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ESTÔMAGO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 21/06/2011

DIREÇÃO: Marcos Jorge

ROTEIRO: Marcos Jorge, Lusa Silvestre, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito

ELENCO:  João Miguel, Fabiula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani, Zeca Cenovicz

Brasil, 2007 (103 min)

Alguma coisa me incomoda em Estômago, mas não identifico bem o quê. Não gosto de alguns personagens, como o dono do restaurante italiano e a prostituta. Acho que são grosseiros – mais do que precisava - e me incomodei com o tom estereotipado. Mas isso não é regra, porque vários pontos me agradam, principalmente o enredo, seus meandros e o final surpreendente. Tem um humor negro sutil bacana – estilo É Proibido Fumar e Reflexões de um Liquidificador. E conta com o ótimo João Miguel, premiado no Festival do Rio como melhor ator, além de o filme ter sido eleito também o melhor do evento.

Gosto bem mais dos outros dois filmes que citei acima, mas Estômago tem lá o seu apelo. Raimundo Nonato (João Miguel) é um nordestino que chega em São Paulo sem lenço nem documento, arranja um emprego para fritar coxinhas em uma lanchonete, consegue ‘subir na vida’ e trabalhar em um chique restaurante italiano, e ainda namora a prostituta Íria (Fabiula Nascimento, também em Amor?, Não Se Pode Viver Sem Amor). Paralelamente, sabemos que a história não terminará bem, porque Nonato vai parar na cadeia onde também cozinha, aplicando o que aprendeu para melhorar a terrível comida do presídio. As duas histórias correm paralelas e só no final ficamos sabendo o que Nonato aprontou para ir para detrás das grades. E não é que eu gostei do desfecho?

 

DIETA MEDITERRÂNEA – Dieta Mediterránea
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Espanha - 16/01/2011

DIREÇÃO: Joaquín Oristrell

ROTEIRO:Yolanda García Serrano, Joaquín Oristrell

ELENCO: Olivia Molina, Paco León e Alfonso Bassave

Espanha, 2009 (100 min)

Aos amantes da gastronomia, Dieta Mediterrânea é uma comédia espanhola de sabores, experiências e busca por novas combinações culinárias que fazem a alegria de quem gosta de experimentar novos restaurantes, de acompanhar a trajetória dos chefes de cozinha que fazem a fama mundo afora. A talentosa na cozinha é Sofia e quem narra a sua história é sua filha caçula. Espanhola de um vilarejo às margens do Mediterrâneo, Sofia se divide entre dois amores, mas não entre dois talentos: a gastronomia é sua grande paixão na vida, em que ela deposita todo o seu talento, criatividade e dedicação. Com uma condição: que sua fonte de inspiração, o amor, seja sempre bem farta e não padeça de monotonia.

Dieta Mediterrânea é divertida e leve. Faz referência ao famoso restaurante espanhol El Bulli, numa analogia à gastronomia-arte, ao talento de poucos que alimentam o hobby daqueles que investem em roteiros gastronômicos mundo afora. Faz isso com graça - apesar dos exageros e preferências amorosas de Sofia, que não veem ao caso. A história é divertida e para quem coloca a mão na massa então… nem se fale.

COMER, REZAR, AMAR – Eat, Pray, Love
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Divertir, Estados Unidos - 29/09/2010

DIREÇÃO: Ryan Murphy

ROTEIRO: Ryan Murphy e Elizabeth Gilbert (livro)

ELENCO: Julia Roberts, Javier Bardem, Richard Jenkins, Viola Davis, James Franco

Estados Unidos, 2010 (133 min)

Comer, Rezar, Amar já tem, logo de cara, duas vantagens: a primeira é o fato de ser uma adaptação do best seller homônimo da escritora Elizabeth Gilbert, há 127 semanas na lista dos mais vendidos no Brasil. Embora adaptar uma obra seja sempre uma missão difícil, eu diria que o filme é a cara do livro. A segunda, e mais importante, é que conta com Julia Roberts como protagonista. É um chamariz por si só. A atriz se encaixa bem no papel e transmite a sensação de estarmos assistindo a uma comédia de costumes, que tem romance, pinceladas de humor e mensagens de auto-ajuda que facilmente criam empatia com o espectador. Nada muito profundo. São clichês, é verdade, mas quem se importa se a ideia é realmente se divertir?

