ROTEIRO:Will Beall, Paul Lieberman
ELENCO: Sean Penn, Ryan Gosling, Emma Stone, Josh Brolin
Estados Unidos, 2013
Nos cinemas: 01 de fevereiro
Mais do mesmo. Ou melhor, mais do menos. Caça aos Gângsteres me fez pensar o tempo todo em bons filmes sobre a máfia, naqueles que realmente arrepiam, metem medo e impressionam. O remédio, neste caso, sempre é rever a incansável trilogia de O Poderoso Chefão. Em seguida, outros ótimos como Os Bons Companheiros, Inimigos Públicos, Scarface, Gomorra e por aí vai. Caça aos Gânsteres mais parece uma tentativa “copy/paste”, em que se tenta desesperadamente montar um quebra-cabeça eficiente, só porque o assunto já rendeu obras-primas. Mas não traz absolutamente nada de novo.
Digo isso porque recrutar um elenco destes não é pouca coisa. Aliás, foi isso que me levou ao cinema: será que atores como Ryan Gosling (que fez tanta coisa boa ultimamente, como Tudo Pelo Poder, Drive, Namorados Para Sempre, Amor a Toda Prova), Emma Stone (Amor a Toda Prova, O Espetacular Homem Aranha, Histórias Cruzadas), Sean Penn (Milk, Aqui é o Meu Lugar, Sobre Meninos e Lobos, 21 Gramas, Jogo de Poder) não salvariam esta história requentada? Não, não salvam. Caça aos Gângsteres cansa – a começar pelo nome tolo, algo que lembra “os caça-fantasmas”. Cansa pela mesmice, tem atuação morna do sempre intenso Sean Penn, apesar de criar aquela interessante atmosfera da máfia no pós-guerra, desta vez em Los Angeles.
Quem se arrisca a falar da máfia, tem que ter uma história realmente boa. Quando o assunto já foi contato de forma memorável, como feito por Francis Ford Coppola, o que é mais ou menos fica muito sem charme. Não que máfia tenha charme, porém, verdade seja dita: até isso a família Corleone conseguiu eternizar.
DIREÇÃO e ROTEIRO: Andrew Dominik
ELENCO: Brad Pitt, Ray Liotta, Richard Jenkins, Scoot McNairy, James Goldonfini, Ben Mendelsohn, Sam Shepard
Estados Unidos, 2012 (97 min)
Com o é possível dizer que alguém vai matar outro alguém suavemente? Paradoxo. Matar está recheado única e exclusivamente de crueldade e tudo mais que você possa encontrar de sinônimos e palavras correlatas. Impossível associar a palavra “suave”. Killing Them Softly, título original, é bem escolhido em toda a sua magnitude maligna. Mata-se, mas há resquícios de piedade, compaixão, compreensão. Por isso, pelos critérios mafiosos, alguns têm o direito de morrer sem sofrer tanto assim.
Eu não ia falar, mas para bons entendedores já falei. Uma pena esta tradução brasileira. O Homem da Máfia fica só na rebarba da nuance do “matar suavemente”. A crueldade de Jackie, personagem de Brad Pitt, está muito além do fato de ele pertencer à máfia. É o vingador, o mafioso, o justiceiro, aquele que coloca ordem na casa, manda soltar e prender, mas principalmente é aquele que tem absoluta noção de que está no comando de uma máquina de fazer dinheiro. Os Estados Unidos não são um país, mas sim um negócio, diz ele. Como qualquer outro, diga-se de passagem. Enquanto o cerco aperta para o lado dos bandidos amadores que assaltam um jogo de pôquer clandestino e desestabilizam o universo mafioso de Boston, vemos na televisão o discurso dos governantes tentando consertar o estrago na economia na crise de 2008. Cada um tenta consertar sua encrenca como pode.
