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ELLE
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para Pensar, França, Drama - 21/11/2016

Um dos conflitos propostos em Elle é sim a violência sexual contra a mulher. Mas este não foi o mais impressionante – embora as cenas de estupro sejam realmente brutais, intensas e definitivas. As camadas costuradas em cima desse choque constróem uma figura determinante da mulher aos 60: independente financeira, emocional e sexualmente; dona do seu nariz, mas lotada de encrencas para resolver. É um recorte do empoderamento feminino, mas sem aquela pegada feminista onipotente: simula a mulher de verdade, em carne e osso, que precisa sim dos outros, que se apega às pessoas, que tem traumas de família, problemas com os pais, filho, nora. E não esconde isso de ninguém. Vive intensamente.

Sem criar uma mulher-maravilha, Paul Verhoeven (também de Instinto Selvagem) traz o feminino na sua mais complexa faceta. Ninguém melhor do que Isabelle Huppert pra passar a mensagem. Ela não para de produzir – em 2016 foram seis filmes; pra 2017, outros seis programados. É impressionante. É como se sua personagem, Michèlle Leblanc, dona de uma empresa de games, fosse uma extensão dela mesma. Super à vontade no papel, fala da sexualidade nessa idade de maneira natural, do ponto de vista da mulher que deseja, instiga e busca o que quer. É nesse contexto que entra a violência sexual, que perturba a ordem das coisas – mas Michèlle não cai – titubeia, não denuncia, toma as providências práticas, mas não entra em pânico. Toca a vida e tudo mais que depende do seu bom senso e poder de decisão para acontecer, na família e no trabalho.

Genial, forte, perturbador. Um mergulho na psique humana conturbada e ambígua. Do uso da força – física e sexual -, da aceitação dessa disfunção entre os gêneros, da ambiguidade entre o culto externo, social, para a vivência pessoal de cada um. Elle é para ser sentido, feminino ao extremo. Além de Michèlle, sua amiga Anna (Anne Cosigny), sua nora Josie, sua mãe Judith e sua vizinha Rebecca são as mulheres que fazem a história acontecer. Mas Isabelle… sem palavras pra dizer o que é – e representa – essa atriz.

 

DIREÇÃO: Paul Verhoeven ROTEIRO: Philippe Djian, David Birke ELENCO: Isabelle Huppert, Laurent Lafitte, Anne Consigny, Charles Berling, Virginie Efira | 2016 (130 min)

 

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LOUCAS DE ALEGRIA – La Pazza Gioia
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Itália, Garimpo na Locadora, Drama - 01/09/2016

Lembro bem quando li O Alienista, de Machado de Assis, na escola. Aliás, toda vez que surge um rótulo de comportamento nesse quesito “loucura”, lembro-me do Dr. Simão Bacamarte. Em linhas gerais é o seguinte: estudando os padrões de comportamento, este médico percebeu que aqueles que tinham desvio de personalidade deveriam ficar internados. Quando se dá conta de que a maior parte da população estava no hospital psiquiátrico, percebeu que ter desvios é normal e que ele, que tinha estabilidade emocional, era o louco da história. Solta todo mundo e se fecha, sozinho, no manicômio que havia criado.

Nise: No Coração da Loucura e Bicho de Sete Cabeças vão nesse caminho do julgamento prévio e da instalação do rótulo que priva o paciente da cura e instaura o caos. Em Loucas de Alegria, duas mulheres se conhecem num hospital psiquiátrico, enfrentam problemas familiares e situações incompreendidas, são tratadas como loucas e não têm como buscar um processo de cura interior. O sistema não comporta; o ser humano não admite.

Paolo Virzi, diretor do ótimo Capital Humano, traz à tona o transtorno de personalidade recheado com algumas pérolas: suaviza a crueldade com humor, amizade e cumplicidade. Donatella e Beatrice saem pelo mundo no estilo “Telma & Louise”, se conhecem no meio do caos que cada uma vive internamente, mas são sinceras e espontâneas. No meio de situações divertidas e de tanta hipocrisia, o que ressalta é o lado humano das relações, a amizade e, sobretudo, a esperança.

