NOTA: Este post foi publicado em 14 de março, quando a assessoria de imprensa divulgou a repescagem da mostra Mondo Tarantino. Em 17 de março fomos informados de que ainda não estava confirmada. Hoje, dia 19, imagino que já tenham desistido da ideia. Pra que divulgar, então?
Fãs de Tarantino, atenção! Mondo Tarantino, a mostra sobre o diretor, que está rolando desde 20 de fevereiro, foi prorrogada. Inicialmente terminaria no domingo dia 17 de março, mas parece que não foi suficiente. Os organizadores resolveram incluir outros filmes na programação a partir de hoje e estender mais uma semana. Portanto, teremos bom cinema até dia 24 de março, lá no CCBB/SP.
Lembrando que Quentin Tarantino também está no circuito comercial com o filmaço Django Livre, inclusive vencedor de melhor roteiro original. Imperdível pra quem já curte o estilo sarcástico, irônico, contestador e muito, mas muito criativo do diretor.
Aí vai a programação extra, destacada em vermelho. Bom garimpo a todos!
14/03 | quinta – CCBB
13h A OUTRA FACE DA VIOLÊNCIA
15h SIN CITY – A CIDADE DO PECADO
17h20 ONDE COMEÇA O INFERNO
20h UM DRINK NO INFERNO
CINUSP
16h ABBOTT E COSTELLO ÀS VOLTAS COM FANTASMAS
19h UM DRINK NO INFERNO
15/03 | sexta – CCBB
12h40 FUGA ALUCINADA
14h20 TRÊS HOMENS EM CONFLITO
17h40 JEJUM DE AMOR
19h30 BASTARDOS INGLÓRIOS
CINUSP
16h O EXPRESSO BLINDADO DA SS NAZISTA
19h BASTARDOS INGLÓRIOS
16/03 | sábado - CCBB
12h ELES MATAM E NÓS LIMPAMOS
14h OPERAÇÃO DRAGÃO
16h O JOGO DA MORTE
17h50 KILL BILL – VOL. 1
20h KILL BILL – VOL. 2
17/03 | domingo – CCBB
12h FUGA ALUCINADA
14h PLANTÃO MÉDICO: MATERNIDADE | C.S.I.: PERIGO A SETE PALMOS
16h30 O GRANDE GOLPE
18h10 O IMPÉRIO DO CRIME
20h CÃES DE ALUGUEL

Para quem gosta do estilo Quentin Tarantino de fazer cinema, atenção: de hoje a 17 de março, o Centro Cultural Banco do Brasil de SP e o CINUSP exibem uma mostra especial.
Além de filmes como Pulp Fiction (1984), Kill Bill (2003) e Bastardos Inglórios (2010), a Mostra exibe também episódios que ele dirigiu para seriados de televisão, filmes em que é o roteirista, além de clássicos que influenciaram a sua obra de diretores como Howard Hawks, Brian DePalma, Stanley Kubrick, Martin Scorsese, Sergio Leone, Enzo Castellari, Chia-Liang Liu, Jack Hill e Toshiya Fujita.
Acompanhe a programação abaixo ou pela página do facebook. Não se esqueça que tem Tarantino no circuito comercial também, Django Livre, que concorre ao Oscar dia 24 de melhor filme, roteiro adaptado e ator coadjuvante para Christoph Waltz.
Mondo Tarantino será exibido também no CCBB Brasília, de 14/02 a 17/03. Bom Garimpo!
INGRESSOS: R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia) – vendidos a partir das 9h do dia da exibição até acabar 1ª cota e 1h antes da sessão.
20/02 | quarta - CCBB
15h PLANTÃO MÉDICO: MATERNIDADE | C.S.I.: PERIGO A SETE PALMOS
17h30 ADRENALINA MÁXIMA
19h30 PULP FICTION
21/02 | quinta- CCBB
16h JOVENS LOUCOS E REBELDES
18h GRANDE HOTEL
20h O SEQUESTRO DO METRÔ
22/02 | sexta – CCBB
15h40 CORRIDA CONTRA O DESTINO
17h40 À PROVA DE MORTE
20h PLANETA TERROR
23/02 | sábado – CCBB
13h ADRENALINA MÁXIMA
15h THE KILLER – O MATADOR
17h PULP FICTION
20h GRANDE HOTEL
24/02 | domingo – CCBB
13h50 ASSASSINOS POR NATUREZA
16h10 BLACK MAMA, WHITE MAMA
18h O SEQUESTRO DO METRÔ
20h A OUTRA FACE DA VIOLÊNCIA
25/02 | segunda – CINUSP
16h PLANTÃO MÉDICO: MATERNIDADE | C.S.I.: PERIGO A SETE PALMOS
19h CÃES DE ALUGUEL
26/02 | terça - CINUSP
16h DJANGO
19h SUKIYAKI WESTERN DJANGO
27/02 | quarta – CCBB
15h30 TAXI DRIVER
18h FASTER, PUSSYCAT! KILL! KILL!
