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MINHA VIDA DE ABOBRINHA – My Life as a Zucchini
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Animação - 17/02/2017

Cheio de ternura, Minha Vida de Abobrinha é daquelas animações que pegam a gente de jeito. Por três motivos bem básicos – e bem suficientes pra te dar a dica de sair do comum.

Aliás, esta é a primeira: animação que tem um traço diferenciado, que sai do padrão hollywoodiano (nada contra, só diferente), já chama a minha atenção. É feita com a técnica stop motion, aquela dos bonecos de massinha filmados quadro a quadro. Isso por si só já cria uma certa intimidade com os personagens, principalmente com o protagonista Abobrinha – esse garoto de 9 anos, que é abandonado pela mãe “que bebe muita cerveja”, vai parar num orfanato e, aos poucos, recupera a autoestima, a vontade de viver e ganha o amor de uma nova família.

A segunda é justamente o tema: a ternura e a amizade transformam a vida do garoto, que chega ressabiado, sofre bullying, vai aos poucos se encontrando e se desmancha em alegria quando faz novos amigos e se sente novamente amado. Tema adulto, essa dureza do abandono e da tristeza. Mas a amizade salva. Sempre!

Por fim, a qualidade desse cinema que é capaz de trazer um assunto tão comum, tão explorado, de uma maneira sensível e única. Cinema francês, concorre ao Oscar de melhor animação e vai pra lista do Cine Garimpo de animações que fogem do traço tradicional.

 

DIREÇÃO: Claude Barras ROTEIRO: Gilles Paris, Céline Sciamma ELENCO: Gaspard Schlatter, Sixtine Murat, Paulin Jaccoud | 2016 (70 min)

 

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PEQUENO SEGREDO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil, Biografia - 13/11/2016

Aqui no Brasil, todo mundo conhece a família Schurmann. Em 1984, Heloisa, Vilfredo e seus três filhos partiram num veleiro para dar a volta ao mundo e fazer história como pioneiros nessa jornada. Porém, em 1995, uma mudança fundamental acontece e o casal adota uma menina. A vida da família se transforma definitivamente.

É sobre essa travessia que o filme fala, baseado no livro homônimo escrito por Heloisa em 2012. Pra quem ainda não conhece a história, basta dizer que fala da adoção da neozelandesa Kat aos três anos, de seus pais biológicos e da vida dos Shurmann a partir de então. “Pequeno Segredo é um filme essencialmente feminino”, diz o diretor David Schurmann durante entrevista coletiva, o irmão da garota. E é mesmo, já que as figuras centrais são as mulheres.

Escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro (ainda vai passar por uma peneira em Los Angeles, até serem escolhidos os cinco que entram na reta final), Pequeno Segredo tem, de fato, um roteiro naturalmente emocionante, já que conta uma linda história de amor e dedicação. Pena que o cinema não esteja à altura desse relato e deixe a gente com vontade de realmente se emocionar.

 

DIREÇÃO: David Schurmann ROTEIRO: Marcos Bernstein, Vitor Atherino, David Schurmann ELENCO: Julia Lemmertz, Marcello Antony, Mariana Goulart , Maria Flor, Fionnula Flanagan, Erroll Shand | 2016

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A LUZ ENTRE OCEANOS – The Light Between Oceans
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Austrália - 04/11/2016

O novo longa com Alicia Vikander, vencedora do Oscar por A Garota Dinamarquesa, e Michael Fassbender, também em Steve Jobs, vai roubar muitas lágrimas. Toca em temas universais como o amor incondicional de uma mãe por um filho, a culpa, a ética, a compaixão. Vá preparado. Nem o mais duro dos corações vai sair ileso do conflito de ter que fazer a escolha entre conviver com uma mentira e preservar o amor, ou viver na verdade e correr o risco de perder a razão de viver.

Baseado no livro homônimo, A Luz Entre Oceanos conta a história do ex-combatente da Primeira Guerra que aceita ser o guardião de um farol em uma ilhota perdida na costa australiana, para se refazer, na solidão, dos horrores do combate. Mas Tom conhece Isabel. Eles se casam, ela engravida duas vezes, perde os dois bebês e fica deprimida com a situação. Até que o casal é surpreendido com a chegada de um barco com uma criança, que acaba preenchendo aquele vazio devastador.