A autora, Elizabeth Gilbert, é uma escritora descontente com o casamento, que resolve jogar tudo para o alto, tirar um ano sabático e escrever um livro contanto sua experiência nesse período. Do livro, nasce este filme. Quando abandona marido, casa, sociedade e estabilidade, segue em busca do autoconhecimento, dividindo sua temporada em três etapas: Itália, onde descobre o prazer da comida; Índia, onde aprende a meditar e espiritualizar-se; e Indonésia, onde volta a se apaixonar. Fora a caricatura do italiano galanteador e da mama controladora, o que mais chama a atenção para nós, brasileiros, é o ator espanhol Javier Bardem (ótimo em Mar Adentro e Vicky Cristina Barcelona) falando o mais puro ‘portunhol’ no papel de Felipe, um brasileiro que Liz conhece em Bali. O filme podia tranquilamente passar sem isso, ainda mais em se tratando de Bardem, sempre tão carismático e conquistador.

Mas assim como o livro, o filme tende a conquistar mais as mulheres. É um contexto romântico, afinal de contas. Além disso, muitas se deparam com questionamentos parecidos com os de Liz, identificam-se com a busca por essa vivência fora do ambiente habitual, com os entraves e decisões inerentes ao fato de ser mulher, com as dualidades por que passa a mulher moderna que quer liberdade de ir e vir, mas que sonha também com um bom e duradouro romance. Se ele acontecer nas praias de Bali, tanto melhor.

Estreia dia 1º de outubro nos cinemas.

A FESTA DE BABETTE – Babettes gæstebud
CLASSIFICAÇÃO: Para Rever, Dinamarca - 11/09/2010

DIREÇÃO E ROTEIRO: Gabriel Axel

ELENCO: Stéphane Audran, Jean-Philippe Lafont, Gudmar Wivesson, Jarl Kulle, Bibi Andersson, Ebbe Rode.

Dinamarca, 1987 (102 min)

Já se vão mais de vinte anos desde que esta produção venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1988 e ainda nos referimos a um banquete, uma refeição farta, com iguarias e cardápio especial, como sendo uma ‘festa de Babette’. Não é à toa. O filme dinamarquês é bonito e singelo e marcou por dar ao banquete preparado por Batette tanto o tom de ‘obra de arte’ quanto de ‘refeição conciliadora’, uma verdadeira ‘refeição dos Deuses’.

É com um rebuscado e especial jantar que a francesa Babette consegue unir o rebanho de um pastor já morto, nos festejos do seu centenário. Liderados após a sua morte por suas duas filhas solteironas num vilarejo costeiro da Dinamarca do século 19, os fiéis se rendem ao aguçado paladar das escolhas de Babette, sem mais temer que suas iguarias francesas infringissem alguma lei divina.

Numa clara referência à importância da refeição e do sentar-se à mesa para compartilhar o alimento, ele se torna a ferramenta para o entendimento, para a conciliação, para o degustar o prazer da comida. Mais que isso, consagra a culinária como arte, obra de um verdadeiro artista. Como diz a própria Babette, ‘um artista nunca fica pobre’. Para quem cozinha, pode parecer trivial. Para quem não tem esse dom, parece realmente um presente dos Deuses.

HERENCIA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Argentina - 27/07/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO : Paula Hernández

ELENCO: Rita Cortese, Adrián Witzke, Martín Adjemián, Julieta Díaz, Héctor Anglada

Argentina, 2001 (90 min)

Uma senhora italiana, naturalizada argentina, conhece um rapaz alemão em Buenos Aires. Ambos são estrangeiros em busca de um amor perdido na capital. Ela chega na época da Segunda Guerra; ele chega seis décadas depois. O restaurante de Olinda é onde tudo acontece, onde suas heranças culturais vêm à tona. É com base nelas que começa a amizade entre os dois.

