publicidade
BIRD
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos, Biografia - 30/04/2012

DIREÇÃO: Clint Eastwood

ROTEIRO: Joel Oliansky

ELENCO: Forest Whitaker, Diane Venora, Michael Zelniker, Samuel E. Wright

Estados Unidos, 1988 (161 min)

Aos amantes do jazz, Bird vai encantar por seu repertório. Aos que esperam uma história dinâmica, vai cansar. A biografia feita por Clint Eastwood (também em J.Edgar, Sobre Meninos e Lobos, Além da Vida, Conquista da Honra, Invictus, Cartas de Iwo Jima, Gran Torino, A Troca) é escura, dentro dos bares, da noite, dos clubes de jazz e da imensa depressão e do profundo vício em que o jazzista Charlie Parker (Forest Whitaker, vencedor em Cannes pelo papel) se afunda. Bebe e se droga desde os 15 e ao morrer, aos 34 anos, o médico legista estima que seu corpo tenha a idade de 65.

Claro que Eastwood não dá ponto sem nó – ganhou inclusive o Globo de Ouro por este filme. A escuridão é proposital, é reflexo da vida que Parker levou. Considerado um dos mestre do jazz, o percursor do bebop e do jazz agradável para se ouvir, não só para se dançar (como era antes com as big bands), teve uma vida pessoal consumida pela instabilidade, com mais baixos do que altos, o que é muito bem retratado no filme. Até por isso – e por suas 2h20 de duração – Bird se alonga um pouco demais da conta e vai ficando a cada cena mais sombrio. Assim como a vida do músico e compositor. De novo: para quem ama o jazz, sem dúvida uma biografia interessante dos anos 1940/50 no mundo da música. Se esse não for seu tema preferido, outras biografias do diretor como J.Edgar (sobre o chefão do FBI) e Invictus  (sobre Nelson Mandela) talvez agradem mais. Mas lembre-se de que Eastwood tem um estilo próprio, que não precisa pedir passagem nem permissão para filmar.

VIVO OPEN AIR – 10a. Edição
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 13/04/2012

CINEMA EM TELA GIGANTE NO JOCKEY!

Vejam só que programa bacana em São Paulo: cinema em tela gigante e festival de música em seguida. A 10a edição do Vivo Open Air tem este ano uma programação bem eclética, que vai agradar muita gente. Vai desde filmes inéditos, em sessão de pré-estreia já que entram em cartaz em seguida, como  Sete Dias com Marylin, até clássicos como O Poderoso Chefão. Assistir a filmes como Pina e Oceanos nessa tela deve ser algo espetacular!

Veja a relação dos filmes, com os links para o comentário no Cine Garimpo:

15/04 – Sete Dias com Marylin (só para convidados)

17/04 – Perseguição

18/04 – Psicose

19/04 – Senna

20/04 – Paraísos Artificiais

21/04 – Sete Dias com Marylin

22/04 – As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne

24/04 – Um Homem de Sorte

25/04 – O Exorcista

26/04 – Oceanos

27/04  - Batman – O Cavaleiro das Trevas

28/04  - Anjos da Lei

29/04 – Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar

01/05 – Harry Potter – Relíquias da Morte 1 e 2

02/05 – O Bebê de Rosemary

03 /05 - Pina

04/05 – O Poderoso Chefão

05/05 – Carnage

06/05 – A Invenção de Hugo Cabret

___________________________________________________________

Programe-se: de 15/04 a 6/05 | Jockey Clube de São Paulo | 20h/21h30 | www.ingressorapido.com.br

Mais informações no site do Vivo Open Air.

UM LUGAR NA PLATEIA – Fauteuils d’orchestre
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, França, Comédia Romântica - 01/04/2012

DIREÇÃO: Danièle Thompson

ROTEIRO: Danièle Thompson, Christopher Thompson

ELENCO: Cécile De France, Valérie Lemecier, Albert Dupontel, Laura Morante, Claude Brasseur, Christopher Thompson, Suzanne Flon, Sydney Pollack

França, 2006 (105 min)

Todos buscam um lugar na plateia – não pode ser nem tão longe, nem tão perto. Seria a mesma coisa que dizer que todos procuram um lugar ao sol, ser alguém para alguém na vida, fazer o que gosta, etc e tal. Só que aqui, a imagem criada pela diretora Danièle Thompson para falar dessa busca acontece através de um concertista, uma atriz e um leiloeiro, que sentem necessidade de mudar algo na vida, de fechar um ciclo e começar outro. E esse é o momento da virada. Em Paris.

