cinegarimpo

mistério

INFERNO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Ação - 16/10/2016

Recentemente Tom Hanks apareceu impecável na tela. Maduro, fez A Ponte dos Espiões e Capitão Phillips – ambos irretocáveis. Logo mais vem com Sully: O Herói do Rio Hudson, possível ganhador de vários prêmios na temporada 2017. Com tantos projetos e tanto talento, Inferno é totalmente dispensável.

Adaptado do livro de Dan Brown, Hanks é Robert Langdon, o mesmo personagem de O Código Da Vinci e Anjos e Demônios. Mais do mesmo: uma charada, um romance e muita correria pelas  lindas cidades européias. Não vi nenhum dos dois e, se eu fosse você, com tanto filme bom passando, garimpava outro por aqui.

 

DIREÇÃO: Ron Howard ROTEIRO: David Koepp, Dan Brown ELENCO: Tom Hanks, Felicity Jones, Sidse Babett Knudsen, Irrfan Khan | 2016 (121 min)

Sem Comentários » TAGS:  
O HOMEM IRRACIONAL – Irrational Man
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para se Divertir, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 27/08/2015

Quando este filme foi apresentado em Cannes, acompanhei a entrevista coletiva por causa da figura do Woody Allen. Não tem papa na língua, diz o que pensa; espirituoso e irônico, quase sempre. O que eu mais gostei foi quando um jornalista brasileiro perguntou se ele já tinha pensado em matar alguém, já que em seus filmes os assassinatos – ou o desejo de assassinar – estavam invariavelmente presentes. “Claro”, disse Woody, “inclusive enquanto você fazia essa pergunta”.

Essa é a marca do diretor: ser direto, sem rodeios, sem rabo preso, sem obrigação de agradar. Sempre permeados pelos conflitos e questionamentos humanos, seus filmes são, segundo ele, um retrato da realidade que sempre existiu, independente da época. Se gosta de retratar o momento de crise moral em que vivemos, em que a depressão assola a humanidade, em que maridos e esposas se alimentam da traição? Mas quando é que foi diferente? O Homem Irracional é um recorte de uma decisão aparentemente sem sentido, fora dos padrões socialmente aceitos, mas não tão diferente das decisões tolas e inconsequentes que tomamos para sobreviver todos os dias.

Interessante esse raciocínio. O filme conta a história de um professor de filosofia (Joaquin Phoenix, também em Era Uma Vez em Nova York, Ela, Amantes), que está deprimido, sem motivação para viver, a ponto de arriscar puxar o gatilho numa roleta russa. Envolve-se com uma mulher casada, desperta o interesse de uma jovem aluna (Emma Stone, também em Birdman, Magia ao Luar), mas nada devolve a sua vontade de seguir vivo. Até que ouve uma conversa, se intromete onde não foi chamado, resolve cometer um asssassinato e sente-se novamente na ativa com a ideia de ter, finalmente, um objetivo. “Há momentos decisivos na vida de uma pessoa em que ela percebe que algo importante pode acontecer se fizer a escolha certa”, disse Allen na coletiva de Cannes. “Neste caso, a escolha que Joaquin faz é irracional, mas nem tanto, considerando as opções que fazemos em nossas vidas. As pessoas precisam de algo para acreditar, têm que escolher se suas vidas são significativas ou não, escolhem religiões, por exemplo, o que é irracional. Acreditam que se forem boas pessoas, morrerão e irão pro céu, onde viverão para todo o sempre – o que não é menos maluco do que aquilo que Phoenix pensou: que se cometesse aquele ato, sua vida voltaria a ter sentido.”

