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RENOIR
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França, Drama - 10/05/2013

renoirDIREÇÃO: Gilles Bourdos

ROTEIRO: Gilles Bourdos, Jacques Renoir

ELENCO: Michell Bouquet, Christa Theret, Vincent Rottiers

França, 2012 (111 min)

Nos últimos anos de vida, Renoir já sofria demais com a artrite que acometia principalmente suas mãos. Para um pintor teria sido motivo de parar a produção. Não para o impressionista, que trabalhou até morrer em 1919 e deixou um legado incrível.

Renoir, o filme, trata justamente desses últimos anos, em que faltava vigor físico, mas não criativo. 1915, Riviera Francesa. Seu filho Jean, que se tornaria depois cineasta, vai para a guerra, mas tem que voltar para casa porque é gravemente ferido. Nesse momento, Renoir tem uma nova modelo, Andrée, por que Jean se apaixona e que dá, realmente, novos ares à casa, à família e ao trabalho do pintor.
varilux 3Bonito esteticamente e interessante do ponto de vista da dinâmica dos quadros impressionistas, Renoir é para quem gosta de arte e de filme francês. Típico, tem aquela preocupação com a luz, tão importante nas obras impressionistas, e com o todo, mais do que com a forma. Talvez o que o diretor Gilles Bourdos tenha tentado fazer seja priorizar os pontos essenciais do movimento impressionista em seu filme, para então dar a sensação também de sentimento, intensidade e presente – aquilo que os pintores tentavam transmitir em seus quadros. Além de uma história de amor, mostra um lado que sempre me chama a atenção em filmes de época: a dinâmica do dia a dia, da vida doméstica, o figurino, os modos, a cultura.

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PARA MAIS INFORMAÇÕES, ACESSE O SITE DO FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 2013.

 

PARIS – MANHATTAN
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França, Comédia Romântica - 07/05/2013

paris-manhattanDIREÇÃO e ROTEIRO: Sophie Lellouche

ELENCO: Alice Taglioni, Patrick Bruel, Marine Delterme, Louis-Do de Lencquesaing, Michel Aumont, Marie-Christine Adam, Yannick Soulier

1 icone_DVDFrança, 2012 (77 min)

Em Paris, com alma de Manhattan, na pessoa de Woody Allen. Em uma farmácia elegante, porém pitoresca, cheia de placebos para a mente. É assim que vive e convive consigo mesma a bela francesa Alice (Alice Taglioni). Espirituosa e geniosa, tenta encontrar na companhia de Woody Allen, de suas conversas (imaginárias) com o diretor e de seus inúmeros filmes um alento para suas aflições – de seus clientes, para quem prescreve o cinema como medicação alternativa.

De uma maneira leve e romântica, a diretora Sophie Lellouche parece contar uma fábula. Tem o clima do também francês A Delicadeza do Amor, com Audrey Tautou. A história é diluída em comentários divertidos, muitas vezes improváveis, mas que não têm a intenção de ser real. Prentende navegar no universo imaginário do cineasta americano, que vê nas situações mais comuns da vida uma graça e uma pequena tragédia, e faz rir de si mesmo.

Alice perde um pretendente para a irmã mais velha, fica solteira, não aguenta reuniões e festas sociais, não atura a pressão da família para que arranje um marido, quer fazer o que bem entende e acha defeito em todos os homens que se aproximam – quando ela permite uma aproximação. Até que conhece Victor (Patrick Bruel, também em Qual o Nome do Bebê?), que não entra no jogo de Alice, mas mesmo assim vai precisar de uma mãozinha de Woody Allen para amolecer sua amada. Paris-Manhattan é doce, sem ser melado demais, e faz essa viagem interessante do refúgio de Alice na magia do cinema, para a realidade – que, afinal, não parece ser tão dura assim.

FERRUGEM E OSSO – De Rouille et D’os
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França, Drama - 04/05/2013

Ferrugem e OssoDIREÇÃO: Jacques Audiard

ROTEIRO: Jacques Audiard, Thomas Bidegain

ELENCO: Marion Cotillard, Matthias Schoenaerts, Armand Verdure, Céline Sallette, Corinne Masiero

França, 2012 (120 min)

festival_varilux_2013Marion Cotillard é um dos expoentes do cinema francês. Competente, intensa, marcante, veste seus personagens de uma maneira apaixonante. Ferrugem e Osso é um filme que escancara tantos sentimentos ao mesmo tempo, naquilo que o ser humano tem de mais nobre, podre, digno e indigno. Não diria, como vi escrito por aí, que se trata de um filme de amor, porque isso logo dá margem a romance. Não. Trata-se fundamentalmente de um filme sobre a capacidade de se reinventar diante das dificuldades da vida, de se reconciliar consigo mesmo. Dito isso, pode ser sim um filme de amor. Mas amor pela própria vida.

