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UM HOMEM ENTRE GIGANTES – Concussion
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 03/03/2016

Por Suzana Vidigal

O pica-pau bate o bico na árvore milhares de vezes por dia e sua cabeça não sofre lesões ou traumatismos (termo este que seria a tradução literal do título original “Concussion”). Isso porque ele tem um amortecedor natural na cabeça para proteger a sua estrutura cerebral. A gente, se levar uma pancada qualquer, não tem proteção alguma e o risco de sofrer uma lesão grave é muito alto.

Portanto, não somos feitos pra levar socos ou dar cabeçadas violentas, como acontece na rotina dos jogadores de futebol americano. Essas sucessivas pancadas durante anos podem gerar danos irreversíveis e terminar em tragédia. É disso que Um Homem Entre Gigantes fala. O homem em questão é o médico Bennet Omalu, um neuropatologista forense que traz à tona a questão, mexe no vespeiro na bilionária e idolatrada indústria do futebol americano e levanta o importante tema da responsabilidade versus interesse financeiro.

Will Smith não só é talentoso, como também carismático e convincente. Faz a figura humana que está preocupada com o compromisso ético de sua profissão e com a história das famílias que sofrem com as dores e perdas causadas pelo traumatismo craniano. A história é real e emocionante. E Will Smith, independe da polêmica do Oscar com relação à falta de atores negros entre os indicados, merecia ter sido lembrado pela Academia por esse papel.

 

DIRETOR: Peter Landesman ROTEIRO: Peter Landesman, Jeanne Marie Laskas ELENCO: Will Smith, Alec Baldwin, Albert Brooks, Gugu Mbatha-Raw, David Morse | 2015 (123 min)

 

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MEU AMIGO HINDU – My Hindu Friend
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 02/03/2016

Pode até ser que você ache autobiográfico, ou uma obra de autoficção, como andam dizendo por aí dos filmes ficcionais que trazem elementos e passagens reais da vida do diretor, como a luta contra o câncer, neste caso. Mas Hector Babenco, também de Carandiru, não quer que seja assim. “Pensar que Meu Amigo Hindu é minha autobiografia é reducionista; o filme é mais do que isso”, reflete ele durante a entrevista coletiva, depois da exibição do filme para a imprensa. Calmamente e com muito bom humor, ele resume: “O filme fala muito sobre o cinema e a vida – que são praticamente a mesma coisa”.

E é mesmo. Babenco deixa claro que filme é o que ele sabe fazer, que o cinema se transforma, que pede coisas novas, que o inconsciente é um mau cinema e que ele, com consciência, é um homem com cinema. E diz mais, numa metáfora perfeita: “a casa da ficção é construída com os mesmos tijolos do que a casa real”. Portanto, se confundem, vida e cinema. Básico, a gente sabe. “Eu não quis dizer algo específico com esse filme”, completa. “Construi a partir de memórias pessoais, tendo como ponto de partida a cena final.” É a última – e linda! – em que a atriz Barbara Paz dança na chuva. “Vivemos de verdade uma cena parecida há cinco anos “, lembra Barbara Paz, que foi casada com o diretor e faz, no filme, um papel muito parecido com a sua própria história. “Foi difícil me distanciar do personagem, porque tem muito de mi ali na tela. Por isso foi bom ter sido falado em inglês.”

Meu Amigo Hindu é todo falado em inglês. O protagonista é o ator americano Willem Dafoe, no papel de Diego, o cineasta. Causa um pouco de estranheza ver Maria Fernanda Cândido, Barbara Paz, Selton Mello, Guilherme Weber falando inglês, mas não incomoda. Bem feito e intenso, mostra a luta pela vida e pela alegria de viver. O filme vai do negro à luz, da doença ao reencontro com a alegria. Diego é um cineasta que, ao receber a notícia de que tem poucos meses de vida, casa-se com sua companheira, parte para os Estados Unidos para fazer o tratamento e a partir daí sua vida se transforma. “Muitas cenas foram cortadas, para que fosse possível contar a história”, explica Babenco. “Às vezes é preciso ocultar as informações para que apareça algo importante.” De fato. O filme constrói personagens, desconstrói histórias, para mostrar um trajetória. Sem ser auto-ajuda, sem querer transmitir uma mensagem de vida.  É simplesmente uma história. De esperança.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hector Babenco ELENCO: Willem Dafoe, Maria Fernanda Cândido, Bábara Paz, Selton Mello, Guilherme Weber, Reynaldo Gianecchini, Denise Weinberg, Maitê Proença, Dan Stulbach, Tuna Dwek | 2016 (124 min)

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FILMES SOBRE A TERCEIRA (MELHOR) IDADE
CLASSIFICAÇÃO: Lista - 07/12/2015

Fiz uma lista de bons filmes sobre a terceira (melhor) idade. Seus momentos difíceis, as perdas, os ganhos, as realizações. Cada um tem uma toada – vale ler sobre eles e garimpar aquele que mais atrai pelo seu estado de espírito. Este da foto, Hanami – Cerejeiras em Flor, é uma pintura!