É verdade que há ótimos filmes argentinos – veja no Cine Garimpo, na busca por países. Herencia fica na categoria de uma comédia romântica, em que há algumas tentativas de fazer graça, outras de criar situações de drama. Não causa nem uma coisa, nem outra. Apenas diverte, sem causar grandes emoções. Talvez seja porque humor não combina com a figura do alemão (Adrian Witzke), ou porque Olinda (Rita Cortese) é uma personagem previsível do tipo “senhora amargurada pela vida passada, sem perspectiva para o futuro”.

Herencia é um filme simples, com a pretensão de emocionar principalmente pela história da italo-argentina Olinda, que quer voltar a ver sua terra natal. Se emociona? Não chega nisso porque é previsível. Mas agrada pelo tema, pelos estrangeiros que se encontram e se acolhem, pela sempre possível mudança de atitude perante o mundo e as pessoas.

SOUL KITCHEN
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Para se Divertir, Alemanha - 24/05/2010

DIREÇÃO: Fatih Akin

ROTEIRO: Adam Bousdoukos e Fatih Akin

ELENCO: Adam Bousdoukos, Moritz Bleibtreu, Birol Ünel, Anna Bederke, Pheline Roggan, Lukas Gregorowicz, Dorka Gryllus, Wotan Wilke Möhring, Udo Kier

 Alemanha, Turquia, 2009 (99 minutos)

Soul Kitchen se encaixa na classificação “Para se Divertir” do Cine Garimpo. Digo isso porque, diferente do filme Do Outro Lado, aqui o premiado diretor alemão de origem turca não nos coloca para pensar em primeiro lugar, nem mesmo tem a pretensão de nos emocionar. Fatih Akin continua tratando do mosaico de raças da Alemanha atual, mas a sua proposta primeira é divertir com situações tragicômicas – o que não é uma tarefa fácil.

O centro de tudo é a cozinha. Com alma – daí o título do filme e do restaurante ser Soul Kitchen. São vidas que se cruzam ao passar por ela, mas sem grandes dramas ou reflexões. O filme é uma comédia em que quase tudo é extremo e exagerado. Por isso, muitas vezes engraçado. Deixa ver se me explico: Zinos (Adam Bousdoukos) tem origem grega, mora em Hamburgo e compra um galpão abandonado para montar um restaurante. A comida é absolutamente sem gosto e sem charme e é preparada sem qualquer cuidado ou higiene. Mas é o que vende. Ao redor dele se formam os conflitos: um irmão que sai da prisão e precisa de emprego; a namorada que vai morar na China; uma atroz dor nas costas que faz com que contrate outro cozinheiro para o restaurante; um antigo amigo que lhe dá uma rasteira. Imagine um universo atrapalhado. É o Soul Kitchen.

Não espere grandes análises da situação multirracial européia. Pense em vários jovens convivendo com suas angústias, desejos, ambições, dúvidas, coloque-os em um caldeirão com muita música, sexo sem pudor, humor nada sutil, comida com afrodisíaco. Ousado, o diretor, por fugir ao seu estilo mais denso. Alguns críticos se decepcionaram por isso. Não tive essa impressão. O próprio Fatih Akin disse, em entrevista, não ter feito desta vez um filme de arte. Alega ter dirigido um filme pensando no público. Algum problema com a mudança de olhar? Não que eu saiba.

 

O BANHEIRO DO PAPA – El Baño del Papa
CLASSIFICAÇÃO: Uruguai, Para se Emocionar, Para se Divertir - 13/12/2009

banheiro-do-papa-poster01DIREÇÃO: César Charlone, Enrique Fernádez1 icone_DVD

ELENCO: César Trancoso, Virginia Mendez, Virginia Ruiz, Mario Silva, Henry de Leon, Jose Arce, Nelson Lence, Rosario dos Santos

LOCAL, ANO: Uruguai, Brasil, França, 2007

Todo mundo já passou por aquelas situações tragicômicas, em que é mehor rir para não chorar – mesmo porque chorar não resolve nada. Tive essa sensação ao ver O Banheiro do Papa. Ao mesmo tempo em que Beto não tem sorte, faz coisa errada, cria desilusões, põe tudo a perder, não perde o bom humor, a esperança, o otimismo e principalmente a criatividade. Tem gente que é mesmo assim, parece comédia da vida real. Quem tem esse dom, está com sorte. Passa pelas dificuldades da vida com sequelas menos profundas.