Três histórias diferentes, com personagens que teoricamente não têm qualquer relação, mas se cruzam por causa e graças à Jessica (Cécile De France, também em O Garoto da Bicicleta, Além da Vida, Bonecas Russas, Albergue Espanhol), uma garota que foi criada pela avó e que finalmente consegue um emprego na num café badalado na Avenue Montaigne ao lado do Ritz, coincidentemente em frente a um teatro, uma casa de leilões e uma sala de concertos. É ela quem vai juntar o concertista cansado da rigidez e da formalidade dos concertos mundo afora, do colecionador de arte que precisa se livrar do passado para continuar vivendo e da atriz de novela que sonha em fazer um filme importante, passeando por Paris, por suas pérolas, sua cultura, sua forma de vida.

Um Lugar na Plateia tem um humor sutil e agradável, um roteiro despretensioso e muito gostoso de assistir. Para quem gosta da cidade e de filme francês, vai aproveitar.


 

O PIANO – The Piano
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Rever, Nova Zelândia, Drama, Austrália - 01/04/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Jane Campion

ELENCO: Holly Hunter, Harvey Keitel, Sam Neill, Ana Paquin, Kerry Walker

Austrália, Nova Zelândia, 1993 (121 min)

Quando o filme tem um roteiro envolvente e amarrado e me fisga de uma maneira especial, deixando-me absolutamente absorvida pela história, confesso que muitas vezes me sinto no mais absoluto silêncio. Interno também. É como se o enredo, a realidade da tela me subtraísse da realidade, dos meus pensamentos e sentimentos. Entro no filme, por assim dizer. E quando isso acontece, a música também é absorvida, mas de uma maneira diferente. É como se eu a percebesse como conjunto, fazendo parte da imagem, da encenação, do cenário. Quando o todo é harmônico, a trilha ganha outras dimensões, fazendo com que muitas vezes eu me esqueça (ou não consiga) senti-la isoladamente.

Falha minha, eu sei. Principalmente em filmes como O Piano, em que a música compõe a trama e o drama vivido por Ada (Holy Hunter) e sua filha Flora (Anna Paquin, também em O Casamento do Meu Ex), ambas vencedoras do Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante respectivamente, e o filme levou também o de melhor roteiro. Elas se mudam da Escócia para a Austrália em meados do século 19, pois Ada está de casamento marcado com um rico fazendeiro. Muda, capaz de se comunicar através de gestos e com a ajuda de sua filha, ela se apaixona pela pessoa errada. Sempre com o piano como intermediário das cenas e dramas, compondo um panorama intenso e emocionante.

Sentir a música dessa maneira é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque mostra que o filme forma um conjunto equilibrado, capaz de emocionar e tocar o espectador profundamente. Ruim porque a trilha linda e bem cuidada não é apreciada isoladamente, mas sim como composição do conjunto – acabou o filme e fiquei com vontade de ouvi-la de novo. Se quiser rever O Piano, pode tentar fazer o exercício de prestar especial atenção à trilha. Não em detrimento de todo o resto, que é belíssimo. Mas com o olhar – e ouvidos – de quem aprecia uma obra que fala por si só.

 

ESSES AMORES – Ces Amours-là
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França, Drama - 14/03/2012

DIREÇÃO: Claude Lelouch

ROTEIRO: Claude Lelouch, Pierre Uytterhoeven

ELENCO: Audrey Dana, Dominique Pinon, Raphaël, Samuel Labarthe, Laurent Couson, Jacky Ido, Gilles Lemaire

França, 2010 (120 min)
Estamos em tempos de filmes que homenageiam o cinema. Os dois grandes vencedores do Oscar deste ano, O Artista e A Invenção de Hugo Cabret, contam a história da sétima arte, como ela percorreu a história do século 20, homenageia o olhar e os homens por trás das câmeras, sua capacidade de fazer parte da vida das pessoas. Em Esses Amores, Claude Lelouch, diretor de mais de 50 filmes, faz exatamente isso: conta uma história que percorre o século 20, passa pelas duas Grandes Guerras, pelo holocausto, pela França ocupada, pela Resistência, pelo Dia D, ancorado na vida de Ilva, a personagem de Andrey Dana (também em Bem-Vindo). E para justificar o título, as atitudes e decisões de Ilva durante toda a sua vida não são pautadas pela razão, e sim por seus amores – o grande tema da obra de Lelouch.

