De 2 a 29 de dezembro, o Cinesesc (Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César – São Paulo – (11) 3087-0500) faz a tradicional retrospectiva completa dos filmes nacionais lançados entre novembro de 2010 e novembro de 2011. É uma oportunidade maravilhosa de rever ou assistir a filmes ainda inéditos em DVD, por somente R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia).
Segue a programação da segunda semana, de 16 a 22 de dezembro. O Cine Garimpo atualiza semanalmente a lista dos filmes que serão exibidos, com os respectivos links para o comentário que está no blog. Bom garimpo!
PROGRAME-SE:
Sexta-feira, 16 de dezembro
15h – Estrada Real da Cachaça
17h – Cilada.com
19h – Belair
21h – O Palhaço
Sábado, 17 de dezembro
15h – Mamonas pra sempre
17h – Rock Brasília – Era de Ouro
19h – Assalto ao Banco Central
21h – Capitães da Areia
Domingo, 18 de dezembro
11h – Palavra Cantada – Shows Brincadeiras Musicais
15h – Família Braz – Dois Tempos
17h – Os Monstros
19h – Elza
21 – Lixo Extraordinário
Segunda-feira, 19 de dezembro
15h – Inversão
Terça-feira, 20 de dezembro
15h – Marcha da vida
17h – Família Braz – Dois Tempos
19h – Corpos Celestes
21h – Filhos de João, Admirável Mundo Baiano
Quarta-feira, 21 de dezembro
15h – Acácio
17h – As Doze estrelas
19h – Lope
21h – Top Models – Um Conto de Fadas Brasileiro
Quinta-feira, 22 de dezembro
15h – Assim é se lhe parece (Sessão Gratuita)
17h – Transcendendo Lynch
19h – Lixo Extraordinário
21h – Bróder!

De 2 a 29 de dezembro, o Cinesesc (Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César – São Paulo – (11) 3087-0500) faz a tradicional retrospectiva completa dos filmes nacionais lançados entre novembro de 2010 e novembro de 2011. É uma oportunidade maravilhosa de rever ou assistir a filmes ainda inéditos em DVD, por somente R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia).
Segue a programação da segunda semana, de 9 a 15 de dezembro. O Cine Garimpo vai atualizar semanalmente a lista dos filmes que serão exibidos, com os respectivos links para o comentário que está no blog. Bom garimpo!
PROGRAME-SE:
Sexta-feira, 09 de dezembro
15h – Transeunte
17h – Tancredo – A Travessia
19h – Ex Isto (Sessão Gratuita)
21h – Trabalhar Cansa
23h – Rock Brasília – Era de Ouro
Sábado, 10 de dezembro
15h – Transcendendo Lynch
17h – Diário de uma Busca
19h – Qualquer Gato Vira-Lata
21h – Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano
23h – Vida sobre rodas
Domingo, 11 de dezembro
11h – Brasil Animado (CineClubinho)
15h – Amor?
17h – Vips, Histórias Reais de um Mentiroso
19h – Elvis & Madona
21h – Belair
Segunda-feira, 12 de dezembro
15h – Solidão e Fé
17h – Malu de Bicicleta
19h – Família Vende Tudo
21h – José e Pilar
Terça-feira, 13 de dezembro
15h – O Mineiro e o Queijo
17h – Meu Mundo em Perigo
19h – No Olho da Rua
21h – O Samba que Mora em Mim
Quarta-feira, 14 de dezembro
15h – 4xTimão – A Conquista do Tetra Corinthiano
17h – Morro do Céu
19h – Os Residentes
21h – Todo Mundo tem problemas sexuais
Quinta-feira, 15 de dezembro
15h – Estrada para Ythaca
17h – Daquele Instante em Diante (Sessão Gratuita)
19h – Morro do Céu
21h – 4xTimão – A Conquista de Tetra Corinthiano
A 35a Mostra Internacional de Cinema termina oficialmente hoje. Mas por causa dos problemas técnicos durante essas duas semanas, que prejudicaram a exibição de alguns filmes, a organização do evento fará uma “repescagem” longa, que dura até dia 10 de novembro, quinta-feira. Acompanhe a programação extra no site da Mostra.
Abaixo está a relação dos filmes vistos e publicados até o momento, com seus devidos links. Começo a lista com os meus favoritos, com aqueles que eu acho que valem o seu precioso tempo, o deslocamento, o ingresso e a principalmente a sua atenção. Filmes que têm outro olhar, que despertam sentimentos fortes, engraçados, emocionantes, que levam você para outro universo, outra cultura, ou que simplesmente vão diverti-lo. Bom garimpo!