Adorei mais este Woody Allen. É como uma comédia do absurdo. Os personagens vão narrando seus sentimentos em off e a gente vai viajando com eles nas maluquices humanas. Woody Allen é muito honesto com nossa raça: não doura a pílula, mostra claramente que ela faz escolhas agonizantes e é isso que as pessoas querem ver. É um espelho. Assim como é um espelho do nosso comportamento ambíguo e equivocado o retrato feito em Match Point e Blue Jasmine. Coisa de gênio.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Woody Allen ELENCO: Emma Stone, Joaquin Phoenix, Parker Posey | 2015 (95 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
O VENDEDOR DE PASSADOS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 25/05/2015

O Vendedor de Passados começa bem – considerando inclusive o trailer. É instigante, sugere que haverá um mistério interessante na figura da enigmática personagem de Alinne Moraes e prende a atenção. O que acontece com o filme depois que a trama se desenrola, você é que vai julgar. Não vou ser estraga-prazer. Mas ficou uma pontinha de…

Seja lá o que for, ficou uma pontinha. E isso tem lá seu lado bom. Por mais que se tenha uma expectativa xis de um filme e ela não se realize, pelo menos essa “pontinha” sugere algo a mais. O Vendedor de Passados, baseado na obra literária homônima do angolano José Eduardo Agualusa, tem, logo de saída, uma boa proposta: Vicente, vivido por Lázaro Ramos (também em Sorria, Você Está Sendo Filmado) é um sujeito habilidoso e criativo, um verdadeiro contador de histórias. Seus clientes são pessoas que querem mudar seu passado. Ele recebe o briefing e inventa uma nova trajetória passada para aquela pessoa, manipulando fotos e vídeos. Tudo sob controle até que surge a misteriosa Clara (Alinne Moraes, também em Tim Maia, Heleno). Ela também quer um passado novo, mas faz um pedido inusitado: precisa ser uma história em que ela cometeu um crime.

Sem saber absolutamente nada da moça, Vicente trabalha para criar uma história com antecedentes, parentes, viagens, fotografias da infância e tudo mais o que permeia e recheia a nossa memória. Segundo Lázaro na entrevista coletiva, ele mesmo é um sujeito apegado a peças antigas. “Eu tenho uma relação com a passagem do tempo muito grande, ainda reclamo da reforma do Maracanã. Ainda tenho coleção de moeda e selo e a aproximação afetuosa com objetos antigos eu busquei em mim mesmo”, alega. Essa parte parece ter sido fácil, criar o que é palpável. “O difícil foi criar um passado que não se vê no filme, aquele que fica em suspense, que o espectador não conhece e nem nós conhecemos sobre Clara”, diz o diretor Lula Buarque de Hollanda.

E é desse passado que surge a relação entre Vicente e Clara. Do passado invisível, “aquele que não está no filme, que alimenta os olhares, os movimentos. Para um filme que brinca com gêneros e tem valor simbólico muito forte”, revela Lula. “Cada imagem documental traz uma sensação e pode trazer ao público outros sentimentos. O passado é aberto, o presente é aberto. O público pode construir como quiser.” E é desse passado que ficou aquela pontinha… de curiosidade? Ou frustração?

Fiquei curiosa para ler a obra do escritor angolano. Do jeito que falaram na entrevista, deve ser interessante do ponto de vista da criação de passados em Angola, após a guerra civil, naquela caos social. Fico imaginando a quantidade de gente que queria ser outra pessoa. E esse é o tema que mais me interessou no filme, depois que o assunto veio à tona na entrevista. Quando falamos de mudança de identidade, penso logo nessa nova era em que vivemos, em que é possível criar um perfil falso e ser quem você não é; em que as pessoas se expões a torto e a direito nas redes socias – também para parecer ser e ter o que não são, nem têm (como se isso importasse…); em que as pessoas mergulham sem parar em procedimentos e cirurgias plásticas, tão infelizes que estão com seus corpos e mentes; em que a crise de identidade é geral.

Agora, o que mais me choca: ainda tem gente que vê um ator negro na mesa da coletiva de imprensa e pergunta como foi, pra ele, fazer o papel, como ele se preparou; ainda tem jornalista que vai entrevistar um ator que fez papel homossexual e ainda pergunta o que ele fez para se encarar o personagem. Ter um negro no elenco ou um homossexual no roteiro não quer dizer que esse é o tema do filme! Caramba! Será que ainda não passamos dessa fase. Isso também foi dito em Cannes por  Emmanuelle Bercot, diretora do filme de abertura, quando lhe perguntaram como ela se sentia em ser mulher e ter seu filme escolhido para abrir o festival. O olhar dela diz tudo. “O fato de ele ter sido escolhido não tem nada a ver com o fato de eu ser mulher.”

