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OS EUA X JOHN LENNON – The U.S. vs. John Lennon
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 20/03/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: David Leaf e John Scheinfeld

ELENCO: Walter Cronkite, Mario Cuomo, Angela Davis, J. Edgar Hoover, Ron Kovic, John Lennon, G. Gordon Liddy, George McGovern, Richard Nixon, Yoko Ono, Geraldo Rivera, Gore Vidal

Estados Unidos, 2006 (99 min)

Passou na Mostra de Cinema de São Paulo e infelizmente ainda não foi lançado em DVD por aqui. Assim que sair, aviso. Este documentário sobre a resistência aberta que John Lennon fez à política de guerra norte-americana é contado através de depoimentos atuais de peças-chave da época, assim como pela voz de Lennon.

Entre as figuras importantes, estão agentes do FBI, ex-colaboradores do governo Nixon, ativistas, escritores, jornalistas, ex-combatentes de guerra, Yoko Ono. Gente influente que esteve ou nos bastidores da Casa Branca arquitetando para deportar Lennon, ou na defesa do ex-Beatle pela paz mundial, pelo fim do racismo e pelo fim da guerra do Vietnã no fim dos anos 60 e começo dos 70. Essa montagem é muito interessante e bem feita. As imagens de Lennon e Yoko dos protestos para chamar a atenção do mundo para a sua causa, a indignação dos jornalistas diante do talento “desperdiçado” em prol da idealista paz e a capacidade de angariar simpatizantes é impressionante. Até mesmo os agentes do FBI, que grampearam seus telefones e seguiam seus passos como se fosse um criminoso, dizem que tudo não passou de um exagero. Mas de fato havia um temor de que o emblema “John Lennon” fosse uma ameaça ao status quo e ao que a Casa Branca desejava na época. Na dúvida, era melhor agir.

Fato é que ele realmente reunia uma multidão, era contra toda a campanha americana de guerra e conseguia ganhar as manchetes e a atenção das pessoas, principalmente quando o refrão era “all we are saying, is give peace a chance“. Respaldado por sua esposa Yoko Ono, Lennon levanta a questão importante da responsabilidade do artista que tem voz, palco e público, contra a apatia. Responsabilidade não só de entreter, mas de lutar e representar quem não tem como chegar no palanque. Mas é preciso ter coragem. Fiquei pensando na situação de quem, aqui no Brasil, colocou a boca no trombone durante a ditadura. Não foram poucos e as consequências, brutais. Lennon também foi corajoso, e nem americano era. Gostei do seu argumento: a causa era mundial e ele tinha que dizer a que tinha vindo.

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