Assisti a Esses Amores com a forte sensação de que Lelouch fez o filme para ele próprio. Mais do que para o espectador. Muitos personagens, muitas histórias paralelas me deixaram um pouco cansada. Talvez tenha pecado pelo excesso de informações – por isso acho que dialoga mais com seu alterego, sua história de vida, suas memórias, do que com o espectador. O que não quer dizer que não tenha uma boa história e recortes interessantes. Tem um estilo novelão e me lembra bastante o italiano Baarìa - A Porta do Vento, que também tem uma bonita produção de época, é cuidadoso, mas arrastado.

Esses Amores é essencialmente um filme de amor, seus sabores e dessabores, autobiográfico certamente, regado com muita música, composições para o cinema, também dentro dessa panorama autobiográfico. O que eu gosto mais de Lelouch – e gosto imensamente – é seu filme de 1966, Um Homem, Uma Mulher (que tem até uma sequência chamada Um Homem, Uma Mulher – 20 Anos Depois). É aqui que o diretor imprime sua sutileza, sensibilidade e originalidade. Em Esses Amores, eu diria que tem mais cara de um bem feito folhetim.
(O trailer mostra bem esse ritmo, dê uma olhada.)

A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Documentário, Brasil - 22/02/2012

DIREÇÃO: Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim

ROTEIRO: Nelson Pereira dos Santos e Miúcha Buarque

Brasil, 2012 (88 min)

Dá vontade de cantar junto. Claro, se você gosta de Tom Jobim. Que você conhece, é óbvio. Pelo menos as clássicas e mundialmente cantadas em todos os idiomas possíveis. O cinema todo sorri ao ver as imagens incríveis de Tom Jobim cantando Garota de Ipanema com Frank Sinatra, fazendo o célebre e maravilhoso dueto com Elis Regina em Águas de Março. E se emociona – tenho certeza.

Independente da época, são canções entoadas e interpretadas pelos mais variados cantores, das mais variadas nacionalidades, até hoje, muito embora os diretores tenham optado por não dar o crédito do intérprete, nem o nome da canção. Você só vai ter essas informações no final do filme. Portanto, não saia correndo. Vale a pena ficar e checar o seu conhecimento musical – mesmo que seja só de curiosidade. Outro ponto interessante é que não há depoimentos, como no documentário As Canções, de Eduardo Coutinho. Aqui, pelo contrário, a música basta, porque a história todos nós já conhecemos. A trajetória de Tom Jobim é contada pelas personalidades que cantam e tocam suas composições, pelos palcos onde tocou e cantou, pelas imagens das etapas da vida. Um belo tributo.

A FONTE DAS MULHERES – La Source des Femmes
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Itália, França, Comédia - 15/02/2012

DIREÇÃO: Radu Mihaileanu

ROTEIRO: Radu Mihaileanu, Alain-Michel Blanc

ELENCO: Leïla Bekhti, Hafsia Herzi, Biyouna, Sabrina Ouazani, Saleh Bakri, Hiam Abbass, Mohamed Majd

França, Itália, Bélgica, 2011 (135 min)

Adoro – e já disse isso aqui – essa rica leva de filmes sobre a cultura árabe, sejam eles de um viés mais duro, como é o caso dos excelentes O Profeta e Incêndios, seja de uma perspectiva mais política como Lemon Tree, Free Zone, Miral, mais humana como A Noiva Síria e Homens e Deuses ou mais colorida e feminina como Caramelo. São filmes cheios de conteúdo importante sobre a cultura, costumes, política e relações humanas do mundo islâmico. A Fonte das Mulheres passa por tudo isso, mas tem um viés colorido e bem humorado, que se utiliza do mundo feminino para contar uma história que mais parece uma fábula das “não-mil e uma noites”.

Estamos em uma pequena aldeia no norte da África muçulmana, onde a seca, o desemprego a falta de perspectiva assolam a população. Já não há mais guerra que ocupe os homens – que passam o dia bebendo chá e jogando conversa fora no bar. Já as mulheres têm que manter a tradição milenar de tecer, cuidar da casa e das crianças, procriar e buscar água na fonte que fica morro acima. O esforço é tão grande que muitas delas, grávidas, acabam perdendo seus bebês durante o caminho. Lideradas pela jovem Leila (Leïla Bekhti, também em O Profeta, Eu, Você, os Outros), resolvem contestar esse poder de decisão dos maridos, essa distorção do Alcorão de que a mulher precisa obedecer, fazendo greve de sexo. As mais velhas não concordam e causam polêmica, como sua sogra Fatima (Hiam Abbass, também em Lemon Tree, Free Zone, O Visitante, A Noiva Síria, Conversas com meu Jardineiro), no entanto as mais jovens aderem à causa como Loubna (Hafsia Herzi, também em O Segredo do Grão) e Rachida (Homens e Deuses). Greve mesmo, até que os homens fiquem responsáveis pela água do poço.