 

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O ÚLTIMO CINE DRIVE-IN
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 21/08/2015

A história em si já é muito boa: numa época em que poucos cinemas de rua (que eu adoro!) sobrevivem aos cinemas de shoppings e em que os filmes que fogem do padrão blockbuster tem pouca presença no circuito comercial, pensar que ainda tem gente que consegue manter um drive-in é inacreditável. Uma vez já perguntei a um grupo de amigos quem é que já tinha ido a um cinema de rua, na região da Paulista, por exemplo. A maioria confessou que nunca tinha ido – dá preguiça, não tem onde estacionar, é longe, não é seguro. Fiquei chocada. O cinema de rua dá um brilho especial ao filme e ao programa – talvez seja coisa de cinéfilo…

Pensar que seria possível ir a um drive-in, assistir ao filme dentro do carro, em um estacionamento, em tempos de tanta violência e medo, é surreal. Diferente de quando há projeções ao ar livre em parques, por exemplo. Dentro do carro soa muito mais perigoso. Pensar, portanto, que essa modalidade tem um sobrevivente em Brasília, que ainda funciona, é sensacional. Foi esse pano de fundo que Iberê Carvalho resolveu usar para contar uma história familiar de mágoas, reconciliação, amizade e amor. E consegue ser singelo, intenso e genuíno sem ser piegas.

O Último Cine Drive-In tem tudo isso, mas tem também uma pegada de desafio. Marlombrando (Breno Nina) está desesperado: precisa acompanhar sua mãe em exames importantes no hospital e pede ajuda ao pai (Othon Bastos), com quem não se relaciona há anos. Com o cinema como cenário – e presente na alma de todos eles – permeado por cartazes de filmes como O Poderoso Chefão e Invasões Bárbaras, o drive-in é um campo fadado ao fracasso por causa da público minguado, da infraestrutura caída e da falta de investimentos. Mas é também o único ambiente capaz de reconciliar e abrir algum caminho para o futuro.

Não tem nada de piegas – muito pelo contrário. Os personagens formam um time harmonioso, o enredo é supercriativo e o olhar do diretor favorece o amor, acima de tudo. Vivo dizendo aqui que adoro cinema nacional. Tem muita bobagem, é verdade. Mas tem muita coisa boa. Este, premiado em Gramado e apresentado em festivais do mundo todo, é um deles.

 

DIREÇÃO: Iberê Carvalho ROTEIRO: Iberê Carvalho e Zepedro Gollo ELENCO: Othon Bastos, Rita Assemany, Breno Nina, Chico Sant’anna, Fernanda Rocha, André Deca, Rosanna Viegas, Vinícius Ferreira | 2014 (100 min)

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PARA SEMPRE ALICE – Still Alice
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 12/03/2015

Desde que Julianne Moore ganhou o Globo de Ouro e o Oscar de melhor atriz por sua primorosa atuação em Para Sempre Alice, fica no ar a questão do clima do filme. Estão dizendo por aí que, se é sobre doença, deve ser triste demais. Claro que a tristeza é inerente ao assunto, assim como o sentimento de perda, o repentino desequilíbrio familiar, a desesperança. Mas o que Julianne Moore consegue é quase um milagre: apesar de o Alzheimer ser avassalador e mudar a realidade e as perspectivas de uma família, Para Sempre Alice me deixou uma mensagem de esperança. E de muito amor.

Claro que filmes assim são experiências pessoais. Cada um recebe de acordo com sua bagagem e sua vivência. Lembro de ter recomendado que uma amiga visse o argentino O Filho da Noiva, de Juan José Campanella, mas não foi escolha feliz, já que sua mãe sofre do mesmo mal. Sempre que o cinema de qualidade lida com essas dificuldades, que são espelho da nossa condição humana, transportamo-nos para a tela e vivemos, junto com os personagens, essa história de dor e afeto.

