ROTEIRO: Ol Parker, Deborah Moggach
ELENCO: Judi Dench, Bill Nighy, Maggie Smith, Penelope Wilton, Dev Patel, Celia Imrie, Ronald Pickup, Tom Wilkinson
Inglaterra, 2011 (124 min)
Nos cinemas: 11 de maio
Como envelhecer? Dentre todas as questões expostas neste filme, ficou a pergunta. Acho que foi o que se perguntaram os sete senhores e senhoras ingleses na hora de procurar uma alternativa para viver a terceira idade. Optar por mais do mesmo, seria uma alternativa. No entanto, a beleza do filme está justamente na possibilidade de criar alternativas de vida, de olhar os anos futuros com novas perspectivas e não fazer da idade um empecilho. E sim um bônus.
O Exótico Hotel Marigold fica na Índia. É para lá que os sete aposentados ingleses querem ir, a procura de sol e tranquilidade. Cada um carrega sua história de vida. Evelyn (Judi Dench, também em Sete Dias com Marilyn, Nine) perdeu o marido e o dinheiro; Graham decepcionou-se com a carreira do magistrado; Douglas e Jean são casados, não se entendem e dependem do dinheiro da filha para sair do buraco; a rabugenta Muriel operou o quadril, precisa se recuperar logo para se mandar de volta pra a Inglaterra; Normal e Madge querem encontrar um novo amor. Chegam em Jaipur e encontram um hotel bem diferente do esperado, administrado por Sonny (Dev Patel, também em Quem Quer Ser um Milionário). A partir daí as máscaras caem, cada um se revela na sua habilidade e na sua fraqueza e escolhas diferentes são feitas para o futuro.
Inteligente, cheio de graça, além de muita cor e alegria próprios do local, O Exótico Hotel Marigold tem diálogos interessantíssimos e boas fontes de reflexão. Não só para quem está vivendo a terceira idade, mas para todos os que mudam a fase da vida, que fazem escolhas, que ficam paralisados com medo de sair da zona de conforto. Reinventar o estilo de vida é ter coragem e as rédeas da vida na mão. E esse é a grande mensagem do filme, sem que ele seja moralista ou professoral. Pelo contrário, é leve, singelo e delicado. Como deveriam ser os anos do outono da vida de cada um de nós.
ROTEIRO: Giovanni Veronesi, Ugo Chiti
ELENCO: Robert De Niro, Monica Bellucci, Riccardo Scamarcio, Michele Placido, Laura Chiatti, Valeria Solarino, Donatella Finocchiaro, Carlo Verdone
Itália, 2011 (125 min)
Nos cinemas: 27 de abril
Tenho falado mal, num tom até sem paciência, das últimas comédias românticas americanas que vi. É pura falta de paciência mesmo para aquilo que não apresenta novidade, nem graça. Não é implicância com o tema, que fique bem claro. Não só gosto do gênero, como acho que ele deve ser explorado cada vez mais – afinal, é o repertório em comum a todos nós.
As Idades do Amor é prova disso. Quando saí da sessão, pensei justamente no fato de não ter ficado impaciente, de ter acompanhado as três histórias na bela Itália, achando o programa da segunda-feira de manhã um privilégio! Não é para ser profundo, nem denso. Esse tipo de filme é pensado para nos identificarmos, cada um com o seu repertório romântico, e nos divertirmos com a comédia da vida. E falado em italiano, tem um toque especial.
São três histórias, em três idades. Na juventude, às vésperas do casamento, o advogado Roberto (Riccardo Scamarcio, também em O Primeiro que Disse, Meu Irmão é Filho Único) se encanta com outra mulher, a bela Micol (Laura Chiatti) e já não sabe se casa com a também bela Sara (Valeria Solarino) ou se compra uma bicicleta. Já na maturidade do casamento, o apresentador de televisão se rende às maluquices de Eliana (Donatella Finocchiaro) e coloca anos de confiança a perder. Por fim, o professor americano de História da Arte Adrian (Robert De Niro, também em Noite de Ano Novo, Estão Todos Bem, O Poderoso Chefão), vai passar um tempo em Roma depois de se aposentar e um encontro com Viola (Monica Bellucci) muda sua vida de uma maneira que ele não poderia imaginar.