Só assim é possível conviver e lidar com a tragédia de perder as duas pernas. Stéphanie (Marion Cotillard, também em Até a Eternidade, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Contágio, Piaf – Um Hino ao Amor, Meia-Noite em Paris) vive sua vida sem muito entusiasmo e trabalha como adestradora de orcas em um aquário da cidade. Em uma das apresentações, ela sofre um acidente, perde as duas pernas e sua vida muda radicalmente. Paralelamente, Alain (Matthias Schoenaerts) está desempregado, precisa cuidar do filho e para isso muda-se para a casa da irmã, que mora na mesma cidade que Stéphanie.

As duas realidades se cruzam, sem que para isso o diretor Jacques Audiard (também de O Profeta) tivesse que criar um tema romântico. Pelo contrário. Cria um clima seco, quase pragmático, em que a dor da perda e do isolamento de Stéphanie e a frieza de Alain não se compadecem um do outro. Não há sentimento de compaixão, pena, companheirismo. Apenas uma troca de conveniências, dentro do que convém a cada um deles.

Além da crueza do tema, essa relação fria faz com que Ferrugem e Osso não seja um filme óbvio, muito menos fácil, e nem por um minuto doce. Duro de assistir, mas de uma autencidade impressionante sobre a essência humana. Dor e solidão não se confundem, mas o sofrimento faz trazer à tona a vontade de viver – e de viver melhor. A beleza está na descoberta dessa possibilidade, apesar dos pesares e limitações, sempre inúmeras. Uma das atuações mais completas de Marion Cotillard, que emociona, impressiona e justifica sua posição de destaque na cena mundial cinematográfica.

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ANNA KARENINA
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Inglaterra, Drama - 14/03/2013

anna karenina4DIREÇÃO: Joe Wright

ROTEIRO: Tom Stoppard, Leo Tolstoy

ELENCO: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Taylor-Johnson, Matthew Macfadyen, Eric MacLennan, Kelly Macdonald

Inglaterra, 2012 (129 min)

Anna Karenina de Joe Wright ganhou o Oscar de melhor figuro. Mais que merecido, mas este não é o seu grande trunfo. Além do cuidado primoroso com a estética do filme, com a reconstituição da Rússia imperial, Anna Karenina seria mais um lindo filme de época se não fosse o seu criativo formato teatral.

É justo perguntar: como assim? É cinema ou teatro? Os dois, mesclados de maneira harmônica e muito original. Para entender melhor, vamos aos personagens. Anna Karenina (Keira Knightley, também em Um Método Perigoso, Apenas uma Noite, Desejo e Reparação) é casada com o alto funcionário público Alexei Karenin (Jude Law, também em Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras, A Invenção de Hugo Cabret, 360, Um Beijo Roubado, Closer – Perto Demais). Vivem na Saint Petersburgo do final do século 19, rica e cheia de glamour para quem faz parte da seleta alta sociedade, mas num casamento frio e  protocolar. Tudo muito bem pensado para retratar a abundância e hipocrisia da era dos czares, antes de a Revolução Russa derrubar privilégios, palácios, riquezas. Até que Anna viaja para  Moscou, onde conhece um oficial da cavalaria (Aaron Taylor-Johnson) e coloca tudo a perder: sua reputação, seu filho, seu casamento, sua posição social.

anna karenina7Até aí, nenhuma novidade em termos de roteiro. O destaque é o ambiente teatral a que me referi. A repartição pública onde trabalha Alexei se transforma em restaurante com uma suave mudança de cenário, os funcionários viram garçons num piscar de olhos, realmente trocando o figurino na frente do espectador. O palco está fisicamente presente: vemos a orquestra tocar, os personagens encenarem, até que o palco se transforma em campo nevado, estação de trem, salão de festa e tudo mais que Joe Wright (também de O Solista, Desejo e Reparação) achou necessário para sair do lugar comum e compor a tragédia que se tornou a vida de Anna, inspirado no célebre romance de Tolstoy.

