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RAPSÓDIA EM AGOSTO – Rhapsody in August
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão - 22/11/2011

DIREÇÃO: Akira Kurosawa

ROTEIRO: Akira Kurosawa, Kiyoko Murata (livro)

ELENCO: Sachiko Murase, Richard Gere, Hisashi Igawa, NArumi Kayashima, Tomoko Ôtakara, Mitsunori Isaki, Toshie Negushi

Japão, 1991 (98 min)

“Há pessoas que ficam silenciosas quando falam.”

 

Alguns falam, mas não dizem nada; outros preferem o silêncio, que é mais eficiente que um discurso inteiro. Com sábias palavras como essas, olhares, gestos e silêncio, a matriarca da família japonesa atravessa o tempo de dor pela perda do marido na explosão da bomba atômica de Nagasaki em 1945, da destruição da cidade, da necessidade de seguir viva, cuidando, educando e transmitindo sabedoria e paciência às novas gerações. Na cultura japonesa já ocidentalizada em muitos aspectos, Rapsódia em Agosto é um exercício de compreensão dos sentimentos e razões para se viver em cada uma das épocas. Filme de observação.

A senhora Kane é uma sobrevivente da guerra. Perdeu o marido ainda jovem, separou-se dos irmãos que foram se dispersando para outros cantos. O que foi para o Havaí, casa-se por lá, forma uma família ocidental, faz fortuna e perde o contato com os familiares e com a cultura japonesa. Quando os sobrinhos vão visitar o tio (pai de Richard Gere) que está morrendo nos Estados Unidos, os quatro netos adolescentes têm a chance de conviver com a avó e com o rico e antiquado, mas não menos importante, repertório e vivência desta senhora.

Rapsódia em Agosto traz questões muito interessantes sobre as heranças históricas e familiares que cada geração carrega. A geração pós-guerra japonesa carrega o trauma da bomba nuclear e a americana, a culpa por isso, da mesma forma que os alemães têm que conviver com o fantasma do nazismo dos tempos de Hitler (falamos disso em filmes alemães como Se Não Nós, Quem?). Como as gerações processam as atitudes passadas e elaboram o perdão e a culpa? Uma senhora, que viveu os horrores da bomba atômica e suas mais cruéis consequências, consegue perdoar e ensinar a perdoar, mas não a esquecer. O ritual de homenagensàs vítimas do ataque em agosto são singelos e de forte impacto, e se perpetuam no tempo.

Assim como em Marcha da Vida, em que judeus que viveram o Holocausto percorrem o caminho entre os campos de concentração com jovens, para que o passado não seja esquecido e que os ensine a olhar para frente e construir um mundo melhor, a senhora japonesa de Rapsódia em Agosto faz esse papel. Ensina seus netos a não guardar rancor, a lembrar para não repetir. O que deve apaziguar a alma, mas não diminuir a dor.

Rapsódia em Agosto é um singelo e bonito retrato da passagem do tempo. A dor é retratada pelo esforço (a última cena da chuva), pela sabedoria, pela lembrança. O importante diretor japonês Akira Kurosawa entrega aos jovens a carga da esperança, da construção de um mundo com menos mágoas. Deposita neles o futuro, mas enaltece a importância do passado, da história, das raízes e da família.

 

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