 

DIREÇÃO: Paolo Virzi ROTEIRO: Paolo Virzi, Francesca Archibugi ELENCO: Micaela Ramazzotti, Valeria Bruni Tedeschi, Valentina Carnelutti |

 

 

 

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LOLO – O FILHO DA MINHA NAMORADA – Lolo
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, França, Comédia Romântica - 26/08/2016

Adoro o trabalho de Julie Delpy, ainda mais quando é multiplicado por três. Em Lolo: O Filho da Minha Namorada, é ela que escreve o roteiro, atua como protagonista e dirige. Multitarefa, mega competente.

Seus filmes têm uma pegada de realidade superinteressante do ponto de vista da mulher e dos relacionamentos. Melhor de todos é a trilogia Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite. Sempre tenho a impressão de que ela faz o papel dela mesmo, de que é autobiográfico, de que fala a língua (afiada!) das mulheres comuns, de que todo mundo se identifica com seus questionamentos (que são muitos)! E o mais legal 3 é que tem humor e a gente se diverte – praticamente, rindo de nós mesmas.

Lolo é quase uma caricatura do garoto-mimado-que-pertuba-o-namorado-da-mãe. Aqui, Julie é Violette, uma executiva do mundo da moda, divorciada e sem namorado, que não consegue engatar em nenhum relacionamento duradouro. Engraçada e espirituosa, tem uma melhor amiga também divertida, feita pela ótima Karin Viard (também em Lulu, Nua e Crua, A Família Bélier), que a acompanha nesse novo caso amoroso complexo.

Mas quem faz ser complexo é Lolo, filho de Violette. Jovem arrogante e dissimulado, apronta tudo que pode pra destruir o novo namorado da mãe e continuar sendo o único homem da sua vida. Bem divertido, bem gostoso de ver. Cinema de qualidade e inteligente, sem que para isso precise ser chato.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Julie Delpy ELENCO: Julie Delpy, Dany Boon, Vincent Lacoste, Karin Viard | 2015 (99 min)

 

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PERFEITA É A MÃE! – Bad Moms
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 18/08/2016

Educar nunca foi e nunca será tarefa fácil. Aliás, está cada vez mais complexa: além da realidade nua e crua, tem a virtual; o que a gente achava que era saldável, tem glúten, lactose, gordura trans e não serve; brincar livremente que era tão bom, tem que ter horário, ser direcionado, instruído, recheado de conteúdo e render boa performance. E tudo isso tem que garantir adultos bem sucedidos, senão, trabalho perdido. Aqui entre nós: quem é que nunca pensou em chutar o balde, jogar os rótulos no lixo e simplesmente apostar na intuição?

Perfeita é a Mãe!, com Mila Kunis, tem essa toada: ela é uma mãe atenciosa e presente, que se desdobra em mil pra suprir a demanda dos filhos e da casa, atender às expectativas da sociedade, trabalhar fora, ficar bonita e tudo mais que a gente sabe que “tem que fazer”.

Será que tem mesmo? O título original Bad Moms encontrou uma tradução ótima em português: mãe não tem que ser perfeita, tem que ser mãe! Vale seu ingresso: tem humor divertido, daqueles de dar risada e que vai fazer muita gente se identificar.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Jon Lucas, Scott Moore ELENCO: Mila Kunis, Kathryn Hahn, Kristen Bell, Christina Applegate | 2016 (100 min)

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AGNUS DEI – Les Innocentes
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 20/07/2016

Gosto mais do titulo do filme no original, As Inocentes. Por que esse é o enfoque do filme: contar como freiras inocentes, que viviam tranquilas no convento na Polônia antes da Segunda Guerra, enfrentam o trauma e as consequências do estupro coletivo praticado pelos soldados russos. Muitas deles estão grávidas e não têm qualquer culpa no cartório. São inocentes – em relação à violência, em relação à vida. Anne Fontaine, a diretora, faz questão de lidar com isso de maneira singela e forte: trata não do trauma, nem da revolta, mas da solidariedade e da solução de problemas. E aqui, a palavra inocência ganha ainda mais importância: a ingenuidade da vida religiosa isolada e protegida, transforma-se em presença, atitude e coragem.