20h À PROVA DE MORTE
CINUSP
16h O JOGO DA MORTE
19h TARANTINO’S MIND | BLACK MAMA, WHITE MAMA
28/02 | quinta - CCBB
15h A OUTRA FACE DA VIOLÊNCIA
17h JACKIE BROWN
20h FOXY BROWN
CINUSP
16h ONDE COMEÇA O INFERNO
19h GRANDE HOTEL
01/03 | sexta – CCBB
16h DJANGO
18h DJANGO VEM PARA MATAR
20h SUKIYAKI WESTERN DJANGO
CINUSP
16h THE KILLER – O MATADOR
19h PULP FICTION
02/03 | sábado – CCBB
14h20 FASTER, PUSSYCAT! KILL! KILL!
16h FOXY BROWN
18h TARANTINO’S MIND | BLACK MAMA, WHITE MAMA
20h JACKIE BROWN
03/03 | domingo - CCBB
13h30 O MESTRE DA GUILHOTINA VOADORA
15h20 A MORTE ANDA A CAVALO
17h30 SUKIYAKI WESTERN DJANGO
20h DJANGO
04/03 | segunda – CINUSP
16h O SEQUESTRO DO METRÔ
19h A OUTRA FACE DA VIOLÊNCIA
05/03 | terça – CINUSP
16h PLANETA TERROR
19h À PROVA DE MORTE
06/03 | quarta – CCBB
14h30 PLANETA TERROR
16h30 SIN CITY – A CIDADE DO PECADO
19h00 CÃES DE ALUGUEL | DEBATE COM SERGIO ALPENDRE E MAURO BAPTISTA | MEDIAÇÃO DE MARCOS KURTINAITIS
CINUSP
16h CORRIDA CONTRA O DESTINO
19h FASTER, PUSSYCAT! KILL! KILL!
07/03 | quinta – CCBB
14h A CÂMARA 36 DE SHAOLIN
17h30 AMOR À QUEIMA-ROUPA
20h ASSASSINOS POR NATUREZA
CINUSP
16h FOXY BROWN
19h JACKIE BROWN
08/03 | sexta – CCBB
15h TARANTINO’S MIND | KILL BILL – VOL. 1
17h30 KILL BILL – VOL. 2
20h LADY SNOWBLOOD
CINUSP
16h THE STREET FIGHTER
19h AMOR À QUEIMA-ROUPA
09/03 | sábado – CCBB
13h50 ABBOTT E COSTELLO ÀS VOLTAS COM FANTASMAS
15h30 CARRIE, A ESTRANHA
17h30 UM DRINK NO INFERNO
19h30 GRINDHOUSE
10/03 | domingo – CCBB
12h CINCO COVAS PARA O EGITO
14h O EXPRESSO BLINDADO DA SS NAZISTA
16h BASTARDOS INGLÓRIOS
19h FUGINDO DO INFERNO
11/03 | segunda – CINUSP
16h SIN CITY – A CIDADE DO PECADO
19h ASSASSINOS POR NATUREZA
12/03 | terça - CINUSP
16h OS CINCO DEDOS DA MORTE
19h LADY SNOWBLOOD
13/03 | quarta – CCBB
16h OS CINCO DEDOS DA MORTE
18h10 THE STREET FIGHTER
20h AMOR À QUEIMA-ROUPA
CINUSP
16h KILL BILL – VOL. 1
19h KILL BILL – VOL. 2
14/03 | quinta – CCBB
15h SIN CITY – A CIDADE DO PECADO
17h20 ONDE COMEÇA O INFERNO
20h UM DRINK NO INFERNO
CINUSP
16h ABBOTT E COSTELLO ÀS VOLTAS COM FANTASMAS
19h UM DRINK NO INFERNO
15/03 | sexta – CCBB
14h20 TRÊS HOMENS EM CONFLITO
17h40 JEJUM DE AMOR
19h30 BASTARDOS INGLÓRIOS
CINUSP
16h O EXPRESSO BLINDADO DA SS NAZISTA
19h BASTARDOS INGLÓRIOS
16/03 | sábado - CCBB
14h OPERAÇÃO DRAGÃO
16h O JOGO DA MORTE
17h50 KILL BILL – VOL. 1
20h KILL BILL – VOL. 2
17/03 | domingo – CCBB
14h PLANTÃO MÉDICO: MATERNIDADE | C.S.I.: PERIGO A SETE PALMOS
16h30 O GRANDE GOLPE
18h10 O IMPÉRIO DO CRIME
20h CÃES DE ALUGUEL
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Olhem só que interessante: estamos falando de direitos humanos de uma maneira bastante democrática. A 5a edição do Entretodos - Festival de Curtas Metragens de Direitos Humanos não se restringe a uma sala de cinema, nem mesmo a uma região. Com objetivo de atingir um público mais diverso possível, o festival acontecerá simultaneamente em 31 regiões metropolitanas da cidade de São Paulo, sempre em parceria com seus núcleos de Direitos Humanos, assim como os centros de cultura como os Céus, Centros Culturais de Arte e Juventude, cineclubes, presídios, praças, centros habitacionais, entre outros.