São pequenas histórias, por vezes exageradas, improváveis – até por isso não entre em detalhes. Mas o ponto deste gênero de filme não é ser tão fiel assim à realidade, mas florear um pouco e dar risada das situações criadas pelos mais diversos relacionamentos. As Idades do Amor (em italiano, a quem interessar possa, é Manuale d’Amore) é gracioso, tem um toque original e descontraído no narrador-cupido, que conta a trajetória dos casais e mostra belas paisagens da Itália. Para ver bem acompanhado, é um programa bem gostoso.
ROTEIRO: Bruce Robinson, Hunter S. Thompson
ELENCO: Johnny Depp, Giovanni Ribisi, Aaron Eckhart, Michael Rispoli, Amber Heard, Richard Jenkins
Estados Unidos, 2011 (120 min)
Quem gosta de Johnny Depp? Prefere o ator na pele de personagens afetados como o chapeleiro em Alice no País das Maravilhas, Piratas do Caribe, Edward Mãos de Tesoura, ou alguém mais normal como em Inimigos Públicos e O Turista? Em Diário de um Jornalista Bêbado ele encarna um sujeito instável e alcoólatra, que vai a Porto Rico trabalhar em um jornal de segunda linha, praticamente falido e sem qualquer poder editorial.
Vale a pena falar de Thompson, para que você possa entender um pouco mais da história. Hunter Thompson foi o jornalista que inventou o jornalismo “gonzo”, em que não escreve com distanciamento ou objetividade, mas participa da matéria sobre a qual vai escrever, sente na pele o que está acontecendo. Jornalismo com emoção e opinião, basicamente, e no filme vemos o início dessa linha de pensamento. Escreve o livro homônimo, em que cria o personagem de Paul Kemp, um alter ego ainda na fase jovem, quando não era conhecido, já bebia e usava alucinógenos e vai parar em Porto Rico nos anos 1950. Foi amigo pessoal de Johnny Depp e por isso o projeto saiu do papel.
Paul Kemp é um sujeito que faz caras e bocas, tem o tom e o timing engraçado característico de Depp, que tenta se adequar à maneira de pensar e viver deste país caribenho. Fica dividido entre os mandos frouxos do editor, entre a demanda dos empresários americanos que querem divulgar a especulação imobiliária e ganhar muito dinheiro apropriando-se da beleza do país, e entre o seu lado ético. Em meio a toda a confusão e exageros, ele se depara com a namorada do empresário, apaixona-se por ela e tudo se complica para o seu lado.
Diário de um Jornalista Bêbado é movimentado e dinâmico, com situações divertidas vividas por Kemp e seus amigos jornalistas – não menos bêbados e desmedidos. Mas ele tem momentos de lucidez e confesso que gosto quando faz um papel mais… normal. O mais interessante no filme é a ambientação em Porto Rico, as questões culturais do país e a maneira de viver. Mas eu diria que é preciso gostar antes da figura de Depp para encarar o filme pelo viés da diversão. Quem gosta de Johnny Depp?
ROTEIRO: Katherine Fugate
ELENCO: Halle Berry, Jessica Biel, Abigail Breslin, Chris “Ludacris” Bridges, Robert De Niro, Josh Duhamel, Zac Efron, Hector Elizondo, Katherine Heigl, Ashton Kutcher, Seth Meyers, Lea Michele, Sarah Jessica Parker, Michelle Pfeiffer, Til Schweiger, Hilary Swank, Sofía Vergara, Jon Bon Jovi
Estados Unidos, 2011 (118 min)
Gosto da noite de ano novo. Não gosto do frenesi que se instala entre as pessoas no mês de dezembro, antevendo erroneamente que algo vai mudar depois da meia-noite. Inclusive, se dezembro pudesse ser tirado do calendário… Mas o que normalmente vemos entre aqueles que se dispõem a festejar a passagem do ano é uma confraternização interessante, um sentimento (ilusório, mas válido) de balanço do ano passado e mandamentos para o ano que se inicia – que muitas vezes não saem do papel. Essa é a premissa de Noite de Ano Novo, que conta com diversos atores e atrizes famosos, cada um com seu métier e suas confusões, passando a virada do ano de 2011 na Times Square de Nova York.
O time tem, nada mais, nada menos que Robert De Niro, Michelle Pfiefer, Sarah Jessica Parker, Hilary Swank, Sofia Vergara, Asthon Kutcher, Jessica Biel, Jon Bon Jovi, Abigail Breslin, Josh Duahmel, Zac Efron, Katherine Heigl e por aí vai. Portanto, a ideia do diretor GArry Marshall (também de Uma Linda Mulher e Idas e Vindas do Amor) é mostrar pessoas com perfis diferentes, que de alguma maneira se cruzam naquela noite, naquele lugar. Alguns apaixonados, outros sozinhos, um doente, outro fazendo festa, outros tendo filho, todos fazem seus votos para o ano de 2012.