Ponto.

 

DIREÇÃO: Lula Buarque de Holanda ROTEIRO: Isabel Muniz ELENCO: Alinne Moraes, Lázaro Ramos, Odilon Wagner, Mayana Neiva, Anderson Muller | 2015

 

 

Sem Comentários » TAGS:  
ANTES DE DORMIR – Before I Go to Sleep
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Inglaterra, Garimpo na Locadora - 28/01/2015

Não é dos suspenses de tirar o fôlego, mas confesso que achei instigante. Logo de cara percebemos que algo está fora do lugar, que as coisas não são o que parecem ser, mas só vamos descobrir o que não se encaixa bem no desfecho. Não tem nada óvbio, nem evidente, apenas desconfianças – e isso é bom. O casal Nicole Kidman e Colin Firth repete a parceria de Uma Longa Viagem e voltará a atuar em Genius, ainda em filmagem.

E eles, de fato, têm liga. Christine (Nicole) sofre de amésia e todos os dias de manhã precisa ser lembrado por seu marido Ben (Firth) onde está, quem é e por que não consegue se lembrar de nada. Através de um painel de fotos do casamento, de viagens e outras situações vividas pelo casal, Christine se situa e vive mais um dia confuso. Mas algo não se encaixa e a gente, do lado de cá da tela, sente um leve mistério no ar.

Claro que paro por aqui para não ser estraga-prazer. O trailer dá uma ideia do clima do filme, mas tudo começa a ficar mais estranho e instigante quando Christine vai fazer terapia com o tal Dr. Nash (Mark Strong). Fique de olho e deixe-se levar pelo filme. É um bom entretenimento e, pelo menos eu, fiquei surpresa com o final.

 

DIREÇÃO: Rowan Joffe ROTEIRO: Rowan Joffe, S.J.Watson ELENCO: Nicole Kidman, Colin Firth, Mark Strong | 2014 (92 min)

Sem Comentários » TAGS:  
SEGREDOS DE SANGUE – Stoker
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama - 27/09/2013

Cada vez mais gosto de atores e atrizes que se encaixam em projetos independentes, com linguagens fora do padrão e proposta desgarrada do circuito blockbuster. Não só é um sinal de versatilidade técnica, mas também temática. Quem dirige é o sul-coreano Chan-Wook Park, que faz aqui o seu primeiro filme em inglês, carregando a sua  marca da violência, mas que habilmente é mesclada com uma linda fotografia, a começar pelas primeiras cenas dos créditos.

Claro que isso não torna o filme menos violento na sua essência, mas a escolha dos atores e o roteiro faz com que a violência seja parte integrante dos Stoker – essa família excêntrica e estranhíssima, que de drama migra para o suspense, para a surpresa, para o sadismo muito bem construído. Não espere um filme de suspense convencional. Segredos de Sangue é mais lento, mais contemplativo nos olhares e gestos, menos conclusivo e mais sugestivo. E é aqui que ele constrói o seu diferencial.

O que não seria possível sem atores competentes. A começar por Nicole Kidman, que mais uma vez é espetacular na sua participação em projetos diferenciados. Foi assim no incrível As Horas e em Os Outros, em que seu personagem realmente faz a diferença na técnica e na temática. A tal da versatilidade, como eu dizia. Pois então, Kidman é Evelyn Stoker, uma linda mulher que acaba de perder seu marido em um grave acidente de carro e tem que lidar com a estranha India (Mia Wasikowska, também em Alice no País das Maravilhas, Albert Nobbs, Minhas Mães e Meu Pai, Inquietos), sua única filha. Por causa da morte do marido, o tio de India, Charles (Matthew Goode, também em Match Point, Direito de Amar), vem passar um tempo com a família. Logo o desconforto se instala, espalhando uma sensação ao mesmo tempo de desconfiança, já que pouco se sabia sobre ele, e de curiosidade.