Também seguindo essa linha humana, o festival vai exibir filmes em formatos diversos, de até 25 minutos. Pode ser um curta feito pelo celular, um documentário ou ficção, experimental ou profissional, em qualquer época. Portanto, não há restrição, direitos iguais a amadores e profissionais.
Há mais informações no site do Entretodos, com a lista da programação da mostra competitiva, não competitiva, infantil e eventos culturais marcadas para o evento. Aproveite! A ideia da organização é aquecer o debate sobre o assunto na cidade. Em boa hora!
PROGRAME-SE: DE 29/11 a 02/12 | veja os locais de exibição no site Entretodos
Chegou ao fim a 36a Mostra Internacional de Cinema de SP. Como acontece todos os anos, os cinéfilos ficam alucinados tentando montar o quebra-cabeça das centenas de filmes disponíveis em duas semanas. Muitos deles não voltam mais para as telonas daqui, nem mesmo são lançados em DVD – o que faz aumentar ainda mais a correria.
Mas nem tudo está perdido. Dê olho no público que aprecia filmes que saem um pouco (ou muito) do lugar comum, do padrão norte-americano de fazer cinema e do blockbuster que certamente estará em cartaz e que será comentado aqui no blog, há ótimos filmes da seleção dos festivais passados, já lançados em DVD. Assim você aumenta o repertório e pode apreciar o cinema de outras nacionalidades, que certamente têm uma linguagem diferente.
Aproveitando o feriado de Finados, o Cine Garimpo preparou uma seleção variada e interessante para você assistir em casa. Todos os filmes abaixo foram selecionados para a Mostra de SP de 2010 e 2011. Clique no nome do filme e veja o comentário no blog. Você pode procurar o que assistir de acordo com seu estado de espírito e acerta na escolha. A ideia é que você não se decepcione: escolher um filme para se emocionar, quando o que você queria era se divertir, pode deixar você frustrado. Aproveite o garimpo na locadora e bom filme!
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Mostra de SP/2010:
Hanami – Cerejeiras em Flor, de Doris Dörrie (Alemanha)
Além da Estrada, de Charly Braun (Brasil/Uruguai)
Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami (França)
José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes (Portugal)
Minhas Mães e Meu Pai, de Lisa Cholodenko (EUA)
Lixo Extraordinário, Lucy Walker, João Jardim, Karen Harley (Inglaterra/Brasil)
Mostra de SP/2011:
1. Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, Beto Brand Renato Ciasca (Brasil)
2. As Neves do Kilimanjaro, de Robert Guediguian (França)
3. O Garoto da Bicicleta, Jean-Pierre e Luc Dardenne (Bélgica)
4. O Palhaço, de Selton Mello (Brasil)
5. Homens e Deuses, de Xavier Beauvois (França)
6. Tudo Pelo Poder, de George Clooney (EUA)
Brasil, 2012 (84 min)
Muito além do peso, da diretora Estela Renner (leia entrevista), trata de vários extremos. O principal, é o peso, o excesso de gordura que as crianças carregam (33% das brasileiras estão acima do peso), que acarreta em doenças antes típicas do corpo adulto, como a diabetes, hipertensão, trombose, depressão, problemas respiratórios. Mas o interessante também é reparar em todos os outros excessos ligados a esse primeiro, típicos da vida atribulada, corrida e concorrida que levamos.