Há algumas passagens divertidas – afinal, o elenco é bom. Até por isso, acho que o roteiro poderia ser melhor, que Nova York poderia ter sido palco de histórias interessantes e ecléticas. Poderia surpreender. No fim das contas, é filme para distrair, que acaba caindo no lugar comum da comédia romântica. Entra naquela prateleira de filmes bons para ver no avião – categoria fictícia que criei quando assistir A Proposta em um voo longo e cansativo. Pois é, distrai. E se você pegar no sono em algum momento, tranquilamente acompanha a história até o final.

Dia 13 de maio é Dia das Mães. O Cine Garimpo selecionou 10 filmes que tratam da questão da maternidade de diversas formas diferentes. Garimpe também outras opções no blog!
1. Laços de Ternura (com Shirley MacLaine, Debra Winger, Jack Nicholson / EUA, 1983)
2. Tudo sobre Minha Mãe (com Cecilia Roth, Marisa Paredes, Penelópe Cruz / Espanha, 1999)
3. O Filho da Noiva (com Ricardo Darín / Argentina, 2001)
4. Zuzu Angel (com Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira / Brasil, 2006 )
5. Uma Prova de Amor (com Sofia Vassilieva, Abigail Breslin, Cameron Diaz / EUA, 2009)
6. Um Sonho Possível (com Sandra Bullock / EUA, 2009)
7. Bebês (documentário / França, 2010)
8. Destinos Ligados (com Naomi Watts, Annette Bening / EUA, 2010)
9. O Garoto da Bicicleta (com Cécile De France, Jérémie Renier / França, 2011)
10. Minhas Mães e Meu Pai (com Julianne Moore, Annette Bening, Mia Wasikowska, Mark Ruffalo / EUA, 2010)
DIREÇÃO: Chris Miller
ROTEIRO: Charles Perrault, Brian Lynch
ELENCO: Antonio Banderas, Salma Havek, Zach Galifianakis (vozes originais)
Estados Unidos, 2011 (90 min)

Nos cinemas: 9 de dezembro
O Gato de Botas conta a que veio e não é mais um mero coadjuvante do ogro Shrek. Vive como um fora da lei, foragido da justiça feita pelas próprias mãos, mas parece que não foi por opção. Da sua amizade com Ovo, praticamente um “irmão adotivo”, sobrou vingança e ressentimento. Mas ambos ainda alimentam o sonho de enriquecer plantando os feijões mágicos guardados pelo gigante que mora no famoso pé de feijão, que todos nós conhecemos. Por isso, embarcam em mais uma aventura – que ganha charme com a presença da gata Kitty Pata Mansa. As cenas de ação construídas pela turma da DreamWorks (também Kung Fu Panda 2 e Shrek) remetem ao Zorro, com dança, ritmo e sotaque espanhol, perseguição nos telhados do pequeno vilarejo e são realmente muito bem feitas.
Aliás, as animações dos grandes estúdios estão se superando a cada novo filme. É bem verdade que a tecnologia está disponível para todos, mas não o roteiro. Com um texto inteligente e divertido, vai agradar também aos adultos que acompanham as crianças no cinema. Mistura bastante coisa no mesmo balaio, é verdade – tem pata gigante, ovos de ouro, ovo falante, gato de botas, gata guerreira, feijões mágicos – mas isso não chega a atrapalhar. Gato de Botas diverte, faz rir e visualmente é impecável. Além do mais, gosto das caras e bocas desse gato galante e charmoso que veste botas e fala ‘portunhol’ – no original, quem faz sua voz é Antonio Bandeiras. Apropriado, não? Por isso escolhi o trailer em inglês, legendado – a maioria das cópias por aqui infelizmente é dublada. Se der, escolha uma sessão em 3D, que o programa em família fica ainda mais gostoso.

De 2 a 29 de dezembro, o Cinesesc (Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César – São Paulo – (11) 3087-0500) faz a tradicional retrospectiva completa dos filmes nacionais lançados entre novembro de 2010 e novembro de 2011. É uma oportunidade maravilhosa de rever ou assistir a filmes ainda inéditos em DVD, por somente R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia).