A Fonte das Mulheres, todo falado em árabe, é um filme que trata das diferenças entre homens e mulheres no mundo muçulmano, das obrigações femininas e os maltratos que sofrem, sem ser propriamente violento. Pelo contrário, tem bom humor. O diretor romeno Radu Mihaileanu, também de O Concerto, consegue novamente dar leveza ao assunto, com graça, cor e música – quase também num tom de fábula. A bela Leila comanda a voz jovem, que casa por amor, defende o que pensa, não teme ser reprimida e se contrapõe à força da tradição familiar levada a ferro e fogo no campo da desonra, do repúdio, da obediência. Defende sua condição de mulher e mãe, de ser humano que sabe e quer fazer suas próprias escolhas, sem precisar que o marido, irmão ou pai decidam por ela.

Vale a pena assistir, mesmo que para isso seja preciso se encaixar nos pouquíssimos horários disponíveis no cinema.

O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO – Mao’s Last Dancer
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Drama, Biografia, Austrália - 09/12/2011

DIREÇÃO: Bruce Beresford

ROTEIRO: Jan Sardi, Li Cunxin (autobiografia)

ELENCO: Chi Cao, Bruce Greenwood, Kyle MacLachlan, Wen Bin Huang, Penne Hackforth-Jones, Christopher Kirby, Madeleine Eastoe

Austrália, 2009 (117 min)

 

Nos cinemas: 9 de dezembro

 

A primeira referência que me veio à mente ao assistir a O Último Dançarino de Mao, baseado na autobiografia Adeus, China – O Último Bailarino de Mao (Fundamento, 2007, 400 páginas), é o filme com o Mikhail Baryshnikov, O Sol da Meia-Noite, de 1985. Nele, o bailarino russo exilado nos Estados Unidos tem de fazer um pouso forçado no território soviético a caminho do Japão e acaba preso pela KGB por ser considerado um traidor. Fica isolado na Sibéria, sob cuidados de um bailarino americano que desertou do exército e casou-se com uma russa. A história toda gira em torno da saída ou não do território fechado da ex-União Soviética, do envolvimento da embaixada, da mídia, da opinião popular e, obviamente, traz à tona o tema da liberdade de ir e vir, de pensar, de se expressar em regimes autoritários e cruéis.

O Último Dançarino de Mao retoma o assunto, contando a história verdadeira de Li Cunxin, que era um menino de 11 anos como tantos outros nas regiões remotas e carentes da China comunista de Mao, em plena Revolução Cultural nos anos 1970, quando as formas de arte deveriam ser politizadas, militarizadas. Foi escolhido para dançar balé na Academia de Dança de Pequim, submetendo-se a treinamentos intensos, dolorosos e competitivos. Em tempos de penúria e de forte influência do Partido, ser escolhido significava ganhar na loteria – era, de fato, uma chance única de ser alguém na vida aos olhos da família.

Em 1979, Li Cunxin é escolhido para representar a China nos Estados Unidos, num intercâmbio cultural incentivado pelo governo dos dois países. Segue para o Texas, onde se depara com um mundo completamente diferente, do consumo à arquitetura, à liberdade de expressão. A partir daí Li faz suas escolhas, sempre recheadas de fatores políticos, envolvimento emocional, diplomacia – já que um abismo separa a China familiar e censurada, da possibilidade de ser livre, de fazer uma carreira internacional sólida e bem sucedida.

A meu ver, há um importante contraponto em O Último Dançarino de Mao, do diretor australiano Bruce Beresford (também de Conduzindo Miss Daisy). Ao mesmo tempo em que é sentimental demais em algumas cenas e mostra personagens rasos, tem cenas belas e delicadas, momentos de verdadeira superação e escolhas difíceis. Talvez as coisas tenham realmente se dado dessa maneira, dramáticas. O ator e bailarino Chi Cao, escolhido para interpretar Li Cunxin, é intenso na sua interpretação e as cenas de dança são lindíssimas – gosto em particular da mais informal delas, a última. Quando vejo esse tipo de filme, procuro ter em mente o fato de ser uma história real. Isso muda tudo. Como eu dizia, apesar do sentimentalismo em alguns momentos, a história de vida supera qualquer excesso. Um registro importante e histórico de uma China que ainda reprime, mas que já presenteia seu bilhão com o capitalismo que tanto surpreendeu Li naqueles anos.


Próxima página »

© Copyright 2009-2012, Cine Garimpo