Portanto, para que Para Sempre Alice não lhe caia como uma bomba, uma amarga realidade, uma angústia a mais, lembre-se de que Julianne é tão real quanto qualquer um de nós. Por isso é tão fácil se sentir parte da sua família quando ela conta que está doente. Por isso é merecedora dos prêmios pelo papel – sou fã dessa atriz camaleoa, que logo mais estreia também em Mapa Para As Estrelas – outro ótimo filme. Aliás, no Cine Garimpo há uma lista de filmes com ela. Vale dar uma espiada.

Se para você tudo isso é demais da conta neste momento, o filme pode entrar numa lista futura. É daqueles atemporais, que lidam essencialmente com a condição humana de cair e se levantar, perder e se reinventar. Substitua o Alzheimer por qualquer outra situações que inclui a perda. Por mais difícil que seja, a gente sabe que outros ganhos e aprendizados vêm depois dela, mesmo que às duras penas. E por ser tão duro, a tristeza é o que mais pesa. Porém, Alice dá uma lição de desapego – deixa ir sua inteligência, sua memória, sua antiga condição, seu eu anterior, para ser outra e transformar as relações.

E veja como elas, verdadeiramente, se transformam. Para Sempre Alice ficou comigo muito tempo depois de eu sair do cinema. Ecoa até agora.

 

DIREÇÃO: Richard Glatzer, Wash Westmoreland ROTEIRO: Lisa Genova, Richard Glatzer ELENCO: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Shane McRae | 2014 (101 min)

 

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BLIND
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Noruega, Garimpo na Locadora, Drama - 05/03/2015

Alguns filmes sobre a cegueira me marcaram de modo especial. A começar pelo maravilhoso italiano Vermelho Como o Céu; passando pelos angustiantes Ensaio sobre a Cegueira e Sentidos do Amor; pela revelação brasileira Hoje Eu Quero Voltar Sozinho; e terminando no lindo clássico Perfume de Mulher. Não dá para não se impressionar – deixar-nos levar e mergulhar no universo de quem não vê é uma viagem, no mínimo, diferente.

Que normalmente se torna aflitiva. Dificilmente conseguimos nos imaginar vivos sem a visão, ativos sem ver o mundo. E felizes? Nem pensar. É inimaginável e é por isso que filmes bem feitos sobre a cegueira nos rendem esse sentimento da proximidade e intimidade com a escuridão que tanto tememos. E por isso são tão impressionantes. Mergulhei no norueguês Blind como quem mergulha nessa vasta nuvem negra. E me deixei levar pela personagem Ingrid, que fica cega por causa de uma doença e se fecha dentro do seu apartamento, fugindo de tudo e de todos.

Ingrid é quem conta a história. Expõe sua sensação em relação ao marido e seu medo de se expor ao mundo nessa nova condição. Enquanto vive fechada, a vida continua lá fora, seu marido circula com amigos, um homem é obcecado por pornografia, uma moça se separa e se muda para Oslo para começar uma vida nova. Além da história de Ingrid e sua nova dimensão da realidade, outras histórias vão sendo escritas e o roteiro do também diretor Eskil Vogt cresce a cada minuto. Torna-se mais interessante à medida que os personagens ganham corpo, para culminar num desfecho engenhoso e muito original.

Blind consegue nos transportar para a tela, mas só explica como faz isso bem no final. Venceu melhor filme estrangeiro de drama do júri e roteiro emno Festival de Sundance e vem surpreendendo a quem assiste. Embarque na rotina de Ingrid, mesmo que ela lhe pareça pacata e triste. É por essas e outras que sou fã do cinema escandinavo. Fala do ser humano com uma sensibilidade ímpar, sem medo de parecer elaborado demais. E é elaborado, com muita personalidade.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Eskil Vogt ELENCO: Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen, Vera Vitali | 2014 (96 min)

 

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A TEORIA DE TUDO – The Theory of Everything
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama, Biografia - 29/01/2015

Lembro bem quando me deparei com o nome Stephen Hawking por causa do lançamento de seu livro Uma Breve História do Tempo. Era fim dos anos 1980 e chegava aqui, e em todo o mundo, a imagem do brilhante cientista que tinha revolucionado a teoria da criação do universo e escrito o tal livro, embora já estivesse preso a uma cadeira de rodas, imobilizado pela doença degenerativa ELA (esclerose lateral amiotrófica). A imagem frágil do cosmólogo e físico britânico se contrastava com a força da sua presença e da sua vontade de viver.