O filme de Andrew Dominik, que conta ainda com ótimo elenco, entre eles Ray Liotta e Richard Jenkins, lembra o estilo Tarantino (como Bastardos Inglórios) de fazer thrillers. Irônico, seco. Algumas cenas de violência que têm uma cinematografia incrível, como a bala que atinge o alvo em câmera lenta – vale a pena reparar. Mas é preciso estar disposto a ver violência nua e crua, e navegar por esse mundo implacável do salve-se quem puder. Não tem emoção. Fico embrulhada com tanto sangue, mas quando é bem feito, vale o ingresso.
ROTEIRO: Ronan Bennett, Michael Mann, Ann Biderman
ELENCO: Johnny Depp, Christian Bale, Marion Cotillard, Jason Clarke, Rory Cochrane, Billy Crudup, Stephen Dorff, Stephen Lang, John Ortiz, Giovanni Ribisi, David Wenham, John Michael Bolger, Bill Camp
Estados Unidos, 2009 (140 min)
J. Edgar Hoover, o chefão do FBI retratado no filme J. Edgar, em cartaz com Leonardo DiCaprio, e responsável pela criação da agência americana de inteligência, diz tê-la criado pra combater os inimigos públicos que aterrorizavam os Estados Unidos nos anos seguintes à Grande Depressão de 1929. Ao invés de uma investigação à moda antiga, pautada somente por evidências e testemunhas da cena do crime, J.Edgar forma e informa seus agentes para que trabalhem com rigor científico: treinamento rigoroso, coleta de impressão digitais, análises químicas de materiais e evidências, escutas telefônicas e por aí vai. Tudo isso para combater a onda de crimes, assaltos a banco e trens que assombravam a população e menosprezavam o poder público.
Os inimigos, a que se refere o tão temido chefe por quase 50 anos, está aqui protagonizado pelo ótimo Johnny Depp (também em Alice no País das Maravilhas, Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas, O Turista). Em Inimigos Públicos, Depp é o famoso e procurado John Dillinger, chefão da gangue de criminosos ousados, irônicos e extremamente perigosos, que realmente deixou as autoridades de Chicago em polvorosa nos anos 1930. Amparado por uma rede de ladrões de alto escalão espalhada por todo o território nacional, inclusive pelas prisões, faz com que Melvin Purvis (Christian Bale, também em O Império do Sol, O Vencedor), agente responsável pela captura do bandido, criasse um departamento exclusivo no FBI para investigação do paradeiro de Dillinger (aliás, a cena em que Dillinger “passeia” por essa seção da agência sem ser notado, observando toda a parafernália montada para capturá-lo, é uma das melhores).
Filmado de forma a parecer realmente sombrio e escuro, tem o aspecto claro e proposital de algo “fora da lei”. Em meio aos tiroteios, assaltos e crimes muito bem construídos, Dillinger ainda tem tempo, antes de morrer, de prometer à sua amada Billie Frechette (Marion Cotillard, também em Piaf – Um Hino ao Amor, Nine, A Origem, Meia-Noite em Paris, Contágio), que cuidaria dela. No fim das contas, o poder público elimina a rede do crime bem organizado de Dillinger, desbaratando uma das muitas gangues que se espalharam e fizeram fortunas naquelas décadas seguintes. Interessante, muito bem feito e complementar, Inimigos Públicos também mostra a própria figura de J. Edgar em situações semelhantes ao filme com DiCaprio. Vale a pena conferir as duas histórias e montar um panorama da época com filmes de ótima qualidade.
DIREÇÃO: Fernando Grostein Andrade
ELENCO: Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton, Jimmy Carter, Dráuzio Varella, Paulo Coelho
Brasil 2011 (74 min)
“Questionar a lógica da guerra às drogas não é fazer apologia, mas provocar a mudança de eixo da guerra para a paz.”
- Fernando Grostein, cineasta
“Este não é um filme de tese, é um filme de debate; não é tempo de tomar partido, é tempo de se informar.”