O Garoto da Bicicleta – Bélgica
Las Acacias – Chile
O Palhaço – Brasil
As Neves do Kilimanjaro – França
As Canções – Brasil (documentário)
Habemus Papam – Itália
Teus Olhos Meus – Brasil
Late Bloomers – O Amor não tem fim – Inglaterra/França
Se não nós, quem? – Alemanha
Uma Longa Viagem – Brasil
Eu, você, os outros – França
O Futuro - EUA
Por que você está chorando? – França
Acorazado – México
Sergei Paradjanov – O Rebelde – França/Geórgia
O Som do Amor - Índia
Apenas uma noite - EUA
Era uma vez na Anatólia – Turquia
Irmãs jamais - Itália
ROTEIRO: Nuri Bilge Ceylan, Ebru Ceylan
ELENCO: Muhammet Uzuner, Yilmaz, Erdogan, Taner Birsel, Firat TAnis, Ercan Kesal, Ahmet Mumtaz Taylan
Turquia, 2011 (157 min)
Demorei alguns dias para sentar e escrever sobre este filme, que tem mesmo o ritmo de era uma vez… Lento, ritmo de prosa sem pressa, de prosa que enaltece a paisagem várias vezes, que fala de sua beleza, de sua imensidão, do que os personagens pensam, sentem, sem que o enredo propriamente dito se desenrole. Muito aguardado na Mostra de Cinema, este é um filme do diretor turco Nuri Ceylan, também de Climas – assisti e não sei por que razão acabei não escrevendo sobre ele. Agora entendo o tamanho do desconforto que seus filmes causam. Desta vez não tenho escapatória senão dar minha opinião sobre Era Uma Vez na Anatólia, como escapei, furtivamente, de Climas.
Não vou tentar explicar, mesmo porque não acho que se trata de entender, mas de sentir o filme. O desconforto que produziu em mim está em vários aspectos. Primeiramente, e mais óbvio, no ritmo. Lento, cansativo, não tem a pressa, preenche seus 157 minutos quase em tempo real – modo de dizer, mas juro que é essa a sensação. Sendo que os primeiros 70 minutos se passam no escuro. Sim, é noite, um grupo composto de policiais, um promotor, um médico, dois coveiros e um criminoso percorrem as colinas desertas e inóspitas da Anatólia atrás do corpo da vítima. Só que tudo parece prosaico, tem diálogos inteligentes (embora o filme prime pelo silêncio) e não há clima de mistério, mas de rotina. Conversam sobre seus males, família, mazelas, expectativas.
A outra metade se passa na cidade, no necrotério onde é feita a autópsia do corpo, onde a esposa reconhece o defunto, onde os procedimentos de registro, documentação e causa da morte são feitos sem rigor, assim como se faz qualquer outra coisa que se tenha escolha. O essencial no filme não são os procedimentos, mas sim as sensações, as impressões, as experiências, as dores humanas.
Portanto, continuo sem qualquer conclusão sobre o filme. Se o objetivo era incomodar, tirar o espectador do imediatismo do enredo que tem começo, meio e fim, e colocá-lo na seara das sensações, conseguiu. A estranheza de uma semana atrás foi se dissipando no decorrer dos dias e agora, confesso, que admiro vários elementos e ousadias ali presentes. Que é um primor em termos de paisagem, fotografia, essência humana, isso é. Mas é também uma mostra inquestionável da capacidade desse diretor de separar o joio do trigo, ou seja, não cair na armadilha de contar uma história, sem que ela fosse importante. Ele quer falar sobre pessoas e consegue fazer com que o enredo não seja essencial na sua forma, mas no seu conteúdo e na sua linguagem cinematográfica. Acho que agora entendo um pouco mais o ritmo de Climas, lento, contemplativo – um retrato da alma humana em suas perturbações. Vou rever e vencer a barreira. Fiquei devendo essa.
DIREÇÃO E ROTEIRO: Miranda July
ELENCO: Miranda July, Hamish Linklater, David Warshofsky
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Alemanha, Estados Unidos, 2011 (91 min)
O futuro de ponta-cabeça – gostei do cartaz do filme. Aliás, que futuro? Que perspectiva? Quais são os planos? Nenhum, a não ser adotar um gato. E ao se deparar com essa mudança no futuro próximo, que chega em 30 dias, o casal Sophie (Miranda July, também a diretora) e Jason perde o chão. Será que conseguirão lidar com tamanha responsabilidade? Fará sentido continuar fazendo um trabalho sem graça, que não gostam, diante dessa mudança tão importante que está para acontecer? Antes de chegar o gato, que mudará suas vidas para sempre, é preciso aproveitar, correr atrás do sonho, desligar a internet, porque depois disso tudo estará acabado.