A tomada de decisão é aqui fundamental. Ficar com o bebê ou reportar a chegada do barco aos superiores? O misto de sentimentos muda tudo e transforma os personagens até o desfecho. Embora o drama vire melodrama em alguns momentos, estamos falando aqui de um filme que quer trazer todas essas questões à tona mesmo. Diferente de Namorados para Sempre, do mesmo diretor, os personagens Tom e Isabel não são lá tão profundos como poderiam ser, mas a trama faz despertar esses temas humanos, com que todos se identificam e se emocionam. E, convenhamos, Vikander e Fassbender estão incríveis e se consagram como atores de primeiríssima linha.

 

DIREÇÃO: Derek Cianfrance ROTEIRO: Derek Cianfrance, M.L. Stedman ELENCO: Alicia Vikander, Michael Fassbender, Rachel Weisz, Florence Clery | 2016 (132 min)

 

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FELIZ QUE MINHA MÃE ESTEJA VIVA – Je suis heureux que ma mère soit vivante
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França - 23/03/2011

DIREÇÃO: Claude Miller, Nathan Miller

ROTEIRO: Alain Le Henry (roteiro), Emmanuel Carrère (artigo)

ELENCO: Vincent Rottiers, Sophie Cattani, Christine Citti, Yves Verhoeven, Maxime Renard, Olivier Guéritée, Ludo Harley, Gabin Lefebvre, Quentin Gonzalez, Chantal Banlier, Thomas Momplot

França, 2009 (90 min)

Feliz que Minha Mãe Esteja Viva vai bem até quase o final – eu dispensaria, sem medo de errar, o desfecho do filme. Faria um corte alguns minutos antes. Mas este filme só existe por causa justamente do final – a história original foi encontrada num artigo e transformada em filme pelos diretores, que são pai e filho. Curioso, porque o tema em questão é justamente a família, as frustrações não resolvidas, a revolta e a falta de harmonia. Mas não de forma genérica, e sim num caso de adoção.

Em poucas palavras, uma mãe jovem coloca os dois filhos para adoção; quando o mais velho cresce, resolve ir atrás da mãe verdadeira. Com os pais adotivos, esse rapaz é rude e agressivo, não quer formar vínculos; com a mãe verdadeira, desenvolve um relação de posse, apropriação, na tentativa de resgatar os 15 anos em que se sentiu desprezado, mas não se preocupa em cuidar da construção emocional e equilibrada desse relacionamento. A evolução de tudo isso é interessante, inclusive do ponto de vista da família que os adotou. Mas o desequilibrado e instável Thomas não encontra seu lugar ao sol. Se bem que, na última cena, um leve sorriso indica que talvez tenha chegado onde pretendia. Ou seria puro sarcasmo? Não sei, de qualquer maneira, reitero que cortaria a redenção final. Terminaria o filme na cena fatídica. Quem for ao cinema, verá.

Estreia sexta-feira, dia 25 de março.

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DESEJO DE SER MÃE – Nordeste
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Argentina - 09/03/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Juan Diego Solanas

ELENCO: Carole Bouquet, Mercedes Sampietro, Aymará Rovera, Ignacio Jiménez, Emilio Bardi

Argentina, 2005 (104 min)

Quantos serão os locais ermos que facilitam a adoção de crianças e bebês sem o rigor jurídico que o assunto requer? Quantos serão os países pobres que favorecem esse tipo de contrabando, já que muitas famílias não têm condições de cuidar e educar seus filhos? É nesse contexto que a executiva francesa Hélène (Carole Bouquet) vai até um vilarejo argentino para adotar uma criança e acaba se envolvendo com um esquema ilegal de adoção e com a real questão das famílias sem recursos da região.