Agnus Dei me remete mais à sacrifício, afinal, é o que chamamos de “cordeiro de Deus”. Claro que há perdas, inerente a qualquer ato de violência. Mas o filme caminha para um sentido fraterno da vida e das opções pelos caminhos mais difíceis, porém bem mais significativos. Na Polônia do pós-guerra, as freiras sofrem no convento sem assistência médica, temem represália do governo socialista e preferem calar-se. Muitas freiras morrem no parto, assim como seus bebês. Até que uma delas recorre à médica francesa da Cruz Vermelha, que descumpre as regras e atende, escondido, às jovens assustadas e angustiadas com tanta dor.

Além de lindo esteticamente, Agnus Dei tem uma nobreza de espírito. Lida com a solidariedade e a recuperação da alma, com a valorização da ajuda mútua e com o poder de transformação que tem uma decisão importante de doação e altruísmo. Mesmo que, para isso, sacrifícios sejam feitos. O que sempre acontece. Não há ganhos sem perdas – mas, muitas vezes, os benefícios são tão mais preciosos, que a noção do sacrifício se dilui. Fica só gratidão – como vemos estampado no rosto de todas elas e na foto final do filme.

 

 

DIREÇÃO: Anne Fontaine ROTEIRO: Pascal Bonitzer ELENCO: Lou de Laâge, Agata Buzek, Agata Kulesza | 2016 (115 min)

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JULIETA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Espanha, Drama - 07/07/2016

Dos filmes de Pedro Almodóvar, a trilogia Tudo Sobre Minha Mãe, Fale com Ela e Volver estão na prateleira dos indispensáveis. Narrativas femininas, coloridas, pungentes, instigantes. Sem igual. Depois vem A Pele que Habito, o melhor dos desfechos. Drama humano, personagens profundos – sempre elementos suspensos, aguardando a hora de encaixar, perfeitamente.

Depois de Kika, Julieta é seu segundo filme com nome de mulher. Tudo a ver, encaixe perfeito. Almodóvar é célebre por seus personagens femininos marcantes, pela força da matriarca, pela fio condutor feminino familiar, pelas mazelas e maravilhas de ser mulher. Julieta sugere sempre algo não resolvido e não revelado. Sem suspense, só um leve mistério. Isso porque a personagem título já de cara mostra que lida com sentimentos mal resolvidos, que o passado a perturba e que não consegue encarar a realidade. Os flashbacks vão contar a sua história, na pele de duas atrizes.

Drama humano, relacionamentos truncados, palavras não ditas. Parece déjà-vu. Sim e não – quem é que nunca sentiu culpa, raiva, solidão, amor, mas o diretor tem uma maneira toda particular de contar uma história. Sem que esta seja a sua mais pungente narrativa, vale seu ingresso sim, Julieta.

 

DIREÇÃO: Pedro Almodóvar ROTEIRO: Pedro Almodóvar, Alice Munro ELENCO: Adriana Ugarte, Emma Suárez, Inma Cuesta, Rossy de Palma, Daniel Grao | 2016 (99 min)

 

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GARIMPO DO DIA DAS MULHERES
O Inesquecível BAGDÁ CAFÉ.
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Especial, Dicas Afins - 07/03/2016

Por Suzana Vidigal

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, garimpei os mais diversos filmes para prestar a mais devida homenagem.

De ótimos perfis femininos de Woody Allen de 1986, ao inesquecível Almodóvar; da amizade de mulheres libanesas, ao depoimento de brasileiras; de mulheres famosas, a mulheres comuns, mas não menos importantes.

Aproveite estas 20 dicas e garimpe mais no blog!

