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O ABRAÇO DA SERPENTE – El Abrazo de la Serpiente
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Colômbia - 26/02/2016

Adoro a categoria “filme estrangeiro” dos festivais de cinema. É um garimpo maravilho e, principalmente, diverso dos olhares pelo mundo. E quanto mais diversos, melhor. Este colombiano não leva o prêmio, porque tem um concorrente fortíssimo, o húngaro Filho de Saul, mas na verdade já ganhou muito com essa indicação. O Abraço da Serpente é único, na sua profundidade nos âmbitos da natureza, do ser humano e do conhecimento. E, claro, entra na esfera de como tudo isso se relaciona e constrói a sociedade como a conhecemos hoje.

Filmado em preto e branco, o enredo se passa na floresta Amazônica, em dois momentos. No primeiro, um cientista holandês se relaciona com Karamàkáte, um poderoso xamã da Amazônia; no segundo, esse mesmo índio, único sobrevivente do seu povo, encontra um inglês, que vai até a floresta para buscar uma flor específica, capaz de ensinar a sonhar. O que se passa nos dois momentos não se resume aos encontros em si. Vai muito além e bem a fundo na questão do explorador europeu, das terras indígenas, da igreja católica que impõe o seu credo aos índios e dizima sua cultura, da pretensão do homem branco de que o conhecimento lhe pertence e de que pode determinar quem, e que culturas, apropriar-se dele ou não (a cena da bússola é incrível, reparem).

Por essas e por outras, O Abraço da Serpente é um estudo das sociedades, dos avanços e retrocessos, do sagrado que há na natureza e da preciosidade do conhecimento milenar, não formal, empírico. Tanto seria melhor não houvesse comparação entre os saberes, se fossem complementares. Assim como deveriam ser os humanos, em seus relacionamentos. Complementaers. O filme termina e fica aquela sensação de imensidão no ar, na floresta, na passagem do tempo, na paisagem mágica. Funciona como uma metáfora da diversidade e do bom que é pensar informalmente, de maneira irregular e sem regras, mas onde harmonia tem a prioridade. Assim como a floresta. Belíssimo filme.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Ciro Guerra ELENCO: Brionne Davis, Nilbio Torres, Antonio Bolívar, Jan Bijvoet | 2015 (125 min)

 

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