Segue a programação da segunda semana, de 9 a 15 de dezembro. O Cine Garimpo vai atualizar semanalmente a lista dos filmes que serão exibidos, com os respectivos links para o comentário que está no blog. Bom garimpo!
PROGRAME-SE:
Sexta-feira, 09 de dezembro
15h – Transeunte
17h – Tancredo – A Travessia
19h – Ex Isto (Sessão Gratuita)
21h – Trabalhar Cansa
23h – Rock Brasília – Era de Ouro
Sábado, 10 de dezembro
15h – Transcendendo Lynch
17h – Diário de uma Busca
19h – Qualquer Gato Vira-Lata
21h – Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano
23h – Vida sobre rodas
Domingo, 11 de dezembro
11h – Brasil Animado (CineClubinho)
15h – Amor?
17h – Vips, Histórias Reais de um Mentiroso
19h – Elvis & Madona
21h – Belair
Segunda-feira, 12 de dezembro
15h – Solidão e Fé
17h – Malu de Bicicleta
19h – Família Vende Tudo
21h – José e Pilar
Terça-feira, 13 de dezembro
15h – O Mineiro e o Queijo
17h – Meu Mundo em Perigo
19h – No Olho da Rua
21h – O Samba que Mora em Mim
Quarta-feira, 14 de dezembro
15h – 4xTimão – A Conquista do Tetra Corinthiano
17h – Morro do Céu
19h – Os Residentes
21h – Todo Mundo tem problemas sexuais
Quinta-feira, 15 de dezembro
15h – Estrada para Ythaca
17h – Daquele Instante em Diante (Sessão Gratuita)
19h – Morro do Céu
21h – 4xTimão – A Conquista de Tetra Corinthiano
Nos cinemas: 02 de dezembro
DIREÇÃO: Fausto Brizzi
ROTEIRO: Fausto Brizzi, Massimiliano Bruno, Valeria Di Napoli, Marco Martani
ELENCO: Fabio De Luigi, Paola Cortellesi, Francesco Pannofino, Allessandro Preziosi, Paolo Ruffini, Nicolas Vaporidis, Sarah Felberbaum, Chiara Francini, Lucia Ocone, Carla Signoris, Giorgia Wurth
Itália, 2011 (113 min)
Fui conferir este italiano Guerra dos Sexos, impulsionada pela boa leva filmes italianos recentes como Que Mais Posso Querer, O Primeiro que Disse, Um Sonho de Amor, Saturno em Oposição – só para citar alguns. Imaginei encontrar algo divertido em Guerra dos Sexos, já que o tema suscita as intermináveis diferenças e discussões entre homens e mulheres, mas também a inquestionável vontade de se apaixonar. A propósito, o filme começa bemq quando cita a máxima de que um homem e uma mulher são as pessoas menos indicadas para se casar, vide as diferenças, traições, disputas, medos, inseguranças. Mas, depois disso, seguiu previsível, sem criatividade. Confesso que fiquei impaciente.
Explico. Se a expectativa era dar risadas das mazelas e amores entre um homem e uma mulher, fiquei frustrada. Não achei graça, como achei em O Primeiro que Disse, por exemplo. Achei que “choveu no molhado”. Conta quatro histórias que se cruzam. Uma mulher já nos seus 50 anos, pega o marido transando na sala da sua casa com outra, bem mais jovem, e obviamente se sente a pior das mulheres, velha e acabada; um treinador de vôlei casado acaba de ter seu primeiro filho, mas é constantemente paquerado por uma das atletas do time; três amigos solteiros, dois rapazes e uma moça lésbica, estão sempre à procura de novos casos, até que se envolvem com a mesma mulher; e finalmente uma moça ecologicamente correta tem que conviver com o vizinho garanhão, que cada dia chega em casa com uma mulher de diferente nacionalidade.
As confusões acontecem, como pode-se ver no trailer abaixo, e os personagens se cruzam. Tem um gostinho de déjà vu, onde falta o novo, o toque de graça – mais parece um filme retalhado que se perde nas próprias confusões. Nem sempre é preciso ir além do riso, da ironia e do tom de deboche. O difícil é fazer isso de forma diferenciada. Guerra dos Sexos é igual a tantos outros – chega a lembrar até uma daquelas ditas “comédias românticas” americanas que, no meio de tanto sexo, não são nem uma coisa, nem outra…
© Copyright 2009-2012, Cine Garimpo










Podcasts
sending...