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PEQUENO SEGREDO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil, Biografia - 13/11/2016

Aqui no Brasil, todo mundo conhece a família Schurmann. Em 1984, Heloisa, Vilfredo e seus três filhos partiram num veleiro para dar a volta ao mundo e fazer história como pioneiros nessa jornada. Porém, em 1995, uma mudança fundamental acontece e o casal adota uma menina. A vida da família se transforma definitivamente.

É sobre essa travessia que o filme fala, baseado no livro homônimo escrito por Heloisa em 2012. Pra quem ainda não conhece a história, basta dizer que fala da adoção da neozelandesa Kat aos três anos, de seus pais biológicos e da vida dos Shurmann a partir de então. “Pequeno Segredo é um filme essencialmente feminino”, diz o diretor David Schurmann durante entrevista coletiva, o irmão da garota. E é mesmo, já que as figuras centrais são as mulheres.

Escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro (ainda vai passar por uma peneira em Los Angeles, até serem escolhidos os cinco que entram na reta final), Pequeno Segredo tem, de fato, um roteiro naturalmente emocionante, já que conta uma linda história de amor e dedicação. Pena que o cinema não esteja à altura desse relato e deixe a gente com vontade de realmente se emocionar.

 

DIREÇÃO: David Schurmann ROTEIRO: Marcos Bernstein, Vitor Atherino, David Schurmann ELENCO: Julia Lemmertz, Marcello Antony, Mariana Goulart , Maria Flor, Fionnula Flanagan, Erroll Shand | 2016

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CALIFÓRNIA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 03/12/2015

Quem foi adolescente nos anos 80, pode se preparar. Califórnia transporta a gente pra realidade daquela época, pro Feliz Ano Velho do Marcelo Rubens Paiva, pro telefone fixo, pro walkman, pra vitrola, pra cultura New Wave e tantas outras referências da época, inclusive musicais – The Cure, David Bowie, New Order, Titãs, Paralamas, Capital Inicial. Se essa não foi a sua realidade, o filme também é bacana. Afinal, vale a pena conferir o que faziam os jovens do colegial, ou melhor, do ensino médio daquela época.

A mesmíssima coisa que fazem os jovens hoje – aliás, por isso é atemporal. Roteirista e diretora do filme, Marina Person conta que queria fazer um filme sobre a vivência da sua geração naqueles anos da história do Brasil “Era um momento de abertura política, da Diretas Já, da formação de várias bandas de rock e da AIDS”, lembra ela. “A nossa geração começou a vida sexual junto com a epidemia que apavorou todo mundo.” É verdade. Hoje se fala pouca da Aids entre jovens e o índice de novos casos entre adolescente é muito alto. “Eu não tinha noção do que aconteceu na época, mas acho importante falar do assunto pro jovem se proteger”, diz Clara Gallo, que faz a protagonista Estela, uma adolescente que vive com intensidade as amizades, a descoberta sexual, as frustrações, os tabus impostos pelos pais e o medo de perder o tio (Caio Blat) que tem a tal doença tão temida.

Califórnia conversa com outro bom filme sobre o universo adolescente brasileiro, As Melhores Coisas do Mundo, da Laís Bodanzky. Embora sejam épocas diferentes (esse já é na era digital), os dois filmes se complementam, dão a visão do rito de passagem do ponto de vista feminino e masculino e ajudam a refletir sobre esse universo que, de tão complexo e fascinante, tanto assunto rende.

 

DIREÇÃO: Marina Person ROTEIRO: Marina Person, Mariana Veríssimo, Francisco Guarnieri ELENCO: Caio Blat, Clara Gallo, Caio Horowicz, Paulo Miklos, Virginia Cavendish, Gilda Nomacce| 2015 (90 min)

 

 

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CLUBE DE COMPRAS DALLAS – Dallas Buyers Club
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Biografia - 21/02/2014

Estou descaradamente torcendo para que Matthew McConaughey fature o Oscar. Se bem que Leonardo DiCaprio está na sua quarta indicação, merece pela carreira e pode ser que ganhe agora por O Lobo de Wall Street. Mas o drama vivido por Ron Woodroof em Clube de Compras Dallas é mais intenso, tem um tom humano, sem sátiras ou ironias. É a vida como ela é, na seara dos marginalizados, dos que sofrem preconceito, dos que remam contra a corrente. Apesar de o trabalho dos outros concorrentes (Christian Bale, em Trapaça, Bruce Dern, em Nebraska, Chiwetel Ejiofor em 12 Anos de Escravidão) ser também excelente, alguns filmes tocam mais fundo. E isso depende de muita coisa além do talento do ator: depende do estado de espírito de quem assiste, do tema e do impacto do filme. E nesse quisito, se Matthew McConaughey tem concorrente, ele se chama Chiwetel Ejiofor, que também causa tremendo impacto.

O difícil papel de McConaughey faz lembrar Tom Hanks em Filadélfia, que também levanta a questão da AIDS, a recém descoberta doença nos anos 1980, de uma forma emocionante – revi recentemente, vale a pena. Ron Woodroof é um eletricista, caubói nas horas vagas, em Dallas. Leva uma vida promíscua e desregrada, até descobrir que tem AIDS. Em 1985, a medicação do AZT ainda estava em teste e não há muito o que fazer para prolongar a vida de Ron. Mas determinado a ajudar as pessoas também contaminadas e inconformado com o prognóstico de que teria somente 30 dias de vida, começa a contrabandear uma droga do México que ajuda no tratamento. Funda o chamado Clube de Compras Dallas, em que os membros soropositivos pagam uma mensalidade para receber a medicação, que de fato melhora um pouco a qualidade de vida.

