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PROCURANDO ELLY – Darbareye Elly
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Irã - 08/09/2010

DIREÇÃO: Asghar Farhadi 

ROTEIRO: Asghar Farhadi e Azad Jafarian 

ELENCO: Golshifteh Farahani, Shahab Hosseini, Taraneh Alidoosti, Merila Zare’i, Mani Haghighi, Peyman Moaadi, Ra’na Azadivar, Ahmad Mehranfar, Saber Abbar 

Irã, 2009 (119 min) 

Quando se fala em filmes iranianos, logo pensamos em produções lentas, paisagens árduas e diálogos raros. Procurando Elly foge da regra e é por essa e por outras que vale a pena conferir. Importante dizer que a atriz Golshifteh Farahani (que faz Sepideh) foi pressionada pelo governo a não fazer este filme, que ele foi proibido no Irã e que depois disso a bela atriz (que também filmou com Ridley Scott) teve de pedir exílio na França. Só por isso já é interessante saber o que Procurando Elly revela de tão ameaçador ao status quo. É o poder pela censura e pela falta de liberdade de expressão, em tempos de Mahmoud Ahmadinejad.  

O filme vai muito além da procura por Elly contada de antemão pelo título. Elly de fato desaparece em um fim de semana entre amigos. Ela é convidada por Sepideh, mãe de uma de suas alunas, a passar o fim de semana na praia. Por ser solteira, Sepideh quer apresentá-la a um amigo recém-chegado da Alemanha, que acaba de se separar. Antes do sumiço, tudo parece transcorrer normalmente. Depois do desaparecimento de Elly, o frenesi está armado, as mentiras são reveladas e é a chance do diretor Asghar Farhadi (vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim 2009) de trazer à tona as questões mais pertinentes que engessam a rígida sociedade iraniana. 

A partir da situação de conflito, são colocadas em xeque questões polêmicas para nós ocidentais, como a posição da mulher na sociedade muçulmana, o uso permanente do véu e principalmente a questão da honra. Tudo pontuado com muita sensibilidade. Não que os sinais do mundo ocidental não existam. Pelo contrário: os carros, os celulares, a mala Louis Vuitton estão presentes e são marcantes – prova de que não há como tapar o sol com a peneira. Mas há situações interessantes como a representação de Deus no jogo de mímica, o perigo da mentira que leva à mentira, a adjetivação da esposa ideal – simpática, saudável, gentil. Se Elly aparece? Pouco importa, isso é só o pano de fundo de uma discussão muito mais profunda.

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