- FHC
Um documentário sobre drogas poderia trazer no título algo mais impactante, com palavras fortes como tráfico, armas, contrabando, ilegalidade, morte, violência, crime organizado. Afinal, pelas informações que recebemos todos os dias, está tudo intimamente relacionado. Mas não. A meu ver, muito sabiamente o título tirou o tema do linguajar militar e o transferiu para um campo comportamental, civil, familiar, educativo. Deu ao título Quebrando o Tabu um significado totalmente condizente com a mensagem que pretende passar: de que não é mais possível combater as drogas, o tráfico e a dependência com ações de guerra; que é preciso mudar a maneira de pensar o problema, quebrar o tabu que ronda o assunto e trazer a questão para discussão na sociedade civil. Ponto. Não impõe solução mágica, nem receita para resolver a questão, mas sugere reflexão, análise e aprendizado com experiências feitas em outros países.
Segundo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presente na coletiva de imprensa após a exibição do filme, não se trata de um discurso ideológico, político ou moralista. Trata-se da abertura de um debate na sociedade civil, que já percebeu por experiência própria que o combate militar às drogas não funciona. Não desta maneira com que vem sendo feita desde os anos 70, seguindo a trilha da tolerância zero norte-americana. É só a gente olhar em que situação estão as grandes cidades do Brasil. E mundo afora. Este documentário vai além da fronteira brasileira para aprender com experiências em países como Portugal, Holanda e Suíça, qual o enfoque que tem sido dado para tentar mudar a situação do dependente, do tráfico e do fortíssimo impacto e dano que eles causam na sociedade.
Depoimentos de pessoas influentes e formadoras de opinião como Bill Clinton, Jimmy Carter, Paulo Coelho, Dráuzio Varella referendam a necessidade de mudança de comportamento da sociedade em relação ao dependente para que ele não seja jogado na cadeia, mas seja devidamente tratado para ter chance de voltar à vida em família e em sociedade. Se funciona, descriminalizar o uso da maconha, fazendo com que o dependente seja tratado como paciente, e não como criminoso? Em alguns países, os índices de overdose, criminalidade, casos de AIDS diminuíram. É claro que o estado precisa fazer a sua parte e dar condições para que essas pessoas se recuperem – o que no Brasil ainda está longe de acontecer – e que o processo é extremamente complexo. Mas é preciso refletir sobre o assunto e Quebrando o Tabu quer mostrar justamente isso. Achei interessante quando Grostein falou sobre a dificuldade de conseguir partrocionadores que quisessem vincular sua marca ao tema das drogas. Só conseguiu quando já tinha algumas partes filmadas e pode exemplificar o teor da proposta. Como se vê, são muitos os tabus a serem quebrados para que se possa abordar o assunto abertamente e de forma esclarecedora.
Além de muito bem dirigido e de contar com escolhas certeiras para dar os depoimentos, o argumento apresentado é muito pertinente e, a meu ver, não é impositivo. Aliás, essa foi a posição de toda a equipe da produção do filme durante a coletiva. A ideia é somar esforços, inserir o assunto nas escolas, dentro de casa, educar para diminuir os riscos e perigos das drogas. É colocar essa nova abordagem na pauta do dia. Pelo teor e qualidade do documentário, acho que vai conseguir gerar boas e interessantes discussões.
Estreia dia 03 de junho nos cinemas.
DIREÇÃO e ROTEIRO: Juan Diego Solanas
ELENCO: Carole Bouquet, Mercedes Sampietro, Aymará Rovera, Ignacio Jiménez, Emilio Bardi
Quantos serão os locais ermos que facilitam a adoção de crianças e bebês sem o rigor jurídico que o assunto requer? Quantos serão os países pobres que favorecem esse tipo de contrabando, já que muitas famílias não têm condições de cuidar e educar seus filhos? É nesse contexto que a executiva francesa Hélène (Carole Bouquet) vai até um vilarejo argentino para adotar uma criança e acaba se envolvendo com um esquema ilegal de adoção e com a real questão das famílias sem recursos da região.