Parece que vemos na tela pessoas reais e não atores. Além do excelente protagonista, o ator Jared Leto está ótimo e também concorre à estatueta como ator coadjuvante. A história é verdadeira, daquelas de inacreditável virada de mesa e força de vontade de viver. Além, é claro, de frisar bem a questão transformadora. Homofóbico e intolerante, Ron se transforma em uma pessoa melhor, deixa cair por terra o preconceito e modifica também aqueles que acreditam na sua causa e que o acompanham até o final.

 

DIREÇÃO: Jean-Marc VAllée ROTEIRO: Craig Borten, Melisa Wallack ELENCO: Matthew McConaughey, Jennifer Garner, Jared Leto| 2013 (117 min)

 

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FILADÉLFIA – Philadelphia
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Biografia - 20/02/2014

O personagem de Tom Hanks sabe desde o começo que tem AIDS – não me lembrava disso. Assim, não se trata de descobrir que tem a doença, nem de revelar à família que é homossexual. Esse drama não pertence a nós, espectadores. Filadélfia é essencialmente o tribunal, a questão do preconceito contra o brilhante advogado Andrew Beckett (Tom Hanks, também em Forrest GumpSintonia de Amor, Tão Forte e Tão PertoCapitão Phillips).

Vale dizer que estamos no começo dos anos 90, quando milhares de casos apareciam no mundo todo, causando pânico nos grupos de risco e na sociedade em geral. Lembro de o filme chocar na época pela objetividade com que trata o assunto, que acaba por englobar não só o preconceito contra os portadores do HIV, como também contra homossexuais, afroamericanos, negros e outras minorias. Tom Hanks ganha o Oscar de melhor ator, mas conta com um parceiro à altura. Denzel Washington (também em O Livro de Eli) é seu advogado e com clareza pontua a manipulação, o interesse econômico e os direitos iguais de uma pessoa, independente de orientação sexual, comportamento ou raça.

Vale rever, principalmente agora que entra em cartaz o ótimo Clube de Compras Dallas, também sobre o tema. O assunto do preconceito ronda nosso dia a dia de maneira inclemente. E tem mais: a música Streets of Philadelphia, de Bruce Springsteen, é linda e levou o Oscar de melhor canção.

 

DIREÇÃO: Jonathan Demme ROTEIRO: Ron Nyswaner ELENCO: Tom Hanks, Denzel Washington, Roberta Maxwell, Karen Finley, Mark Sorensen Jr. | 1993 (125 min)


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LIFE, ABOVE ALL
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, África do Sul - 22/01/2012

DIREÇÃO: Oliver Schmitz

ROTEIRO: Dennis Foon

ELENCO: Khomotso Manyaka, Keaobaka Makanyane, Lerato Mvelase, Tinah Mnumzana, Aubrey Poolo

África do Sul, 2010 (100 min)

Melhor avisar antes: este filme ainda não está disponível aqui no Brasil, a não ser que você alugue no Apple TV. Cheguei nele pela seleção da categoria Un Certain Regard, do Festival de Cannes, e para minha surpresa estava disponível para alugar pelo ITunes. Já disse aqui que gosto especialmente dessa seleção de Cannes, por trazer filmes sensíveis, que têm de fato um olhar apurado e diferenciado sobre algum tema cotidiano e universal como Pecado da Carne (Israel), Trabalhar Cansa (Brasil), Mother (Coreia do Sul), A Banda (Israel), Tulpan (Cazaquistão), Abutres (Argentina).

Life, Above All, ou A Vida, Acima de Tudoretrata a dura realidade de um vilarejo rural nos arredores de Johanesburgo, na África do Sul. A grande protagonista é Chanda (Khomotso Manyaka), uma menina de 12 anos que amadurece antes do tempo pelas dificuldades da vida. Tem de lidar com o padrasto que bebe, com a amiga que se prostitui, com a mãe doente, além de cuidar dos dois irmãos menores e despistar os vizinhos que difamam a família. O diretor Oliver Schmitz (também de um episódio de Paris, Eu Te Amo) dá a Chanda a força e a coragem que são a espinha dorsal do filme.

Sem ser um filme muito especial, Life, Above All foi considerado um dos melhores filmes estrangeiros de 2010 pela associação dos críticos americanos e é de fato um muito bonito filme sobre as sequelas que a AIDS deixou no continente africano, tanto do ponto de vista da doença e da epidemia em si, mas principalmente do ponto de vista do entendimento da epidemia. O que é algo científico, ganha por lá um sentido de maldição, de penalidade, de vergonha; o que é para ser combatido com medicamentos e tratamento é feito de acordo com as crenças e rituais. Chanda representa a família destruída não só pela doença, mas principalmente pela perda da honra, da dignidade aos olhos dos vizinhos. Mas aos olhos do diretor, é preciso também deixar claro que o amor de mãe e filha, a capacidade de acolher e perdoar são o grande motor dessa menina-guerreira.

DICA: Quem quiser ver mais sobre o tema África, não deixe de assistir a Minha Terra, África, com Isabelle Rupert. Também um retrato muito interessante e intenso sobre a realidade do continente, mas aqui tem um viés político e colonialista.

 

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