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CONTÁGIO – Contagious
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Drama - 25/10/2011

DIREÇÃO: Steven Soderbergh

ROTEIRO: Scott Z. Burns

ELENCO: Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Marion Cotillard, Laurence Fishburne

Estados Unidos, 2011 (106 min)

Este inverno passamos aparentemente ilesos, mas quem não se lembra do surto de H1N1 e principalmente do frenesi que foram a volta às aulas, o medo do contágio vindo de outras cidades, países e continentes, potencializado pela volta das férias no ano passado? Quem não se lembra da corrida aos postos de saúde e hospitais para tomar a vacina, do aumento vertiginoso das vendas de álcool gel nas farmácias e das recomendações para evitar lugares públicos fechados como cinemas e teatros? De maneira controlada, sentimos na pele o que faz o medo de uma epidemia na mente das pessoas.

Contágio trabalha essa questão de uma forma muito didática e eletrizante. Ótimo filme do diretor Steven Soderbergh, também de Che – A Guerrilha e Che – O Argentino, sobretudo por tratar da questão da globalização. A rapidez da informação, do vai e vem das pessoas mundo afora também vale para os vírus e bactérias que são transmitidos através dos animais, alimentos, do ar, do contato. Tudo começa com Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow, também em Amantes), que viaja a trabalho para Hong Kong, volta para os Estados Unidos, faz escala em Chicago e finalmente chega em sua casa, em Minneapolis. Esposa de Mitch (Matt Damon, também em Invictus, Além da Vida, Bravura Indômita, Syriana – A Indústria do Petróleo) tem convulsões dias depois e morre. Ao mesmo tempo vemos um rapaz chinês morrendo no metrô com sintomas semelhantes, pessoas ao redor do mundo com tosse seca, febre, hemorragias seguidas de morte. De quatro vítimas, passamos para dezenas, centenas, milhares em poucos dias e o mundo entra em alerta.

Nesse momento de pânico, várias frentes entram em ação. Agentes da OMS, como a Dra. Leonora Orantes (Marion Cotillard, também em Meia-Noite em Paris, A Origem, Piaf – Um Hino ao Amor, Nine), tentam investigar a fonte da epidemia; cientistas trabalham para decifrar o DNA do vírus para elaborar a vacina; médicos lutam no campo de frente, correndo risco de serem também infectados, como a Dra. Erin (Kate Winslet, também em Titanic, Foi Apenas Um Sonho, Pecados Íntimos, O Leitor). Apesar do esforço dos profissionais do Centro de Prevenção de Doenças dos EUA, não há como controlar os ânimos, ainda mais com um blogueiro de plantão (Jude Law, também em Closer – Perto Demais), trazendo à tona todas as dúvidas sobre a manipulação da opinião pública pela indústria farmacêutica. O pânico é geral.

Interessante ver a situação de fora, como se não fizéssemos parte disso. Talvez na próxima vez que entrar num avião, você se sinta como um transmissor em potencial de qualquer doença para qualquer parte do mundo. Mas não é preciso ir muito longe. Quando você for ao cinema assistir a este filme, pense em quantas pessoas espirraram ou tossiram sentados na mesma poltrona que você – se você não se controlar, vai encontrar motivos de sobra para ficar paranóico. Portanto, controle-se. Mas que vale a pena ter um álcool gel na bolsa… ah, isso vale!

 

A CRIANÇA DA MEIA-NOITE – La Permission de Minuit
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França - 20/10/2011


DIREÇÃO e ROTEIRO: Delphine Gleize

ELENCO: Vincent Lindon, Emmanuelle Devos, Quentin Challal, Caroline Proust

França, Bélgica, 201o (110 min)

A criança da meia-noite é aquela que não suporta a luz natural. Por causa de uma deficiência genética chamada xeroderma pigmentoso, o XP, não podem ser expostos ao sol – os raios ultravioletas geram lesões na pele que via de regra evoluem para cânceres e uma consequente expectativa de vida mais curta. Essa doença rara e grave faz com que as crianças vivam como astronautas e sejam ‘noturnas’. Vestem roupas especiais, desenvolvidas pela NASA, que cobrem seu corpo todo, inclusive a cabeça. Além de estranheza, isso gera dificuldade de sociabilidade e aceitação – principalmente tendo em vista a fase já difícil da adolescência.