Este é o panorama irônico de O Futuro, logicamente mostrando um casal acomodado ao extremo para causar estranheza. Eles próprios são estranhos – vivem sem entusiasmo, tomam decisões sem pensar, se precipitam justamente quando a causa pede calma. Fazer a diferença no mundo particular de cada um pede calma e determinação. Mas Sophie e Jason não sabem o que querem: se dançam, ou se compram árvores para salvar o planeta; se fazem o tempo parar para não se perder ou não perder o outro, ou se correm para os braços do primeiro que abrir as portas. Interessante o retrato da relação que não se sustenta, que não se relaciona, que vive no imaginário irreal, na espera vazia. Apenas vive, cada um no seu mundo virtual, sem comunicar-se realmente, sem compartilhar sonhos, sem ambicionar construir.
O Futuro vale ser visto, mesmo porque tem figuras de linguagem e metáforas extremamente profundas, que chegam a incomodar. A da solidão interior, do vazio, da falta de auto-conhecimento, da falta de perspectiva, da falta de garra e vontade – motores fundamentais para uma vida ser vivida. Metáfora dos tempos atuais, em que o medo paralisa, em que o rigor das convenções e expectativas engessa iniciativas e quebra de paradigmas? Também acho que sim. Fato é que, ao sair dessa sessão da Mostra, notei que as pessoas perguntavam aos amigos se tinham entendido bem tal e tal parte do filme. Pelo que senti, era isso que Miranda July queria despertar: o desconforto, a incerteza diante de um comportamento, para gerar reflexão, para deixar sentir a história de acordo com o repertório de cada um.
E o gato? Bem, o gato faz parte desse contexto sempre inacabado da vida do casal, ilusório, cheio de intenções, mas nunca concluído. Difícil sair da zona de conforto…
ROTEIRO: Audrey Estrougo, Juliette Sales
ELENCO: Leïla Bekhti, Benjamin Siksou, Cécile Cassel, Marie-Sohna Condé, Chantal Lauby
França, 2010 (87 min)
Divertido, com toque de musical para ilustrar e dar leveza a duas histórias paralelas – que, obviamente, acabam se entrelaçando. Uma delas é a questão dos imigrantes ilegais na França, vindos das antigas colônias do norte da África; a outra, um romance entre um jovem sem objetivos, acomodado, de uma família rica parisiense e Leila (Leïla Bekhti, também em O Profeta, Paris – Eu Te Amo), uma estudante de Direito, de origem árabe, bastante ativa na questão da regularização dos ilegais.
Não há um tom político forte, muito embora seja explícita a questão da morosidade e da falta de vontade política de regularizar os papéis de milhares de famílias que moram, trabalham e estudam no país. Nem predomina o tom social, embora também toque nesse ponto da mistura de raças e origens sociais, numa França (e numa Europa) multirracial, com diferenças de classes evidentes, assim como estilos de vida – em Paris e na periferia. O que predomina é a questão emotiva: a escolha que Gab, o garoto rico, faz pela menina simples que é Leila, deixando de lado o bom partido que é sua noiva, e a amizade, já que há um movimento de defesa por aqueles que sofrem com a falta de assistência e com a burocracia da imigração.
Gostei da opção da diretora de intercalar canções francesas famosas (a que me ocorre agora é Et Si Tu N’existais Pas), com dança e interpretação. Uma história leve, quase uma fábula. Sem falar no sempre lindo cenário que a Cidade Luz proporciona.
1 nov / 15h40 - ESPAÇO UNIBANCO AUGUSTA
* Sala 3
Rua Augusta, 1475, Cerqueira César / CEP: 01305-100 / TEL.: 3288-6780.
3 nov / 15h00 - CINEMATECA
* Sala PETROBRAS
Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino / CEP: 04021-070 / TEL: 3512-6111.
ROTEIRO: Nanni Moretti, Francesco Piccolo, Federica Pontremoli, Jerzy Stuhr,
ELENCO: Michel Piccoli, Nanni Moretti, Jerzy Stuhr, Renato Scarpa, Franco Graziosi, Camillo Milli, Roberto Nobile, Marguerita Buy
Itália, 2011 (104 min)
Qualquer um de nós, independente de crença ou religião, gostaria de ser uma mosca para saber o que se passa dentro das paredes do Vaticano. Na rotina, na tomada de decisão, nos relacionamentos, na política. Ainda mais se o momento for de eleição do novo papa. No conclave dos cardeais, eles se reúnem a sete chaves, escrevem seu voto e ficam incomunicáveis com o mundo exterior, até que seja anunciado no balcão da Praça São Pedro: Habemus Papam! Esse é o ponto central do novo longa de Moretti (também dos ótimos O Quarto do Filho, Caos Calmo, Caro Diário): temos papa, mas parece que ele próprio não está convencido disso.