O argumento é praticamente o mesmo. Não temos tempo: tem-se menos controle sobre o que as crianças comem. Não temos tempo: prima-se pela comida rápida, instantânea, processada. Não temos tempo: é a desculpa para delegar para a escola. Não temos tempo: formamos crianças sem instrução sobre a importância dos alimentos, do cuidado com a saúde. Não temos tempo: a publicidade é quem escolhe aquilo que entra na nossa casa. Consumimos inconsciente e desmedidamente; não há reflexão, mas imediatismo. Concorremos com o outro; consumo de alimentos é ligado ao status, poder, posse, posição social. Desesperador. Um bombardeio de informações, na contramão do que é uma alimentação saudável e indicada para o crescimento equilibrado da mente e do corpo das crianças.
Considerada a maior pandemia de todos os tempos, a obesidade atinge todos os continentes, sem exceção. Interessante o recorte que Estela faz do assunto, sem ser professoral. Num tom de informalidade, estabelece uma relação próxima com seus entrevistados, conseguindo declarações preciosas das famílias que participaram do documentário. E deixa claro o pouco que se sabe sobre o valor dos alimentos, sobre a qualidade daquilo que está sendo ingerido dentro de casa.
Diretora também do curta Criança, A Alma do Negócio, Estela se preocupa em passar o recado e colocar as pessoas em estado de alerta, respaldada pela opinião de profissionais brasileiros, americanos e ingleses, e de uma amostragem do Brasil todo. Intercalando entrevistas e infográficos lúdicos e informativos, Muito Além do Peso deve servir para chacoalhar pais e filhos. O que entra em casa é uma questão de parceria. Todos têm que participar. E com a linguagem escolhida, fica fácil trazer o filme, as questões e problemáticas discutidas e perspectivas para o futuro para dentro de casa. Aqui, foi assunto na sobremesa. Com frutas.
ROTEIRO: Paul Laverty
ELENCO: Paul Brannigan, John Henshaw, Gary Maitland, Jasmin Riggins, William Ruane, Roger Allam, Siobhan Reilly
Inglaterra, 2012 (101 min)
Humor inglês. Faz rir com sutilezas. E Ken Loach acerta quando fala dos anjos – aqueles que estendem a mão, o mais improvável dos improváveis ganha proporção de anjo quando se trata de mudar a vida de alguém. Parece até que fala com conhecimento de causa. Deixa explícito com graça e leveza que são esses anjos que aparecem e fazem a diferença; são esses anjos que merecem a parte da recompensa por terem simplesmente acreditado.
Também diretor de À Procura de Eric e Rota Irlandesa (nos cinemas), Ken Loach levou o Prêmio do Júri em Cannes por A Parte dos Anjos. É delicado e original. Começa reunindo uma turma um tanto quando diferente. Todos julgados por pequenos delitos, recebem pena de trabalho comunitário. Tudo correria como sempre se não fosse Robbie (Paul Brannignan) e suas confusões. Prestes a ser pai, não é aceito pela família da sua namorada, vive apanhando e precisa
encontrar uma maneira de ganhar dinheiro para começar a vida em outro lugar. Quem estende a mão (de anjo) é o assistente social encarregado da turma, que abraça a causa, simpatiza-se com os garotos e acaba proporcionando momentos de lazer extraoficiais. Um deles em uma destilaria de uísque, onde será leiloado um exemplar raríssimo da bebida, que vai despertar em Robbie ideias geniais.
Das ideias geniais, muito humor. Fino, delicado. O quarteto diverte a plateia com suas conversas e confusões, sem que para isso seja preciso cair no pastelão. Nem de perto. Loach faz com classe e coloca a amizade e a gratidão num patamar alto, mais alto do que o barril de uísque comprado por mais de 1 milhão de libras. Ou melhor, tira o rótulo e a etiqueta. Alguns têm razão quando dizem que tem coisas que não têm preço.