 

1HANNAH E SUAS IRMÃS, Woody Allen (EUA, 1986)

2BAGDAD CAFÉ, de Percy  Adlon (Alemanha, 1987)

3THELMA & LOUISE, de Ridley Scott (EUA, 2001)

4AS HORAS, de Stephen Daldry (EUA, 2002)

5. CASA DE AREIA, de Eran Riklis (Brasil, 2005)

6. VOLVER, de Pedro Almodóvar (Espanha, 2006)

7. JOGO DE CENA, de Eduardo Coutinho (Brasil, 2006)

8. A RAINHA, de Stephen Frears (Inglaterra, 2006)

9. CARAMELO, de Nadine Labaki (Líbano, 2007)

10. JUNO, DE Jason Reitman (EUA 2007)

11. PIAF – UM HINO DE AMOR, DE Olivier Dahan (França, 2007)

12. LEMON TREE, de Eran Riklis (Israel, Alemanha, França, 2008)

13. PRECIOSA – UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA, de Lee Daniels (EUA, 2009)

14. FLOR DO DESERTO, de Sherry Horman (Inglaterra, 2009)

15. AS MULHERES DO SEXTO ANDAR, de  Philippe Le Guay (França, 2010)

16. GAINSBOURG – O HOMEM QUE AMAVA AS MULHERES, de Joann Sfar (França, 2010)

17. CAIRO 678, de Mohamed Diab (Egito, 2010)

18. A FONTE DAS MULHERES, de Radu Mihaileanu (França, Itália, 2010)

19. DE PERNAS PRO AR, de Roberto Santucci (Brasil, 2010)

20. SETE DIAS COM MARILYN, de Simon Curtis (Inglaterra, 2011)

 

 

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CAROL
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 19/01/2016

O mais impressionante de Carol é a direção de arte. Impecáveis os figurinos dos anos 50, toda a ambientação por onde circulam Therese, a jovem balconista, e Carol, a elegante aristocrata. Claro que sem uma forte atuação de Cate Blanchet (também em Blue Jasmine, Babel) e Rooney Mara (também em Terapia de Risco, Os Homens que Não Amavam as Mulheres), essa beleza plástica não teria tanto brilho assim. O problema é que falta realismo – e isso faz com que o filme seja um “quase”.

O romance é proibido: Carol está se separando do marido, precisa garantir a guarda da filha, mas não resiste aos encantos da moça que conhece numa loja de departamentos. Therese é uma jovem simpática e prestativa, que mantém um relacionamento acomodado, vai na lábia da chiquérrima Carol e é incapaz de dizer não aos seus convites. Tudo parece uma pintura, os diálogos são frios e falta aquele toque de impulsividade que seria natural numa relação como esta: nos anos 50, pensar no relacionamento entre duas mulheres de classes sociais e idades diferentes, era um verdadeiro escândalo. Seria preciso muita química pra fazer o romance realmente rolar.

E se for pela química, não é o forte de Carol – adaptado do romance de Patricia Highsmith, publicado na década de 50. O trunfo, que rende indicação às duas atrizes para o Oscar, é a atuação delas na construção destes personagens calculistas, que medem as palavras e gestos – como se para não ofender o espectador. Poderia ser mais natural – ou talvez seja uma maneira de tratar o assunto proibido com a discrição necessária para aquele tempo. O que equilibra é o seu papel como mãe, que finalmente deixa o afeto extravasar, as máscaras caírem e o lado humano ser mais forte do que a embalagem – quem se lembra da expressiva Cate Blanchett em Blue Jasmine, pode imaginar algo do lado oposto, o que não deixa de ser uma atuação e tanto. De qualquer forma, Carol é um lindo filme, indicado ao Oscar de melhor figurino, fotografia, trilha sonora e roteiro adaptado, que vale o seu ingresso de cinema – ver na telona faz toda a diferença.

 

DIREÇÃO: Todd Haynes ROTEIRO: Phyllis Nagy, Patricia Highsmith ELENCO: Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah Paulson, Kyle Chandler | 2015 (118 min)

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