 

AS SESSÕES – The Sessions
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos, Drama - 23/02/2013

sessõesDIRETOR: Ben Lewin

ROTEIRO: Ben Lewin, Mark O’Brien

ELENCO: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy, Moon Bloodgood, Annika Arkin,

Estados Unidos, 2012 (95 min)

Assim como os três amigos deficientes se aventuram da Bélgica até a Espanha atrás da tão esperada primeira relação sexual em Hasta La Vista – Venha Como Você É, Mark O’Brien quer deixar de ser virgem aos 38 anos. Tetraplégico por causa da pólio desde os oito anos, Mark não perde o humor, apesar de todas as privações que sofre durante a vida. E bom humor aqui é fundamental.

Baseado em uma história real, As Sessões conta a história desse personagem que vai contar ao espectador suas experiências amorosas e sexuais a um padre. É através dessa narrativa que ficamos conhecendo como foram as sessões de terapia sexual com Cheryl (Helen Hunt, também em Náufrago, Melhor é Impossível). Especialista em terapia com deficientes, Cheryl ajuda Mark não só a conhecer seu corpo, mas a ter, de fato, uma relação sexual.

E é aqui que entra o charme do filme. Através de uma relação amorosa, sensível e de extrema honestidade, as sessões terapêuticas despertam nos dois sentimentos novos e uma generosidade imensa. Poeta, Mark registra seus desejos em versos e vive de fato relações de amor que se dão principalmente através do humor e da sinceridade das palavras. Assim como Intocáveis emociona por causa da amizade entre um tetraplégico milionário e seu cuidador, As Sessões também toca fundo pela sensibilidade no trato com as pessoas. Cada um sabe seu limite e esse respeito é evidente, sem qualquer sombra de piedade ou compaixão. Admiração pura.

Vale dizer que a dupla Helen Hunt e John Hawkes estão espetaculares – ela inclusive recebeu a indicação ao Oscar de melhor atriz. Sintonia fina, que faz toda a diferença.

 

DE CORAÇÃO ABERTO – À Coeur Ouvert
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França, Drama - 14/02/2013

de coração abertoDIREÇÃO: Marion Laine

ROTEIRO: Marion Laine, Mathias Énard

ELENCO: Juliette Binoche, Édgar Ramírez, Hippolyte Girardot, Aurélia PetitAmandine Dewasmes

França, 2012 (87 min)

 

Nos cinemas: 15 de fevereiro

Além de viver intensamente o amor pelo charmoso cirurgião Javier, Mila não quer acreditar que seu marido está desmoronando profissionalmente por causa do álcool. Isso é o elemento que faz De Coração Aberto ser forte e intenso. E o que faz com que Julieete Binoche (também em Cosmópolis, Elles, Cópia Fiel, Horas de Verão, Paris, O Paciente Inglês), na pele de Mila, tenha uma atuação tão marcante.

Adiciona-se a isso o fato de seu marido Javier ser vivido pelo venezuelano Édgar Ramírez (também no ótimo Carlos e A Hora Mais Escura), que dá o tom do romance impulsivo, vivido a cada instante, mas que se despedaça e não tem agilidade ou força para se reinventar. O casal tem uma boa liga, o que é fundamental para que o espectador entre no filme. Afinal, é uma história de amor entre dois cirurgiões cardíacos, que tapa o sol com a peneira na tentativa de não ver o lado sombrio da rotina, do vício, do fracasso e se desespera ao ver seu amor ser dividido com a notícia de uma gravidez indesejada.

Novidade mesmo, o roteiro não tem. Mas gosto bastante da intensidade das cenas em que o casal se depara com o pior dos mundos.  São verdadeiras, bem trabalhadas. Para quem gosta da incansável atriz francesa Juliette Binoche, que não para de trabalhar e apresentar novos projetos todo ano, é um prato cheio. E claro, o título prescinde de qualquer explicação.

 

 

O AMANTE DE RAINHA – A Royal Affair
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Drama, Dinamarca - 05/02/2013

DIREÇÃO: Nicolaj Arcel

amante da rainha

ROTEIRO: Bodil Sttensen-Leth

ELENCO: Alicia Vikander, Mads Mikkelsen, Mikel Boe Folsgaard

Dinamarca, 2012 (137 min)

Mads Mikkelsen é a referência nas telas quando se fala de cinema dinamarquês. A primeira vez que vi o ator foi em Depois do Casamento, da diretora Suzanne Bier. Tem um olhar misterioso e sério, próprio de personagens que nos causam dúvida, intrigantes. Ponto pra ele.