Romain (Quentin Challal) é esse garoto de 13 anos – que faz o papel muito bem, com intensidade e competência. Qualquer lesão é motivo de estresse, já que é preciso evitar, a todo custo, o aparecimento de um câncer. As cirurgias são iminentes e obviamente o desgaste, angústia e medo regem a vida desses doentes. O apoio emocional e familiar se são peças chave. No caso de Romain, a ausência do pai, que abandonou a família, faz com que seu médico David (Vincent Lindon, também em Mademoiselle Chambon, Bem-Vindo, Tudo Por Ela) seja o ponto de referência, o amigo, conselheiro na descoberta da sexualidade, o grande apoio. Mas David é transferido de cidade e é aí que se instala o problema.

Claro que viver evitando a luz do dia, conviver com a fragilidade e morte de outros pacientes e com o fato de a doença ser incurável já é drama suficiente – ainda mais considerando que Romain é um adolescente em pleno exercício da sua contestação e agressividade, da sua transição para a fase adulta. Para evitar a exposição, os pacientes têm que usar roupas parecidas com as de um apicultor – o que causa constrangimento, afastamento e  absoluta frustração. Mas o filme propõe outro drama, que é o da separação de dois amigos, o medo de enfrentar o mundo sem o apoio costumeiro, o medo de não suportar a perda. Todo o caminho que qualquer perda percorre, passando pela raiva, angústia, indiferença até que se chegue à compreensão é mostrado na relação entre médico e paciente, e entre David e a médica que vai substitui-lo, Carlotta (Emmanuelle Devos, também em Coco Antes de Chanel, Por Que Você Está Chorando?, De Tanto Bater Meu Coração Parou).

A Criança da Meia-Noite é um rito de passagem para a mudança, para a morte, para a vida a cada esperança, a cada cirurgia bem sucedida, a cada dia de vida conquistado. Sensível e singelo, traz para a tela um pouco da vivência daqueles que convivem com o diferente e lutam para serem como os outros.

 

WINTER, O GOLFINHO – Dolphin Tale
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Estados Unidos - 11/10/2011

DIREÇÃO: Charles Martin Smith

ROTEIRO: Karen Janszen, Noam Dromi

ELENCO: Nathan Gamble, Harry Connick Jr., Ashley Judd, Morgan Freeman, Kris Kristofferson, Reed Haskett

Estados Unidos, 2011 (113 min)

Gostoso programa para ver em família. Winter, o Golfinho é uma bonita história em que as crianças são as protagonistas, num mundo de adultos. São elas que fazem a diferença no filme e é por isso que os pequenos espectadores gostam tanto. E eu também gostei – tem um sabor do filme e do seriado Flipper, que passou por aqui nos anos 60 e 70.

O golfinho do filme se chama Winter e sua história é real. Enroscado em uma armadilha para caraguejos, Winter fica seriamente ferido. Sua cauda precisa ser amputada e, em casos como este, o golfinho raramente sobrevive. Mas é graças à relação com o garoto Sawyer (Nathan Gamble) que ele reage e acaba mobilizando toda a vida do hospital marinho de Clearwater, na Flórida. Sawyer se envolve com a causa e não sossega até que consegue que o médico especializado em próteses (Morgan Freeman, também em Invictus) desenvolva uma cauda para que Winter volte a nadar corretamente.

O filme tem a graça das produções em que as crianças são as heroínas, mesmo passando por situações difíceis – como perdas familiares, notas baixas, etc. É sabido que o contato com animais ajuda no processo de recuperação e de melhoria da auto-estima. Aqui não foi diferente, sendo que o benefício foi em mão dupla. Além disso, o caso Winter criou um vínculo forte com as pessoas que usam próteses de vários tipos e deficientes de uma maneira geral – o ponto forte do filme, tanto em termos de emoção, quanto da valorização da diversidade para a garotada que vai assistir.

Vale reforçar que essa história é real, Winter representa ele mesmo no filme e que recebe milhares de visitas no aquário. Quem quiser saber mais sobre o golfinho, é só entrar no site  www.seewinter.com. Pela webcam, ele pode ser visto no Clearwater Marine Aquarium, na Flórida.

PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM – Rise of the Planet of the Apes
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 28/08/2011

DIREÇÃO: Rupert Wyatt

ROTEIRO: Rick Jaffa, Amanda Silver

ELENCO: James Franco, Andy Serkis, Freida Pinto, John Lithgow, Brian Cox, Tom Felton, David Oyelowo

Estados Unidos, 2011 (105 min)

Um planeta dominado pelos macacos chega a assustar. Ainda mais agora, que achamos que estamos com o jogo ganho, que está tudo dominado – apesar da vista grossa que fazemos diante de tanta destruição. Mudar as regras do jogo no final, não vale. Como assim, ninguém avisou que era possível? Agora que destruímos grande parte das florestas e do habitat natural dos chimpanzés, se eles resolverem tirar a desforra, vão invadir a ‘nossa praia’. Nossa sim. Porque somos mais inteligentes, somos a evolução. Mas e se fosse o contrário e o espírito dos macacos, liderados por Caesar, fosse só e unicamente vingativo? Sobrevivemos nós, ou sobrevivem vocês – diriam eles.

E até isso eles acabam fazendo: se apropriam da fala, diferencial humano. Ultra-inteligentes, os chimpanzés do filme são animais criados em cativeiro, para serem usados em pesquisa científica. Will Rodman (James Franco, também em 127 Horas, Milk – A Voz da Igualdade, Comer, Rezar e Amar) é o cientista responsável pelo desenvolvimento de drogas que possam curar males como o Alzheimer, usando chimpanzés como cobaias – coincidentemente (ou nem tanto) seu pai (John Lithgow) sofre da doença. (Nesse ponto, vale dizer que o filme toca no tão questionado poder da manipulação genética, da mudança do curso natural das coisas e dos seres, sempre ligado à ambição pelo poder e pelo dinheiro.) Porém, uma reação adversa nos testes faz com que os animais tenham que ser sacrificados e Will acaba salvando um filhote que será Caesar (Andy Serkis, também na série O Senhor dos Anéis), o líder dos macacos. Caesar adquire modos de seres humanos, é criado por Will, seu pai e sua namorada Caroline (Freida Pinto, também em Quem Quer Ser Um Milionário, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos) e a relação vai bem até que, num instinto de defesa, mostra sua fúria e não pode mais ser mantido livre. A partir do seu encontro com outros da espécie e com a possibilidade de virar o jogo, o filme ganha um compasso de suspense e horror.

Digo horror sim, pela veracidade das imagens. Não são atores vestidos de ‘macacos’. São atores representando macacos, graças à tecnologia e a destreza dos profissionais envolvidos. A cena da Golden Gate é impressionante e impecável. A gente chega a acreditar que é realmente verdade. Os gestos são simulações humanas, o olhar é praticamente humano – e o pesar também, principalmente. Caesar aprendeu com o bem intencionado Will a ser ‘gente’, mas sua turma não teve o mesmo mestre. Portanto, a sugestão – e do jeito que foi finalizado, já é uma obrigação – de sequência provavelmente vai mostrar o quando Caesar será capaz de formar e formatar o seu exército. E se conseguirá manter a sua boa índole animal. Ou será instinto?

 

* O filme O Planeta dos Macacos, de 1968, dirigido por Franklin J. Schaffner, mostrava um astronauta desembarcando em um planeta liderado por macacos, onde humanos eram escravizados. A ideia rendeu continuações e uma série de televisão - esta última mais fresca na minha memória. Agora que o tema está de novo nos cinemas, seria interessante rever, até do ponto de vista da produção e da tecnologia.

 

NÃO ME ABANDONE JAMAIS – Never Let Me Go
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Inglaterra - 16/03/2011

DIREÇÃO: Mark Romanek

ROTEIRO:Kazuo Ishiguro e Alex Garland

ELENCO: Carey Mulligan, Andrew Garfield, Keira Knightley, Izzy Meikle-Small, Charlie Rowe, Ella Purnell, Charlotte Ramplimg, Sally Hawkins

Inglaterra, 2010 (103 min)

Não Me Abandone Jamais não é uma história de amor. O título e o cartaz (ao lado) sugerem o triângulo amoroso entre Kathy (Carey Mulligan, também em Educação, Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme ), Tommy (Andrew Garfield, também em A Rede Social) e Ruth (Keira Knightley, também em Desejo e Reparação, A Duquesa). De alguma maneira ele existe, mas para mim ficou muito claro que o filme fala justamente da ausência de amor e humanidade, das pessoas enquanto instrumentos, máquinas. Traz à tona a questão a importância fundamental da criação voltada para o próximo, para a vivência dos sentimentos. É de pequeno que se aprende a “ser gente”. Quem não tem essa escola de vida, passar por ela como mero corpo sem alma.