A temática, como se vê, é boa, interessante e deve estar bem mais perto de nós do que imaginamos. Mas o filme em si não inspira muito e me deixou com a sensação de que faltava alguma coisa. A proposta é mostrar uma realidade e deixar que o espectador pense sobre o assunto. Tudo bem, isso muitas vezes funciona quando é feito de uma maneira interessante e instigante. Apesar do assunto forte e importante, Desejo de Ser Mãe é um filme morno, que sugere sem instigar; que apresenta, mas não dá elementos para que o assunto continue na mente e cause reflexão. De qualquer forma, é um filme interessante para registro e para levantar a questão da corrupção, dos esquemas ilegais, dos ganhos desmesurados no comércio de vidas humanas. Em épocas em que tantos artistas famosos adotam crianças em países de terceiro mundo, me pergunto que dimensão real teria o assunto.
DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu
ROTEIRO: Alejandro González Iñárritu, Armando Bo, Nicolás Giacobone
LENCO: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Eduard Fernández, Cheikh Ndiaye, Diaryatou Daff, Cheng Tai Shen
México, 2010 (147 min)
A filha pergunta ao pai como se escreve beautiful, para que a palavra complete seu desenho. Ele soletra b-i-u-t-i-f-u-l e assim ela registra e adjetiva aquele momento simp
les, cotidiano e bonito de um pai que cuida dos filhos, apesar de todos os pesares. E os pesares são muitos. Uxbal (Javier Bardem, também em Mar Adentro, Vicky Cristina Barcelona, Comer, Rezar, Amar) é esse pai amoroso, que tem de lidar com a ex-mulher bipolar, com as dificuldades do submundo de Barcelona, com as lembranças do pai que não conheceu. Mas só faz esse balanço quando sabe que vai morrer.
Esse emaranhado de escolhas e conjunturas da vida vem na forma do câncer que o aproxima da morte e na forma dos mortos que Uxbal é capaz de ver. Vem impresso na economia informal da cidade, na sua condição de sobrevivente urbano, no imigrante clandestino e no produto pirata, no trabalho forçado e escravo, na perda da legalidade, na consciência pesada por participar de tudo isso, na culpa por não conseguir ser diferente. O forte do filme não é só essa condição desumana de vida, mas a linha tênue entre a dignidade e o desumano das relações, entre a compaixão e a cruel realidade.
Diferente de Babel, o diretor Alejandro González Iñárritu constrói aqui um só personagem e uma narrativa linear. Mas em ambos ressalta a dualidade do ser humano que quer acertar, mas erra o caminho; que quer se reconciliar com o bem, mas escolhe as ferramentas erradas. Uxbal é assim. Um sujeito intenso, sensitivo, conturbado, desiludido. Por isso Biutiful tem uma atmosfera atormentada – e talvez por esse motivo não tenha levado o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro (que premiou o dinamarquês Em Um Mundo Melhor), embora Bardem tenha sido o melhor ator em Cannes. O filme é forte e perturbador e por isso a escolha do título me pareceu tão importante e significativa. Há momentos bonitos na vida perturbada de Uxbal; há boas intenções nas escolhas mal feitas do personagem e há beleza na dureza do registro do diretor mexicano. É preciso ler nas entrelinhas e estará escrito assim mesmo: biutiful.
DIREÇÃO: Florian Henckel von Donnersmarck
ELENCO: Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Rufus Sewell, Bruno Wolkowitch, Julien Baumgartner, Clément Sibony.