Beto mora em Melo, uma cidade uruguaia pobre, perto da fronteira com o Brasil. Como acontece em vários pontos, aqui também os habitantes fazem do contrabando de quiquilharias e produtos dos mais variados sua fonte de renda. Beto é um deles: vai buscar em Aceguá, em uma bicicleta velha, as encomendas dos mercadinhos locais. Enlouquece Carmem e Silvia, mulher e filha respectivamente, com suas tramóias, confusões, bebedeiras e decepções. Mas sonha em arrumar a vida da família, principalmente da filha que quer estudar jornalismo em Lima.

Sua sorte – ou azar – é que ninguém menos que o Papa passará por Melo. A comunidade se mobiliza para vender comida para os peregrinos brasileiros que virão e Beto tem a brilhante ideia de fazer um banheiro. Afinal, depois de comer, vão precisar. Mas, as previsões do número de visitantes passam ao largo da realidade e Beto e seus compatriotas ficam a ver navios. Curioso o trecho dos preparos da comilança - como a calma e a razão fazem falta…

Em se falando de América Latina e da realidade desses povoados pequenos, sem recursos e sem emprego, é um retrato muito interessante. Ainda mais porque tem humor, o que faz o contraponto inteligente e divertido com o desespero da situação.

 

JULIE & JULIA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos - 04/12/2009

DIRETOR: Nora Ephron

ELENCO: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina

LOCAL, ANO: Estados Unidos, 2009

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Quando uma amiga viu este filme nos Estados Unidos – muito antes de ele chegar ao Brasil e de o Cine Garimpo nascer de fato – me disse que eu precisa assistir, porque a tal da Julie também tinha um blog. Quando passou na Mostra de Cinema de São Paulo, e nesse momento o meu blog já estava no ar, outra amiga disse que eu não poderia perder, porque Julie tinha tido a mesma ideia que eu. Bem, eu sei que cada coisa é uma coisa, mas não pude deixar de me identificar. Afinal, os dois projetos nasceram de hobbies, da paixão pela escrita e da possibilidade de compartilhar conhecimentos e visões de mundo através de um interesse comum - se é que alguém iria se interessar por aquilo, como bem disse Julie…

Bem, enquanto eu falo de cinema, Julie Powell fala de comida. Às vésperas de virar balzaquiana, Julie tem um trabalho burocrático e se vê sem objetivos. Como gosta de cozinhar, adora a ideia de seu marido (Chris Messina, também em Vicky Cristina Barcelona) de escrever um blog de receitas. Usa como base o livro da americana Julia Child, que escreveu o famoso Mastering the Art of French Cooking nos anos 60 - livro clássico de receitas francesas direcionado ao público americano. Para não correr o risco de começar e desistir no meio da empreitada, coloca uma meta: testar e publicar as 524 receitas do livro no prazo de um ano. Compromissada com seus supostos e invisíveis leitores, ele tem que ir em frente.

Paralelamente à história de Julie, o filme mostra a trajetória da Julia Child citada acima - a americana que se muda com o marido para Paris nos anos 1940 e, buscando fazer algo da vida, inscreve-se na escola de culinária Cordon Bleu e envereda pela arte da cozinha até escrever o livro e tornar-se apresentadora de televisão. Embora em gerações completamente diferentes, suas vidas são entrelaçadas de maneira engenhosa e divertida.

É uma comédia deliciosa de assistir, mesmo porque é real. Julia (Meryl Streep) deixou um livro de memórias, além do de culinária, e Julie (Amy Adams), o blog. (Vale dizer que a dupla de atrizes arrasa e também está em Dúvida.) Toda essa história virou o livro Julie & Julia pelas mãos de Julie (que finalmente virou escritora), que por sua vez se transformou neste filme. E ela que não acreditava que havia alguém do outro lado do monitor… Aliás, tem alguém aí?

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