Haveria inúmeros temas a serem explorados – nesses 2 mil anos de história, fatos é que não faltam para ilustrar, criticar, reverenciar os feitos da Igreja Católica. Acho inclusive que o mais fácil seria uma crítica ferrenha, tendo em vista as dificuldades de angariar novos fiéis, a concorrência dos outros credos, as denúncias e tudo mais. E é justamente isso que eu mais gosto no filme: a escolha de Nanni Moretti pelo retrato do papa enquanto homem, com fraquezas, dúvidas, ansiedades, medos como qualquer um de nós, sem juízo de valor à pessoa, nem ao religioso. Ao deparar-se com a missão de ser o novo chefe da Igreja, mentor espiritual de mais de um bilhão de pessoas no mundo todo, o novo eleito entra em desespero e o Vaticano toma a decisão de contratar um terapeuta, personagem do próprio Nanni Moretti, para desatar o nó.
Aqui entra a magia do filme, quando Nanni Moretti opta pela graça e pelo humor inteligente, e não pela ironia, acusação ou desprezo. Nada disso. Como terapeuta, ele levanta questões de caráter humano, próprio de todos nós que sentimos, amamos, escolhemos, detestamos, fazendo graça inclusive com situações da sua vida (no filme) com a ex-mulher também psicanalista. Questiona os protocolos e dogmas da Igreja com sutileza, embora explicitamente – me fez rir sem ofender – e retrata os dias de reclusão dos cardeais, a espera do anúncio do novo papa, como pessoas normais, com manias, hipocondria, preleções, habilidades e defeitos.
Exibido na Mostra Internacional de Cinema em outubro do ano passado, os espectadores se divertiram e de quebra levaram pra casa uma discussão interessante sobre essas pessoas “escolhidas”, seja político, líder religioso, chefe de estado, que têm a função inglória de representar e liderar, atender às expectativas e convencer o rebanho de que aquele discurso vale quando pesa.
DIREÇÃO: Julie Gravas
ROTEIRO: Julie Gavras, Olivier Dazat
ELENCO: Isabelle Rossellini, William Hurt, Joanna Lumley, Simon Callow, Dorren Mantle, Kate Ashfield, Aidan McArdie, Arta Dobroshi, Luke Treadaway
França, Bélgica, Inglaterra, 2010 (95 min)
A diretora do belo, delicado e bem humorado A Culpa é do Fidel repete a dose em Late Bloomers – O Amor não tem Fim. Agora não é mais através do olhar de uma menina que conhecemos a história, mas sim do olhar de um casal na terceira idade, que enfrenta dificuldades ao se dar conta que os anos passaram.
Juntos há mais de 30 anos, Mary (a sempre linda Isabelle Rossellini) e Adam (William Hurt, também em Robin Hood, Syriana) têm uma relação saudável e rica, três filhos nas costas e uma vida de lembranças felizes. Mas enfrentam a chegada da casa dos sessenta de forma distinta. Enquanto Mary tenta se envolver com trabalho voluntário, passa a fazer exercícios por recomendação médica, mas não quer ser considerada uma ‘senhora’, Adam envolve-se em um novo projeto de arquitetura com jovens do seu escritório, muda o visual para algo mais jovem e não assume que realmente os tempos passaram e que é preciso mudar para continuar.
A passagem do tempo é mostrada de forma leve, com crises bem humoradas, mas também com reflexão. Onde cabe um casamento de mais de 30 anos nesse contexto? A história de que é preciso de fato casar-se várias vezes com a mesma pessoa para que a relação siga em frente é fato no filme. Reinventar-se, encontrar a beleza de cada fase, olhar com orgulho os projetos realizados e desejar continuar junto. Tarefas demais, que dão trabalho. Preciso dizer também que não gosto desse subtítulo em português, mesmo porque ele mata descaradamente a sutileza do título original, Late Bloomers, que é carregado de significado, totalmente condizente com o contexto do filme. O termo “late bloomers” faz alusão ao florescimento tardio, ao desabrochar de alguma habilidade, capacidade, conhecimento depois do esperado. Neste caso, é o desabrochar para uma nova fase, o renascer de um amor que sempre existiu, sem que para isso seja preciso ser jovem. Bonito e delicado. Uma homenagem aos casamentos que sobrevivem ao tempo e às diferenças.
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