Só depois assisti a Coco Chanel & Victor Stravinsky, em que sua presença já não me  chamou tanta atenção, parece ainda imaturo na tela. Acho que Mikkelsen se destaca em personagens mais controversos e capciosos, como em A Caça, que foi exibido na Mostra de SP e é espetacular.

Em O Amante da Rainha, Mikkelsen está brilhante e ofusca qualquer atuação sem sal da princesa da Grã-Bretanha, Caroline Mathilde (Alicia Vikander), que se casa com Christian VII (Mikkel Boe Folsgaard), rei da Dinamarca. Isso acontece em 1766, quando o pensamento Iluminista está borbulhando na Europa e o poder da realeza sendo questionado.

Famoso por ser um sujeito esquisito, cheio de manias, boêmio e promíscuo, e por ter um comportamento alheio às questões políticas, sociais e econômicas do país, Christian também é alheio à esposa, que se entedia e acaba se apaixonando pelo médico alemão Johann Struensee (Mikkelsen). Struensee é escolhido para ser o médico particular do rei, depois o oficial da corte. Entra na intimidade do palácio, passa a aconselhar o rei em todas as esferas, inclusive política e pessoal. No que diz respeito ao país, dita as regras inspiradas no Iluminismo que está virando a Europa de cabeça para baixo; na seara pessoal, invade os aposentos da rainha.

Caroline Mathilde não só tem que enfrentar  a saia justa perante a corte dinamarquesa no século XVII, mas também o exílio na Alemanha. O filme é o concorrente dinamarquês ao Oscar de melhor filme estrangeiro, disputando a estatueta com o francês Amor. Além de esteticamente lindo, o filme mostra um interessante momento histórico e os bastidores do romance proibido. Um prato cheio para quem gosta de romance de época.

O LADO BOM DA VIDA – Silver Linings Playbook
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Comédia - 01/02/2013

lado bom da vidaDIREÇÃO e ROTEIRO: David O. Russel

ELENCO: Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Robert De Niro

Estados Unidos, 2012 (122 min)

Fazer o jogo do contente e ver sempre o lado positivo das coisas. É com esse lema que o improvável e instável casal formado pelos atores Jennifer Lawrence (também de Jogos Vorazes, Inverno da Alma) e Bradley Cooper (também de As Palavras, Se Beber Não Case) descobrem um ao outro. Cada um com a sua loucura, a meta é seguir a cartilha positiva– e é a isso que o título original diz respeito (Silver Lining Playbooks).

Aqui este detalhe é extremamente importante, já que é ele que vai tirar Pat e Tiffany do limbo e da confusão emocional em que se encontram. Pat acaba de sair do sanatório, onde foi parar ao ser diagnosticado bipolar, armar inúmeras confusões e praticar agressões; Jeniffer é intempestiva, inconstante e transou com todo mundo. Em meio a tanta ansiedade, manter-se positivo acaba abrindo as portas para uma nova relação. E para uma nova estratégia, diferente dos antidepressivos, para sair do buraco.

Mas não pense que estamos falando só de crises. Apesar de deixar bem claro a complexidade dos pacientes e a dificuldade de lidar com tantas intempéries, o diretor David O. Russel (também de O Vencedor) tem o dom de dar graça, leveza e genialidade a personagens comuns, gente sem qualquer heroísmo, além de contribuir para a total empatia entre os atores.

Por essas e outras (que incluem 8 indicações ao Oscar, Globo de Ouro de melhor atriz para Jennifer, assim como o troféu do Sindicato dos Atores – SAG) que vale a pena ver. Tem um tom de família caótica, que de uma maneira ou de outra se entende e se ajuda em meio à total incompreensão, barulho, falas entrecortadas, rojões de ansiedade. Assim como em Pequena Miss Sunshine, senti uma ordem no caos, um porto seguro na tormenta. Robert De Niro é âncora de tudo isso com seu transtorno obsessivo compulsivo. Mas também com seu amor de pai. Em volta dele, brilham Tiffany e Pat, que irradiam uma instável e salvadora alegria.

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