A ideia principal de O Turista é entreter, divertir e criar um pequeno e gracioso suspense – gracioso fica por conta da dissimulada dupla de atores, Angelina Jolie e Johnny Depp, que se envolve em um romance e se atrapalha com cenas de perseguição improváveis e bastante óbvias pelos canais de Veneza. Mas do jeito que o filme de ação é montado e dirigido, não cria grandes dramas, nem grandes expectativas do lado de cá da telona. Se você gostar desse tipo de filme, deixe-se levar e aproveite. Assim como fez Frank (personagem de Depp, também em Alice no País das Maravilhas) quando conheceu a misteriosa Elise (na pela da bela Angelina Jolie, também em A Troca) no trem de Paris para Veneza. Vale dizer que o diretor Florian Henckel von Donnersmarck também é responsável pelo espetacular A Vida dos Outros – esse sim um filme de espionagem brilhante, que não tem nada em comum com o estilo de O Turista. Nada.
Não acho que O Turista seja um filme de suspense, nem policial. Tem mais é cara de comédia. Aliás, tive a impressão de que a camaleoa Angelina Jolie ora parece ser a trapaceira, ora a trapaceada (e é para criar a dúvida mesmo) e de que o turista Depp é só uma marionete na mão da bela e está um pouco sem graça e sem energia. Se o que você quer assistir hoje é um filme de ação bem leve e improvável, quiser dar uma espiada nos belos palacetes e canais de Veneza e conferir as lindas roupas de Angelina, O Turista se encaixa e cumpre seu papel. Descompromissado, não tem qualquer pretensão de ir além do entretenimento. Disso não tenho dúvida.
Estreia dia 21 de janeiro nos cinemas.
ROTEIRO: Maurizio Braucci, Peppe Lanzetta, Gaetano di Vaio
ELENCO: Luca Lionello, Salvatore Ruocco, Ernesto Mahieux, Shanyn Leigh, Giuseppe Lanzetta
Itália, 2009 (102 min)
“Depois da guerra entre os clãs, vêm as mortes. Por que tantas mortes? Não é o morto no chão que deve alarmar as pessoas, porque antes das mortes, do sangue, há mortes que não vemos. As consciências das pessoas jovens foram mortas, a negação dos sonhos dos jovens é mais grave do que o morto.” – depoimento de uma assistente social
Imaginei, logo de cara, que fosse ver algo parecido com stress, intensidade e violência de Gomorra, de Matteo Garrone. Baseado no livro de Roberto Saviano, Gomorra denuncia a máfia napolitana com seus desmembramentos mundiais de uma maneira muito realista e impressionante. Preparei o espírito e o estômago, porque o filme de Garrone não é fácil – embora seja muito bom. Mas Napoli, Napoli, Napoli é diferente, porque mistura documentário e ficção e isso quebra bastante o ritmo das cenas tensas e violentas. Não que seja um filme leve, longe disso, mas achei uma boa estratégia.
O viés documentário mostra os depoimentos de detentas de uma prisão feminina de Nápoles. Naturalmente relacionamos máfia com paternalismo e entrevistar mulheres envolvidas com o tráfego e outros crimes é uma mostra de que a contaminação está por tudo. Mulheres mães, irmãs, filhas, que entraram no submundo da droga e que dão seu parecer de uma cidade perdida, sem assistência, sem poder público. De uma cidade nas mãos do poder paralelo. Transferi o que ouvi para o Rio de Janeiro sitiado desde a semana passada, numa tentativa de recuperar a cidade e tirá-la do poder das milícias e traficantes.
Intercalando os depoimentos, entram duas histórias sobre morte e prostituição. Não há qualquer separação entre o que é real e o que é ficcional. Gostei desse modelo mesclado – uma maneira de mostrar que está realmente tudo interligado. Que o tráfego de drogas está diretamente vinculado à lei da demanda e da procura, visto por quem está envolvido com os dois lados. Ótima pedida para refletir sobre nossas grandes cidades, sobre as formas de poder anti-estado, como a Camorra italiana, o PCC brasileiro e assim por diante, que já são organizações com relações institucionais e de negócios. Transcende a droga em si. Adequado para os tempos atuais. E até por isso, bastante indigesto.
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