A temática, como se vê, é boa, interessante e deve estar bem mais perto de nós do que imaginamos. Mas o filme em si não inspira muito e me deixou com a sensação de que faltava alguma coisa. A proposta é mostrar uma realidade e deixar que o espectador pense sobre o assunto. Tudo bem, isso muitas vezes funciona quando é feito de uma maneira interessante e instigante. Apesar do assunto forte e importante, Desejo de Ser Mãe é um filme morno, que sugere sem instigar; que apresenta, mas não dá elementos para que o assunto continue na mente e cause reflexão. De qualquer forma, é um filme interessante para registro e para levantar a questão da corrupção, dos esquemas ilegais, dos ganhos desmesurados no comércio de vidas humanas. Em épocas em que tantos artistas famosos adotam crianças em países de terceiro mundo, me pergunto que dimensão real teria o assunto.

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DESTINOS LIGADOS – Mother and Child
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos, Drama - 11/08/2010

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Rorigo Garcia

ELENCO: Naomi Watts, Annette Bening, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, S. Epatha Merkerson, Cherry Jones, Shareeka Epps.

Estados Unidos, 2010 (125 min)

Há alguns temas que exigem um cuidado extra para não cair no dramalhão. Adoção é um deles. Por isso a importância de algo diferente não só na direção, como também no roteiro. Talvez tenha sido essa referência das histórias interligadas a origem do título em português. Não gosto, acho clichê, mas transmite exatamente o que o filme é na prática: são três histórias diferentes, cujas protagonistas têm seus destinos ligados pela adoção. Prefiro o original Mother and Child, que transmite o que o filme é na sua essência: uma lição sobre a força da maternidade e, portanto, sobre o laço familiar, em contrapartida à solidão que a sua falta pode causar.

São três fios condutores que, de alguma maneira, terão alguma relação no decorrer da história – embora isso demore um pouco para ser delineado, o que prende a atenção e torna o filme interessante. São eles: uma adolescente tem um filho aos 14 anos, coloca-o para adoção e vive uma vida amarga, arrependida, de uma relação com a maternidade frustrada e vazia. Vida vazia também vive a jovem e competente advogada, que prefere não estabelecer vínculos afetivos, talvez por nunca tê-los vivido. Há ainda uma terceira mulher, casada, que deseja ser mãe, mas não pode ter filhos. Opta pela adoção, que mexe com a estrutura familiar de uma maneira irreparável.

Com sensibilidade, o diretor tece uma rede de relações humanas, lideradas por mulheres que têm, nas relações originadas pela maternidade, o seu norte. As relações truncadas dentro de cada uma delas conduzem a um desfecho bonito sobre um tema tão delicado.

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JUNO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Drama - 02/03/2010

 

Juno

 

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DIREÇÃO: Jason Reitman

ROTEIRO: Diablo Cody

ELENCO: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons

Estados Unidos, 2007 (96 min)

 

 

Juno é imperdível: consegue tratar o assunto “gravidez na adolescência” com graça, leveza e seriedade, sem que para isso o tema seja banalizado ou tenha um tom agressivo. Ellen Page é formidável na pele de Juno. Grávida do amigo – nem namorado era – ela se vê no dilema de o que fazer e como conduzir a gravidez – caso seja essa a opção. A história se desenrola e a partir daí é uma sucessão de cenas despretensiosas, de tiradas engraçadas, de situações caricatas da adolescência. Tudo com muita cor e música (a trilha sonora é muito bonita, lembra a brasileira Mallu Magalhães).

O grande diferencial do filme – que faz toda a diferença e faz dele um filme delicioso (me lembra inclusive 500 dias com ela) – é a relação que Juno estabelece com o mundo a seu redor. É uma adolescente típica, em termos de humores, dúvidas, inseguranças, irresponsabilidades – mas também é diferente das outras. Descolada, espirituosa e autêntica, fala o que vem na cabeça, tem uma relação aberta com o pai e a madrasta, narra a sua própria história – o que já mostra ser uma pessoa mais consciente das suas dúvidas, por assim dizer. E é esse questionamento que garante os bons diálogos do filme.

Atenção à primeira cena do filme. O diretor Jason Reitman (também de Amor sem Escalas) dirige Juno entrando pela enésima vez em uma daquelas lojas americanas em que se vende de tudo, inclusive teste de gravidez. Ela se entope de suco de laranja e vai, lá mesmo, no banheiro da loja, checar se o positivo dos testes anteriores é verdadeiro ou não. Não há tabu ou vergonha que a impeçam de ser verdadeira e assumir o que fez. Foi aí, já de cara, que Juno diz a que veio.

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