Suspense bom é aquele que o jornalista não pode passar muita informação. Cada olhar, cada objeto, cada detalhe carrega significado e isso o diretor sul-coreano sabe fazer muito bem. Com suas pinceladas fundamentais de arte, beleza plástica, fotografia, regados à crueldade e mistério. Interessante e inteligente, Segredos de Sangue deveria ter muito mais bilheteria do que vai ter. Este é um daqueles filmes em que eu colocaria a chancela do “amplie sua visão”. Pra sair do lugar comum e ver um cinema criativo.

DIREÇÃO: Chan-Wook Park  ROTEIRO: Wentworth Miller, Erin Cressida Wilson  ELENCO: Nicole Kidman, Mia Wasikowska, Matthew Goode, David Alford, Phyllis Somerville, Harmony Korine, Lucas Till, Alden Enrenreich, Jacki Weaver, Dermot Mulroney | 2013 (99 min)

Sem Comentários » TAGS:  
O MONGE – Le Moine
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França, Drama - 20/08/2012

DIREÇÃO: Dominik Moll

ROTEIRO: Mathew Lewis, Dominik Moll

ELENCO: Vincent Cassel, Déborah François, Joséphine Japy, Sergi López, Catherine Mouchet, Jordi Dauder, Geraldine Chaplin

França, Espanha, 2011 (101 min)

A culpa ganha a dimensão que nós estamos dispostos a lhe dar. Nem mais, nem menos. Essa foi a colocação mais forte desse filme, que está repleto de cenas marcantes, imponentes, pecadoras, sombrias. Claro, estamos em um mosteiro espanhol de monges capuchinos, em meados do século 17. A atmosfera escura e misteriosa é perfeita para o imprimir a força que o diretor Dominik Moll quer dar ao pecado, à culpa, à tentação. E usando a figura do ator Vicent Cassel como o monge que passa de modelo à transgressor e pecador, melhor ainda.

Não espere nada muito palatável, de fácil digestão. O Monge tem uma estrutura que enfoca o lado prático no começo, ou seja, a missão de Ambrósio como pregador, seu carisma com os fiéis, sua oratória cativante. Depois envereda para outro lado, o da tentação, da imaginação, dos sonhos, do pecado. Aí o filme ganha, além do tom sombrio, um tom de mistério, de miséria humana, de culpa, de loucura. Ouvi algumas pessoas dizendo que é forte demais. Mas esta é a intenção, provocar, passar da adoração e santidade para o estado de queda, humilhação, abandono. Chega a ser cruel.

Da minha parte, gostei da proposta do filme, da reflexão sugerida. Realmente não passa despercebido. Mas o melhor de tudo é Vincent Cassel (também em À Deriva, Cisne Negro, Um Método Perigoso). Vá preparado para algo com clima de Idade Média – embora não seja. E veja que peso você dá para a maldita da culpa. E para o pecado.

 

Sem Comentários » TAGS:  
O CORVO – The Raven
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para se Divertir, Estados Unidos - 18/05/2012

DIREÇÃO: James McTeigue

ROTEIRO: Ben Livingston, Hannah Shakespeare

ELENCO: John Cusack, Alice Eve, Luke Evans

Estados Unidos, 2012 (110 min)

 

Nos cinemas: 18 de maio

Edgar Allan Poe está na memória longínqua e restrita de quantos de nós? Imagino que de poucos. Pensando nisso, talvez fosse interessante repassar um pouco da trajetória desse poeta e escritor norte-americano, para entendermos que o filme O Corvo não é uma biografia, mas sim uma obra de ficção inspirada na morte de Poe (1809-1849), que foi um importantíssimo autor de literatura policial, com contos cheios de sangue, mistério e crimes horrendos, numa ambientação absolutamente sombria e percursora do gênero.

