milionário foi seu primeiro trabalho como atriz, que já lhe rendeu reconhecimento internacional.

Mas o fato é que foi um prazer rever este filme. A sensação é diferente e desta vez o que mais me impressionou foi a fotografia, o enquadramento, as cores, o visual de uma Mumbai das favelas, da miséria, dos becos, das vielas, da infância perdida e mal tratada. Talvez pelo fato de a história já ser conhecida (que também é muito boa) eu tenha agora prestado mais atenção na imagem enquanto linguagem complementar e tão importante quanto o enredo em si. As cores da Índia são lindas e a miséria do país não é tratada de forma sensacionalista. Há um realismo forte, sem vitimização e até com certa graça e beleza na composição que se faz de som e imagem.

Quem já assistiu ao filme sabe que a luta de Jamal por sua amada Latika, seu desentendimento com o irmão, o preconceito, o poder da observação e da criatividade enquanto fontes de conhecimento, a marginalização dos menos favorecidos como única alternativa e a cruel escola da vida propriamente dita consomem a atenção e a emoção do espectador quase que completamente. Não é para menos. Também por isso, assistir pela segunda vez abre a possibilidade de apreciar esse trabalho conjunto de som, imagem, edição e direção tão premiado mundo afora. 

Quem Quer Ser um Milionário é baseado no livro Sua Resposta Vale um Bilhão, do indiano Vikas Swarup.

 

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