ROTEIRO: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm
ELENCO: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrom, Susse Wold, Anne Louise Hassing, Lars Ranthe, Alexandra Rapaport, Ole Dupont
Dinamarca, 2012 (115 min)
Thomas Vinterberg é parceiro de Lars Von Trier em um projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme tem que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deve ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir.
Deve ser porque retrata os dramas humanos, seus e meus, como ele realmente são. Intensos, cruéis, traiçoeiros, surpreendentes. A Caça lida com isso, com mazelas, das mais humanas. A injustiça, o julgamento, a traição. Lucas (Mads Mikkelsen, também em Depois do Casamento, Coco Chanel & Igor Stravinsky, vencedor de melhor ator em Cannes por este filme) é professor da educação infantil, acaba de divorciar-se e está em plena delicada negociação com a ex-mulher a respeito da guarda do filho adolescente. O ambiente é amigável, uma pequena cidade dinamarquesa em que todos se conhecem. É de repente que surge um boato e a vida de Lucas vira do avesso. Suas conduta é questionada, suas relações mais íntimas e duradouras são colocadas em dúvida. Verdade ou mentira, fato é que Vinterberg traz à tona e faz questão de ressaltar a capacidade humana do pré-julgamento e todo o perigo que vem junto com ele.
De uma intensidade ímpar, de uma profundidade cortante. Por ser real. Tem muito do cinema conterrâneo de Susanne Bier, como seu Em Um Mundo Melhor e Depois do Casamento. E de uma angústia que fica e que seguiu comigo até depois que o filme terminou, sobre a proporção que o ressentimento ocupa dentro das pessoas. E do que isso é capaz.
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PROGRAME-SE: Para mais informações sobre horários e salas, clique aqui.
ROTEIRO: Leis Bagdach
ELENCO: Uwe Kockisch, Corinna Kirchhoff, Anjorka Strechel, Jocob Diehl, Andreas Leupold, Anne Müller, Irina Potapenko, Anjorka Strechel
Alemanha, 2012 (92 min)
Impossível não lembrar de Estamos Todos Bem, o original italiano com Marcello Mastroianni, e da adaptação americana com Robert De Niro, Estão Todos Bem. A cena do pai deslocado e distante que sai de casa para visitar os filhos que, já adultos e teoricamente responsáveis por suas vidas, moram em outras cidades, é a marca desses filmes. Mas não só isso. O que marca é o distanciamento da família com o passar do tempo, a indiferença que camufla a frustração e a tristeza de ter a família afastada, o tempo que passa e nem nos damos conta. Será que não é tempo de agir, lavar a roupa suja e juntar aquilo que um dia foi chamado de “família”?
Jakob, pai de três filhos que moram em Berlim e já não vê há anos, resolve visitar os filhos para lhes contar algo importante. Chega de surpresa e, claro, pega todos despreparados para uma visita tão inusitada. Nas conversas e encontros, o único em comum são mágoas, situação mal resolvidas no passado, palavras não ditas e muito sentimento não demonstrado. Diante da dificuldade da nova situação financeira, as mentiras, podres, traições veem à tona e são o gatilho para a crise que viria mais cedo ou mais tarde.
Simples e singelo, o filme Os Visitantes têm esse nome porque é isso que os filhos achavam que seu pai era: um visitante dentro de casa, alguém isolado, ausente e indiferente. E visitantes eles também se tornaram, não só na vida dos familiares, mas nas suas próprias. Bonita visão dessa difícil relação familiar, que vai criando particularidades que o tempo aguça e trata de enrijecer cada vez mais. Bonita visão do olhar externo, da namorada que se sente sim confortável, acolhida. Mais uma amostra de que a sujeira colocada debaixo de tapete durante a vida causa mágoas difíceis de serem esquecidas. Cuidar. Juntar forças. Talvez sejam essas a palavra de ordem que aparecem nas cenas finais. Dizem que os amigos são a família que escolhemos. Eu diria que a família são os amigos em potencial que recebemos de bandeja.
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PROGRAME-SE: para mais informações sobre horários e datas, clique aqui.
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