Kathy, Tommy e Ruth tiveram escola. Mas foi uma escola especial em Hailsham, isolada, só para crianças órfãs, criadas com rigidez, precisão e objetivos muito bem determinados. Foram ensinados a não sentir, a não se relacionar, a não ter contato com o mundo. Não foram ensinadas a viver e ter alma, mas sim a sobreviver, a cuidar do corpo e do científico. Na primeira cena, Kathy já diz que é uma doadora e cuidadora, mas  só se descobre a dimensão disso com o passar do filme. Quando assisti, não tinha ideia da abordagem - mesmo porque acreditava ser um romance. Pegou-me de surpresa e por isso não vou entrar em detalhes para que você tire suas conclusões. Fato é que não se trata de um filme leve, que entra numa dimensão existencialista, tratando da importância da referência familiar (e das sua consequente ausência), do exemplo (não se aprende o que não se vê colocado em prática), do contato (a demonstração do carinho, do amor). Somos máquinas a serviço de algo, peças do jogo ou seres humanos que se importam, vivem, sentem e escolhem?

Não Me Abandone Jamais, baseado no romance homônimo do escritor japonês Kazuo Ishiguro, é questionamento do começo ao fim, através do relato da vida de Kathy. O argumento pode até soar irreal e incompatível com o período em que o filme se passa, mas isso é secundário e irrelevante diante da beleza e profundidade do tema.

Estreia sexta, dia 18 de março.

A REDE SOCIAL – The Social Network
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 01/12/2010

DIREÇÃO: David Fincher

ROTEIRO: Aaron Sorkin, Ben Mezrich (livro)

ELENCO: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Brenda Song, Rooney Mara

Estados Unidos, 2010 (min)

Depois de pronta, disponível e acessada por mais de 500 milhões de pessoas, a ideia parece óbvia: criar uma rede de relacionamento na internet em que não houvesse invasão de privacidade, em que os próprios usuários disponibilizassem suas fotos, textos e vídeos e convidassem seus amigos para compartilhar as informações. E depois, eles convidariam os amigos dos amigos e assim sucessivamente. Mas não é tão obvio assim quando conhecemos um pouco da personalidade de quem teve a ideia – ou pelo menos parte dela.

Interessante pensar sob esse prisma. O filme A Rede Social, baseado no livro de Ben Mezrich, Bilionários Por Acaso, mostra o processo de criação do Facebook por Mark Zuckerberg, então com 19 anos. Protótipo do nerd, o universitário de Harvard não era lá um especialista em relacionamentos. Esquisito e egocêntrico, teve a sensibilidade de vislumbrar a ideia que influenciaria a rotina de 500 milhões de usuários, ficou bilionário e definitivamente mudou a maneira com que as pessoas se relacionam. Justamente ele que não tinha relações muito amorosas ou democráticas, que levou um fora da namorada e vingou-se fazendo fofoca na internet. Justamente ele que montou um site de relacionamento inicialmente com os alunos de Harvard, expandiu para outras universidades, passou a perna nos sócios, alegou ser só sua a ideia do Facebook e acabou enfrentando um milionário processo na justiça. Isso tudo é contado no filme de uma maneira rapidíssima, eletrizante e extremamente dinâmica – assim como é a internet e a mente de quem soube codificar a ferramenta que todo mundo queria usar.

O mundo não será mais o mesmo depois do Facebook – queira você ou não. Pessoal ou profissionalmente, a ferramenta mudou os paradigmas das relações – para o bem e para o mal, depende do ponto de vista. A Rede Social conta como foi o processo de criação do FB, que por si só é muito interessante. Mas dá para ir além e pensar um pouco na dinâmica do mundo de hoje, que está diretamente ligada à aplicação do conceito dessa rede. Sortudo ou visionário, pouco importa, o caminho não tem volta. Mark Zuckerberg veio para ficar.

Estreia dia 03 de dezembro nos cinemas.