Aproveitando-se da sua morte misteriosa aos 40 anos, quando foi encontrado completamente fora de si em uma praça de Baltimore, escreveu-se o roteiro. Por que Poe enlouqueceu? Esse foi o gancho usado para compor a história de O Corvo, que usa os contos do escritor como peças-chave para o mistério. Na direção de James McTeigue, Poe (John Cusack) é um escritor medíocre de um jornal, que luta para publicar suas histórias e ganhar a vida. Até que começam a acontecer crimes horrendos, nos moldes daqueles imaginados pelo próprio Poe em seus contos, usados como inspiração pelo assassino. Mãe e filhas são brutalmente estranguladas, um corpo é cortado ao meio por um pêndulo gigante, um assassinato ocorre numa ópera. Tudo fica ainda mais grave com o rapto da sua namorada Emily (Alice Eve). A investigação, coordenada pelo detetive Fields (Luke Evans), precisa contar com a lógica e esperteza de Poe, que tem frescos na memória o enredo de suas histórias.

John Cusack não é lá grande coisa – mas não tem sido há tempos, vide o fraco 2012. Mas O Corvo, inspirado no nome de um de seus contos, imagino que agrade aos que gostam de suspense fantástico e de um roteiro mais mastigado. É criado o clima sombrio dos Estados Unidos de meados do século 19 e Poe vira o detetive da história juntando as peças do quebra-cabeça deixadas pelo serial killer. Tudo para chegar no paradeiro de Emily e não enlouquecer de vez.

Se for para falar de suspense recente, eu diria que gosto mesmo do roteiro de Os Homens que não Amavam as Mulheres, da série sueca Millenium, Ilha do Medo, de Scorsese, O Escritor Fantasma, de Polanski, ou Deixa Ela Entrar, do também sueco Tomas Alfredson – para citar alguns (uma busca no Cine Garimpo vai dar a você várias boas opções). Mas O Corvo fica em outra prateleira, na dos filmes que distraem. Se Poe não habitasse nossa curta e longínqua memória como imagino, talvez aproveitássemos mais as referências que o filme faz à sua obra. De qualquer maneira, traz à tona o nome do escritor e o gênero de seu talento. O que já é alguma coisa para mentes tão esquecidas.

 

COMENTE » 1 comentário TAGS:  
A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO – The Girl that Played with Fire
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Suécia, Para se Divertir, Garimpo na Locadora - 21/03/2012

DIREÇÃO: Daniel Alfredson

ROTEIRO: Jonas Frykberg, Stieg Larsson (livro)

ELENCO: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre

Suécia, 2009 (129 min)

Adoro a versão sueca da série Millennium. Mesmo agora com o lançamento nos cinemas da produção americana com Daniel Craig e Rooney Mara e tudo mais que vem junto com uma proposta grandiosa e uma boa história, continuo gostando da linguagem europeia de suspense no cinema.

Baseado na trilogia do autor sueco Stieg Larsson, que morreu sem ver e imaginar que seus livros seriam sucesso no mundo inteiro e que ganhariam esse espaço todo na telona, o segundo filme da série Millennium: A Menina que Brincava com Fogo dá sequencia ao ótimo Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Os protagonistas são os mesmos, e nem poderia ser diferente. É com base na revista Millenium do jornalista investigativo Mikael Blomkvist que toda a trama da trilogia acontece. No primeiro, tudo girava em torno do desaparecimento de uma moça há mais de 40 anos e da morte misteriosa de várias mulheres; no segundo, ainda as mulheres são o centro da investigação, mas agora o tema é o tráfico humano na Europa (tema também abordado no filme A Informante, com Rachel Weisz). No centro de tudo isso, além do jornalista e sua audaciosa equipe, está Lisbeth Salander, uma hacker bem esquisita, antissocial, com a tal tatuagem de dragão nas costas e uma porção de problemas familiares passados para resolver.