Histórias assim rendem bons filmes, porque o roteiro em si já está pronto. No caso de Hawking, sua trajetória é contada com base no livro escrito por sua ex-mulher Jane, figura fundamental na sua luta pela sobrevivência. A escolha do diretor foi fazer um filme linear, seguindo a ordem cronológica dos acontecimentos, desde quando Stephen desenvolve seu doutorado em Cambridge, conhece a estudante de literatura Jane, apaixona-se por ela e ela por ele (apesar de suas esquisitices) e a doença se apresenta com prognóstico terrível: só dois anos de vida. Fato é que Hawking surpreende aos médicos e a si mesmo, sobrevive, tem três filhos e está vivo e atuante até hoje.

A Teoria de Tudo tem um bom equilíbrio, considerando a dificuldade de retratar vidas tão complexas e espetaculares como esta. Quem não se lembra do filme Jobs, sobre o gênio criado da Apple. Um fracasso, embora sua vida transcenda o extraordinário. Aqui poderia ter sido igual, confiando que o roteiro já traçado pelo protagonista desse conta sozinho do recado. Não dá. O olhar do diretor e sua equipe é fundamental para a construção de personagens críveis, à altura do que são na realidade.

Já assisti duas vezes e em ambas vi muita gente se emocionar. É para ver em família e levar filhos adolescentes, por que não? Afinal, o que temos na tela é um exemplo de superação e de senso de humor, sem deixar de pontuar as dificuldades de relacionamento que encontra pelo caminho como qualquer ser humano. Afinal, Stephen ficou paralisado ainda jovem, mas seu raciocínio e percepção do mundo estão intactos. Continua vivo e não se sentir vítima da doença é o que o mantém vivo. Rende boa conversa depois da sessão de cinema.

A Teoria de Tudo concorre a cinco prêmios no Oscar, inclusive melhor filme, ator para Eddie Redmayne (que já levou o Globo de Ouro), atriz para Felicity Jones e roteiro adaptado.

 

DIREÇÃO: James Marsh ROTEIRO: Anthony McCarten, Jane Hawking ELENCO: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Tom Prior, Harry Lloyd, Simon McBurney | 2014 (123 min)

 

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ELSA & FRED
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia Romântica - 28/11/2014

Mesmo que você assista esta versão americana de Elsa & Fred, vale a pena dar uma espiada no filme argentino que serviu de inspiração. Elsa & Fred – Um Amor de Paixão tem comentário no Cine Garimpo e por isso não vou repetir aqui o que já disse lá. O que vale a pena repetir é que ambos os filmes são uma homenagem ao amor reinventado, sem idade, sem formato pré-estabelecido. Caracterizado aqui pelo encontro de dois senhores na terceira idade, eu iria mais adiante: diria que o filme é para todos nós, que por vezes não acreditamos que é possível renascer e apreciar a vida e os relacionamentos de forma diferente.

Elsa é divertida, tem o talento da improvisação, da alegria no improvável e do sonho; Fred é carrancudo, rabugento e de mal com a vida. São vizinhos e encontram, passo a passo – como diz Elsa – uma via comum. Simples e romântico, tem também um recado preciso aos filhos daqueles que envelhecem, no momento em que as funções se invertem e eles começam a cuidar de seus pais. Não podemos esquecer que a vida ainda é deles e que a terceira idade, hoje em dia, já mudou de prateleira, chega mais tarde e quando morre alguém aos 65, 70, dizemos espontaneamente que “morreram jovens”.

Garimpando na locadora, outros bons filmes tocam nesse delicado ponto da reinvenção da vida nessa idade em que bate a solidão. Recomendo quatro, para o fim de semana. Anote aí, garimpe lá no blog e divirta-se: E Se Todos Vivêssemos Juntos, da francesa Stéphane Gobelin, O Exótico Hotel Marigold, do inglês John Madden, o francês Minhas Tardes com Marguerite, Jean Becker e o clássico Conduzindo Miss Daisy, do americano Bruce Beresford. Todos são um brindo à amizade – a irrestrita e atemporal forma do amor.

 

DIREÇÃO: Michael Radford ROTEIRO:  Anna Pavignano, Michael Radford ELENCO: Shirley MacLaine, Christopher Plummer, Marcia Gay Harden | 2014 (94 min)

 

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