AVATAR
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Divertir, Estados Unidos - 25/12/2009

avatarDIRETOR: James Cameron

ELENCO: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Lola Herrera, Joel David Moore, Giovanni Ribisi, Michelle Rodriguez, Stephen Lang

LOCAL, ANO: Estados Unidos, 2009

Assisti ao trailer de Avatar no cinema e não me interessei. Achei que era ficção científica demais para o meu gosto. Mas uma leitora do Cine Garimpo foi conferir e me avisou que eu tinha que ver, que era sim muito interessante. Lá fui eu. Ordens são ordens. E não me arrependi.

É ficção científica pura, claro – por isso, quem não gosta do gênero mundo-mágico-seres-imaginários, atenção! Mas tem um viés de natureza humana muito forte. Apesar de se passar no futuro, em um lua chamada Pandora, com seres azuis de três metros de altura e animais coloridos e extremamente selvagens, fala da relação do homem com o meio ambiente, da intolerância com o diferente, da ganância. Gostei por isso, embora se possa pensar que tudo não passa de clichê do tipo “destruidores dos povos nativos do planeta e da natureza”. Ora, cíclico ou não, isso faz parte da nossa história.

Esse mundo imaginário de Pandora é um lugar com uma natureza exuberante, que à noite fica fosforescente e parece mágico. Um lugar que tem uma crença, uma hierarquia e uma natureza em total harmonia com os Na’vi – como são chamados os nativos. Acontece que os cientistas descobrem que embaixo da árvore sagrada de Pandora há uma enorme quantidade de um minério valiosíssimo. Mas nesse planeta, o homem não pode transitar, porque o ar é tóxico. Por isso, os cientistas criam um programa chamado Avatar, em que o DNA dos nativos e dos humanos é misturado para formar corpos como o dos nativos, que funcionarão ligados ao cérebro humano. É como o avatar dos jogos da internet, em que se cria um personagem à sua imagem e semelhança, num mundo de realidade simulada. Assim, a ideia é fazer com que alguns homens possam ser espiões no mundo dos Na’vi e trazer informações úteis para conseguir tomar posse da jazida o mais rápido possível. Doa a quem doer.

Em termos de imaginação de roteiro, não há muita novidade. Tem mocinho e bandido, tem gente que muda de lado quando não concorda com a trama, tem paixão entre opostos, tem a covardia do mais forte contra o mais fraco. Mas tudo bem. O forte da imaginação está justamente na produção de tudo isso. E que imaginação! Parece que James Cameron (mesmo de Titanic) só começou a filmar o projeto, que demorou 10 anos para escrever, em 2005 – quando já havia tecnologia suficiente para dar asas, literalmente, à sua imaginação (digo literalmente porque as cenas de voo são lindas).

Deixo para o final o seguinte detalhe: não fui vem em 3D – dia de Natal, os horários estavam restritos. Se puderem, não façam o mesmo. O filme foi todo idealizado em terceira dimensão, para que o espectador pudesse realmente entrar nesse mundo surreal de Cameron. Acho que vou ter que rever. 

CATAVENTO – Instituto Cultural e Educacional (SP)
CLASSIFICAÇÃO: Dicas Afins - 20/10/2009

Dá inveja pensar no Smithsonian Institution, de Washington. Mas como isso não resolve nada, fiquei pensando o que nós teríamos aqui em São Paulo que pudesse abordar a ciência de uma maneira mais ampla. Assim, guardadas logicamente as devidas proporções, lembrei do Catavento Cultural e Educacional. Trata-se de um museu interativo, que aborda a ciência e o meio ambiente, divididos em quatro setores: Universo, Vida, Engenho e Sociedade.

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Além de ser muito bem montado e porporcionar a crianças e jovens a possibilidade de aprendizado e diversão, está localizado no belíssimo Palácio das Indústrias, no Parque D. Pedro II, centro. Construído entre 1911 e 1924 para ser justamente um local de exposições na São Paulo industrial da época, serviu também como delegacia, prisão, assembléia legislativa e prefeitura no decorrer do século. Com a fiel restauração, retoma sua função cultural. 

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Vale o passeio. O Mercado Municipal está ao lado, com seus queijos, temperos, sanduíche de pernil e mortadela e o delicioso chopp. E o metrô também (D.Pedro II ou São Bento) – o que facilita tudo.

www.cataventocultural.org.br; visitação de terça a domingo, das 9h às 17h. Recomendado para maiores de 7 anos.

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