Mesmo se você não leu o livro, como é o meu caso, não se intimide. Assista ao filme, porque o suspense é bom e bem interessante. E é bacana também não ter todo o aparato hollywoodiano por trás da produção – talvez esse olhar se aproxime mais do que Larsson imaginou para os seus personagens e nos tira um pouco do formato conhecido de filmes de investigação e assassinato. Porém, é claro que é preciso assistir ao primeiro da série para entender melhor o perfil dos personagens – o que não é nenhum sacrifício e uma ótima dobradinha para o fim de semana.

 

 

Sem Comentários » TAGS:  
A PELE QUE HABITO – La Piel Que Habito
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Espanha, Drama - 13/10/2011

DIREÇÃO: Pedro Almodóvar

ROTEIRO: Pedro Almodóvar, Thierry Jonquet

ELENCO: Antonio Banderas, Elena Anaya, Jan Cornet, Marisa Paredes, Blanca Soárez, Bárbara Lennie, Fernando Cayo

Espanha, 2011 (117 min)

Sempre que assisto a um filme de Pedro Almodóvar, faço o esforço de espantar a expectativas, de me livrar dos conceitos, ideias fechadas e pré-concebidas. É um esforço que vale a pena. A possibilidade de você entrar na viagem e na trajetória da narrativa do diretor espanhol é bem maior e certamente você vai passear um universo nunca dantes visitado!

Da última vez, Almodóvar fez uma homenagem ao cinema com Abraços Partidos – com fortes semelhanças com os excelentes anteriores Tudo Sobre Minha MãeFale com Ela e Volver. Todos femininos na essência. Desta vez, o lado masculino é preponderante, na figura de Antonio Banderas como Robert Ledgard. Renomado e genial cirurgião plástico, ele mantém um centro cirúrgico dentro de sua casa em Toledo, na Espanha, e faz pesquisas para desenvolver uma pele que possa ser transplantada em pacientes queimados ou gravemente acidentados. A pesquisa transcende o meio científico e acadêmico e entra na seara pessoal, na obsessão, na cura de um passado cheio de traumas e perdas. Como tudo em Almodóvar, os elementos e personagens se cruzam de uma maneira forte, instigante e desta vez, mórbida, visceral, vingativa.

Isso parece tudo muito vago. E é, também no filme. Ao mesmo tempo em que percebemos o olhar obcecado do Dr. Roberto, não sabemos qual a sua real intenção – além de criar a tal da pele artificial. Tem uma relação de dependência com o voyeurismo (observa, controla Vera como ninguém), deixando evidente a relação de posse do corpo, da vontade, do sexo. Como sempre disseca (aqui literalmente) o lado sexual, as relações viscerais, questionando quem realmente é a pessoa que habita cada um dos corpos que vemos por aí. É quem pretende ser, quem os outros esperam que seja, quem realmente é? Tudo ainda vago, eu sei. É preciso assistir a este Almodóvar para entender. Mesmo porque, como espectador, você só vai começar a ligar os pontos depois que muita coisa já aconteceu, muita violência já ficou implícita e explícita, muita crise de identidade já se instalou na telona.

Vejo muita gente dizendo que o diretor espanhol não se renova, que o formato é sempre o mesmo. Não concordo, acho que ele imprime seu estilo, mas sabe contar histórias como ninguém. Mas tenho que confessar que A Pele Que Habito tem algo novo, menos humorado e mais maquiavélico talvez, mas não menos espetacular. Não deixa ninguém sair ileso do cinema – o que senti é algo quase visceral mesmo, uma aflição que vem das entranhas. Além de Antonio Banderas, Marisa Paredes (também em Tudo Sobre Minha Mãe) e Elena Anaya (também em Fale com Ela) estão incríveis – mas é o olhar e a loucura de Roberto que dominam o filme e conduzem o destino de Marília, Vera e Vicente (Jan Cornet). Bem à sua maneira. Eu é que não queria estar na pele deles.

COMENTE » 1 comentário TAGS:  

Próxima página »

CATEGORIAS

INSCREVA-SE PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Você também pode assinar listas específicas: